13 de dezembro de 2014

Liberta



Liberta
Suzette Rizzo

Em meus sonhos
lavo o mundo com cloro,
desinfeto o solo,
choro por ele as maldades,
e te escôo dos meus olhos.
Acordo inundada de sol,
abro o programa onde digito
meus poemas
e escrevo então algo limpo
de se ler...

Liberta do teu ímpio ser !

Assombro



Assombro
Suzette Rizzo


Hoje, a impressão
é de ciranda de anjos
a meu redor.
Espanto que alimenta esperanças,
atenua o agito interior,
derruba o muro refreador
de sentir da vida a dança. 



A impressão é de sol
apesar do tempo dissimulado
e o corpo parece casca
sem recheio,
tamanha leveza. 

Hoje, inacreditavelmente
a impressão é de desmanche
dos poemas chuviscosos; 

Se foram  os danosos sentimentos
e me surpreendo despindo a vestimenta
das palavras lamentosas. 

Escrevo agora a sensação da calma
o cessar do temporal dos versos
e da ventania furiosa.


Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados


12 de dezembro de 2014

Equívocos


Equívocos
Suzette Rizzo

Tantos  equívocos  neste trajeto
que já nem sei se durmo no ponto
ou percorro rumo incerto.

De qualquer jeito,
melhor é  ver o mundo da proa,
pra não chorar o tempo ardido,

a canoa furada.
a história sem viço
a volta da azia


E se foi alento, ungüento...
além disso, meu amigo, adivinhe,
foi o brinde do momento


A pedra e eu


A PEDRA E EU
Suzette Rizzo


Estéreis os seus sentimentos...
Não progridem,
não procriam...
apenas revelam inexistência.
..

São como pedras sós,
que não se unem nem se dividem
e são frias, imóveis...
(serão vivas)?



Mas, se uma pedra não ouve
e não vê,
permanece eternamente onde estiver
numa exagerada paciência
(estará morta)?

Olha!
Entre você e a pedra
não há mesmo,
nenhuma diferença,

Autora:Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados


11 de dezembro de 2014

Flebotomias (dele)

Flebotomias (dele)
Suzette Rizzo

Preparo-me.
Frutifico algo de mim dia a dia,
cresço meu dom...
Amadureço e aos poucos
evoluo crenças.
Aprendo o porquê das diferenças,
vivo o inicio da ascensão.
E você?...  
Fica aí, parado,
repousando asas,
executado por incisões,,
acumulando erros,
vivendo a superficialidade da vida
e das sangrias desatadas



Imagino o previsto...
Sua alma linchada!
Suzette Rizzo


“Nenhum pássaro é capaz de voar a menos que suas asas cresçam e que haja espaço diante dele e coragem para suster-se no ar” H.P Blavatsky

10 de dezembro de 2014

Amor doído


Amor doído
Suzette Rizzo


Todas as lágrimas infelizes
chorei pelos cantos
de um bar da cidade.
Chorei a honestidade do meu coração,
(tamanha raiva)
e as dores da rejeição
entre os drinks da noitada.


E chorei o frio das palavras,
a saudade viciada
e por antecipação.
E agora, choro o final e as explosões,
cada momento perdido,
cada sonho escondido
sob as minhas ilusões.
Choro as noites que não me dei,
desejos que não saciei,
o mal que eu mesma me fiz.
E morro nesta tentativa inútil
de esquecer,
o quanto preciso do amor desse homem
que em tempo algum me quis.
Suzette Rizzo



Passos


Passos
Suzette Rizzo

Já sai da estrada reta,
enveredei atalhos frios,
enrosquei-me em braços quentes,
vazios de sentimentos.
Já caí no poço escuro,
estive excluída de mim,
atirando meus princípios
ao relento.

Já postei minhas mãos pelas igrejas,
percorrendo imagens cansadas
de tantos segredos.


Já exclui sonhos puros da cabeça
e um dia, um novembro gelado,
passou por mim um mau pensar,
previ a morte do ser amado.

Já busquei anjos ocultos em meu quarto,
bifurquei tantos atalhos...
Já fui deusa de um bastardo,
musa de compositor,
deitei no piano de um deles
e lá mesmo fiz amor.

Percorri anos honestos,
inventei  pratos franceses,
já cantei pelos banheiros
já chorei por corredores,
fiz meu circo dos horrores.

Já vivi a minha vida,
já vivi a minha morte...
tive azar,  já tive sorte... 
Com anjos e gárgulas feias
vestindo carnes de príncipes
e roupas em andrajos.

Já morri milhões de vezes,
já sofri fases inteiras,
emagreci de tanto ingerir
o amargor desses tormentos.
Hoje, vejo sombras distorcidas
e ouço o gritar dos ventos.

Suzette Rizzo
2004 

<>Respeitem os direitos autorais<>

Incubação


Incubação 
Suzette Rizzo


Fértil de sentimentos
concebo imposta e acuada,
um a um esses filhos,
enchendo a barriga da alma
de desprazeres e tormentos.


Não são lindos os meus filhos,
nem possuem cor.
São descorados, insípidos,
desprovidos de forma
e fermentam muita dor ...
(Crescem com ares de insatisfação total
desde os tempos fetais).

Abasteço a alma, o peito,
a vida dessa cria que não busco,
de outros e mais outros sentimentos
que surgem por acaso,
sem coito, sem gozo...
involuntariamente.

Ah! Odeio esses filhos incubados,
embutidos,
mal-vindos,
impingidos subitamente.

9 de dezembro de 2014

Feitiço



Feitiço
Suzette Rizzo

Contigo, bebi do vinho capaz de somente atiçar
meus desejos inquietantes.
É assim que o amor adentra ,
causando baderna incessante.



Embriaguei-me de palavras,
de olhares sedutores,
carregando-te nos andores
dos sonhos meus.

Eras um anjo enfeitado de sorrisos,
um anjo em qualquer ângulo da ilusão
que com asas enormes me abrigava,
e descansava-me do cotidiano da solidão 

Eras...  não mais voltaste
com teus afetos e beijos delirantes.
Deixaste somente o pão da saudade,
o pão que o demônio amassa

e cai na minha boca... aloja-se na alma,
envenenando meu ser da tua seita maldosa,
ser eternamente sangrado dos teus espinhos.

É assim que o amor prejudica...
assim viciei-me da fala e do olhar,
e caí nos braços do teu feitiço. 
Suzette Rizzo
2004


9 de dezembro


9 DE DEZEMBRO
Suzette Rizzo

Nasci...
Imposta pelo destino,
entre somente
orgasmos,
acontecida no organismo
de um útero gelado .



Nasci...
De uma mulher
de espírito desajuizado          
e de um bom homem,
porém, despreparado;
Eu, intrusa, imprevista,
eterna visita,
fato contrariado.

Mas enfim, aconteci...
Na Promatre e era
status,
abrir os olhos por lá.
E fui registrada,
batizada
pra depois ser
rejeitada,
reprimida, bloqueada
e futuramente
vítima dessa desordem,
de fases madrastas.

Cresci...
Sem muita beleza  
ou a lourice
ítalo-francesa
da mãe que pariu
de mentira;
Entre brinquedos,
duendes,
eu princesa,
de princípios
burgueses
sobrevivi...
Pra descontento
das freiras
e das forças exorcistas.  

Hoje...
Sou continuidade 
da neurose,
Sagitário- Escorpião :
Mística sonhadora,
gestante de ilusões,
solitária e maluca,
eu vida madura
condenada as maldições .

Porém,  existo...  
Amante da essência,
do incógnito,
sensivelmente vivendo,
é lógico,
poetiza de mim
e da minha história,
de duras provações!

           Suzette Rizzo

Ao léu





AO LÉU
(Uma história real e muito triste
de alguém que amei demais!) 
Suzette Rizzo

O menino de alma aflita, quis,
como todo menino,
agarrar tudo que tinha,
e de seu, pensava ele,
só tinha a vida. 


Jamais deixou transparecer tristezas,
pelo contrário...
Sorria e cantava madrugada afora,
escrevendo nos papeis guardanapo
místicas poesias,
cuja dor expandia.
Mas, tão bonito, meio louco...
ninguém o entendia . 

Não expeliu revoltas,
e se assim foi,
ninguém soube, ninguém viu.
Era justo, bom, amigo,
tinha no olhar a ilusão infinita,
de ser algo na vida, 
ser o pai que não permitiram...

E adormecia, abraçado a lembrança
da filhinha
que sentira nos braços os poucos minutos
que consentiram
quando comovido, a conhecera.

Depois de nós, seguiu infeliz,
abandonado, solitário,
Entre dores desde o berço
e, livre como era, fez muita besteira.
Até que de repente, me contaram,
no meio da noite fria,
ouviu-se agudo estampido.
E do seu corpo ensangüentado,
escapou-lhe a alma impulsiva...


rastejando por tempo impreciso,
asas feridas.

Suzette Rizzo


Andanças da alma


Andanças da alma
Suzette Rizzo

Andei 
pelos corredores da essência
até o fundo
e, senti tantas sensações,
que me perdi no tempo
entre culpas aflitivas ,
mágoas e náuseas,
uma terrível profusão
de sentimentos.

Não foi um longo passeio
e sim uma sugada repentina
entre sono e vigília
há anos luz desta vida.
Algo estranho e reflexivo, 
tanto quanto o sonho que tive um dia
com um símbolo esotérico
aclarando definitivo.

Voltei mais pacifista,
mística,
curiosa, coisa que não sou ,
sentindo-me carne, animal e pluma,
assim,  pouco de tudo...
meio xamã, meio espírita,
agnóstica e bruxa.

Desta vez, voltei muitas criaturas,
sentimentos misturados
e uma vontade louca
de equilibrar razão e fé,
distribuir num bom poema
o que não falo pela boca.

E passar
adiante a certeza absoluta
de ter sido tudo e muitas vezes...
Porque não?
Se "Elias voltou em João"
e além,
serei mãe do meu cão

Suzette Rizzo.