3 de abril de 2015

Como penso


Como penso
Suzette Rizzo


Não chegarei ao Devacham,
nem estarei beatificada depois deste tempo
de estorvos.
Não abrirei os cadeados
que me isolam dos portais iluminados,
porque meu ego estará aprisionado
as lembranças,
por bom tempo, deste corpo.


Não reencarnarei tão cedo,
e lá não serviria para ser cicerone
nem mesmo de almas penadas .
Não chegarei ao Devacham,
não conhecerei enquanto carne
o Tibet ,
nem escorregarei no limo
ou me afogarei no Umbral...



Estou no meio do tudo e do nada
andando ainda na terra,
pé ante pé,
vivendo o meu pré-natal.

(Devachan: um Estado de Pura Felicidade)


E assim foi...- Suzette Rizzo



" Você poderá dominar seus impulsos,
esquivar-se de outros amores,
aprontar com todos,
mas, não poderá desmoronar a ponte
dos meus ideais,
nem desabar os sonhos
do meu pedestal. 

Talvez,você possa fugir do destino,
mas não será capaz de evaporar
meus olhos
dos seus momentos nada sóbrios...
nem afogar minha poesia
no amargor dos copos ingeridos.  

Você poderá afastar meu corpo,
balançar meus alicerces,
deteriorar meus valores,
mas a minha estrela guia,
quer sim, que eu chore as dores,
para nascerem de mim as flores,
que você regará. 

Pois você pode não me querer
dizer que não me quer.
Mas estarei tatuada
em todas as suas fases, frases...
sempre serás colagem
das minhas mensagens... 

Simplesmente plágio eterno
e eu o seu inferno
em cada passo da sua estrada.
Estarei sim, na sua cama, na sua voz,
em todas as palavras ". 

O tempo passou...
e assim foi !

Suzette Rizzo


Reflexões da sexta feira


Reflexões da sexta feira
Suzette Rizzo


Desligo-me de todos
e ouço
meus próprios conselhos,
os gritos das dores,
os sons da serenidade
e ouço meus pássaros
e os rios, e os mares...
Deus em mim





Ouço as alegrias das minhas certezas,
ouço cair cada gota de lagrima interior,
ouço meus sentimentos
um a um...
a canção tranqüila do amor,
meus sons e o eco do vazio... 
de alguns dias sem cor

Mas não medito...
O silencio grita e a mente
faz ruídos,
como se cada pensamento
fosse feito de notas musicais
e a alma compusesse melodias
e até estampidos letais.

Não esqueço de coisa alguma,
embora raras vezes
transporte-me  como pena
e sinta o frescor das coisas vivas.

Não medito,
jamais saberia desligar-me
do cordão que me prende...  
Pelo menos, não em vida.


Suzette Rizzo

Marisete Zanon








Da amiga e poeta

Marisete Zanon

Um olhar para mim


Um olhar para mim
Suzette Rizzo

Os olhos doem,
mas não choram...
O sorriso é traço que se abre
somente.
Não sei se a alma ressente
ou se o corpo sente
por fazer parte da causa.
Os olhos doem sem pausa,
estão ressequidos, insones,
doentes.

Desvalor


Desvalor
Suzette Rizzo


Quis plantar uma sementinha
no teu coração
mas nem ligaste para ela.
Não houve um único pensamento
em que tua curiosidade se perguntasse
(como seria)?
se a nossa cor fosse como o sol
brilhante e amarela.
E a sementinha ficou soterrada
entre as tuas artérias,
(nunca cultivada)
somente ouvindo o músculo maior
ensurdecê-la.




Pior que tudo morreu sedenta,
esmagada em palavras
e era de se esperar morresse
de tão frágil e magricela...

E eu? Claro, morri com ela

Atma


Atma
Suzette Rizzo

Creio na fagulha divina em nós,
na semeadura  como principio,
na reencarnação como maior ensinamento.
Creio no aprendizado da vida,
na eficiência do tempo,
na voz do vento.
Creio além, creio acima de mim,
creio nos Mahatmas,
no sétimo principio
e desprezo o que está abaixo.
do meu inicio
Creio no Atma, na Tríade superior
e quanto a matéria como sendo veiculo
para nossa elevação do amor.
Creio nos sentimentos de qualquer ser vivo
entre ondas de emoção
e creio no presentear  da dor
para nossa evolução

Suzette Rizzo.


"Tudo aquilo que o homem ignora não existe para ele. Por isso, o Universo de cada um, se resume ao tamanho do seu saber." Albert Einstein

FELIZ PÁSCOA AMIGOS !




Feliz Páscoa amigos!!!
A todos vocês que me visitam
um grande beijo

2 de abril de 2015

Sofrimento cansa


Sofrimento cansa
Suzette Rizzo


Cresce a fome de vida,
fome das coisas vivas,
um desejo imenso
de acordar manhãzinha
abrir a janela e dar boa dia
as nuvens e florinhas.




De que adiantou não querer mais
saber do tempo,
entregar-me a força do vento,
esperar que ele curasse
a dor dos sentimentos?

De que adiantou tamanha clausura,
viver no escuro da desventura,
se nada mudou ou mudaria?

Pegou-me a estafa do sofrer sem trégua,
cutucou-me o coração que doeu
e assim assustou-me

É preciso viver a vida que acorda
todos os dias, percorrendo cada minuto
da alma sufocada que suplica;

Por boa vontade,
água da fonte que a tudo anima.

1 de abril de 2015

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TODOS
Suzette Rizzo


Todos os muros são altos
e as vozes de todos doem
minha sensibilidade.
Todos interrogam
e deixam coisas no ar,
vinculando meu sentir
ao medo das verdades!
Todos manipulam,
tentando fazer minha cabeça
e invejam-me alguns,
esses que pisam... para que eu padeça.
Todos estão fora do meu círculo,
distantes da minha vida
mas, cantam por trás o mesmíssimo hino,
sem que eu mereça!
Persistem todos
dinamitando meus instintos,
exterminando os desejos mais simples,
resumindo meus dias,
apagando o sol,
eclipsando uma a uma,
as minhas estrelas!

Suzette Rizzo
Direitos reservados

Assombro


Assombro
Suzette Rizzo

Hoje, a impressão
é de ciranda de anjos
a meu redor.

Espanto que alimenta esperanças,
atenua o agito interior,
derruba o muro refreador
de sentir da vida a dança. 

A impressão é de sol
apesar do tempo dissimulado
e o corpo parece casca,
corpo sem recheio,
tamanha leveza. 


Hoje, inacreditavelmente
a impressão é de desmanche
dos poemas chuviscosos; 

Se foram  os nocivos sentimentos
e me surpreendo despindo a vestimenta
das palavras lamentosas. 

Escrevo agora... a impressão
que leva embora o temporal dos versos
e desfaz a ventania furiosa.


Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados 

Terceira traição


Terceira traição
Suzette Rizzo

Olhei-me no espelho...
As mãos trêmulas,
os olhos  fora de órbita.
Que raiva!
Traição acerta o peito
e tem dor de facada.
Terceira vez,  terceiro amor...
É muito azar! 
Gaguejei tanto a minha inconformação
que perdi  a calma,
o fio da meada
e podei no grito a ex- doce ilusão.
Nem precisava,
morreria fatalmente,
desilusão entope a alma
para sempre.
Mas traição é tão torpe
que esmaga pretensões,
escurece outras lembranças,
concebe medos,
deturpa novas esperanças.
A terceira então, vai e volta
no pensamento ...
Enrola enrola ... 
Não caleja nem estanca.

Suzette Rizzo

Caminhos opostos


Caminhos opostos
Suzette Rizzo

Estava do outro lado do mundo, 
na outra margem do oceano,
navegando em outro corpo
e tudo isso me incomodava.
Embora, desse amor doloroso,
não restasse ilusões de nada. 



De repente, caiu aqui
no meu beco escuro
e secou todo meu choro,
preenchendo vazios,
as noites e os sonhos
dos amanhãs sem dono 

E aconteceu um cantinho nosso,
onde o escuro é agradável
e as culpas desaparecem,
quando o sorriso se abre
e, do céu dos olhos desabam
concretizações.

Penso que estarmos como estamos
significa o apogeu,
o final da escalada;
pena volte à sua ilha
e eu volte a fornalha 

Entrego-me a pensamentos
temendo as migalhas do tempo
e, exatamente como um quebra-cabeças,
reúno pedaços desta história
para obter, quem sabe,
resposta satisfatória. 

Só então, percebo
o quanto estamos mal,
amontoando mais culpas, remorsos
nesta teimosia de prolongar
caminhos opostos


Suzette Rizzo

Jardim Tropical


JARDIM TROPICAL
Suzette Rizzo

Semeio flores
e de um jeito ou de outro,
nasce o melhor no ser que sou.
Uma palavra aqui, escritos de hoje,
de amanhã...e assim vou indo.

Porque de mim brota algo que chamo poesia
embora umedecida
por causa da maldade alheia,



que fez da minha poesia uma flor orvalhada.
Continuo o meu plantio
e até já soube sorrir um dia
e plantar na alma dos outros,
mais alegria. 

Mas o tempo passa e a vida se espalha por ele...

Quem dera acontecesse
e as pessoas repassassem algumas mudas
e que nestas tantas diversificações seculares,
minha alma, que hoje ruma em direção vertical,
deixasse palavras capazes de preencher
pelo menos um canteiro...
de algum jardim tropical !


Suzette Rizzo

Imagem: Giz em lousa de Edna Feitosa