30 de outubro de 2017

Mais um sonho - Suzette Rizzo



Alma esmiuçada,
corpo também decomposto
ambos rolando o cosmo,
gritando sós, por socorro.
O cachorro no portão todo molhado
da chuva grossa,
meu olho lacrimejado,
ambos órfãos, gêmeos, coitados
e outros rótulos.
Um prospecto no chão
perto do cão que come a foto...
Temos fome de afeto,
queremos dono.
Acordo chorando...
mais uma merda de sonho!
Suzette Rizzo




Lucubração - Suzette Rizzo




Durmo acordada,
nem sei que tipo de vigília é esta.
Também não sonho, não falo, nem ronco... 
Minha cabeça é turbilhão constante,
um Déjà Vu  realmente louco. 
Durmo (?) assim, de lado, sentada,
virando-me de cá pra lá, a noite toda.
De repente, levanto para pentear o cabelo,
é sempre assim...
Temo morrer descabelada,
juro , tenho medo!
Durmo acordada, entre lágrimas, ligada,
pelo menos não viajarei sem saber que morri...
Prefiro a lucidez,
o sentir dor do faquir que finge não fingir.
Suzette Rizzo - October 30, 2017









29 de outubro de 2017

Contrações - Suzette Rizzo





















Como seria deitar a cabeça no travesseiro
e sentir leveza,
descansar enfim, das alfinetadas da vida!
Invejo quem se aninha,
namora sob estrelinhas,
na noite sedutora e limpa
brilhando o olhar dos casais.
Como seria sentir sono,
pálpebras pesadas,
repouso criança,
sonhar sonhos inteiros,
não ter más lembranças,
espreguiçar-se ao acordar.
Bom demais!
Pergunto então, como seria
a despreocupação total.
E sinto fragrâncias,
uma voz e a resposta:
“Jamais saberá quem viveu
o apocalipse na infância”.

Suzette Rizzo -  Sunday, October09, 2017






Isca - Suzette Rizzo


Enquanto morro o mundo se agita,
Mas... por outro lado,
guerras vomitam bombas nas gentes caídas
e a terra aguarda o pó das vidas.
Enquanto grito alguém canta
e remexe o corpo em danças típicas.
Há uma disparidade entre meus dias
e dias alheios,
mas, isolo-me das coisas bonitas ou feias.
Retorço-me em pesadelos e ele (o mundo) brinca.
Vivo restos de ciclo, eu vou ele fica.
Aguardo o além arrancar-me pela raiz
com sua potente pinça.
Ai!!! Vejo o mundo como um motor possante
e a vida igualmente veloz.
Sinto-me isca de tubarão gigante
e o mistério da vida um nó.
Suzette Rizzo


27 de outubro de 2017

Versículo - Suzette Rizzo


Hoje, o sol brilhou intenso
e não choveu como sempre.
Escrevi uns poucos versos,
encontrei alguma rima,
observei passarinhos,
fiz também o inverso:
Tomei decisões,
entendi meu coração,
afastei coisas passadas
do pensar,
limpei meu templo
das tolas ilusões.
Hoje o sol amorenou meu rosto
e secou dos olhos meus desgostos.
Tudo isso
por causa de um versículo
fenomenal:
"Para cada dia basta o seu mal"

Suzette Rizzo

 

26 de outubro de 2017

Trocas - Suzette Rizzo



Ando em feridas, sobre areia quente e grossa,
sentindo o que os seres chutam e espalham
desforrando em mim suas lesões,
qualificando-me “mártir” de modo ofensivo
por meu silencio que afoga
e as vezes desata tensões.
Ando em feridas... id, ego, físico,
doloridamente empanturrada
de tanta emoção frustrada,
pactuada por eles  
os seres inábeis, omissos...   
Amor... manda daí do Cosmo o patuá do seu Orixá,
para eu poder limpar com sal o que de ti me afasta
e me cerca de perigos.
Suzette Rizzo - July 8, 2012



Edição Dirce Royal Story - Poesia Dor do amor eterno - Suzette Rizzo



Amigos:
Mais um lindo presente da minha querida amiga 
Dirce Royal Story


Ausência - Suzette Rizzo




Seguro a caneta buscando palavras
mais próximas aos sentimentos
e faço esses desenhos
que nem de longe se parecem
com as minhas emoções.
Coloco a mão na testa
medindo o grau do delírio
que alastra e queima pensamentos,
aumentando o fogo da saudade
e o fogo dos tormentos.
São apenas desejos da alma
pós relento,
o que me faz sentir calores e odores,
da presença que eu quero
e não tenho.

Suzette Rizzo - January 04, 2008 








24 de outubro de 2017

Willamatte Stone - Heart Like Yours (Postado por Crowka)




Noite fatigada - Suzette Rizzo



Abandono o pensamento na imensidão da noite
e, assim, entregue,
percorro os olhos por estrelas diminutas,
procurando não sei quê...
Talvez um eclipse descuidado não registrado,
quem sabe um vulto perdido,
uma estrela cadente,
uma lua pintada de vermelho,
descendo pela alvorada
em disputa com o sol.

Não importa o que procure,
o importante é que encontre algo,
nesta madrugada louca de solidão.
O importante é que abandone
este pensar inoportuno nada solidário,
atrativo de almas noturnas penalizadas,
antecipando aos meus olhos,
qualquer mera emoção.
Carreguem eles pelos raios do luar
toda a minha melancolia.

E descubro num ponto qualquer ,
uma nuvem mais clara...
paro ali na diferença,
tentando saber atrás dela o que há.
Quem sabe um óvni ...
quem sabe o espírito da noite,
tentando passar poesia
a esta deserta alma
Nada vejo, mas sou capaz de imaginar.

E então, escrevo, apoiada na imaginação,
meus desencontrados pensamentos...
E consolada entre miragens que só eu vejo,
deito-me na cama...
janela semiaberta, perigo rondando a casa...
mas, que importa ?
Se sou a presa de sofredores,
alimento preferido de noites esfomeadas
da minha alma.

Eu só queria escapulir deste corpo,
acordar o sol,
fazer  mágica !
Suzette Rizzo -  *o2 2oo5*



Livres do mal - Suzette Rizzo



Estamos  no céu
brincando de carnaval,
de ser Pierrot e Colombina,
amores recém acontecidos,
ambos enlouquecidos,
vivendo uma doce sina.

Estamos no paraíso
sob a arvore da vida,
sentindo delicias,
sabores adocicados,
entre palavras lindas.

Nascemos Adão e Eva,
fomos Romeu e Julieta,
casal imortal.
Estaremos amanhã no céu
sob estrelas coloridas,
livres de todo mal.

December 03, 2011



Inferno mundo - Suzette Rizzo



Mundo hostil, cujas garras
rasgam vidas inteiras...
Mestre da selvageria humana,
olhos de imã, diabólicos,
hipocrisia sorrateira.

Todas as suas ousadias
são coisas doidas e
devoradoras...
Mundo fazedor de histórias mutiladas,
afastado de lembranças sãs,
destruidor de mansas páginas.

Mundo maligno,
piromaníaco
de sonhos bons e não,
glutão da alma e do amor,
fazedor de dor e lágrimas.

December, 05 2006



Atração - Suzette Rizzo


O que me atrai,

é a sensibilidade verdadeira

moradora nas palavras

escoltando emoções cálidas.

O que me atrai é bem isso...

A calma da emotividade,

bailando o que se vê

enquanto alma.

O que me atrai é o cantar da vida

nas tardes adocicadas do mel do verão.

O que me atrai enfim, são as asas da poesia,

em plena abdução

                                           Suzette Rizzo

 

Impraticabilidade - Suzette Rizzo



Quisera gritar
como a adolescente da casa vizinha,
correr do bicho papão como na infância minha.
Quisera retornar alguns anos,
quando a vida era esperança
e o sonho ilusão audaz.
Quisera o tempo parado de voar
e que a luz me estacionasse
nos tempos em que não se caminha,
nem pra frente , nem pra trás.
Ou então, quisera gritar, cantar, dançar,
chorar pela avenida, aquela,
(triste tarde de chuva grossa),
porém, sentir o que era espontâneo
e eu chamava de amor.
                             Suzette Rizzo




Aspiração - Suzette Rizzo






De sonho em sonho,
retalho em retalho
por todos os atalhos
vou indo.

De vida em vida, (e creio nisso)
vou emendando meu cordão
e que algo me tire de vez deste limbo
e me leve ao paraíso.

De verso em verso,
que eu chegue ao último dos universos
depois de todos os meus ciclos.

Da vida, quero apenas isso!
Suzette Rizzo








23 de outubro de 2017

Do livro: Mentes Ansiosas - de Ana Beatriz Barbosa Silva



Quer saber de uma coisa? Todo mundo tem medo, uns têm medinhos, outros medões, mas no fundo tudo é medo puro e simples. Sentimos medo de manhã, às vezes à tarde e muito mais à noite, não necessariamente nessa ordem. Medo de não ver o pôr do sol, de não poder ir à praia no domingo, de jogar a bola para fora do gol, da areia quente, de que o chope esquente ou a onda se arrebente. Medo de cair, de sair, de se divertir, da felicidade, da fatalidade, da bala perdida, da fome, de ter e de perder, seja lá o que for!  Medo de trair e ser traído, de perder o grande amor, de amar e não ser amado, de dizer adeus, de partir, de mudar, de renovar, de dizer eu te amo! Medo de bruxa, do escuro, do bicho-papão, do vento, da ventania, do relâmpago e do trovão. Medo da morte: a sua, a do seu amigo, a do seu filho e a dos seus pais. Medo de esquecer o que foi bom, de enlouquecer, de não viver, do prazer, de querer sempre mais e nunca mais parar de querer. Medo do terror, dos terroristas, dos que manipulam os horrores humanos, dos que adoram o poder, de não poder com esse tipo de gente. Medo de envelhecer, das rugas, dos cabelos brancos, da osteoporose, da menopausa, da calvície, de virar pó e da certeza de que a vida é uma só. Medo de experimentar coisas novas, umas melhores e outras piores, mas o que vale é o movimento, somente o que está morto não se move. Medo de olhar no espelho, do fracasso, da decadência, da não reação, do marasmo, da acomodação. Medo de falar a verdade, de não ter verdades pelas quais lutar, de magoar, de brigar, de perdoar. Medo de não ter o filho desejado, de não vê-lo crescer, de vê-lo adoecer, de não vê-lo feliz. Medo do chefe que grita, que não elogia, que não explica, que não brinca, que só xinga, que assedia. Medo da solidão, da rejeição, do telefone que não toca, da palavra não dita, do “mico” não pago, da alucinação da paixão, do beijo não roubado, da dor do amor não correspondido, das velas não apagadas, do grito não ecoado depois do sexo em perfeita comunhão. Medo da diferença, da indiferença, da arrogância, do desprezo, da ignorância, do preconceito, do politicamente correto, do jeitinho brasileiro, da corrupção, da inflação, da humilhação, da falta de profissionalismo dos políticos, da inveja, da tristeza, das escolhas, do seu corpo, do passado, do presente e do futuro. Medo de gastrite, otite, sinusite, faringite, meningite, hepatite, celulite e tudo o que é “ite”. Medo da responsabilidade, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, do recomeço, de cantar, de dançar, das crenças, das encrencas, de dar e receber opinião, de ter voz e voto, de não ter voz e voto, de aturar gente de má índole, de má vontade e sem educação. Medo de casar, de se divorciar, de casar de novo, de não poder mais voltar. Medo de se perder, de endurecer o coração, de não sonhar e de nunca mais se achar. Medo de errar, de não ter o que dizer, de falar demais, de se calar diante da covardia, de engolir o choro da emoção, de não crer e não ter fé em Deus, em si e na vida. Medo da enchente, de não gostar de gente, do ladrão, de não ser o único e virar nenhum na multidão. Medo de pensar “inho” e acabar tendo uma vidinha cercada de gentinha, de perder o emprego, de nunca mudar de emprego por puro medo da mudança, medo da mediocridade e da maldade. Medo da ditadura, do neoliberalismo, do comunismo, do nazismo, do radicalismo, da guerra, da bomba de Hiroshima, de Nagasaki, do tsunami, do Katrina, do terremoto, da chacina, da rebelião, do vandalismo, da escravidão, da sofreguidão, da falta de poesia, da realidade nua e crua. E, por fim, o medo de não ter coragem para enfrentar tudo isso, mesmo que isso não tenha fim...  
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva






Estampas da alma - Suzette Rizzo


Não sai do pensamento
certas cenas presenciadas com dor
E acordo assim, a pensar tristezas,
tentando dissipá-las da minha cabeça.

Nada poético os capítulos dos meus dias,
nenhum interesse ao folhar algum livro,
buscar algo na internet
ou viver meu ritual tranquilo.

Procuro amenidades a esta impressa dor
e abraço mais e mais a crença na vida eterna.
Arrisco esvair meu reservado mundo interior...
Mascarar o que me resta.


Suzette Rizzo -Sunday, May 27, 2012


Indagação - Suzette Rizzo






Por ele, fiz o que pude e não
nos tempos de privação.
Por ele, vaguei madrugadas,
enfrentei ruas perigosas,
querendo salvá-lo das contravenções.
Fiz de tudo... 
E ele, por que não se cuidou?
Não correu dos riscos, da má vida,
não se aquietou em seu canto,
não aceitou a provação merecida?
Foi uma grande punição a dele!
E pergunto aos seres dos céus
desde o triste acontecido,
por que ele se deixou morrer,
por que matou meu sonho paradisíaco!
Suzette Rizzo