17 de maio de 2017

Enamorando


Enamorando
Suzette Rizzo

Nasci...
Nesse namoro de palavras doces,
poesia pura com fortaleza de abraço.
Namorava enfim,
retendo olhares que só eu vi,
ouvindo a reprise das frases lindas,
sentindo os gestos, o laço
e a sutileza de um lago perto de mim,
como se eu fosse uma orquídea
brotando para a vida,
ajudada por um querubim.
Nasci em todos os sentidos...
Sob o calor do sol,
energizando a alma mal alimentada
do vital,
reencarnada e desatada do mal.
Nasci, nesse namoro desejado
nos tantos dias enamorados
aguardando a soltura da minha vez.
Não sei de fato o que houve...
Morreu?
Talvez!


Suzette Rizzo

15 de maio de 2017

Casa terrena

Casa terrena
Suzette Rizzo

Atravessei muitas portas
e caminhei por todos os aposentos
desta casa terrena.
A grande sala das dores,
o quarto das magoas,
o jardim da solidão,
as dependências do desespero,
o alpendre da humilhação
e o porão escuro da fome.
Essa era a minha casa
e aquele pedaço perambulante,
gritante em minhas lembranças,
refletido na vidraça opaca,
ainda sou eu. 

Testada e curvada,
porem, conscientemente crescida,
hoje, outra pessoa:
Ideias e descobertas racionais,
após tanta dor...
Confortavelmente restabelecida
e filha do amor.
Habito algum tempo,
o sótão da minha elevação,
o mais alto que posso chegar
apesar do preço.
No entanto, 
gratificada por luzes,
que humildemente agradeço.

Suzette Rizzo



13 de maio de 2017

Doidice

Doidice
(No Jardim dos Horrores)
                       Suzette Rizzo

Sonhei um cansaço pesadelo
descendo a escadaria
de um castelo todo negro.
E lá fui eu, me enrolando 
feito um caracol,
caindo em espiral, espiral
como bailarina alada....
Saí no jardim subterrâneo
de um labirinto engraçado
que era feio e torto
como um totem borrado
e, vi um mar amarelo
de ondas imóveis,
enfileiradas feito desenho infantil.
Molhei-me nas águas,
me vi nas areias 
eu era sereia, caçada a fuzil.




Voltei meio tonta
na cama redonda
de um quarto de Motel...
Ridiculamente forrado
de papel avermelhado,
as pernas dopadas
e a cabeça escondida
no lençol de margaridas,
que se olhavam perdidas
no turvo espelho.
Sonhei um cansaço pesadelo
descendo a escadaria
de um tempo negro.
Ridiculamente redondo,
espiralado, pintado de
cinza e preto,
com gosto de amor azedo.

 Suzette Rizzo








Sentido

Sentido
Suzette Rizzo


Faz sentido derramar uma lágrima,
faz sentido sofrer,
faz sentido gargalhar de uma graça qualquer,
faz sentido viver um segundo com afinco,
já que a porta num repente se fecha
e dá lugar á palidez.
Só não faz sentido decrescer a alma,
por coisa pouca desflorescer. 



11 de maio de 2017

Incultivável

Incultivável
Suzette Rizzo


Lembro-me...
Pareço boneca de cera
derretendo tristezas,
na interminável ladeira,
cega ao mundo ao redor.
Fecho os olhos, ouço risos
e meus ouvidos ouvem repetidos gritos,
de desamor, rejeição, asneiras.




Depois, entro em meu quarto
inundada de chuva e lágrimas
que escorrem, escorrem
e jamais secam meus olhos...
Nem mesmo agora,
que por justiça ou merecimento,
a realidade retoma o tempo perdido,
para devolver-me o amor antigo
e lágrimas novas.
( Escrito em 96 )


Poema-Prece

Poema-Prece
Suzette Rizzo

Magnetiza-me Mago dos céus,
leva minhas moléstias,
frutos das malfazejas emoções.
Devolva-me o fôlego da vida,
podes faze-lo, creio.
Adormeço em Teu templo,
cercada de mimos e terços
onde a Ti me entrego em total desejo
quanto as possibilidades.
Por ora, sugestiona-me com Tua energia vivificante,
depois cura este ser a ti semelhante 
em fé e afinidade.



Antes de mim

Suzette Rizzo

 A tarde chega mansa
e a mesma nostalgia chega junto.
Saudade de um outro tempo,
das ânsias de felicidade,
das pretensas esperanças,
dos sonhos próprios da idade...
Nada concretizado
nenhum dos meus desejos,
nem mesmo a calma de um bom destino
preenche mais,
o vácuo das expectativas.

Nem arranjando um pseudônimo
conseguiria alegria aos meus textos...
Nem beira mar apagaria este melancólico
estado de espírito.
Meu mundo é dividido em fases tristes
e amores nocivos.

Não posso pensar assim, sei que não.
Porém, não me desamarro
dessas correntes opressoras
nem posso curar feridas, 
pois não são elas utópicas
nem de balas de festim. 
Só sei, que sinto uma tristeza imensa
ao ver a tarde morrer
antes de mim




Acuamento




Acuamento
Suzette Rizzo

Estremeço diante da porta estreita
querendo escapar das dificuldades,
fugir do buraco da agulha...
Não quero morrer sufocada.
Mas a escolha, não é própria mente minha,
diz o anjo que ao lado caminha.
E o medo enfurna
por entre as paredes do que sou... 
Tenha eu, Pai ou protetor.








10 de maio de 2017

Desobstrução


Desobstrução
Suzette Rizzo

Não mais vomito larvas,
mas também não abraço
quem nada representa.
Não dou mais falsos sorrisos,
apenas penso das gentes
o que a alma orienta.
Recolho em mim o que aprendi com todos
os que deglutiram meus nobres
sentimentos.
Acabou!
Estava entre seres gosmentos!



9 de maio de 2017

Ansiedade

Ansiedade 
Suzette Rizzo

Certa ansiedade amarrota meus dias,
amortiza a poesia
e não quero mais
escrever trancos da vida,
insensatez de outro ser,
nenhuma nocividade ativa.

Contudo, não posso exterminar de vez
o pensamento que já não brota
como a nascente de um rio,
embora a alma não queira
turbulências imprevistas,
nem pavios acesos com carência afetiva.

Certa ansiedade
turva um pouco a vista
e dá nó de marinheiro,
unindo restos de inspiração
à paixão semi afogada
nos mares da vida.

Eu quero mesmo um final definitivo
nesse delito repetido
e nunca mais a ousada perturbação
apontando a esquina,
expondo a fraude no sorriso.




Nada



Nada
Suzette Rizzo

Não tenho estilo,
não tenho saudades
e exceto um gosto ardido,
não mais sinto o poema
de mim saindo.
Nada a dizer depois da dor
de te ver se indo!











Desordem


Desordem
Suzette Rizzo

Observar outras paisagens,
conhecer outras cidades,
ouvir novidades,
novos sons.
Quanta fome das cachoeiras que não vi,
dos frutos que não comi...
No entanto,
pior é a sede do amanhecido,
do velho amor de ti.











Desligamento

Desligamento
Suzette Rizzo


Quem conhece quem?
Há nuvens encobrindo o ser.
Há por trás de cada um,
outro eu,
atingindo a quem quiser,
assistindo dos outros
o derramar do lacrimejo e rindo
da raiz a planta dos pés.
Consigo perceber!




Coisa forte a magoa que fica
e a tudo apaga
como um cérebro desconcertado.
Quanto a mim,
apesar de todo empenho contrário,
engulo a minha verdade
do laço desatado.
Mas quem conhece quem?




Persistência

Persistência
Suzette Rizzo

Conquistei meu espaço
e o abraço de quem eu quis.
Estive sentada longos meses
num banco de balcão de bar
e nada mais fiz senão observar
atitudes, fala, olhar.


Ninguém do meu rol de amigos
conseguiu a persistência que ousei...
Sair da zona de conforto para ser feliz.
E eu consegui!





8 de maio de 2017

Decadência

Decadência
Suzette Rizzo

Cansei-me das impurezas do mundo!
Aos poucos concluí o quão selvagem
é esta humanidade planetária
e o quanto tem doído esta viagem.
Dia a dia tento coordenar ideias
e Infelizmente ouço, infelizmente enxergo
o que não quero...
Antes não me esforçava,
vivia somente no vai da valsa,
mudei agora que envergo.


Cansei-me de tanta sujeira
de ouvir tanta asneira,
ando inconformada com as tais viseiras.
Pena estar entre uns poucos
que se amofinam com a imoralidade
e insipidez das cabeças em declínio...
Pena estar entre uns poucos
a retirar do olho os ciscos.
Cansei do poder
Cansei de guerras
Cansei dos delitos
Cansei meu ser de tudo isso!


Suzette Rizzo- May 09, 2017





7 de maio de 2017

A mesma (II)


A mesma 
Suzette Rizzo
Sou a mesma sentimentalista,
a mesma devaneadora,
mas não posso ser a mesma neste
tempo semimorto,
nem devo mais aconchegar-te
em meu velho sonho.
Sou a mesma, embora o espelho
não mais me reconheça.


Ah! Segreda-me a alma:
“Não serás jamais a mesma 
embora queiras”! 



Breve relato


Breve relato
Suzette Rizzo


Pensar que me vesti de mil futilidades
para agradar os mil seres em ti existentes.
Pensar que rápido deslizei entre escuros,
imergi, saturei-me, surtei,
independente do disfarce aparente.




Sublime momento sonso!


Atravessar a fronteira de modo inconsequente,
leviano,
apoiada num sonho tolo,
imaginando em ti o amigo, o ombro!









Agradeço





6 de maio de 2017

Extenuação

Extenuação
Suzette Rizzo

Falta de sorte, tantos golpes!
Serão reações aos meus atos,
e esse o meu passaporte
na companhia de Tongo?
Um pouquinho de luz no caminho
um tantão de escuridão
e mais sofrimento longo?
Que biografia essa minha!
Filha da lua negra?
Justo daquela deusa?


Falta de sorte, existir cativa!
Ser parente da morte
desde sempre enterrada viva.
May 6, 2017



A poesia do pensamento



 A POESIA DO PENSAMENTO
                            Suzette Rizzo


O pensamento cria a palavra
e a alma faz poesia...
Por isso afundo-me na essência
e trago de lá minha cria.







E vejo nos pássaros o poema,
sou um deles sobrevoando a terra
por entre as árvores,
beijando as flores,
com olhinhos  assustados,
notando o tamanho dos seres
depredadores.


E sinto-me um cão, um gato,
temendo o ser planetário.
O que farão, quem são eles?
Porque tão pesados,
de pés assustadores,
num repente em meu pulmão
e eu pelos ares.

E sou agora um animal de grande porte
e penso ser tão forte
que nem me preparo ao bote
para defender-me...
Mas esses seres armados, impiedosos,
estão sedentos da minha morte.

E sou também , 
indefesa flor miúda,
paralisada,
gritando sem que alguém ouça:
-Acabo de nascer , não me matem!
Mas, estou  à mercê do homem
que não sabe,
venho da terra viva
como tudo que nasce.

E assim vou indo;
sentindo a dor do mendigo,
do velho deixado no asilo
da criança abandonada
com seus sonhos desiludidos,
impossibilitada de respostas,
entregue ao mundo, esse padrasto,
fazedor da  marginália.

Não há o que eu não sinta
sem ao menos ser atriz.
Incorporo o sofrido e o feliz,
arrancando de mim
a força motriz
para expor o meu amor.

Tenho um mundo cá dentro,
esse incompreendido,
inaceitável...
copia do grande carbono do infinito
desse universo bom e mau
ternura ou canibal.

Para entender, cresci e preparo-me;
Serei mais em meus futuros,
agora que o primário é passado
e concluo mais um degrau
do meu ciclo em ascensão
deste meu ser plural.

Ser poeta significa saber sentir,
consentir a alma que venha à tona
liberada completamente.
Ser poeta é saber colocar pra fora
o lado frutificado,
aprisionado por eles,
os duros e incultos
das coisas do coração.

Sou poeta sim!
Porque meus pensamentos
cantam
o panorama da vida,
acompanhada da melodia
da alma escondida.

Suzette Rizzo