30 de setembro de 2015

Foi então que descobri



Foi então que descobri
Suzette Rizzo


Perderam-se todos os meios
de chegar à sensação buscada
outra vez.
Ser feliz, afinal, seria exatamente o quê?
A sala iluminada?
O papo da madrugada?
Seria poder viver o quê, a tal felicidade?



Mesmo tristonha e solitária
a Deus agradeci pela vida restada
e pelo sentir  que me consumia.
Então, fingi cantar como num karaokê,
fingi sorrir não sei pra quê,
fingi que esquecia,
fingi que dormia,
poetava...
Só não fingi que morria
porque morria sem você.

Foi então, que descobri a felicidade;
Estava na memória,
na alma que se enfeitava em cada noite,
para sonhar saudades. 






28 de setembro de 2015

Arremate



Arremate
Suzette Rizzo

Enrosco-me nestes versos
que não se desatam
deste pensar funesto.
Agride-me  a sombra do medo
a mostrar da alma o extravio
dos meus segredos.

Não mais os tenho!

Voaram como moscas
pelo vão da janela
e nunca mais vadiaram
ou se multiplicaram
na minha cabeça.





Agora uma linha fina
arremata meus dias
e a poesia já não rompe,
só lateja.




Companhia





Companhia
Suzette Rizzo

Alguém volita em meu quarto
quando a calma deposita
sustentáculos na alma

Alguém resfria o cômodo abafado
e sossega o coração acelerado
dos problemas do meu dia.

Alguém permanece algum tempo
relaxando meus músculos tensos
numa serena alforria




Alguém faz parte da minha vida
clareia o escuro das noites
preenche-me a vida vazia

Alguém vadia em minha cama,
suspira em meu ouvido
e eu... abraço a companhia. 


Suzette Rizzo






23 de setembro de 2015

Únicas



Únicas
Suzette Rizzo

Vejo uma estrela, a primeira de hoje,
no pedaço de céu da minha janela.
Nenhuma outra cintila,
nenhuma outra por perto, 
nenhuma companhia alem do espaço vazio
até o nascer do dia

Nesta noite somos únicas
a trocar segredos,
duas poetisas solitárias
e nostálgicas.
Ela em seu espaço isolada
e eu tentando alcançá-la  
com minhas roucas palavras.




Esta noite cantarei baixinho...
Escreverei um poema  de 5 pontas,
habitarei aquela estrela,
serei a pequena princesa
daquela casa solitária
 e meditarei em silencio...
como uma monja.

Pintarei flores e animais
pelas paredes,
procurarei um duende em baixo da cama
e uma raposa astuta
para me ensinar.
E quando não mais estiver
sob encantamentos,
adormecerei nos olhos dela
e ela se apagará nos meus.

E mesmo que  nuvens
acinzentadas cubram
minha estrela amarela,
eu a verei todas as noites
da minha janela.





Arrependimento

Arrependimento
Suzette Rizzo

Dei a ele meus olhares apaixonados,
as mãos tremulas,
o coração disparado.
Dei  a ele meus sonhos,
esperanças e os três tempos;
presente, futuro, passado.
Dei a ele dias, dezenas de anos,
cada lágrima transformada em pranto
e desespero
e a emoção dos meus suores
E ele? 
Nada viu, nada sentiu,
preferiu outros temperos
outros espelhos,
outras propostas
histórias mais satisfatórias...
Dou a ele meu arrependimento,
hoje...  tudo que sobra.




Contexto

Contexto
Suzette Rizzo



Difícil atalho este !
Impossível tentar derrubar barreiras,
paredes, ignorâncias...
Olho em volta e vejo atraso
por todos os lados.
Percebo o homem das cavernas
e a idade da pedra na mente humana.
Ainda se caça e ainda se mata por prazer.
Ainda se acredita naquele Deus
que ninguém conhece, mas tem vóz  
e fala, ordena, guerreia e mata.





Difícil senda, difícil aceitação,
quando vejo e quando sei
 do sofrimento dos animais
e me dizem alguns: Cadeia alimentar.
Está na Bíblia concluem
e tenho então tanta pena
desse modo de pensar.
Nessa hora agradeço aos céus,
as redes sociais,
pois quem não sabe que fique a par
da vida curta e infeliz dos animais.
Quem não sabe fique sabendo
o quanto os seres são canibais.






22 de setembro de 2015

Contra a parede



Contra a parede
Suzette Rizzo 


Contra a parede,
olhos apertados tamanho medo.
Nas minhas costas,
apontando uma arma a vida.
No meu sono a alma
engolindo o amanhã.




Hoje não tem poema,
amanhã também não.
Asfixiada, não entra o sopro
da inspiração.
Tento abrir os olhos,
entender que estou só
e que minha imaginação
desordena pensamentos.
E mãos grandes e ásperas
esbarram meu rosto
afirmando o carma gosmento.





16 de setembro de 2015

Declaração



Declaração
Suzette Rizzo

Escrevo a minha vontade
de gritar.
Você não ouve, mas grito
alto, aflito
e digito coisas desconexas,
pois falta coragem de dizer
com todas as letras,
o meu delírio.


Você não percebe, mas xingo.
Escrevo tudo o que sinto
ou não sinto
e troco letras, modifico o tema
e você nem se dá conta disso.
Nem quando danço as mãos no teclado,
nem se canto meu poema.
Só sei que escrevo:
Lagrimas, saudade, sentimentos...
e você, nem consegue notar
meus lamentos.
Mas escrevo tudo, todo o tempo
e você nem imagina o quanto escrevo,
o quanto penso.
As vezes nem sei o que digo,
apenas prossigo
mesmo distorcido.
Porque a minha vontade
é escrever a alma... com calma
pra você entender.
E você, escreve... escreve...
sem saber de mim,
muito menos que escrevo pra você.

Suzette Rizzo_





Aspiração



Aspiração
Suzette Rizzo

Queria um sonho sadio!
Saltar desta montanha para uma outra,
percorrer novos caminhos,
avistar outras paisagens,
mas, especialmente desejaria
conhecer outras pessoas.
Depois... despertar
entre as linhas de um bom poema,
onde repousasse alma limpa
e corpo novo...


Seguir uma trilha bem cuidada,
deixar-me inalar perfumes adocicados,
desmaiar tamanho encantamento
ao sentir tal vento moço.
Queria um sonho vivo,
não estar dentro de uma teoria
correndo o risco de não ser meu todo.
Queria sonhos, muitos sonhos
bailando a céu aberto,
os olhos cerrados,
sensações suaves,
meu anjo mais perto.


October 14, 2011

Rosa Cruz Áurea


Se formos livres por dentro, nada de fora poderá nos aprisionar
Rosa Cruz Áurea

Quase lá!



Quase lá!.
Suzette Rizzo

Vagarosas,
logo mais serão as pernas,
e o  tempo anda a galope
deixando ao longe
os sonhos vãos
ou não.



Na verdade 
não há como reviver
o que se esvai,
embora seja a vontade
e a alma queira iludir-se
por inteira.
Não, não pode ser a hora
de pendurar chuteiras!




Amortecimento



Amortecimento
Suzette Rizzo

Ando  por aí,
passo leve e vagaroso...
Não há pressa de chegar
a lugar algum.
Não há pra onde
dirigir meus sonhos
e as ilusões já não são
ânsias bisonhas...
Agora voam
para além dos horizontes,
onde vivem
as verdades mais estranhas.



Mas não é  pra lá que me dirijo
Estou sem combustível
até pra isso.






15 de setembro de 2015

Gilberto Cabeggi


Ambição


Ambição
Suzette Rizzo

Apenas te queria presente,
fazer-me alívio aos teus flagelos,
exterminar tuas inseguranças,
afastar tua solidão. 
Ah! Te queria bem perto,
poder extenuar tuas mágoas,
perdoar tuas falhas, apagar teus medos
realizar teus anseios. 
Queria amparar teus passos,
situar em mim teu espaço,
expulsar tuas tensões,
relaxar teu desgaste.

Queria tornar realizável,
esta carência minha de mimar,
quem enche meus olhos de mar
e mistérios que são abraços. 
Queria, como eu queria ser,
quem teu coração escolhe...
Para desequilibradamente,
seguir teu rastro !

Suzette Rizzo

Por favor, 
respeitem os direitos autorais


42 graus


42 graus
Suzette Rizzo

Compreenda meus sinais,
os devaneios
e a fúria desvendada 
do que me coubeste arquivar
sem que eu quisesse.
Compreenda a ausência
de melhores ideais
neste momento,
o desânimo que abarca
meus dias,
a alma que não te varre.
Analise os fatos,
não invente...
Veja-me também
e somente esmorecida.
E... se der,
por ora decresça comigo,
tente!


May 2, 2014