16 de julho de 2015

15 de julho de 2015

Cativeiro

Cativeiro
Suzette Rizzo


Penso na alma aprisionada
a este mundo senhor do mal,
tentando arrancar da essência
o bom do ser imortal.
Penso no mundo 
como um caminho de barro 
cravejado de espinhos
e uma fada interior 
com sua mágica varinha,
tentando manter a alma limpinha.
Estou aprendiz neste grosseiro mundo,
mas consigo ficar em pé.
Tem gente que engatinha,
e gente que anda de ré.




Ainda me sentarei no banco de uma praça cósmica
para admirar o azul da ex e primeira morada.
Ainda estarei liberada de cativeiros aprendizes,
das correntes e cordões umbilicais... 
Ainda serei a leveza do vento e o brilho da luz
lavada da dor e do pus.


Wednesday, May 02, 2012





14 de julho de 2015

Prostração

Prostração
Suzette Rizzo

Ai, como são irritantes os ecos do vazio,
a agudeza destes gritos ferindo tímpanos!
O meu vazio sorve energias, desejos,
esparrama ares demais aflitos no dia a dia
Ai, o vazio contamina os órgãos,
pensamentos,
relincha como um cavalo entristecido
e apaga lento a chama viva.



O meu vazio não tem nome
e, exceto o nada vagando as horas
de um tempo incolor,
somente o freqüente som das coisas ocas.
Vazio não ama, não tem dor...
E o meu possui sensações
de um ciclone sugador.


Wednesday, June 13, 2015

13 de julho de 2015

Cretinices





 Cretinices
Suzette Rizzo



Serviu para que eu me enxergasse estúpida,
crédula...
Para que eu acordasse a realidade escondida
nas  bordas dos anos.
Serviu para que eu me visse ainda mais carente
a ponto de forçar sentimentos
e depois morrer muito
tamanho dano e lamento.
Serviu pra coisa alguma
e eu... preenchi espaço vago,
até acordar mais uma.







12 de julho de 2015

Caminho estreito


Caminho estreito
Suzette Rizzo


Algemada por palavras doces,
melancólica por outras coisas,
assim vou... 
Entregue, perseguida,
enfim, amante toda.
colhendo sonhos dos espinheiros,
vida dos cajueiros,
assim semeio... 



.
Impossibilitada de muito,
enclausurada nesta alma,
porém remendada e refeita,
renovada nessa chama
que me acalma... 
Assim vou!



September 21, 2013





Envergadura



Envergadura
Suzette Rizzo


Quantas cores escuras
tem agora meus sentimentos
e quantos passos em terra árida
dei, dou...
nesta rotina de viver envergada
como um galho,
que o temporal quase quebrou.




O mundo aprontou-me ciladas
e a vida deslocada,
atirou da janela do último andar
esta alma inutilizada...
E não havia mais ninguém,
lá em baixo, na calçada. 

Desorientada, sufoquei-me,
nas cores sombrias...
Desiludida, não reparei
na estrada bifurcada
e nos vultos que perseguiam
meu vulto fantasma...

Falhei sempre...
E continuo sem mesclas de alegria
escrevendo ainda páginas e falhas,
sonhos que me desprezaram
e desprezam-me,
borrando dias e noites
de piche e lágrimas.  









Cauterização




Cauterização
Suzette Rizzo

Tantas decepções
formando uma constelação de
estrelas sangradas...
Tantas mortes, tantas lágrimas,
tanto ardil, engodo, sombras,
palavras manchadas nas ultimas páginas.
Tantos dias quase felizes,
outros tantos desesperados,
tanto namoro, tanto mel,
pra gerar amor frustrado.




E eu quase compreendo
a morbidez e apatia do poeta...
Por isso,
quase me converto em lama,
mas volto à alma deserta.

Suzette Rizzo
Sunday, December 08, 2013



11 de julho de 2015

Sonho bom

Sonho bom
Suzette Rizzo

Sonhei um sonho tudo a ver...
Descobri-me mais carente que pensei,
mais solitária do que sou e sempre fui
e também o nome do breque de quem
impediu-me  de ser o que sou.
Acordei do sonho como quem vai ao psicólogo
pela primeira vez
e volta pra casa aliviado, depois do prólogo.
Sonhei um sonho cutucão,
longe deste meu inferno
tive conselho do além, sonho bom
Desta vez sonhei-me recém chegada,
sonhei um sonho amamentação.

Saturday, June 30, 2012




Mensagem para a humanidade


MENSAGEM PARA A HUMANIDADE

Anseios


Anseios
Suzette Rizzo



Quisera quebrar a redoma,
rebentar o fio prata
que me prende onde não quero,
entre  imundices e seres
e preços... 
Quisera sair correndo,
escapar desta vala,
acordar noutra praia,
vestida do meu avesso.


Saturday, July 11, 2015



Sonhos de poeta



Sonhos de poeta
Suzette Rizzo

Sonhei tristezas tumulares,
um sonho cimentado...
A redoma fria me isolava
e ouvia um soluço de mim,
tamanha piedade.
Sonhei  avatares,
escafandros, dúvidas,
uma babilônia enfim
em todos os lugares.
Fora o exílio,
o cerco,
o isolamento,
nem sei mesmo o que sonhava.
Acordei sentindo a carne gasta,
a alma amassada,
um gosto de nada
e o por quê  estonteado
a buscar o vento.

Sussurros

Sussurros
Suzette Rizzo


Aí esta você,
sorrindo nessa moldura atrás do vidro,
imóvel para sempre,
circulante fumaça em meu quarto
eternamente.
Questiono onde eu chegaria
se seus olhos inda brilhassem
afugentando agonias.
Respondo que o corpo meu
certamente lívido,
nem sombra desta que sou seria.
Se pudesse,
eu sei que me diria:
" Uniremos um dia nossos contornos,
oscilaremos como ondas da tarde
no mar calmaria".
Aí esta você,
sussurrando o que tranqüiliza.

Suzette Rizzo _ April 20, 2010

(Para Milton Moraes, falecido aos 37 anos)

Segredos



Segredos
Suzette Rizzo

Segredos !
Tenho tantos
nestas recordações...
Invasores dos meus
princípios,
segredos de atitudes
pecaminosas,
transgressora das leis
naturais,
espinheiros demais
ardidos...
na pele do meu destino ! 

Apavora-me a reação
de um dia,
meu caminho tortuoso
dando inicio
à um turbilhão de
inferno vivo...
Eu, entre o ínfimo
do mundo,
cara a cara com meu
martírio ! 

Mas, a musica envolve,
seus olhos aquecem
noites frias,
pensamentos nebulosos...
E vale, namorar seu
sorriso,
a postura perfeita na
calça rasgada...
E tudo que seduz
esta escalada ! 

Segredos !
Penso nestes...
Únicos momentos
verdadeiros...
Derretendo as geleiras
da minha vida...
Causando intimamente
o prazer dos prazeres
mordendo meus dias...
Acendendo a estrela guia...
Antes tão escondida !

Suzette Rizzo

25 05 02

Leonard Cohen

Milhares
Leonard Cohen


Entre os milhares
conhecidos,
ou que querem ser conhecidos
como poetas,
talvez um ou dois
sejam genuínos
e os outros são falsos,


rodeando os recintos sagrados
tentando parecer verdadeiros.
Nem preciso dizer
Que sou um dos falsos,
e esta é a minha história


Ocasos meus



  
Ocasos meus
Suzette Rizzo


Todas as noites
mergulho em tua alma,
agora incrivelmente leve
e morna e azul,
e em cada mergulho me abraças
com teus braços de anjo
e penso que a isso faço jus.
Todas as noites
eu  te componho,
entre o marejo dos olhos
no Éden dos sonhos.
Todas as noites narro os segundos
e me acalentas no teu ombro.
Todas as noites, ficamos juntos
entre nossas lembranças...
alma e corpo, um no outro

6 de julho de 2015

Confinamento

Confinamento
Suzette Rizzo  

Bloqueada assim me sinto,
querendo quebrar amarras
ficar de mal com a vida,
escapar desta sina
colorir de lilás meu chakra. 

Depressão maldita!

Nada tem graça,
nada me arrasta,
apaga o DNA 
e esta água é salgada
e esta  alma afetiva
a mórbida causa.
















Desapego

Desapego
Suzette Rizzo

Nada mais importa
dessas coisas corriqueiras
que estão por toda parte.
Simplesmente percebo
o bom de fechar certas portas.

A porta do amor carnal,
a porta da vaidade, da curiosidade,
dos desejos materiais
e as tantas portas enfim,
das questões idiotas.

Quase nada importa,
quase tudo deixa de ter sentido
e não sei porque sou assim...
Uma hora a alma acorda
e se vai... de mim.

Suzette Rizzo _ 2014








Cofre



Cofre
Suzette Rizzo

Preservo segredos, tolas passagens,
enganos, transtornos...
Sou um cofre cheio de fatos peculiares,
recordações de gente disposta
a nulificar-me a alma,
borrar meus sentimentos,
eliminar meu ser,
desidratar meu seguimento.

Até aqui,
eu trouxe no peito, o coração acuado
e a certeza de ter resistido
sem qualquer tipo de ungüento.
O que sou de fato, no entanto,
anseia versos menos densos
e a dor interrompida ...
Ai, bom seria uma pausa...
e só um tantinho de cor na vida