No Reino da Felicidade, tudo é
criança. O vermelho é vermelho e o branco brilha. O problema se resolve, a dor
não machuca e é sempre hora de brincar. A gargalhada da menina é o espanto do
menino, as vozes são lindas e as nuvens também, mesmo as que chovem.
No Reino da Felicidade a maldade não
tem vez, todos são heróis e a ternura flutua sobre as pedras. O sorvete é mais
gostoso e a música é o assombro do medo, Carlos ama Martha e Martha ama Carlos.
Perderam-se todos os meios
de chegar à sensação buscada
outra vez.
Ser feliz, afinal, seria exatamente o quê?
A sala iluminada?
O papo da madrugada?
Seria poder viver o quê, a tal felicidade?
Mesmo tristonha e solitária
a Deus agradeci pela vida restada
e pelo sentir que me consumia.
Então, fingi cantar como num karaokê,
fingi sorrir não sei pra quê, fingi que esquecia, fingi que dormia,
poetava...
Só não fingi que morria
porque morria sem você.
Foi então, que descobri a felicidade;
Estava na memória,
na alma que se enfeitava em cada noite,
para sonhar saudades.