15 de outubro de 2014

Suficiência


Suficiência
Suzette Rizzo

Minha casa tem poemas nas gavetas,
debaixo da cama,
na cozinha,
pendurados no espelho...
Minha casa não tem gente viva,
apenas lembranças e lembranças
e muita poesia
que eu rezo como um terço,
em cada canto, em todo verso,
no caderno apoiado nos joelhos.
Sob esta casa passa um rio,
das lagrimas que penetram dia a dia,
nos vãos do piso frio.
Minha casa não tem beleza
mas tem a marca da consciência,
cães correndo nas áreas livres,
pombas e pássaros acasalando no telhado
e toda a espécie de pureza...
Minha casa tem a poesia da natureza
e sobre ela pairam anjos,
punhados de sonhos,
milhões de estrelas!

4 de outubro de 2014

Trauma


Trauma
Suzette Rizzo 


Procura-me, por favor,
encontra-me por aí
entre os vazios do meu interior.
Beija de novo a rosa vermelha
tira o poema do vinho,
boiando na superfície...





Meu Deus!
Mostra-me a verdade desta vez
segurando-me sem que eu perceba
e me abraça e de novo me beija
aquele beijo-confirmação

Coloca a mesma musica,
diga que é pra mim,
iluda meu coração, sei lá,
vista meus sonhos de verde
e enfeita esta noite vazia de estrelas
com teu olhar feiticeiro
fazedor de emoção...

Para que não se fortaleça 
por mais tempo
esta dor incontrolável,
da mágoa purgando tanto,
o trauma da rejeição.

Suzette Rizzo

3 de outubro de 2014

Mistério


Mistério
Suzette Rizzo


É crepitante
o fogo de um instante
desse olhar teu,
Sempre uma delicia
o olhar malicia
que fica no meu.


Mas, o medo obriga o desvio
quando o teu olhar se abriga
mostrando o caos eterno
e o meu recebe  o aviso
da dor infinita do inferno.
Que amor é esse
que vive medrosamente
refazendo  mansamente
raízes e amanhãs?
Que escorre e retorna
na noite infame,
sempre e sempre outra vez
o que foi antes!
Que amor é esse?
Que nem eu perco, nem tu ganhas.


Para tecer sonhos



Para tecer sonhos
Suzette Rizzo
 
Nem amante ou candidata
apenas criatura vaga,
solitária, precisada de amor,
parceria, alma lavada.
Mas, a mulher só
seguiu seus próprios passos;
sem par, sem beijos, abraços.
Esperava por palavras,
somente palavras que soassem
bem aos ouvidos,
mas nenhuma cantava, encantava
ou sorria-lhe o interior
e quando faladas alarmavam
o coração desigual
nas questões de amor.
Era pra ser assim...
e cercada por insensibilidades
acomodou-se onde pode,
fixando o olhar além céu,
naquele que era um passado morto
oculto por muitos véus.
Alimentou-se de vestígios, farelos,
sombras, fantasmas...
Descreveu seu pensamento enigmático,
oposto, desgostoso,
inventando de si ectoplasmas
para tecer sonhos.

Tantos pensamentos


Tantos pensamentos
Suzette Rizzo
 
Solitários, enigmáticos...
Aconchegando frases filosóficas,
dicas cósmicas, conjecturas.

Debaixo do sol,
sentada numa grande pedra, penso,
invoco respostas para as minhas dúvidas.



Ouço de mim deduções
e deslizo sobre o papel, palavras,
dirigem-se elas, a lugar algum.

Recolho-me
e somente na penumbra da minha solidão,
o silencio responde algo...  indecifrável.


2 de outubro de 2014

Uma estrela a mais


Uma estrela a mais
Suzette Rizzo

Sobrevôo
sonhos e pensamentos

Não mais me sinto uma ideia alheia,
parecida com uma fadinha escondida
por trás das folhas,
nem um fantasma sem rosto.
Sou um sonho vivo... de outro.
No meu céu brilha nova constelação,
no coração a batida
de reais emoções.
Não mais me incomodo
com a próxima vítima...
Sinto-me íntima do fogo
e me queimo nas brasas
de nova paixão.


Thursday, October 02, 2014

30 de setembro de 2014

Enfim ... Primavera


Enfim... Primavera
Suzette Rizzo

Ficou o inicio,
a doçura das coisas ditas,
a voz suave afirmando inverdades,
a mascara terna e amante
do  pseudo romance.
Ficou o inicio atrapalhando outro inicio
e a comparação maldita
misturando estações
na alma em transe.
Fica... sem que eu queira,
aquela  fase nebulosa
borrando os prazeres da nova
e eu no meio... 
Recomeçando receios!  


Tuesday, September 30, 2014

27 de setembro de 2014




Colapso
Suzette Rizzo

Este mundo 
em que as vontades se envergam
como galhos das arvores 
pós-tempestade, 
consome qualquer habitante!
Mundo aclive
em que eu pelo menos
rolo abismos
e sempre caio de onde estive!
Mundo ardido de fogueiras...
e o coração pobre coitado
fatalmente fulminado.
Pergunto-me por que 
não passa logo uma nave
e me tira da ilusão-entrave;
Melhor é ser abduzida.
Aguardo um extraterrestre,
ou um intra terrestre, sei lá,
que de mim se enterneça
e aperte os eixos da minha cabeça.
Ou então, 
regule as hélices da minha vida,
para eu funcionar sem mais esta fadiga 
de viver neste planeta.

23 de setembro de 2014

Leveza


Leveza
Suzette Rizzo

Bebo saudade
porque assim mato a sede
de alguma felicidade.
Penso
porque assim exercito
versos
e cavo do meu intimo 
o romantismo submerso.
Sonho agora
paisagens futuristas
e um tempo, a este, inverso.
Dou a volta por cima,
pulo alguns degraus,
vivo melhor meus restos.
Nisso tudo a coisa boa,
é que posso sentir leveza
e tudo, tudo que eu quero.

22 de setembro de 2014



Esforço
Suzette Rizzo


Tento atravessar a má fase
feito um trator,
atropelando o ruim
pleiteando o bom...


Aumento o som,
invento novo amor
para viver noutro tom.

Desejo apenas desanuviar,
varrer dias que pensei 
fossem de paz.

Eram nada!
Apenas impressão de algo...
prisão tipo alcatraz.

A alma enlameada,
dias poluídos de mentiras
que hoje descortino
sem um mínimo de graça!...

Esmago as, podo as,
(são estúpidas certas ilusões),
domino bem meus anseios
já não tenho sonhos vãos.

18 de setembro de 2014

Escolhas e mudanças


Escolhas e mudanças
Suzette Rizzo

Recolho o pensamento anarquista
hoje apinhado de clarezas.
Intempestivo destino este
atravancando fases desde as infantis!
Porém, somente agora percebo
o que antes não percebi:
Delirei como um terráqueo sonso
igual a todos os que sempre critiquei.
Inspirei-me nos iludidos
e sofri o mal das ilusões
abraçando péssimas decisões;
Mora em mim o pesar dos tolos,

aspiro hoje combustões

Amor sereno ou... exaustão de paixão


Amor sereno
ou... exaustão de paixão

Suzette Rizzo


Deita a cabeça em meu colo,
quero fazer-te meu filho,
não importa o ouro da tua idade.
Depois, retribua esse amor
fraterno,
melhor que a paixão loucura
e seus frenéticos desejos
nada duradouros.

Tenha amor igual ao meu,
conforta-me,
tira-me desta aflição
de aguardar solitariamente
minha vez ao matadouro.
Canta pra mim teus azuis,
faça-me musa,
mas olhe para os meus olhos,
ouça minhas palavras,
não te quero olho grudado
no decote da minha blusa.
Pode ser amor assim?
Então, venha para mim.


Dentro do poema


Dentro do poema
Suzette Rizzo

Dentro do poema,
vejo a alma escorrendo
no bramido do silêncio.
E lacrimosa
segue meus passos
sentada no canto dos versos
no seu compasso sempre lento.
Passo por vitrines,
atravesso tantas vidas,
torço o tornozelo
num gigantesco buraco.
E ela, a alma, atrás,
ora tropeçando nas vírgulas
excessivas,
ora descansando nas palavras
sem espaço.
Dentro do poema
não me sinto só nem mal,
apenas extravaso.
Dentro do poema
entre pesares quero amar,
raras vezes sou feliz,
vez ou outra me caso.

17 de setembro de 2014

Lacuna



Lacuna
Suzette Rizzo 

Agora intocável, invisível,
meu poema irresistível.
O sol queima
mas não entra na sala
nem senta no sofá...
não deita comigo na cama,
nem agita o meu verão.


Meu poema rima agora
dor com dor,
nem mais causa excitação.
Meu poema carcomeu-se
sob a grama
e simplesmente se desfez.
Há tempos deixou de ter
o carisma dos olhos verdes.