31 de agosto de 2015

Segmento



Segmento
Suzette Rizzo

Estimulo a intuição
logo pela manhã.
Estimulo a vida como posso
faço de mim um passe
e viajo por dentro,
por atrás das pálpebras,
antes de abrir as janelas da face
ao sol
por tamanho medo de anzóis.



Procuro saber quem esta aqui
dando os primeiros passos
de mais um dia,
por qual motivo este corpo
é instrumento,
por qual motivo eu viveria
entre detrimentos.
Entre lucidez e bom senso,
entrego-me a outros tempos
no meio do filamento





Analogias

Analogias
Suzette Rizzo

Dúvidas criam raízes,
qualquer teoria escorrega ,
qualquer suspeita estatela o sonho
no solo do coração.
Se assim acontece,
qualquer amor enverga, 
e galho seco se quebra.
Qualquer medo é justificável,
qualquer feitiço é mutável,
comemorável com Bourbon.
Portanto, qualquer paixão reza
para acordar esperanças...


mas qualquer mentira deságua tanto
que  mata a planta!

September 14, 2013




Apanhado geral

Apanhado geral
Suzette Rizzo

Sensação ruim a certeza
do ser que vem à terra
também vestir-se
de matéria impregnada
de negruras...
Saber disso me faz mal!
Ele cospe mentiras,
é dono de olhares vazios,
palavras ao vento,
alma infiltrada no vulgar,


é perverso, superficial...

Juro que dele não levarei saudade,
quando retornar ao mundo mágico,
minha terra natal!

Suzette Rizzo
September 11, 2013







29 de agosto de 2015

Verdades

Verdades
Suzette Rizzo


Atenção conquista a alma,
carinho conquista a vida,
amor conquista tudo!
Amor é isso!
Pessoas que se identificam,
coisas que a essência curte,
admiração mutua
desenhando ao redor
cores paradisíacas.




Quanto tempo, sonhei levezas!
E agora enfim, vejo-me ‘livre do laço
do passarinheiro‘
conhecendo manhãs macias,
o lado bom dos meus dias
na minha caixa correio.

August 20, 2013










Transmigração



Transmigração
Suzette Rizzo

Transmigrei para o corpo
deste planeta selvagem...
Decresci nascendo aqui
onde a ética inexiste há tanto
e o bem causa espanto.
Tantas raças se cruzaram
recém chegadas de moradas obsoletas
castas violentas.




Ainda bem, não plantei raízes,
gostaria de esquecer meu corpo
e se tive quatro patas em outros sítios
voltar a ter,
caso contrário que eu seja aborto.
Nunca mais uma terráquea,
atada a teias e correias...
Nunca mais viver entre selvageria...  
E que assim seja

“Não existe nada tão mau, selvagem e cruel na natureza
quanto os homens normais”.
HERMANN HESSE





26 de agosto de 2015

Faço versos porque amo



Faço versos porque amo
Suzette Rizzo

Faço versos
desprendidos da minha alma,
quando sonho,
quando canto,
quando amo.

Porque amo faço versos
que falam de ti,
dos teus olhos,
da causa louca
que me faz inutilmente
abrir a boca



e descarregar sentimentos
que não compreendes.

Teus olhos disfarçam,
quando param no meu corpo,
examinando a consistência
do que vês.

E alguma coisa, desiguala sentimentos
e, já não sei quem peca.
Dou-te todo o meu sentir
e o que me dás, são desejos,
de moleque sapeca.

Te perdoo!
Afinal, não és poeta!

Suzette Rizzo

2005




25 de agosto de 2015

Lágrimas



Lágrimas
Suzette Rizzo

Lágrimas meladas
escorrem pela boca,
são de amor,
da saudade gorda,
da cama rota.

Lágrimas de sal
da inversão de sentimentos,
quando a lamina
corta em pedaços
os ligamentos.


Lágrimas soltas,
desafogando o rio interior,
quando a margem não segura
as águas da imensa dor
ou do grande amor.

Seguro o choro
e dói o peito, arde a alma.
Escapam lágrimas apimentadas.
Ainda choro...
Agora por nada












Ensina-me


ENSINA-ME
Suzette Rizzo

Agostinho, meu amigo,
ensina-me ser poeta
e a filosofar
das profundezas do íntimo!

Ensina-me esse amor sem rédeas
e a rédea interior,
quando o prejudicial adentrar
e comprimir meu coração,
sufocando as luzes tão necessárias
a este  meu caminho !

Agostinho, inspira-me !
Ajuda-me a ser um pouco mais
conhecedora de mim mesma
para que eu possa sentir Deus,
não além, nem tão distante
que não possa alcançá-lo,
mas, em mim somente..

.

E assim, eu tenha a felicidade
de experimentar a sensação,
do bálsamo em minhas feridas!

Suzette Rizzo
21/08/2000


( Agostinho=Santo Agostinho )





Reminiscências


Reminiscências
Suzette Rizzo

Ventou e veio pela janela
a solidão mais densa
do que já era.
Esparramou poeira pelas paredes,
cercou meus olhos de musgo
e a dor veio em parcelas.
Fez frio e me cobri de quenturas,
para sonhar venturas
e demais quirelas.
Ventou pelos quatro cantos,
congelou-me apesar das luvas...
dele,  velhas.


Tuesday, August 25, 2015






Poemas semi-vivos


Poemas semi-vivos
Suzette Rizzo

Sentimentos antagônicos
esses meus,
desejos desencontrados,
esperanças soterradas
sob um passado
que o tempo sorveu.

Olho a imensidão
admiro constelações,


mas, nada de inspiração...
Escrever tem dessas coisas absurdas,
minha alma anda muda
não dita nada ao coração.

Porque emotividade,
é lágrima sem motivo,
nem é solidão ou saudade
quando envolve...
Choro porque busco
e não alcanço poemas,
nem mesmo semi-vivos. 


Poemas casi vivos
Suzette Rizzo
Traducción: Paulo Monti

Sentimientos antagónicos
los míos,
deseos desencuentrados.
esperanzas soterradas
debajo de un pasado
que el tiempo ha sorbido.

Miro la inmensidade
admiro las constelaciones,
pero, no tengo inspiración ...
Escribir tiene de estas cosas absurdas,
mi alma se quieda muda
no dice nada al corazón.

Visto que emotividad,
es lágrima sin razón,
ni soledad ni nostalgia
cuando arrolla ...
lloro porque busco
y no alcanzo poemas,
ni mismo a los casi vivos.






24 de agosto de 2015

Nada foi possível



Nada foi possível 
Suzette Rizzo


Bem cedo mergulhei
num oceano de ilusões...
visualizando um príncipe loiro,
filhos
e um destino purpurina
contornando sonhos lindos !

Vi tanto céu
carregado de estrelas quentes



em tantas noites vazias
de concretizações...


E esperei, muito esperei
por certa companhia
e todas aquelas realizações

Mas, se há destino é inimigo...
E se há realização por otimismo,
a força do quadro mental
não se materializa,
talvez aconteça...
não comigo !

E se a prece sobe as alturas
Deus é surdo as minhas súplicas...
Encontrei o tesouro da fé ,
acreditei no invisível...
Mas, nada, nada que eu quis
foi possível !

Suzette Rizzo 

12/12/01 




Afins e Vôo solo


AFINS
Suzette Rizzo

Almas afins,
pensamentos afins,
sonhos afins
e éramos opostos.
No comportamento,
no estado de espírito,
seres enfim contrários
e de total afinidade.

Porque calávamos para ouvir,
pensávamos para responder
e um acatava o outro;
quem tinha razão tinha.
Sempre cordatos, sensatos
companheiros,
sobretudo verdadeiros.



Fomos nossos troféus
bem merecidos   
Precisei de ombro,
precisou de colo
e dois precisados unidos,
só pode mesmo ter sido,
coisa guiada pelos céus.

Porém, de tão afins que éramos,
assim, sem desavenças, pieguices,
ofensas, segredos,
aquele enredo perdeu a graça.

E quando optamos pelo fim,
entendemos
sem qualquer discussão,
apelos, gritos.

Só então, houve um desacordo
que os olhos revelaram:
Choramos escondidos...
um do outro!
Suzette Rizzo


VÔO SOLO

Luiz Poeta ( SBACEM-RJ ) Luiz Gilberto de Barros
Às  12h e 10 min do  dia 20 de julho de 2005,
especialmente para minha irmã de lirismo e sentimentos Suzette Rizzo



 Um dia, quando os pássaros percebem
Que o ninho já não serve para dois,
O vôo é iminente, e eles seguem
Sozinhos - cada qual - rumo ao depois.

E experimentam novas sensações,
Prazeres disponíveis, fantasias;
Mas quando findam tantas emoções,
Descobrem faltar algo... a alma é vazia

Então, uma saudade previsível
Os joga em abismos solitários
Mostrando uma lembrança  tão visível,
Na solidão dos seus itinerários...

Seus vôos sutis de pássaros carentes
De amor, de compreensão, de companhia
Os faz sobrevoar um tempo ausente
Repleto de instantes de alegria...

E esse sonho doce, repentino
Remete-os ao vôo compartilhado
Que fez da trajetória do destino,
Um rastro solitário... no passado.