3 de maio de 2018
Verdades - Suzette Rizzo
Definitivamente,
não gosto dos insensíveis
sempre arrotando o quanto calcam
seus pés no chão.
Parecem não ter alma nem coração,
Assemelham-se aos piores seres
vindos da última crosta terrestre,
renascidos somente por renascer
sem nenhuma missão.
Categoricamente,
não gosto dos indiferentes,
dos que pensam usar a razão,
mas suas razões são inconsistentes.
Para esses, donos de total inconsequência,
tenho olhos aborrecidos
a tamanha falta de resplandecência
Suzette Rizzo
29 de abril de 2018
Maturação – Suzette Rizzo
Amadurecer é
dispensar teorias,
despoluir a mente
das fantasias,
desobstruir a
visão enganosa,
acordar enfim, as
falsas sensações.
É desvendar-se interiormente,
lucidar desejos,
saber separa-los
das incertezas.
É elevar a consciência,
a compreensão,
aceitar o
sofrimento serenamente,
sentir-se para
sempre
Amadurecer é mais
que pé no chão,
pé de meia,
mais que a pequenez
do mero enxergar,
mais que tudo
isso, creia!
Suzette Rizzo

28 de abril de 2018
27 de abril de 2018
Foi assim – Suzette Rizzo
Há quem não saiba,
mas o idealismo de transformar o mundo,
já
foi considerado subversão.
Quisera
eu lutar agora
por
essa mutação.
Quisera
a luta fosse como antes,
quando
havia ideal e não corrupção.
O
tempo é inimigo da história
apaga
as memórias,
decepa
as reais recordações.
Quisera
eu transformar o mundo,
transbordar
de vez
a
lembrança torturante
e
a feiura desta nação!
Suzette
Rizzo
Na
Universidade de São Paulo, onde participava ativamente do movimento estudantil,
Tito chegou a ter momentos de dúvida e de incerteza sobre a possibilidade de
conciliar Marx e Cristo. Assim como Tito, outros frades foram encarcerados
porque eram considerados “terroristas” por terem feito a “opção preferencial
pelos pobres” pregada pelo Concílio Vaticano II. Eram “subversivos” por
praticarem um Evangelho que tenta transformar o mundo. Eram “perigosos” porque
pregavam a liberdade e a igualdade.
Do livro: Um homem torturado de Leneide Duarte-Plon
Asperezas - Suzette Rizzo
Tão
áspera a carência
quando
se junta a solidão!
Tão
mágica a imaginação do poeta,
buscando
companhia
nas
faces da poesia!
Sonhos
vagam
por
todos os cantos
a
espera talvez
de sons
acalentadores,
imagens
claras na tela mental,
busca
frenética de anjos,
calores...
Não
queria o agoniado grito
dos
meus restos,
transtornado
grito de socorro,
ecoando
em teus ouvidos.
Eu sei, devo lançar
para
longe de mim...
Esta
persistente inspiração
que te suga
como um vampiro!
Suzette
Rizzo - November 27, 2017
26 de abril de 2018
--------------- Suzette Rizzo
A
vontade?
É sair
em disparada,
poder atirar
a poliqueta
na
piscina do Cazuza,
enfiar
na cabeça dos leigos,
panfletos
com trechos do pensar de Ruy Barbosa,
com trechos do pensar de Ruy Barbosa,
fugir (verdade mesmo)
do planeta desenfreado
do planeta desenfreado
de
mentes espinhosas.
A vontade?
Puxa!
É
atirar no mar raciocínios imbecis,
imaturidade
política compartilhada,
abacaxis!
Suzette
Rizzo - April 26, 2018
Lacuna - Suzette Rizzo
Agora intocável, invisível,
meu poema irresistível.
O sol queima mas não entra na sala
nem senta no sofá...
não deita comigo na cama,
nem agita o meu verão.
Meu poema não mais rima
amor com dor,
nem mais causa excitação.
Meu poema carcomeu-se
sob a grama
e simplesmente desfez-se.
Há tempos não mais tem
o carisma dos olhos verdes.
(Para Milton Moraes, falecido aos 37 anos em 2001)
16 de abril de 2018
A vontade do escritor – Suzette Rizzo
Escrevo apenas.
Dei início a grande obra,
que terminarei talvez,
num próximo milênio.
Foi dado o primeiro passo
de um caminho extenso.
O que fascina é esse maquinismo
da mente,
comandando os dedos no teclado,
obedecendo a pensamentos...
O que fascina são as ideias,
que se desenrolam e perpetuam-se.
Sim, alguém, há de continuá-las.
Apenas, não desejo o pensamento
estéril...
Perfilem-se, um após outro
e, eu, escreva todos .
Sirvam eles aos meus intentos,
atendam sempre a minha vontade
de dizer algo, no mínimo nobre.
"Completarei minha obra,
quando a obra “completar-me”.
O que fascina é a estrada
e depois a agilidade,
e depois o conhecimento, a lógica
e, pouco a pouco a coerência,
sempre melhorada.
O que fascina é a sequência,
além dos dedos obedientes...
o encaixe das frases no tema,
a musicalidade entre as linhas,
o deslizar sem esquemas,
a inspiração fluindo e fluindo,
até o final do poema.
E mesmo que pouco em mim,
seja sábio
ou arrancado corretamente,
alguma coisa é sempre dita.
É isso que fica e felicita o autor.
É isso que importa:
O dom, o tom, a cor.
A perfeição virá gradativamente,
pois é par de todo escritor.
Suzette
Rizzo
Las Guerras Mienten - Eduardo Galeano:
“En este mundo, los locos conducen a los ciegos.” decía William Shakespeare
Cartomante - Ivan Lins
Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.
Ivan Lins
15 de abril de 2018
Nosso Jardim Tropical - Suzette Rizzo
O país
necessita reflorescer,
necessita
gente honesta no poder.
Carece
proteger
o
que lhe cabe proteger.
O país
necessita do seu verde-esperança,
textos
felizes nos meios de comunicação social
escrever
capítulos dourados,
azulejar
nossos céus de paz.
Necessita limpar este
Jardim Tropical
das
ervas daninhas,
semear
consciência,
enfeitá-lo
de florinhas.
O país
necessita ser regado com amor
pois
egoísmo tem a cor limbo,
é ateu
e bolor
não é obra de Deus.
O país
necessita de nós, irmãos,
para
que este imenso coração da terra
possa
pulsar sem tensão.
O país
necessita gritar
com
todo o ar de seus pulmões,
aquele
urro de basta ao desamor
e
contravenções.
O país
necessita honrar sua bandeira
esparramar
as cores do arco-íris
neste
pedaço de chão,
gritar com emoção,
desoprimir-se
e agir
com as
forças da razão.
Suzette Rizzo
“O país das matas, dos pássaros”,
o preferido do astro-rei,
esta morrendo nas mãos da
incompetente lei humana.
Completamente incompatível
a Divina Lei Universal da Paz ““.
Suzette Rizzo
Aproximação - Suzette Rizzo
Te sinto chegar
assim, aos poucos,
afastando o azul,
remexendo as águas,
acelerando meu coração
de medo, pressão alta,
boca amarga.
Te sinto chegar,
espreitando um horizonte,
que apenas há
nesta visão abrumada,
por enquanto utópica,
meio logica, meio ilógica...
Perco o olhar em cenários
de além vida,
no vulto que passa depressa
ao meu lado
e some veloz feito beija-flor.
Não são mais fases enganadoras
e sim algo sagrado,
autoria do Criador.
autoria do Criador.
Te sinto chegar como um ciclone
trazendo até mim um cicerone
e conhecido odor de flor.
Suzette Rizzo - 2018
13 de abril de 2018
Nó – Suzette Rizzo
De
qualquer modo
era
um tempo de sol,
embora,
interiormente
tempestivo.
Mas
era um tempo, o meu
e
tempo não se rejeita...
Portanto,
a
alma se ajeita e segue adiante,
abraçada
ao involuntário destino.
Então,
nesse tempo alusivo
a
esta droga de tempo meu,
brilhava
um sol ameno,
contudo
sol,
e
a ilusão de aquecimento é algo serio
quando
a vida está só.
Chega uma outra estação,
ausência de luz,
poucos sinais vitais,
mas, de algum modo existe a sobra
da
persistente ilusão,
de
qualquer dia novamente
o sol abrasivo.
o sol abrasivo.
O
tempo passa... passa rápido
e
então, nessa espera esmorecida,
fui
me achando tão piegas!
Emaranhada
naquele nó,
que
nem de marinheiro era.
Suzette
Rizzo
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