8 de janeiro de 2018
Truculências – Suzette Rizzo
Meus
pensamentos possuem garras,
recordações
assassinas,
visão
borrada, esquálida.
É
assim como adentrar porões,
fixar
os olhos nas paredes pálidas,
e
chorar fases crisálidas.
Mas
meus pensamentos possuem garras
e
lá estou renascendo asas quebradas,
recordações
reprimidas,
tiranias
sofridas.
Meus
pensamentos possuem aço amolado,
estragos,
retalhos...
viu
só?
Além
de unhas afiadas.
Suzette Rizzo - January 3,
2018
Voragem – Suzette Rizzo
Poderia me engolir
qualquer redemoinho
junto a sina mau escrita.
Saudade do pouco aconchego,
dos defeitos, do cheiro,
dele inteiro...
Mas, na verdade, o que falta
é aquela companhia,
papo bom, mente aberta, poesia...
Agora, silencio, sala deserta,
portas fechadas,
vida sem janelas.
Saudade
da sensação de ninho,
eu, seu pardalzinho!
No presente, jejum de tudo,
som de coisas quebradas,
lacuna gelada,
dissolução de alma,
corpo caindo,
sensação redemoinho!
Suzette Rizzo -
January 08, 2018
6 de janeiro de 2018
quando o poeta dorme - nanamerij
quando
o poeta dorme...
os
sonhos vagam
sem
rédeas
sem
regras
sem
rumos
quando
o poeta dorme...
os
sonhos voam libertos
revirando
almas áridas
desfazendo
vontades tortas
acordando
tantas noites mortas
o
homem triste - canta
o
amante perdido- volta
a
mulher amada - retorna
a
moça feia - se enfeita
o
menino pobre - enriquece
a
vida se faz inteira....qualquer desejo acontece
quando
o poeta dorme...empresta sonhos
- nanamerij -
Cérebro submisso – Suzette Rizzo
Revoaram, revoaram... e por
fim se foram
todas aquelas
visões perseguidoras.
Hoje, posso até
recordá-las em conversas,
mas, não mais
afetam meus sentimentos
recordações
perversas.
Será verdade? Ou
quero que seja assim.
Penso também,
estar pensando
no atual em demasia,
cristalizando novas
ironias
e bom seria
se também revoassem
estas coisas
adversas.
No entanto,
seria preciso desativar
essa parte da
mente
que me permite sofrimentos,
deixa-la correr
junto aos ventos,
deslembrar seria
alento!
Difícil lidar
com isso!
Difícil
desmemorizar lampejos
se acompanhados
do cortejo
dos mesmos desejos
inimigos
deste cérebro a
eles submisso.
Suzette Rizzo - January 6, 2018
4 de janeiro de 2018
Esteio - Suzette Rizzo
Sinto teu cheiro
espalhado no ar.
Pergunto a amiga
em visita:
Sentes?
Diz que não,
claro!
Quem ama sou eu
e portanto quem
sente o cheiro dele
sou eu.
Conversamos
então
e nem percebo a minha
falta de educação,
assim distante,
pensamento na saudade,
saudade
hospedeira da cuca e da atenção.
A amiga fala e
eu penso,
sentindo teu
cheiro no ar, o calor das mãos...
A visita se vai e
te observo no canto da sala
escorando a
ilusão!
Suzette Rizzo
3 de janeiro de 2018
Secreto - Suzette Rizzo
Odeio os humanos!
Não
gosto mesmo
da pior espécie de hominídeo ...
Odeio
mesmo a cuca dos homens!
Exceto os moralizados,
os verdadeiramente escritores,
os verdadeiramente escritores,
aqueles
poucos e capazes
de enfatizar no papel o intelecto,
não
apenas seus falsos pensares e atos.
Odeio
a espécie dos ditos sensatos!
Bem,
quero dizer com isso e somente:
Odeio
os machos e seus cactos.
Suzette
Rizzo - Tuesday, January 02, 2018
Sou assim ( II ) - Suzette Rizzo
Pesquisadora de
misticismos,
investigadora do
meu íntimo,
amante das
minhas explorações,
escrevedora do
que sinto.
Não sigo à risca
a palavra alheia
seja qual for...
Creio em minha consciência,
acho a saída de labirintos,
arco todas as
consequências.
Meu pensar não
teme os trampolins.
Sou assim, dona
de mim!
Suzette Rizzo
May 23, 2017
Art : Mandala * Edna Feitosa
Repulsa - Suzette Rizzo
Extenuada,
sem
muro e sem porto
rodeou-me
o dia semi morto,
da
fase mal arrematada.
Elimino
ainda o amor temporão
esterilizando bactérias
da
boca cheia de ódio,
cuspindo
o fel da ilusão.
Vinha de um sonho solitário,
antes
vestido de nada
e
agora a dor de tridente me rasga
numa vil emboscada
Trago então, a boca cheia de chingos,
a
alma ardida, prensada,
o
passo solto na viga do abismo
a
cuca cheia de vinho.
Chego ao fim daquela estrada
onde
cantavam cigarras
soltando
fogo das ventas
abatendo
as tardes gastas.
Habituada
as mortes e perdas,
trago o desprezo na ponta da língua,
ironias da sina na ponta da espada
aversão extremada... ainda
Suzette Rizzo - 2015
Suzette Rizzo - 2015
Bons dias - Suzette Rizzo
Não poderia ter um bom dia
ou escancarar sorrisos
sem a leveza do
amanhecer feliz.
Esse "Bom dia" existe
aos que estão bem,
acontece para os
que não estão sós,
para os sãos de
corpo e de alma.
Quanto a mim, aguardo (sem esperanças)
por este bom dia, quem sabe no futuro
e decorrer das horas,
por este bom dia, quem sabe no futuro
e decorrer das horas,
no toque do
telefone,
no bip do
celular, no sol que não surge
neste verão só
no nome,
gélido verão
interior.
Vês?
Não poderia ter
bons dias,
sem ti, meu amor!
Suzette
Rizzo
1 de janeiro de 2018
Pensamentos do primeiro dia de 2018 - Suzette Rizzo
Ah! Sonhos mágicos
que debutaram comigo
passarelas de
felicidade!
Agora, se escondem entre os nós do
peito,
sob a beira da cama,
por frestas da
saudade.
Sentimento cruel este!
Temeroso de expor a
continuidade
dos lampejos de
esperança...
E hoje, na fase
adulta,
esta total liberdade,
incrivelmente oprime e só me assusta.
incrivelmente oprime e só me assusta.
Suzette
Rizzo - January 03, 2018
30 de dezembro de 2017
28 de dezembro de 2017
Oração ao Pai - Suzette Rizzo
Obrigada Pai,
pela estrada escorregadia,
em que aprendi que o cair
é a Graça do levantar.
Obrigada pelo sol, pelo quintal,
por cada animal recolhido,
alegria angelical.
Obrigada Pai, por este dia,
por cada bom pensamento,
pela ausência de temporal.
Obrigada Pai,
pelos poucos amigos,
por aqueles riscados,
pelo bem recebido.
Obrigada Pai, por mais esta manhã
mesmo solitária,
por esta oração que escrevi,
ao som dos seus Bem-te vis.
Suzette Rizzo - Thursday, December 28, 2017
NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI - EDUARDO ALVES DA COSTA
(Este poema não é de Vladimir
Maiakóvski
como foi espalhado na net.
Autor: Eduardo Alves Da Costa, escrito nos anos 70
durante a ditadura)
Assim como a criança
humildemente afaga
a
imagem do herói,
assim
me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não
importa o que me possa acontecer
por
andar ombro a ombro
com
um poeta soviético.
Lendo
teus versos,
aprendi
a ter coragem.
Tu
sabes,
conheces
melhor do que eu
a
velha história.
Na
primeira noite eles se aproximam
e
roubam uma flor
do nosso jardim.
E
não dizemos nada.
Na
segunda noite, já não se escondem:
pisam
as flores,
matam
nosso cão,
e
não dizemos nada.
Até
que um dia,
o
mais frágil deles
entra
sozinho e nossa casa,
rouba-nos
a luz e,
conhecendo
nosso medo,
arranca-nos
a voz da garganta.
E já
não podemos dizer nada.
Nos
dias que correm
a
ninguém é dado
repousar
a cabeça
alheia
ao terror.
Os
humildes baixam a cerviz:
e
nós, que não temos pacto algum
com
os senhores do mundo,
por
temor nos calamos.
No
silêncio de meu quarto
a
ousadia me afogueia as faces
e eu
fantasio um levante;
mas
amanhã,
diante
do juiz,
talvez
meus lábios
calem
a verdade
como
um foco de germes
capaz
de me destruir.
Olho
ao redor
e o
que vejo
e
acabo por repetir
são
mentiras.
Mal
sabe a criança dizer mãe
e a
propaganda lhe destrói a consciência.
A
mim, quase me arrastam
pela
gola do paletó
à
porta do templo
e me
pedem que aguarde
até
que a Democracia
se
digne aparecer no balcão.
Mas
eu sei,
porque
não estou amedrontado
a
ponto de cegar, que ela tem uma espada
a
lhe espetar as costelas
e o
riso que nos mostra
é
uma tênue cortina
lançada
sobre os arsenais.
Vamos
ao campo
e
não os vemos ao nosso lado,
no
plantio.
Mas
no tempo da colheita
lá
estão
e
acabam por nos roubar
até
o último grão de trigo.
Dizem-nos
que de nós emana o poder
mas
sempre o temos contra nós.
Dizem-nos
que é preciso
defender
nossos lares,
mas
se nos rebelamos contra a opressão
é
sobre nós que marcham os soldados.
E
por temor eu me calo.
Por
temor, aceito a condição
de
falso democrata
e
rotulo meus gestos
com
a palavra liberdade,
procurando,
num sorriso,
esconder
minha dor
diante
de meus superiores.
Mas
dentro de mim,
com
a potência de um milhão de vozes,
o
coração grita - MENTIRA!
“EDUARDO ALVES DA COSTA é autor de alguns dos
maiores e mais belos poemas da língua portuguesa. O fragmento de um deles, No
Caminho, com Maiakóvski, sem dúvida o mais popular — transformado em bandeira
contra a ditadura nos anos 70, em pôster, cartões postais, estampa de camiseta
da campanha Diretas Já, mensagem massificada na Internet — já foi conhecido, em
todo o Brasil, como o poema mais famoso e representativo de... Vladimir
Maiakóvski, o poeta russo. O equívoco, que durou muitos anos, é mais uma
vez corrigido neste livro” (...)
Nostalgia - Suzette Rizzo
Saudade
da fartura de abraços,
dos
feriados prolongados,
da
rotina que une,
do
beijo acostumado,
da
noite em que vimos de perto
a
luz do vagalume.
Marquei
mil páginas da
nossa
história,
os
melhores atos, noites, papos,
que
pena encerrados em pouco tempo.
Saudade
viu?
Dos
seus cachos alourados,
do
corpo acolhedor dos meus pavores
nos
maus momentos.
Saudade
que alenta o presente tempo,
ameniza
sempre,
meu
circo dos horrores.
Suzette
Rizzo
Huberto Rohden
Quem é iluminado por dentro,
parece escuro aos olhos do mundo.
Quem progride interiormente,
parece ser um retrógrado.
Quem é auto realizado,
parece um homem imprestável.
Quem segue a luz interna,
parece uma negação para o mundo.
Quem se conserva puro,
parece um bobo e simplório.
Quem é paciente e tolerante,
parece um sujeito sem caráter.
Quem vive de acordo com o seu Eu espiritual,
passa por um homem enigmático.
Quem progride interiormente,
parece ser um retrógrado.
Quem é auto realizado,
parece um homem imprestável.
Quem segue a luz interna,
parece uma negação para o mundo.
Quem se conserva puro,
parece um bobo e simplório.
Quem é paciente e tolerante,
parece um sujeito sem caráter.
Quem vive de acordo com o seu Eu espiritual,
passa por um homem enigmático.
Huberto Rohden
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