CarênciasSuzette RizzoBem poderiastrocar o creme de barbear,mudar o creme dental,deixar o cabelo crescer,ser poeta...Bem poderiasbeijar ardentemente,usar as mãos de modomais apaixonado,mostrar-se mais amantemenos macho.Bem poderias ser outro abraço,ter outro papo,tocar violão, cantar pra mim,mudar um pouco.Ah! bem poderias ser 'o outro'...Eu bem que gostaria!
4 de janeiro de 2014
Falta de ar
Suzette
Rizzo
Que emboscada!
Nessa hora
queria asas,
quatros
patas,
ser rio de
corredeira,
nuvem
apressada.
E nem a
chuva lava,
nem a vida
passa
ou essa
coisa desmaia.
Estou
enredada
feito um
peixe semimorto
de boca
aberta,
pedindo
socorro entre soluços
espetada em
quatro arestas .
Não morro...
mas
desespero-me quando a boca fecha.
Esse mundo é
um soco no meu nariz,
cúpula
fechada, refluxo...
E ele o
que é? Astuto ou aprendiz?
Só sei que
atrela sem motivo todas elas
e quem já é
tão infeliz!
Sunday, January 05, 2014
Sempre quis
saber
Suzette Rizzo
Sempre quis saber o
porque
daquele abraço
repentino,
do olhar acomodado,
a sugar o meu de
carinho.
Sempre quis saber
se alguém desfaleceu
com mero olhar
ou já sentiu
total invasão a
intimidar
Sempre quis saber
se alguém caminhou por
ruas perigosas,
entrou em locais
arriscados,
a procura do
olhar telepático, de quem reclamou presença.
Sempre quis saber se
alguém amou assim, antes e
depois...
Se alguém, se entregou
de alma
sem que o corpo se
entregasse.
Sempre quis saber, se
alguém já conheceu,
quem na verdade
ninguém decifra
ou provou como eu,
tudo e nada na vida.
Sempre quis saber se
alguém conheceu
um anjo vestido de
negro
ou uma alma do
avesso.
Eu sempre quis saber,
mas nunca soube;
Se aquele amor foi
paraíso
ou infernos que
mereço
MISTURA DE DORES
Suzette
Rizzo
Qual palavra,
fortificará meus ouvidos
cansados
de tantas mentiras?
De quem, o calor capaz de abraçar
a minha fragilidade
e restaurar o quebrado da minha essência?
E tive, sim, um escudo... forte como aço,
invencível em qualquer batalha.
Derreteu-se, no fogaréu das más ações...
Fugiu na água jorrada lá do meu fundo!
Estão desfeitas todas as coisas vagas
e aquelas concretas,
que eu via através da vidraça
e de dentro da redoma,
geradora de sonhos paradisíacos,
que então, transformaram-se em bruxaria,
e mais tarde implodiu no peito
como bolhas de asma!
Ah, os sonhos!
Derramando maças vermelhas
pelo meu caminho!
Jamais retornarão ou povoarão
o interior angustiado...
nunca mais, daquelas delicias...
Porque a raiz da minha macieira,
foi arrancada,
o furor do vento quebrou-me as asas,
uma águia deglutiu-me a fala...
Para que eu não possa conquistar espaços,
nem gritar socorro,
neste silêncio que eu faço!
Suzette Rizzo
Suzette
Rizzo
O
mar é uma poesia,
mais
ainda quando a vela do barco tremula
ao
sol crepuscular.
Estrelas
são poesias
reluzindo
os mistérios do infinito.
Que
bonito!!!
Vento
é poesia!
Já
ouviste o vento calmo
cantando
baixo aos teus ouvidos?
O
éter, as folhas que balançam,
um
olhar, um sorriso, os pássaros,
os
peixes e animais, não são magia?
A
vida é um poema,
cada
uma das nossas vidas,
cada
lágrima, cada saudade...
Tento
um verso na estrofe,
capturá-lo
do melódico infinito
ao poema
nem metade
Realidade triste,
inspiração fraca
quando
os sonhos de amor não sucedem
e
se cegam a via láctea.
Suzette
Rizzo
Eita!
Suzette Rizzo
...e vou
seguindo meu caminhozinho,
sem qualquer
novidade.
Acordando
manhãzinha,
respirando
os ares do meu quintal,
arrancando o
mato atrevido,
ouvindo o
latido dos meus cães,
todo dia,
tudo igual.
A paixão,
aquela, já foi pro espaço,
o anjo lindo
fugiu pro céu,
encantar quem lá está...
E
tal previu o pai de santo,
amor mesmo,
nunca mais!
Como diz meu
ex mineiro:
‘Eita’ tédio
aborrecido,
maltratando o
pensamento,
noites e
dias inteiros.
Eita, vida
burocrata, chata, cansativa,
combinada
comigo.
E hoje, pra
completar,
nem lua, nem
sol,
inspiração
melhorzinha,
nada,
nada...
Nenhum faz
de conta que o vazio
vai passar
depressinha.
E essa
maré baixa
quase sem
onda,
distante,
distante...
nem
enxergo de tão longe,
até parece a
vida minha.
Eita,
caminho bravo!
De
pedregulho,
machucando
meu orgulho,
mostrando o
quanto é inútil,
querer ou
tentar mudar .
Nenhuma
vitória,
nenhum par
nesta corrida maluca.
E como disse
o pai de santo
num 31 que
findava,
eu sou filha
de Iemanjá.
E quem é, disse-me ele:
"num dianta não fia, num chega lá!”...
Do jeitinho que eu gostava
Suzette Rizzo
Sinto
como se fosse hoje
o
contato da sua boca
e
a estranha reação.
E
vejo em meus olhos quando lembro,
o
mesmo brilho que vi nos seus.
Quem
era você ou quem fui
naquela
louca madrugada
não
importa e nunca importou.
O
fato é que sentimos livremente
um
pelo outro,o
mesmo torpor
Depois,
encontrei sua voz
do
outro lado da linha
e
você nem reconhece a minha
pois
consegui em dois dias
rouquidão
emocional.
Mas
descubro que preciso do simples
dos
beijos que senti,
guardei
e
nunca nesse tempo todo
por
mais distante que estivesse
esqueci.
Incrivelmente,
naquela noite,
atirei
meus princípios na sarjeta
junto
a dor que me apunhalava
E entre
beijos, sem qualquer toque atrevido,
nosso
olhar fez amor
do
jeitinho que eu gostava.
Suzette Rizzo_
Putz!!!
Suzette Rizzo
Uma é mulher e a outra será.
A outra, a que se foi,
ele implora no poema
e cavalgando voltará.
E há aquela que preferiu a igreja
e foi atrás de Jesus,
mas lembra sim do carcará.
São tantas que o fogo apaga,
pra quem assiste e pra quem existe...
A outra apenas se exibe, exibidora será.
Logo a pele envelhece,
o corpo também, o tempo voa...
Sobrou a mulher persistente
e a novidade que virá.
E eu? Uma voz vem de longe
e cochichando me responde:
_Sobrarás!
Saturday, January 04, 2014
Tantos pensamentosSuzette Rizzo
Solitários, enigmáticos...Aconchegando frases filosóficas,dicas cósmicas, conjecturas.Debaixo do sol,sentada numa grande pedra, penso,invoco respostas para as minhas dúvidas.Ouço de mim deduçõese deslizo sobre o papel palavras,dirigem-se elas a lugar algum.Recolho-mee somente na penumbra da minha solidãoo silencio responde algo... indecifrável.
Sonhos?
Suzette
Rizzo
Sonhei algo
embaraçado,
rumei terras
distantes.
Adentrava campos de
esmeralda,
solo forrado de folhas
vivas,
insetos que os pés não
pisavam.
Os bichos cercavam-me
a alma
cantando canções de
acalanto...
ouvia-lhes
a voz de amor aos quatro
cantos.
Acima da cabeça estrelas
móveis,
mescladas,
reluzindo chuvas de
outono.
No rio meu reflexo
não mais de
desencanto.
Por dentro a alma
serena,
meu signo descansando as
patas,
o cachorro lambendo-me as
mãos
e uma rua de casas
brancas
era a minha
direção.
Sentei-me na pedra
lisa
e um duende coroou de
flores
minha novíssima
vida.
Alguém me
sorri
e lê um poema
místico...
Acordei perfumada do
incenso
que não
acendi.
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