15 de maio de 2018
A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón
“Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o
escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um
livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar por suas páginas, o seu
espírito cresce e torna-se forte!
12 de maio de 2018
10 de maio de 2018
Apontamento - Suzette Rizzo
Dureza,
relembrar
a densidade do destino,
fixar
o olhar num passado bravo comigo.
É
preciso coragem, e,
interiormente
possuir uma fortaleza
quase
impraticável,
capaz
de barrar dores e angustias,
para
que elas não perfurem
o que
resta da camada utópica.
Dureza
ter memória consciente,
verdadeira,
lógica,
acusadora
inclusive de atitudes
muitas
vezes inconsequentes.
Dureza
conhecer-me desse modo,
saber
o xis das minhas questões
e exatamente
onde se alojam nos outros,
atos, palavras
delinquentes
momentos
nada inocentes.
Dureza
ressuscitar momentos duros,
vasculhar
demolições,
ressentir
emoções!
Suzette
Rizzo - April 26, 2018
Poeta anônimo _ Suzette Rizzo
Moro
entre lucidez e delírios
e
esse desequilíbrio
contrabalança
dias apáticos.
Moro
ali, virando a esquina
da terra,
entre o além e mazelas
da terra,
entre o além e mazelas
na
ladeira da noite tristonha,
melancolicamente
escrevendo
umas poucas
tontices
e reais
motivos de estar aqui.
Moro
na sombra de um poeta amargo,
entre
estragos, fracassos,
seguindo
os passos de um caminho
ácido.
Meu
corpo mora aqui entre as pedras,
os
pés cravados na lama
deste destino embolorado...
deste destino embolorado...
Canso-me,
fujo,
as vezes sei fugir
as vezes sei fugir
para
as nuvens da minha cama...
E
ali,
descansamos entre versos platônicos,
descansamos entre versos platônicos,
eu
e o poeta anônimo
Suzette Rizzo
Suzette Rizzo
3 de maio de 2018
Verdades - Suzette Rizzo
Definitivamente,
não gosto dos insensíveis
sempre arrotando o quanto calcam
seus pés no chão.
Parecem não ter alma nem coração,
Assemelham-se aos piores seres
vindos da última crosta terrestre,
renascidos somente por renascer
sem nenhuma missão.
Categoricamente,
não gosto dos indiferentes,
dos que pensam usar a razão,
mas suas razões são inconsistentes.
Para esses, donos de total inconsequência,
tenho olhos aborrecidos
a tamanha falta de resplandecência
Suzette Rizzo
29 de abril de 2018
Maturação – Suzette Rizzo
Amadurecer é
dispensar teorias,
despoluir a mente
das fantasias,
desobstruir a
visão enganosa,
acordar enfim, as
falsas sensações.
É desvendar-se interiormente,
lucidar desejos,
saber separa-los
das incertezas.
É elevar a consciência,
a compreensão,
aceitar o
sofrimento serenamente,
sentir-se para
sempre
Amadurecer é mais
que pé no chão,
pé de meia,
mais que a pequenez
do mero enxergar,
mais que tudo
isso, creia!
Suzette Rizzo

28 de abril de 2018
27 de abril de 2018
Foi assim – Suzette Rizzo
Há quem não saiba,
mas o idealismo de transformar o mundo,
já
foi considerado subversão.
Quisera
eu lutar agora
por
essa mutação.
Quisera
a luta fosse como antes,
quando
havia ideal e não corrupção.
O
tempo é inimigo da história
apaga
as memórias,
decepa
as reais recordações.
Quisera
eu transformar o mundo,
transbordar
de vez
a
lembrança torturante
e
a feiura desta nação!
Suzette
Rizzo
Na
Universidade de São Paulo, onde participava ativamente do movimento estudantil,
Tito chegou a ter momentos de dúvida e de incerteza sobre a possibilidade de
conciliar Marx e Cristo. Assim como Tito, outros frades foram encarcerados
porque eram considerados “terroristas” por terem feito a “opção preferencial
pelos pobres” pregada pelo Concílio Vaticano II. Eram “subversivos” por
praticarem um Evangelho que tenta transformar o mundo. Eram “perigosos” porque
pregavam a liberdade e a igualdade.
Do livro: Um homem torturado de Leneide Duarte-Plon
Asperezas - Suzette Rizzo
Tão
áspera a carência
quando
se junta a solidão!
Tão
mágica a imaginação do poeta,
buscando
companhia
nas
faces da poesia!
Sonhos
vagam
por
todos os cantos
a
espera talvez
de sons
acalentadores,
imagens
claras na tela mental,
busca
frenética de anjos,
calores...
Não
queria o agoniado grito
dos
meus restos,
transtornado
grito de socorro,
ecoando
em teus ouvidos.
Eu sei, devo lançar
para
longe de mim...
Esta
persistente inspiração
que te suga
como um vampiro!
Suzette
Rizzo - November 27, 2017
26 de abril de 2018
--------------- Suzette Rizzo
A
vontade?
É sair
em disparada,
poder atirar
a poliqueta
na
piscina do Cazuza,
enfiar
na cabeça dos leigos,
panfletos
com trechos do pensar de Ruy Barbosa,
com trechos do pensar de Ruy Barbosa,
fugir (verdade mesmo)
do planeta desenfreado
do planeta desenfreado
de
mentes espinhosas.
A vontade?
Puxa!
É
atirar no mar raciocínios imbecis,
imaturidade
política compartilhada,
abacaxis!
Suzette
Rizzo - April 26, 2018
Lacuna - Suzette Rizzo
Agora intocável, invisível,
meu poema irresistível.
O sol queima mas não entra na sala
nem senta no sofá...
não deita comigo na cama,
nem agita o meu verão.
Meu poema não mais rima
amor com dor,
nem mais causa excitação.
Meu poema carcomeu-se
sob a grama
e simplesmente desfez-se.
Há tempos não mais tem
o carisma dos olhos verdes.
(Para Milton Moraes, falecido aos 37 anos em 2001)
16 de abril de 2018
A vontade do escritor – Suzette Rizzo
Escrevo apenas.
Dei início a grande obra,
que terminarei talvez,
num próximo milênio.
Foi dado o primeiro passo
de um caminho extenso.
O que fascina é esse maquinismo
da mente,
comandando os dedos no teclado,
obedecendo a pensamentos...
O que fascina são as ideias,
que se desenrolam e perpetuam-se.
Sim, alguém, há de continuá-las.
Apenas, não desejo o pensamento
estéril...
Perfilem-se, um após outro
e, eu, escreva todos .
Sirvam eles aos meus intentos,
atendam sempre a minha vontade
de dizer algo, no mínimo nobre.
"Completarei minha obra,
quando a obra “completar-me”.
O que fascina é a estrada
e depois a agilidade,
e depois o conhecimento, a lógica
e, pouco a pouco a coerência,
sempre melhorada.
O que fascina é a sequência,
além dos dedos obedientes...
o encaixe das frases no tema,
a musicalidade entre as linhas,
o deslizar sem esquemas,
a inspiração fluindo e fluindo,
até o final do poema.
E mesmo que pouco em mim,
seja sábio
ou arrancado corretamente,
alguma coisa é sempre dita.
É isso que fica e felicita o autor.
É isso que importa:
O dom, o tom, a cor.
A perfeição virá gradativamente,
pois é par de todo escritor.
Suzette
Rizzo
Las Guerras Mienten - Eduardo Galeano:
“En este mundo, los locos conducen a los ciegos.” decía William Shakespeare
Cartomante - Ivan Lins
Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.
Ivan Lins
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