3 de janeiro de 2018

Secreto - Suzette Rizzo



Odeio os humanos!
Não gosto mesmo 
da pior espécie de hominídeo ... 
Odeio mesmo a cuca dos homens!
Exceto os moralizados,
os verdadeiramente escritores,
aqueles poucos e capazes
de enfatizar no papel o intelecto,
não apenas seus falsos pensares e atos. 
Odeio a espécie dos ditos sensatos!
Bem, quero dizer com isso e somente:
Odeio os machos e seus cactos.

Suzette Rizzo - Tuesday, January 02, 2018


Sou assim ( II ) - Suzette Rizzo



Pesquisadora de misticismos,
investigadora do meu íntimo,
amante das minhas explorações,
escrevedora do que sinto.
Não sigo à risca a palavra alheia
seja qual for...
Creio em minha consciência,
acho a saída de labirintos,
arco todas as consequências.

Meu pensar não teme os trampolins.
Sou assim, dona de mim!

Suzette Rizzo
May 23, 2017
Art : Mandala * Edna Feitosa





Repulsa - Suzette Rizzo





















Extenuada, 
sem muro e sem porto
rodeou-me o dia semi morto,
da fase mal arrematada.

Elimino ainda o amor temporão
esterilizando bactérias
da boca cheia de ódio,
cuspindo o fel da ilusão.

Vinha de um sonho solitário,
antes vestido de nada
e agora a dor de tridente me rasga
numa vil emboscada

Trago então, a boca cheia de chingos,
a alma ardida, prensada, 
o passo solto na viga do abismo
a cuca cheia de vinho.

Chego ao fim daquela estrada
onde cantavam cigarras
soltando fogo das ventas
abatendo as tardes gastas.

Habituada as mortes e perdas,
trago o desprezo na ponta da língua,
ironias da sina na ponta da espada
 aversão extremada... ainda

Suzette Rizzo - 2015





Bons dias - Suzette Rizzo



Não poderia ter um bom dia
ou escancarar sorrisos
sem a leveza do amanhecer feliz.
Esse "Bom dia" existe aos que estão bem,
acontece para os que não estão sós,
para os sãos de corpo e de alma.
Quanto a mim, aguardo (sem esperanças) 
por este bom dia, quem sabe no futuro 
e decorrer das horas,
no toque do telefone,
no bip do celular, no sol que não surge
neste verão só no nome,
gélido verão interior.
Vês?
Não poderia ter bons dias,
sem ti, meu amor!
                                       Suzette Rizzo



1 de janeiro de 2018

Pensamentos do primeiro dia de 2018 - Suzette Rizzo




Ah! Sonhos mágicos
que debutaram comigo
passarelas de felicidade!
Agora, se escondem entre os nós do peito,
sob a beira da cama,
por frestas da saudade.


Sentimento cruel este! 
Temeroso de expor a continuidade
dos lampejos de esperança... 
E hoje, na fase adulta,
esta total liberdade, 
incrivelmente oprime e só me assusta.

Suzette Rizzo - January 03, 2018






28 de dezembro de 2017

Oração ao Pai - Suzette Rizzo



Obrigada Pai, 
pela estrada escorregadia,
em que aprendi que o cair
é a Graça do levantar.
Obrigada pelo sol, pelo quintal,
por cada animal recolhido,
alegria angelical.
Obrigada Pai, por este dia,
por cada bom pensamento,
pela ausência de temporal.
Obrigada Pai, 
pelos poucos amigos,
por aqueles riscados,
pelo bem recebido.
Obrigada Pai, por mais esta manhã
mesmo solitária,
por esta oração que escrevi, 
ao som dos seus Bem-te vis.

Suzette Rizzo - Thursday, December 28, 2017





NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI - EDUARDO ALVES DA COSTA



(Este poema não é de Vladimir Maiakóvski 
como foi espalhado na net.
Autor: Eduardo Alves Da Costa, escrito nos anos 70 durante a ditadura) 

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

“EDUARDO ALVES DA COSTA é autor de alguns dos maiores e mais belos poemas da língua portuguesa. O fragmento de um deles, No Caminho, com Maiakóvski, sem dúvida o mais popular — transformado em bandeira contra a ditadura nos anos 70, em pôster, cartões postais, estampa de camiseta da campanha Diretas Já, mensagem massificada na Internet — já foi conhecido, em todo o Brasil, como o poema mais famoso e representativo de... Vladimir Maiakóvski, o poeta russo. O equívoco, que durou muitos anos, é mais uma vez corrigido neste livro” (...)




Nostalgia - Suzette Rizzo



Saudade da fartura de abraços,
dos feriados prolongados,
da rotina que une,
do beijo acostumado,
da noite em que vimos de perto
a luz do vagalume.
Marquei mil páginas da
nossa história,
os melhores atos, noites, papos,
que pena encerrados em pouco tempo.
Saudade viu?
Dos seus cachos alourados,
do corpo acolhedor dos meus pavores
nos maus momentos.
Saudade que alenta o presente tempo,
ameniza sempre,
meu circo dos horrores.
Suzette Rizzo




Huberto Rohden






Quem é iluminado por dentro,
parece escuro aos olhos do mundo.
Quem progride interiormente,
parece ser um retrógrado.
Quem é auto realizado,
parece um homem imprestável.
Quem segue a luz interna,
parece uma negação para o mundo.
Quem se conserva puro,
parece um bobo e simplório.
Quem é paciente e tolerante,
parece um sujeito sem caráter.
Quem vive de acordo com o seu Eu espiritual,
passa por um homem enigmático. 
Huberto Rohden 


25 de dezembro de 2017

Abismo - Suzette Rizzo




Abre-se grotesco abismo
e para ele são arrastadas
as esperanças...
E as lembranças dolorosas,
fragmentam aquele amor.

O tempo, esse demolidor
vai sugando o azul celeste,
os verdes campestres,
ilusões e calor.

Congelam-se imagens,
passagens, aragens,
momentos perfumados...

Emudece de vez a canção
e se calam de vez 
os ecos do passado.


Síntese - Suzette Rizzo



Mais um ano,
mais um Natal atolado em recordações
e a solidão, sombra gigantesca
alastrando-se pelas dobras da casa
e por este coração.
Puxa! Lembro tantas coisas,
uma vida milenar e seus estilhaços...
Nada completado, nem os pequenos ideais.
Apenas a vida dando seus nós como sempre,
impedindo como sempre a paz.
E a alma espezinhada pelos azes do destino...
Em meu templo um sonho,
exaurido de sonhar!


Suzette Rizzo - December 25, 2017



Um Sonho a Dois - Roupa Nova e Joanna




22 de dezembro de 2017

Tu – Suzette Rizzo


Vem de ti uma docilidade impar quando chamo...
Uma enorme gratidão quando faço algo
que te dá prazer...
És manso mesmo ao dizer espinhos...
Meigo, quando o sorriso enfeita a boca,
pra não ter que responder !

És qualquer coisa angelical,
que se difere das outras criaturas...
Um anjo... meio bom, meio errante,
por acaso aqui caído,
pra deter um grande mal !

És música e é dança...
Um arco-íris que encanta...
Resumindo, és meu ópio,
a poesia que inebria,
penetra e descansa
interior, mente, olhos !

És mestre nas coisas da vida...
Ternura pura quando faz preces...
Exímio incentivador de ilusões...
Necessário a minha pouca vivência...
Minha maior emoção!

Enfim, és tudo ...
Anjo, rei, amor real, desejo indecoroso,
amor inconsciente, o alcance dos sonhos,
noites de primavera,  manhãs invasoras,
iluminação....
Meu mundo maravilhoso !

( Mas infelizmente, alwais on my mind )

(Escrito nos anos 9o)






Continue sonhando - Dream om - Stiven Tyler



Toda vez que eu me olho no espelho
Estas linhas no meu rosto ficam mais claras
O passado se foi
Passou como do nascer ao pôr do sol
Não é assim
Todos têm suas dívidas em vida para pagar

Sim, eu sei que ninguém sabe
De onde vem e para onde vai
Sei que é o pecado de todos
É necessário perder para saber como vencer

Metade da minha vida está em páginas escritas de livros
Vivendo e aprendendo com os tolos e os sábios
Você sabe que é verdade
Tudo que você faz volta para você

Cante comigo, cante pelos anos
Cante pelo riso e também pelas lágrimas
Cante comigo, mesmo que só por hoje
Pode ser que amanhã o bom Senhor o leve

Bem, cante comigo, cante pelos anos
Cante pelo riso e também pelas lágrimas
Cante comigo, mesmo que só por hoje
Pode ser que amanhã o bom Senhor o leve

Continue sonhando, continue sonhando
Continue sonhando até que seus sonhos se realizem
Continue sonhando, continue sonhando
E continue sonhando até que seus sonhos se realizem

Continue sonhando! Continue sonhando!
Continue sonhando! Continue sonhando! Continue sonhando!

Cante comigo, cante pelos anos
Cante pelo riso e também pelas lágrimas
Cante comigo, mesmo que só por hoje
Pode ser que amanhã o bom Senhor o leve


Cante comigo, cante pelos anos
Cante pelo riso e também pelas lágrimas
Cante comigo, mesmo que só por hoje
Pode ser que amanhã o bom Senhor o leve

Steven Tyler (Aerosmith Dream On)


 Podes ser de ti mesmo juiz e vingador de tua lei?”Assim Falou Zaratustra
Nietzsche



Sentido - Suzette Rizzo



Faz sentido derramar lágrimas,
faz sentido sofrer,
faz sentido gargalhar de uma graça qualquer,
faz sentido viver um segundo com afinco,
já que a porta num repente se fecha
dando lugar a palidez.
Só não faz sentido decrescer a alma,
por coisa pouca desflorecer. 

Suzette Rizzo