13 de outubro de 2015

Tudo é possível




Tudo é possível
Suzette Rizzo

É possível sobreviver aos trancos,
acostumar-se a falta de amigos
e, se bastar a escrita,
é possível sonhar sem mais ideais
ou caminhar sem meta.
Tudo é possível!
Desde que o sofrimento
não devaste da alma a fé
e a alma não se abasteça de vazios.
Tudo é possível com crença
e a solidão pode ser
sustentáculo do poema.


As manhas acontecem,
os pássaros cantam,
qualquer passado enobrece,
qualquer poema enaltece,
qualquer vento arrasta sentimentos,
qualquer água lava tormentos,
qualquer vida dilata e  rima,
qualquer coração trás poema.
É só querer dividir,
estar dentro de si,
escancarar o portal do dom,
deixar o secreto fluir.
Sou poeta assim.
Parindo meus sentimentos
com ou sem dor,
alimentando a mel  o prazer de ter
esses filhos de mim.
Suzette Rizzo


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12 de outubro de 2015

Anti-repressão


Anti-repressão
Suzette Rizzo

Não creio na falsa bondade,
na chamada amizade,
não creio nas escrituras,
naquilo que é pregado.
Não creio no computado
há séculos reprisado,
contudo, creio no holocausto conseqüência
de sangrento e oculto passado


Não reprimam minhas idéias variadas,
por eu não ter crenças alienadas
preferir meu lado filosofo, liberto
da mente nunca algemada.
Meu espírito alcança a vastidão,
segura outras mãos,
paira em sonhos no desconhecido.
Porém, nenhum fato anti-horário
descrito em livros seculares,
encontrei sentença  que me obrigasse
a crer em disparates doutrinários.
Há de haver um final
e certamente um recomeço
após a implosão deste mundo...
Espero não haja,
nenhum vestígio do desintegrado,
bom seria... um reinicio mais sábio.




Contaminação (no bom sentido)



Contaminação (no bom sentido)
Suzette Rizzo


Escrevo porque escrevo e não me importo,
sejam meus versos para alguns, tolices.
Escrevo porque palavras fazem mal
sufocadas,
se bem que  nem mesmo a tosse
expulse  o pó desta alma.
Escrevo para cantar o amor, 
as síndromes, a dor de amar...
por vezes  expulsar em versos
a tristeza do mundo cão,
deste penoso chão...
E me transformo até
em meu próprio tira manchas
e mesmo não sendo salamandra
ardo-me em chamas.



Contudo, o que realmente gostaria,
seria contaminar de poesia... 
Securas da alma humana






11 de outubro de 2015

Será que saudade morre?


                                             

Será que saudade morre?
Suzette Rizzo

Quanta saudade do amor
que transforma tempestade
em noite linda!
Amor que veste a alma de alegria,
a boca de sorrisos
e o pulmão de ares limpos!

Amei tanto em minha vida!
Perdi medos, corri riscos,
vi o céu em cada teto,
conversei com anjos discretos,
no paraíso dos meus sentidos!



Quanta saudade do amor!
Que nasceu de areia
e se auto-destruiu,
vazando das minhas veias,
o sentir que se esvaiu.

Quanta saudade da poesia
que vinha não sei de onde
e mágica, acontecia;
vestindo as noites  do luar
que o sonho atiça.

Quanta saudade das cores,
das tardes refletindo o crepúsculo, 
em teus olhos claros.

Será que um dia esta saudade também morrerá,
assim como morreu o mais lindo sentimento,
deixando meu peito inapto?





4 de outubro de 2015

Cronologia



Cronologia
Suzette Rizzo

Completo a tela da vida,
coloco a ultima peça
deste quebra cabeças
em seu devido lugar.
Agora sei, agora acordei,
agora piso em terra firme,
caio na realidade de ter feito
tudo errado neste filme.
Quisera alguém penetrasse
em meu silencio,
arrancasse de mim esta dor
de não ter tempo.
Vida ousada!
Abateu-me a cada dia
fez desmanche desta alma,
apagará depois de amanhã
minha cronologia

Sunday, October 04, 2015







1 de outubro de 2015

Gabriel M Ribeiro * Suzette Rizzo



C A I S
gabriel m. ribeiro 


nunca percebi quando estive aí, 
se quando colidiram os nossos olhares, 
ou no dia em que manipulamos nosso adeus. 
nunca conclui que águas foram estas, 
se a de um mar se abrindo profético a um amor, 
ou uma tormenta inundando o coração  cigano.




nunca compreendi que cais foi este, 
se o porto esperado de muitas esperanças, 
ou o terminal indesejado de todos os 
sonhos. 
nunca entendi que distância foi esta, 
se o transcurso necessário à felicidade, 
ou o calvário nefasto das saudades. 
nunca percebi estas estacas de madeira, 
se prendiam almas no fundo do lago 
ou se procuravam evaporar com as águas. 
nunca concebi a vida passadiça deste cais, 
se foi a exata medida da nossa chegada, 
ou a métrica desesperada da minha 
partida. 

gabriel m. ribeiro
- 12 / 08 / 04

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C A I S

(SEDUÇÃO)
Suzette Rizzo

Não sei se o lago seduz
ou são teus olhos azuis.
Não sei se a vida é do cais,
ou se estas horas são vitais.
Só sei da alma das águas,
acalmando esta festa alvoroço
no meu pulsar.

Não sei se o lago dopa-me
ou se tua poesia hipnotiza.
Não sei quanto tempo!
Mas afundo-me nestes momentos,
revelando cada um,
nos filmes do pensamento.

E quando a pressão das mãos aumenta,
e o corpo amolece entorpecido
de tanto sentimento,
o revolver das límpidas águas
acompanha o compasso da alma.  
invadindo de amor o cais...

E o píer, fingindo inércia,
espreita os casais. 

Suzette Rizzo
10 08 2004









Paulo Wainberg * Reino da felicidade






Reino da felicidade
Paulo Wainberg

No Reino da Felicidade, tudo é criança. O vermelho é vermelho e o branco brilha. O problema se resolve, a dor não machuca e é sempre hora de brincar. A gargalhada da menina é o espanto do menino, as vozes são lindas e as nuvens também, mesmo as que chovem.
No Reino da Felicidade a maldade não tem vez, todos são heróis e a ternura flutua sobre as pedras. O sorvete é mais gostoso e a música é o assombro do medo, Carlos ama Martha e Martha ama Carlos.
No Reino da Felicidade, a vida não se discute.

Paulo Wainberg 





Nel Meirelles / Suzette Rizzo



ESPERA
Nel Meirelles

vou ficar sentado na borda do arco-íris.
vou ver em cada estrela a única estrela que existe.
vou desnudar as cores
e fazer delas meu verde-azul-esperança.
vou escrever em pedaços
todos os recantos do meu coração,
embrulhar em papel de horizonte
e te dar de presente.
no passado ou no presente.

*Nel Meirelles*
25 01 2005



JÁ TE OUVI...
Suzette Rizzo

e descerei numa nuvem cor-de-rosa,
carregada de estrelinhas brancas
para enfeitar teu arco-íris
de novas esperanças.
Depois, molharemos nossos pés beira-mar
sob a chuva de verão:
O menino que és e eu.
E como duas crianças
cataremos conchinhas de sonhos.
Sonhos poéticos... apenas sonhos,
em que o tempo do verbo
não conta !

*Suzette Rizzo*
25 01 2005






30 de setembro de 2015

Foi então que descobri



Foi então que descobri
Suzette Rizzo


Perderam-se todos os meios
de chegar à sensação buscada
outra vez.
Ser feliz, afinal, seria exatamente o quê?
A sala iluminada?
O papo da madrugada?
Seria poder viver o quê, a tal felicidade?



Mesmo tristonha e solitária
a Deus agradeci pela vida restada
e pelo sentir  que me consumia.
Então, fingi cantar como num karaokê,
fingi sorrir não sei pra quê,
fingi que esquecia,
fingi que dormia,
poetava...
Só não fingi que morria
porque morria sem você.

Foi então, que descobri a felicidade;
Estava na memória,
na alma que se enfeitava em cada noite,
para sonhar saudades. 






28 de setembro de 2015

Arremate



Arremate
Suzette Rizzo

Enrosco-me nestes versos
que não se desatam
deste pensar funesto.
Agride-me  a sombra do medo
a mostrar da alma o extravio
dos meus segredos.

Não mais os tenho!

Voaram como moscas
pelo vão da janela
e nunca mais vadiaram
ou se multiplicaram
na minha cabeça.





Agora uma linha fina
arremata meus dias
e a poesia já não rompe,
só lateja.




Companhia





Companhia
Suzette Rizzo

Alguém volita em meu quarto
quando a calma deposita
sustentáculos na alma

Alguém resfria o cômodo abafado
e sossega o coração acelerado
dos problemas do meu dia.

Alguém permanece algum tempo
relaxando meus músculos tensos
numa serena alforria




Alguém faz parte da minha vida
clareia o escuro das noites
preenche-me a vida vazia

Alguém vadia em minha cama,
suspira em meu ouvido
e eu... abraço a companhia. 


Suzette Rizzo