15 de abril de 2014

Varal do peito
Suzette Rizzo

Saudade encharcada
pescada no rio da essência,
ambas semi afogadas
na enchente de lágrimas.
Saudade ao vento,
pendurada no varal que há no peito,
esvoaçando a falta vital;
Ainda bem
que cada vez mais lento !

Suzette Rizzo


Peso
Suzette Rizzo

Esta mulher que sou,
preenche a cabeça
das coisas que não quero
e mesmo assim relembro.
Seria bom extrair pesadelos
e que eles rolassem degolados
das minhas profundezas.
Porque esta mulher que sou,
necessita extinguir do imo
o peso das asperezas.

Suzette Rizzo

14 de abril de 2014



Artificialidades
                    Suzette Rizzo


Quer loucuras
e não é para mim o homem certo,
capaz de prolongar ou sentir
sentimentos concretos.
Não se encontra, nem percebe
a necessidade da maturação.

Não condiz
as expectativas deste coração...
Nada acrescenta
e jamais se modifica
ou me conduz
a serenidade da vida.

Dei um passo em falso,
logo eu!  
Pisei torto, telúrico...
Pensei seguir o facho certo
e me enganei;
Essa luz é de mercúrio!

Suzette Rizzo



Rio de lágrimas
Suzette Rizzo

De mim se subdivide
momentos e deslizes
e nada restaura as dores
destes matizes
Aos poucos,
desta arvore que é parte do rio,
murcham folhas,
quebram-se os galhos,
morrem raízes.
Neste rio que sou
corre poesia apodrecida
e chora a essência persuadida


Sou um rio que desemboca
no oceano da nostalgia
e vive das coisas vencidas.
De mim, deságua a repugnância
de atos forçados,
a abundancia das coisas inalcançadas,
a cabeça baixa,
a sempre aceitação do assédio
nas horas da enxurrada.
Meu rio é composto de nomes
e signos tumultuados
que me afogam sem piedade
salgando-me  de lágrimas.
Percorro lento meu caminho
pertenço ao reino mineral ainda...
Assim me sinto porque escorro,
transbordo e morro no escuro rio
desta sina.

.

13 de abril de 2014

Diria Gaia
Suzette Rizzo

Não me queimem,
não danifiquem minhas veias,
não dilacerem o coração
que pulsa as matas,
como outro ser vivo qualquer.
Não me exterminem de vez,
nem me adorem com altivez...
Apenas, respeitem a vida
de todas as coisas criadas.
É isso que importa,
diria a voz chorosa
 do espírito de Gaia.

Suzette Rizzo

08 03 2006
SERÁ?
Suzette Rizzo 

Que flor é essa
que nasce morta!
Foi será a sala fria
e a alma desiludida
a matá-la antes da hora?



Que flor é essa que captou
minha alma despetalada 
e sufocada morreu
em plena aurora!
Será que a dor afoga a rosa?

Suzette Rizzo


Reconhecimento
Suzette Rizzo

Bom que se reconheça:
Entre homens e animais
não há diferença.

Amor e dor é nato nas espécies,
assim como Instintos e sentimentos
Caminhamos em frente
e na lógica só há uma sentença...
O resto é o velho conversê,
chamado crença.

Suzette Rizzo
Pensamentos de uma noite a mais
ou (Ternura antiga)
Suzette Rizzo

Não quero mais sair por ai
brincando de namorar o proibido,
nem continuar fazendo de conta
que não gosto dos momentos
e do jeito dele rir..
Porque essa é uma mentira deslavada
que igualmente me arrasa
pois não gosto de mentir.  
Suzette Rizzo/2000




Motivação
Suzette Rizzo

É mesmo uma invasão,
onda havaiana,
gole de café fervendo
queimando o esofago,
essa coisa que apossa,
envenena e adoça,


lava-me de lágrimas
e no entanto, 
inunda meu peito
de motivação !


Loucura ou não,
acumula de tudo,
estimula bastante
e certamente, um dia
arrebenta!


Ah! Qualquer hora
essa coisa aflora,
pra eu mostrar ao mundo,
o quanto este  sentir,
foi regado por você !


Tamanha pena, ele sorriu
e ficou,
só pra zombar de mim!


Suzette Rizzo

12 de abril de 2014

Versículo
Suzette Rizzo

Hoje, o sol brilhou intenso
e não choveu como sempre.
Escrevi uns poucos versos,
encontrei alguma rima,
observei passarinhos,
fiz também o inverso:
Tomei decisões,
entendi meu coração,
afastei coisas passadas
do pensar,
limpei meu templo
das tolas ilusões.
Hoje o sol amorenou meu rosto
e secou dos olhos meus desgostos.
Tudo isso
por causa de um versículo
fenomenal:
"Para cada dia basta o seu mal"

Suzette Rizzo_

11 de abril de 2014

Coisas por dizer
Suzette Rizzo

Perguntaram-me 
por que me visto de tolerância,
aturo hipocrisias,
por que não tranco a porta,
se já me arrependi
de ter caído porque eu quis
em vil armadilha.
Tranquei sim,
qualquer abertura  da alma.
Calei expressões, cobri a pele
da melhor lingerie,
deitei, dormi.



Não sustento egos,
nem pretendo inflá-los.
Que os desavisados o façam
e não se firam nos pregos

da boa fé.




A ÚLTIMA POESIA
Suzette Rizzo 


Nesta manhã, a vida cheira mal
e a lágrima enoja, assim puro sal...
tenho a pele ressecada
e sufoca-me saber que existo. 

Estou tropeçando em pensamentos
infelizes,
cambaleando ridículo,
escorregando depressa,
não sei pra qual abismo. 

É... Estou apagando o céu a porrada,
exportando meu coração aos infernos
e as duas faces da minha sombra
transpiram desencantos...

Agora acabou!
Resta rasgar-me em garras solares,
eletrocutar de vez camaleões interiores... 

Estou vomitando aspirações,
inspirações,
ilusões,
você.

Suzette Rizzo


Conquista de poeta _ Suzette Rizzo

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Conquista de poeta
Suzette Rizzo

Passa o tempo
e a gente se apaga da vida das pessoas...
Em nosso lugar sempre surgem outras,
mais outras
mais tantas mentiras,
novas conquistas,
mais laços,
embora não se queira laços.
E tudo se repete...
enganos, identificações, confetes...
Tão infelizes ‘essas almas’ insones,
incompletas...
que caem na astúcia dos poetas



A causa 
Suzette Rizzo



Tu bem sabes!
Pense num ‘poema antigo’
na tal resposta...  
apenas isso.
Pense nos fatos, nas mentiras,
nas justificativas...
no homem que és
a vomitar palavras tenras...
Será mesmo que não sabes?
Nem me importa, nada importa,
nada que de ti ainda venha
sob alegação de qualquer tema.

Só escrevo meus poemas.

O BAR DO ENCONTRO
Suzette Rizzo

Era tão frio aquele bar,
tão feio, decadente !
Mas aí, você apareceu.
Deixando tão bonito aquele lugar
acolhedor de solidões.


E foi sua sede de tudo
que me envolveu...
o vazio do olhar a molhar os meus.
Deixei então, que fosse o incendiário
das minhas ilusões


E qualquer som encantava o ar,
iluminava pensamentos,
traçava um palco pra dançar
emoções e sentimentos.


Foi o bar mais bonito que conheci...
o bar mais triste que conheço !

Suzette Rizzo

2002