23 de agosto de 2015

Agosto



Agosto
Suzette Rizzo

Faço tremendo esforço
para suportar o mês de agosto...
Abafo meus sonhos
sob o travesseiro
e tento esmigalhar na palma da mão
como incômodos mosquitos,
lembranças e desgostos.



Esse mês vampirisa
suga minha alma,
instala no coração
impressão de vida terminal...
Poderia ser conto lendário
mas não...

Daria tudo que pudesse,
para apagar todo e qualquer resquício
desse amor fazedor de ilusões...
Pular o mês oito,
excluí-lo de vez do calendário,
das minhas fortes emoções.


Suzette Rizzo
Direitos Reservados


Encontro comigo



Encontro comigo
Suzette Rizzo

Direção errada,
escorreguei na lama dos desejos efêmeros
e depois cai na realidade.
Satisfiz-me em abrir a janela e ver o azul
cobrindo o planeta,





contentei-me em contar estrelas,
formar constelações
e descobri-me assim lavando de mim
a dor e o pus.
Direção certa, conexão ideal...
O resto é virtual serpentino,
acidez, destino nu.






Fomes



Fomes
Suzette Rizzo

Tenho fome de perdão,
fome de emoção,
fome do meu dom.
Tenho fome de amor,
de gente, de abraço
fome de quem já se foi.
Tenho fome do clarão em minha sala,
da estrela meio Dalva
que brilhava noite adentro.


Tenho fome do bom passado,
dos veraneios,
daquele que era ungüento.
Tenho fome de vida,
fome de sol,
dos olhos de farol...
Daquela paixão fermento.


4 de abril de 2012





22 de agosto de 2015

Facilidades e dificuldades


Facilidades e dificuldade 
Suzette Rizzo

Fácil escrever o coração,
a emoção que vem de impulso
e se deixa transparecer.
Difícil é alguém perceber,
sentir tal e qual
seja o que for,
mal de amor ou dor,
do querer ou do sofrer...
Fácil construir frases,
fazer versos,
difícil é passar a outrem
o sentido correto.
Escrevo o que vem,
quando quero e preciso.
Difícil é ter a essência que tenho
e viver o sentir que vivo.







Emanações



Emanações
Suzette Rizzo

Embutidos os sentimentos e
emanam somente o que são
sem imagens de ninguém.
Estou como o mar
de encontro ao rochedo
entoando a canção
das águas cansadas
do ato rotineiro.
Não posso criar alegorias
se o enfado está nu de modelos
e o padrão anda incolor
de fantasias.
Meu corpo experimenta
outra vez olhos vazios
e a essência desalentada
nem mais se agarra
aos tais fios.

Suzette Rizzo –
December 07, 2007


(O Amor não é oriental ou ocidental, é só o Amor.
E só quem ama é que sabe, que isso não se explica,
só se sente).
Wagner Borges 







     

Estranhezas


Estranhezas
Suzette Rizzo

Estranho a pele, a matéria,
canso-me dos dias
um após outro
em nada desigual.
Estranho as feições,
o rápido envelhecer,
o ser que sou.
Estranho a vida,
o porque dos poucos amigos
e da família que se foi.



Estranho o mundo cruel,
a tecnologia que não para
de crescer
e o bizarro de nos dois 

Suzette Rizzo_ October 24, 2008






21 de agosto de 2015

Nulidades



Nulidades
Suzette Rizzo


Embrulhei as ilusões,
guardei as na gaveta,
eram balas de goma somente 
adoçantes da vida feia.
Joguei fora a papelada dele,
que já deu água na boca
simples versos preenchendo
noites sós, insônias loucas.
Ajoelhei nos bancos das igrejas,
sem ao menos entender
o que fazia.



Mudei de religião, fiz a minha.
Imaginei tantas coisas nesta vida
descobri as tolices que eu cria.
Fui obrigada a escolher
o presidente do meu país
mas, recusei-me a eleger
qualquer deles,
nunca esteve no planalto
quem fez o povo feliz.
Faço uma trouxa de tudo,
das pessoas que me enganaram,
daqueles que julguei tão bons
e da vida que vivi...
Enrolo enfim o velho tapete
com tudo que aprendi,
expulso dos ouvidos
tudo tudo que ouvi,









Confissões



Confissões
Suzette Rizzo 

Devoro imagens
sigilosas,
pedaços de tempo guardados
no vaso entalhado
junto as hastes espinhosas. 

São fases e gestos
projetando faces nuas...
Vejo e toco imagens
frias e cruas. 




Desvio a fixação maldita dos meus olhos...
Já não prefiro rodopiar entre passagens
da historia minha e tua.
  

Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados





19 de agosto de 2015

Rumi


Juízo final (meu)

Juízo final
(meu)
Suzette Rizzo 

Como se eu fosse a terra
e um cometa colidisse por aqui
causando estrondo indescritível
e eu pelos ares.
Não morri, mas sinto o calor do solo
queimando a sola dos extraviados passos,
a necessidade de companhia
e terrível carência de  abraços. 




Cada qual seguiu seu rumo,
neste juízo final...
alguns se foram para as estrelas
outros perderam-se no buraco negro
e quanto a mim,
retornei   
a cratera deserta. 

Piso a terra árida,
depois afundo-me em areia movediça
e já não sei o que seja a vida.
Mas ainda respiro
apesar de ingerida pelas lavas. 

Nem ouso entender por que
e se a resposta vem no sonho
não ouço,
por mais que pergunte a Deus 


Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados




Nem vital... Nem mortal


Nem vital... Nem mortal
Suzette Rizzo


Nunca mais fixação 
nem recordar calhordices. 
Não necessito como antes
encontrá-lo ou senti-lo  
nas profundezas de mim. 
Não era vital conservá-lo 
nem mortal esquece-lo... 



Desandei somente
em sentido contrário, 
provando-me, no entanto, 
o quanto foi arbitrário, 
traze-lo tão intimamente 
em meu peito.  


Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados


Desta vez



Desta vez 
Suzette Rizzo


Afogo a poesia
ouvindo a nossa melodia...
Mas esse romantismo não alivia
e muito ao contrário,
apenas desgasta a vida
e alaga a alma iludida.




Não é preciso que leias
até o ponto em que chega,
a mordedura do amor
nesta vida.

Versos borrados
o que mereces...
Inspiração deletada
o que mereço.

E nada de melancolia,
nunca mais  a lama do desespero,
nem apelar a tua indiferença
arredia. 

Desta vez, não pago o preço.


Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados 




Alguém como você



Someone Like You

Adele


Carências


Carências
Suzette Rizzo


Bem poderias
trocar o creme de barbear,
mudar o creme dental,
deixar o cabelo crescer,
ser poeta...
Bem poderias
beijar  ardentemente,
usar as mãos de modo
mais apaixonado,
mostrar-se mais amante
menos macho.
Bem poderias ser outro abraço,
ter outro papo,
tocar violão, cantar pra mim,
ser mais louco.
Ah! bem poderias ser 'o outro'...
Eu bem que gostaria!

Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

Hora certa

Hora certa
Suzette Rizzo 

 
É hora do adeus
às coisas passadas,
hora de recomeço,
hora certa de viver.
Hora de fechar a cova,
plantar lírios,
enfeitar a casa de rosas. 

 



Hora de acender as luzes
e curar os joelhos feridos.
De rir com vontade,
apagar a saudade, isso sim. 

Com ela na alma
não da pra expulsar
o patético de mim.

Art Ju Friend