21 de dezembro de 2017

Venceu-me a solidão - Suzette Rizzo


Abandono triste!
Noites sem barco, realidades,
olhos parados nas visões imaginárias,
de mares calmos,
ondas vadias,
vagando minha apatia. 

Noites de canto suave,
das lendárias sereias a luz das lanternas
Tempo moroso nestas veias,
passeando por células solitárias, avulsas,
isoladas da vida que se prende nas teias
de um destino de muitas pernas. 

Já não quero avistar o ser daqui,
não quero mais sair deste  tédio.
Venceu-me a solidão. 

Meus desejos caminham por águas frias,
entre beijos afogados e vultos que só eu vejo,
quase alcançando minhas mãos.

Suzette Rizzo - October 15, 2004







Gília Gerling



Meu Natal ( II ) – Suzette Rizzo


Não me importaria com dias letais
mas não gostaria de relembrar natais,
ter essas visões do que já foi,
dos que se foram de vez para a ilha do jamais.
Privar-me-ia de tudo o mais,
se pudesse ressuscitar as coisas mortas
umas poucas horas,
sentir a matéria morna da minha gente.
Fecho os olhos como a brincar de cabra-cega,
descerrado-os lentamente apesar da louca espera
e ali estou, diante deles... porém impotente.
Esqueceria com gosto as últimas dores,
fatos, temores... 
se pudesse passar a meia noite do Natal
junto aos meus amores.


Suzette Rizzo - Thursday, December 21, 2017


19 de dezembro de 2017

Versos de dor - Suzette Rizzo







Destino barrento
loteado de excremento humano.

Estupidez de acoplamento que me fez.
E agora? Onde estão vocês?

Foi parido mais um poeta
fadado a   escrever sombras e desamor

Ingrato destino que não afrouxa
o cordão... e se faz meu laçador.

Choro, escondo-me no escuro,
isolo-me como elefante terminal

Ah! Enfastiei-me de amamentar 
e alentar versos de dor

Monday, April 06, 2015



Mutações - Suzette Rizzo



Não mais reconheço-me
nem aceito quem me rodeia, 
quem aconselha.
Quem viveu tormentos, dificuldades,
danos e horrores fui eu
e quem cresceu na dor, não consegue aceitar
quem nunca sofreu.
Pior ainda é recusar a figura do espelho,
querer não ter a sentimentalidade apurada
a cada dia que passa doendo,   
mais e mais a alma.
Não aceito teóricas palavras,
nem vejo com bons olhos 
minha inspiração poética.
Não aceito atitudes sistemáticas
nem mais esta face apática,
a alma mistica,
a espera mágica.

Suzette Rizzo





14 de dezembro de 2017

Liberando o anjo - Suzette Rizzo


Angustias... por um tempo em repouso,
assim o pouso das asas cansadas
de um ciclo doido.
Será que estes olhos viram auroras de ouro?
Já foram olhos desprevenidos,
livres das coisas cruéis,
fixos nas visões mais doces?
Viajo no barco de um sonho louco,
atirando em alto-mar desencantos,
tédio, relacionamentos frouxos...
Sabe de uma coisa?
De hoje em diante te libero
meu “anjo torto”

Suzette Rizzo - December 14, 2017





13 de dezembro de 2017

Mesmices - Suzette Rizzo

  


Vagueiam estes apelos silenciosos,
entre versos estremecidos
noite a dentro.
São versos subversivos, agudos,
sofridos, vencidos,
dolorosamente espremidos,
sem ouvintes.
Transformam o quarto em selva,
encobrem o verde da relva,
revelam flagelos,
desfazem desejos simples.
Vagueiam milhares de pensamentos...
Verdades se juntam, mentiras se atacam
e mais me atrapalham nas noites seguintes.
Suzette Rizzo


Perturbação – Suzette Rizzo

 


Espreitador de um sono raro, 
um sonho lindo, sonorizado,
alimenta a indolência,
assim, gostosamente aconchegando
teu olhar no meu,
que se apressa em nos reviver.
E nessa perplexidade acordo,
devoro ansiedades,
permito o vento no rosto,
sinto gostos,
interdito um pouco a saudade
Suzette Rizzo





12 de dezembro de 2017

Enganação - Suzette Rizzo




Tua poesia era um banquete para a minha alma,
tão melodiosa que a canção se repetia
e mesmo em vigília a ouvia.

Tua poesia era berço, alento das noites frias...
Mormaço de verão, frescor de brisa leve,
refrigério, luz, compasso.

Tua poesia era minha (pensei) estava em mim
como o ar que eu respirava, braços que abraçavam,
preenchendo meu corpo todo de suave torpor

Tua poesia não era minha,
descobri e morri ...
Foi ela que me matou.

Suzette Rizzo - 24 -2 -15




11 de dezembro de 2017

Transcendentalismo - Suzette Rizzo



Quisera ouvir mais princípios nas palavras,
obviamente no pensar de quem me fala.
Ando catando ética, coerências e consciências
nestes caminhos cada vez mais opostos
da expiração dos populares.
Tenho sonhos intranquilos e uma solitude
intensa que me afasta e me sepulta
e antes esmaga-me como uvas nos lagares.
Assim me sinto, cara a cara com semelhantes físicos,
alguns tão soberbos, egoístas, ávidos por
táticas mal elaboradas, nada metafísicas.
Quisera dizer mais do que escrever...
Nunca soube me expressar e agora,
ando também exausta de buscar palavras,
explorar a alma,
pontilhar sensações com lágrimas.
Quis tanto de mim e consegui
enxergar mais além,
mas com isso me excluí, 
por isso me abstraem. 


10 de dezembro de 2017

Lufadas – Suzette Rizzo


Debaixo do planeta flutuante o cosmo
maravilhosamente perfeito!
E um ateu de merda me diz
não crer absolutamente em nada.
Penaliza-me essa afirmação primária,
primitivamente expelida
como escarrada.
E eu que procurava em meio à tantos
filosofia sensata,
voltei a realidade, carregando meu bloco
com páginas vagas.

Suzette Rizzo - December 5, 2017



Saimento - Suzette Rizzo



Nunca mais um sonho
bom ou mau,
nem sono profundo,
corpo relaxado,
paixões, amor imortal...
Será besteira tudo isso?
O amor quando existe brota na pele
e morre com ela.
Se existiu ficará oculto entre as rugas,
na transformação das estações
e das tantas luas.
Nunca mais sonhos despertos
ou desmaiados.
Sinto agora a secura da vida,
a essência quase desnuda,
nestes dias entrecortados
de sustos e soluços

Suzette Rizzo
September 18, 2017






Nota - Suzette Rizzo




Sempre rende poesia;
Qualquer falta de ar,
qualquer visão chata.
Sempre rende um bom raciocínio,
um filosofar mui pensado
em qualquer conversa fiada.
Sempre rende,
qualquer pingo de chuva na vidraça,
qualquer tom crepuscular,
qualquer senciente que passa.
Sempre rende...
E é comigo que sempre aprendo,
porque além de observar
penso!
Suzette Rizzo - December 7, 2017 

Sencientes ("sensibilidade dos animais.
Sofrer, sentir prazer, dor, tristeza, amor, magoa, saudade, felicidade)..."









7 de dezembro de 2017

Estação Paraíso – Suzette Rizzo



Um passo mau dado,
um frasco de perfume enjoativo,
ares pensativos que dizem tudo,
e, mais uma história desgostosa,
guardada na alma, no fundo!
Mas, ao mesmo tempo que transtorna a essência,
dilata futuras esperanças
de algum outro abraço mais firme,
e afinal, inda libera poesia afogada,
mal pintada, simultânea...
Enfim, quites!

Suzette Rizzo - December 5, 2017



Arrancando mato – Suzette Rizzo



Catastrófica solidão forçando papo furado
nos grupos de discussão,
cuja gente é fútil, desvinculada de seriedade,
isenta de emoção.
Dá vontade de correr da terra,
chamar um óvni na noite escura,
oferecer-me aos aliens a ser levada,
e, quem sabe, no interior do objeto,
eu ouça sábias palavras.
Desastrosa carência!
E não encontro entre milhões alguém par
da minha necessidade 
de simplesmente... ideias trocadas.

Suzette Rizzo -December 5, 2017


2 de dezembro de 2017

Coisas inexplicáveis - Suzette Rizzo



Meus olhos sonharam teus olhos
vazios de sonhos de amor.
Meu tédio deixou no teu tédio
mais noites sem cor.

Estivemos entre nossos momentos
como fossem tormentos
misturados a um todo incolor.

Apenas te deixaste ficar
permitindo-me estancar
um passado que me frustrou.

Valeu!

Sentou-se a meu lado,
chorou emoções e foi par 
na tristeza e na dor.

E eu?

Empurrei-te para trás,
alimentando a saudade
do teu ex amor.

                   Suzette Rizzo


Confinamento - Suzette Rizzo



Como um judeu em tempos nazistas,
o pânico aflorado,
olhos apavorados, olheiras profundas,
tensões  destrutivas,
vejo a minha casa bombardeada,
o tempo escurecido
e eu desprotegida dos meus escudos,
escorregando mais e mais,
pelo limbo do futuro! 
Estou esfolada, destruída,
o sorriso morto,
a boca emudecida,
sentidos todos atordoados,
olhos baixos, colados no chão,
somente temerosos deste mundo! 
Nem mais abro a janela como antes,
quando procurava paz nas estrelas
e dopava-me, assim observando janelas vizinhas,
admirada da vida alheia! 
Volto-me apenas à saudade
daquele bom samaritano,
alentador do horror deste carma feio
de viver sem opção
e, além de tudo, isolada dele,
único ser que amo!

Suzette Rizzo (Escrito em 94)


1 de dezembro de 2017

Curiosa Força - Suzette Rizzo




Mesmo que o desejo se canse
o pensamento chama,
o sonho atrai
e o imã traz a salvo
o alvo do tal pensar.

Mesmo que o pensamento
se feche,
a sensação sentida
puxa do seu canto,
quem  sentiu
estranho encanto.

Mesmo que o amor se cale
não há escape para outro
e ele vem, seja como for...
Na vigília, no sonho
ou em carne e osso.

Curioso!

Suzette Rizzo