22 de agosto de 2015

Facilidades e dificuldades


Facilidades e dificuldade 
Suzette Rizzo

Fácil escrever o coração,
a emoção que vem de impulso
e se deixa transparecer.
Difícil é alguém perceber,
sentir tal e qual
seja o que for,
mal de amor ou dor,
do querer ou do sofrer...
Fácil construir frases,
fazer versos,
difícil é passar a outrem
o sentido correto.
Escrevo o que vem,
quando quero e preciso.
Difícil é ter a essência que tenho
e viver o sentir que vivo.







Emanações



Emanações
Suzette Rizzo

Embutidos os sentimentos e
emanam somente o que são
sem imagens de ninguém.
Estou como o mar
de encontro ao rochedo
entoando a canção
das águas cansadas
do ato rotineiro.
Não posso criar alegorias
se o enfado está nu de modelos
e o padrão anda incolor
de fantasias.
Meu corpo experimenta
outra vez olhos vazios
e a essência desalentada
nem mais se agarra
aos tais fios.

Suzette Rizzo –
December 07, 2007


(O Amor não é oriental ou ocidental, é só o Amor.
E só quem ama é que sabe, que isso não se explica,
só se sente).
Wagner Borges 







     

Estranhezas


Estranhezas
Suzette Rizzo

Estranho a pele, a matéria,
canso-me dos dias
um após outro
em nada desigual.
Estranho as feições,
o rápido envelhecer,
o ser que sou.
Estranho a vida,
o porque dos poucos amigos
e da família que se foi.



Estranho o mundo cruel,
a tecnologia que não para
de crescer
e o bizarro de nos dois 

Suzette Rizzo_ October 24, 2008






21 de agosto de 2015

Nulidades



Nulidades
Suzette Rizzo


Embrulhei as ilusões,
guardei as na gaveta,
eram balas de goma somente 
adoçantes da vida feia.
Joguei fora a papelada dele,
que já deu água na boca
simples versos preenchendo
noites sós, insônias loucas.
Ajoelhei nos bancos das igrejas,
sem ao menos entender
o que fazia.



Mudei de religião, fiz a minha.
Imaginei tantas coisas nesta vida
descobri as tolices que eu cria.
Fui obrigada a escolher
o presidente do meu país
mas, recusei-me a eleger
qualquer deles,
nunca esteve no planalto
quem fez o povo feliz.
Faço uma trouxa de tudo,
das pessoas que me enganaram,
daqueles que julguei tão bons
e da vida que vivi...
Enrolo enfim o velho tapete
com tudo que aprendi,
expulso dos ouvidos
tudo tudo que ouvi,









Confissões



Confissões
Suzette Rizzo 

Devoro imagens
sigilosas,
pedaços de tempo guardados
no vaso entalhado
junto as hastes espinhosas. 

São fases e gestos
projetando faces nuas...
Vejo e toco imagens
frias e cruas. 




Desvio a fixação maldita dos meus olhos...
Já não prefiro rodopiar entre passagens
da historia minha e tua.
  

Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados





19 de agosto de 2015

Rumi


Juízo final (meu)

Juízo final
(meu)
Suzette Rizzo 

Como se eu fosse a terra
e um cometa colidisse por aqui
causando estrondo indescritível
e eu pelos ares.
Não morri, mas sinto o calor do solo
queimando a sola dos extraviados passos,
a necessidade de companhia
e terrível carência de  abraços. 




Cada qual seguiu seu rumo,
neste juízo final...
alguns se foram para as estrelas
outros perderam-se no buraco negro
e quanto a mim,
retornei   
a cratera deserta. 

Piso a terra árida,
depois afundo-me em areia movediça
e já não sei o que seja a vida.
Mas ainda respiro
apesar de ingerida pelas lavas. 

Nem ouso entender por que
e se a resposta vem no sonho
não ouço,
por mais que pergunte a Deus 


Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados




Nem vital... Nem mortal


Nem vital... Nem mortal
Suzette Rizzo


Nunca mais fixação 
nem recordar calhordices. 
Não necessito como antes
encontrá-lo ou senti-lo  
nas profundezas de mim. 
Não era vital conservá-lo 
nem mortal esquece-lo... 



Desandei somente
em sentido contrário, 
provando-me, no entanto, 
o quanto foi arbitrário, 
traze-lo tão intimamente 
em meu peito.  


Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados


Desta vez



Desta vez 
Suzette Rizzo


Afogo a poesia
ouvindo a nossa melodia...
Mas esse romantismo não alivia
e muito ao contrário,
apenas desgasta a vida
e alaga a alma iludida.




Não é preciso que leias
até o ponto em que chega,
a mordedura do amor
nesta vida.

Versos borrados
o que mereces...
Inspiração deletada
o que mereço.

E nada de melancolia,
nunca mais  a lama do desespero,
nem apelar a tua indiferença
arredia. 

Desta vez, não pago o preço.


Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados 




Alguém como você



Someone Like You

Adele


Carências


Carências
Suzette Rizzo


Bem poderias
trocar o creme de barbear,
mudar o creme dental,
deixar o cabelo crescer,
ser poeta...
Bem poderias
beijar  ardentemente,
usar as mãos de modo
mais apaixonado,
mostrar-se mais amante
menos macho.
Bem poderias ser outro abraço,
ter outro papo,
tocar violão, cantar pra mim,
ser mais louco.
Ah! bem poderias ser 'o outro'...
Eu bem que gostaria!

Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

Hora certa

Hora certa
Suzette Rizzo 

 
É hora do adeus
às coisas passadas,
hora de recomeço,
hora certa de viver.
Hora de fechar a cova,
plantar lírios,
enfeitar a casa de rosas. 

 



Hora de acender as luzes
e curar os joelhos feridos.
De rir com vontade,
apagar a saudade, isso sim. 

Com ela na alma
não da pra expulsar
o patético de mim.

Art Ju Friend
 


18 de agosto de 2015

Nunca mais amei pessoas






Nunca mais amei pessoas
Suzette Rizzo

Vi o esboço de um sorriso
na hora da minha desgraça
e, entre outras coisas,
chorei portas fechadas
na minha cara...

Sofri tal e qual os mendigos
confundidos com marginais, 
cuja classe abastada 
ergue os vidros dos carros
nos sinais,
exibindo olhos de asco,
aos pobres mortais !

Vi um pacote de macarrão voar
se espatifando na mesa,
quando tive fome e pedi...
E vi mãos que se encolheram,
ouvidos que se fecharam,
quando mais sofri !

E no meu aposento escuro,
deitei-me no velho colchão
e deixei vazassem dos olhos
a tamanha desilusão,
remoendo a humilhação...
chorando até pelos poros,
com janelas fechadas à vida
em pleno dia de sol...

E não apago de mim
a total decepção !
Nunca mais amei meus iguais
como amo os animais...

Suzette Rizzo
07/01/00




Lindo card


O presente da lua





O presente da lua
Suzette Rizzo 

A lua magicamente azul,
soltou um melancólico blues,
atravessando muros e portas. 

Fez uma apologia ao amor
e todos os deuses cantaram
incentivando a terra morta. 



Laura, a mulher misteriosa,
ergueu seus olhos aos céus
sorrindo a compreensão da lua. 

Molhou-se na fonte
de um país cristão,
abriu seus braços de anjo,
suspirou toda a emoção ! 

E incrivelmente agradecida e clara,
a lua moveu-se
como em tempo algum,
unindo estrelas esparsas ! 

E o céu salpicado
fechou passagens,
para que Deus não inalasse
nenhuma atrocidade!

Suzette Rizzo