25 de agosto de 2015

Poemas semi-vivos


Poemas semi-vivos
Suzette Rizzo

Sentimentos antagônicos
esses meus,
desejos desencontrados,
esperanças soterradas
sob um passado
que o tempo sorveu.

Olho a imensidão
admiro constelações,


mas, nada de inspiração...
Escrever tem dessas coisas absurdas,
minha alma anda muda
não dita nada ao coração.

Porque emotividade,
é lágrima sem motivo,
nem é solidão ou saudade
quando envolve...
Choro porque busco
e não alcanço poemas,
nem mesmo semi-vivos. 


Poemas casi vivos
Suzette Rizzo
Traducción: Paulo Monti

Sentimientos antagónicos
los míos,
deseos desencuentrados.
esperanzas soterradas
debajo de un pasado
que el tiempo ha sorbido.

Miro la inmensidade
admiro las constelaciones,
pero, no tengo inspiración ...
Escribir tiene de estas cosas absurdas,
mi alma se quieda muda
no dice nada al corazón.

Visto que emotividad,
es lágrima sin razón,
ni soledad ni nostalgia
cuando arrolla ...
lloro porque busco
y no alcanzo poemas,
ni mismo a los casi vivos.






24 de agosto de 2015

Nada foi possível



Nada foi possível 
Suzette Rizzo


Bem cedo mergulhei
num oceano de ilusões...
visualizando um príncipe loiro,
filhos
e um destino purpurina
contornando sonhos lindos !

Vi tanto céu
carregado de estrelas quentes



em tantas noites vazias
de concretizações...


E esperei, muito esperei
por certa companhia
e todas aquelas realizações

Mas, se há destino é inimigo...
E se há realização por otimismo,
a força do quadro mental
não se materializa,
talvez aconteça...
não comigo !

E se a prece sobe as alturas
Deus é surdo as minhas súplicas...
Encontrei o tesouro da fé ,
acreditei no invisível...
Mas, nada, nada que eu quis
foi possível !

Suzette Rizzo 

12/12/01 




Afins e Vôo solo


AFINS
Suzette Rizzo

Almas afins,
pensamentos afins,
sonhos afins
e éramos opostos.
No comportamento,
no estado de espírito,
seres enfim contrários
e de total afinidade.

Porque calávamos para ouvir,
pensávamos para responder
e um acatava o outro;
quem tinha razão tinha.
Sempre cordatos, sensatos
companheiros,
sobretudo verdadeiros.



Fomos nossos troféus
bem merecidos   
Precisei de ombro,
precisou de colo
e dois precisados unidos,
só pode mesmo ter sido,
coisa guiada pelos céus.

Porém, de tão afins que éramos,
assim, sem desavenças, pieguices,
ofensas, segredos,
aquele enredo perdeu a graça.

E quando optamos pelo fim,
entendemos
sem qualquer discussão,
apelos, gritos.

Só então, houve um desacordo
que os olhos revelaram:
Choramos escondidos...
um do outro!
Suzette Rizzo


VÔO SOLO

Luiz Poeta ( SBACEM-RJ ) Luiz Gilberto de Barros
Às  12h e 10 min do  dia 20 de julho de 2005,
especialmente para minha irmã de lirismo e sentimentos Suzette Rizzo



 Um dia, quando os pássaros percebem
Que o ninho já não serve para dois,
O vôo é iminente, e eles seguem
Sozinhos - cada qual - rumo ao depois.

E experimentam novas sensações,
Prazeres disponíveis, fantasias;
Mas quando findam tantas emoções,
Descobrem faltar algo... a alma é vazia

Então, uma saudade previsível
Os joga em abismos solitários
Mostrando uma lembrança  tão visível,
Na solidão dos seus itinerários...

Seus vôos sutis de pássaros carentes
De amor, de compreensão, de companhia
Os faz sobrevoar um tempo ausente
Repleto de instantes de alegria...

E esse sonho doce, repentino
Remete-os ao vôo compartilhado
Que fez da trajetória do destino,
Um rastro solitário... no passado.







 

23 de agosto de 2015

Agosto



Agosto
Suzette Rizzo

Faço tremendo esforço
para suportar o mês de agosto...
Abafo meus sonhos
sob o travesseiro
e tento esmigalhar na palma da mão
como incômodos mosquitos,
lembranças e desgostos.



Esse mês vampirisa
suga minha alma,
instala no coração
impressão de vida terminal...
Poderia ser conto lendário
mas não...

Daria tudo que pudesse,
para apagar todo e qualquer resquício
desse amor fazedor de ilusões...
Pular o mês oito,
excluí-lo de vez do calendário,
das minhas fortes emoções.


Suzette Rizzo
Direitos Reservados


Encontro comigo



Encontro comigo
Suzette Rizzo

Direção errada,
escorreguei na lama dos desejos efêmeros
e depois cai na realidade.
Satisfiz-me em abrir a janela e ver o azul
cobrindo o planeta,





contentei-me em contar estrelas,
formar constelações
e descobri-me assim lavando de mim
a dor e o pus.
Direção certa, conexão ideal...
O resto é virtual serpentino,
acidez, destino nu.






Fomes



Fomes
Suzette Rizzo

Tenho fome de perdão,
fome de emoção,
fome do meu dom.
Tenho fome de amor,
de gente, de abraço
fome de quem já se foi.
Tenho fome do clarão em minha sala,
da estrela meio Dalva
que brilhava noite adentro.


Tenho fome do bom passado,
dos veraneios,
daquele que era ungüento.
Tenho fome de vida,
fome de sol,
dos olhos de farol...
Daquela paixão fermento.


4 de abril de 2012





22 de agosto de 2015

Facilidades e dificuldades


Facilidades e dificuldade 
Suzette Rizzo

Fácil escrever o coração,
a emoção que vem de impulso
e se deixa transparecer.
Difícil é alguém perceber,
sentir tal e qual
seja o que for,
mal de amor ou dor,
do querer ou do sofrer...
Fácil construir frases,
fazer versos,
difícil é passar a outrem
o sentido correto.
Escrevo o que vem,
quando quero e preciso.
Difícil é ter a essência que tenho
e viver o sentir que vivo.







Emanações



Emanações
Suzette Rizzo

Embutidos os sentimentos e
emanam somente o que são
sem imagens de ninguém.
Estou como o mar
de encontro ao rochedo
entoando a canção
das águas cansadas
do ato rotineiro.
Não posso criar alegorias
se o enfado está nu de modelos
e o padrão anda incolor
de fantasias.
Meu corpo experimenta
outra vez olhos vazios
e a essência desalentada
nem mais se agarra
aos tais fios.

Suzette Rizzo –
December 07, 2007


(O Amor não é oriental ou ocidental, é só o Amor.
E só quem ama é que sabe, que isso não se explica,
só se sente).
Wagner Borges 







     

Estranhezas


Estranhezas
Suzette Rizzo

Estranho a pele, a matéria,
canso-me dos dias
um após outro
em nada desigual.
Estranho as feições,
o rápido envelhecer,
o ser que sou.
Estranho a vida,
o porque dos poucos amigos
e da família que se foi.



Estranho o mundo cruel,
a tecnologia que não para
de crescer
e o bizarro de nos dois 

Suzette Rizzo_ October 24, 2008






21 de agosto de 2015

Nulidades



Nulidades
Suzette Rizzo


Embrulhei as ilusões,
guardei as na gaveta,
eram balas de goma somente 
adoçantes da vida feia.
Joguei fora a papelada dele,
que já deu água na boca
simples versos preenchendo
noites sós, insônias loucas.
Ajoelhei nos bancos das igrejas,
sem ao menos entender
o que fazia.



Mudei de religião, fiz a minha.
Imaginei tantas coisas nesta vida
descobri as tolices que eu cria.
Fui obrigada a escolher
o presidente do meu país
mas, recusei-me a eleger
qualquer deles,
nunca esteve no planalto
quem fez o povo feliz.
Faço uma trouxa de tudo,
das pessoas que me enganaram,
daqueles que julguei tão bons
e da vida que vivi...
Enrolo enfim o velho tapete
com tudo que aprendi,
expulso dos ouvidos
tudo tudo que ouvi,









Confissões



Confissões
Suzette Rizzo 

Devoro imagens
sigilosas,
pedaços de tempo guardados
no vaso entalhado
junto as hastes espinhosas. 

São fases e gestos
projetando faces nuas...
Vejo e toco imagens
frias e cruas. 




Desvio a fixação maldita dos meus olhos...
Já não prefiro rodopiar entre passagens
da historia minha e tua.
  

Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados