4 de junho de 2018

Creio – Suzette Rizzo



Comes a carne mas conheces
o sofrimento do animal?
Votas, mas conheces a história do teu pais?
És contra, mas sabes porque houve oposição?
Declamas preces, mas sabes acaso a quem?
Escolhes um caminho, não sabes a razão!

Bom, a criatura é e sempre será Maria
seguindo todas,
ou por semelhança escolherá seus iguais.
Mas sabes o que vem a ser um semelhante?
Sabes acaso o porquê das coisas?
Conheces mesmo o que há depois do muro?

Corra atrás e se informe o máximo possível,
antes de arrotar conhecimentos chulos.







Impedimentos - Suzette Rizzo






Congestionamento de emoções ruins
fazem fila
nesta noite sem ar.
Parece um degolamento,
separação da energia,
sei lá.
Imagino-me numa fileira de doentes
calcando as pedras
e todos esmagando as pétalas
que eu quis sonhar.




31 de maio de 2018

Pergaminho - Suzette Rizzo



Não sei quem deseja ser
quando corre ladeira abaixo 
com saltos de Chaplin...
Se saci ou querubim.
Não sei quem,
quando tira a camiseta
exibindo a tatuagem
nada wave,
sacudindo os cachos
como um jovem delinquente.
Não sei quem encarna 
quando escreve ou lê poemas
como antigos eloquentes.
Só sei o nome
desse peregrino
que desanda a minha vida
e tira-me dos trilhos.
Só sei, me apaixono 
por esses tolos 
ou não personagens
que me abraçam com carinho.
Não sei, não sei se desejado 
ou presente do acaso,
esse moço enrolado,
indecifrável pergaminho.
   
Suzette Rizzo 




28 de maio de 2018

Vontades desta segunda feira - Suzette Rizzo






Queria a mente limpa
e preguiça de pensar...
Meu passado atropelado
por um Feneme,
amores desbarrancados,
minhas vidas jogadas no entulho.
Queria um sono perdido no oásis,
num canto qualquer do mundo,
triturar velhos poemas,
recomeçar...
Ter talvez, outro anjo que soprasse
e melhor despertasse
meus versos pré natal.
Depois disso,
queria em mim um espírito mais ativo,
mais amante das coisas pueris,
enfim, mais egoísta, mais vivo...
Mas antes queria a mente limpa,
pelo menos uns tempos,
longe de mim qualquer fermento.
Nem mesmo pensar nas raspas
do destino purulento.



27 de maio de 2018

Reescrevendo - Suzette Rizzo



Reescreverei um a um meus versos,
desta vez melhor elucidados.
Não deixarei pensamentos
mesmo os amarrotados
voarem pelos muros do tempo.

Não dirão que vomito poemas
por passatempo.
Jamais dirão os desconhecidos,
nem mesmo os amigos
ou aqueles que me lembrem
que estas páginas mentem.

Subirei o alto do monte,
gritarei com desdém
a vida de ontem.
Mas entre estrelas guardarei
sonhos,
para que um dia, mesmo longe,
outra vez despontem.


Suspeitas - Suzette Rizzo





Queira ou não, sou um fantoche
incapaz de ser eu mesma.
Percebo a voz em meu ouvidos
ditando o tema da escrita,
a solução, o caminho...
Obedeço?
Nunca sei o que fazer,
só sei do lampejo!
Se anjos, se luzes sei não...
Carrego  as mesmas cruzes,
mergulho não sei porque
onde antes me afoguei.



15 de maio de 2018

*Sonhe* Steven Tyler - Dream On


Toda vez que me olho no espelho
Todas estas rugas no meu rosto aparecendo
O passado se foi
Passou como o crepúsculo à aurora
Não é assim?
Todo mundo tem suas dívidas na vida para pagar

Eu sei que ninguém sabe
De onde vem e para onde vai
Eu sei que é o pecado de todo mundo
É preciso perder para saber vencer

Metade da minha vida está escrita em páginas de livros
Vivi e aprendi dos tolos e dos sábios
Você sabe que é verdade
Todas as coisas que você faz
Voltam para você

Cante comigo
Cante pelo ano
Cante pelo riso e cante pelas lágrimas
Cante comigo
Mesmo se for apenas por hoje
Talvez amanhã o bom senhor te levará

Cante comigo
Cante pelo ano
Cante pelo riso e cante pelas lágrimas
Cante comigo
Mesmo se for apenas por hoje
Talvez amanhã o bom senhor te levará

Sonhe, sonhe, sonhe

Sonhe até que seu sonho se realize

Sonhe, sonhe, sonhe

E sonhe até que seu sonho se realize

Sonhe, sonhe, sonhe
Sonhe, sonhe, sonhe, sonhe

Cante comigo
Cante pelos anos
Cante pelo riso e cante pelas lágrimas
Cante comigo
Mesmo se for apenas por hoje
Talvez amanhã o bom senhor te levará

Cante comigo
Cante pelos anos
Cante pelo riso e cante pelas lágrimas
Cante comigo
Mesmo se for apenas por hoje
Talvez amanhã o bom senhor te levará





A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón





“Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar por suas páginas, o seu espírito cresce e torna­-se forte!

Trecho do livro: A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón


12 de maio de 2018

10 de maio de 2018

Apontamento - Suzette Rizzo






Dureza,
relembrar a densidade do destino,
fixar o olhar num passado bravo comigo.
É preciso coragem, e,
interiormente possuir uma fortaleza
quase impraticável,
capaz de barrar dores e angustias,
para que elas não perfurem
o que resta da camada utópica.

Dureza
ter memória consciente,
verdadeira,
lógica,
acusadora inclusive de atitudes  
muitas vezes inconsequentes.

Dureza 
conhecer-me desse modo,
saber o xis das minhas questões
e exatamente onde se alojam nos outros,
atos, palavras delinquentes
momentos nada inocentes.

Dureza 
ressuscitar momentos duros,
vasculhar demolições,
ressentir emoções!

Suzette Rizzo - April 26, 2018



Poeta anônimo _ Suzette Rizzo





Moro entre lucidez e delírios
e esse desequilíbrio
contrabalança dias apáticos.
Moro ali, virando a esquina 
da terra,
entre o além e mazelas
na ladeira da noite tristonha,
melancolicamente escrevendo
umas poucas tontices 
e reais motivos de estar aqui.
Moro na sombra de um poeta amargo,
entre estragos, fracassos,
seguindo os passos de um caminho
ácido.
Meu corpo mora aqui entre as pedras,
os pés cravados na lama
deste destino embolorado...
Canso-me, fujo, 
as vezes sei fugir
para as nuvens da minha cama...
E ali, 
descansamos entre versos platônicos,
eu e o poeta anônimo
                                  Suzette Rizzo







3 de maio de 2018

Hermann Hesse





Verdades - Suzette Rizzo





Definitivamente, 
não gosto dos insensíveis
sempre arrotando o quanto calcam
seus pés no chão.
Parecem não ter alma nem coração,
Assemelham-se aos piores seres
vindos da última crosta terrestre,
renascidos somente por renascer
sem nenhuma missão.
Categoricamente, 
não gosto dos indiferentes,
dos que pensam usar a razão,
mas suas razões são inconsistentes.
Para esses, donos de total inconsequência,
tenho olhos aborrecidos
a tamanha falta de resplandecência

                                                          Suzette Rizzo




Poeta Álvaro Faria


A poesia já matou muitos poetas.
Mata aos poucos.
Antes, o poeta enlouquece;
Depois ele deixa a vida seguir como se não seguisse.
Morre um pouco a cada dia.
E assim o poeta se abandona em qualquer lugar,
em qualquer amor.
Até anoitecer.
Álvaro Faria - 12:11 - 2 de mai de 2018

29 de abril de 2018

Maturação – Suzette Rizzo




Amadurecer é dispensar teorias,
despoluir a mente das fantasias,
desobstruir a visão enganosa,
acordar enfim, as falsas sensações.

É desvendar-se interiormente,
lucidar desejos,
saber separa-los das incertezas.

É elevar a consciência, a compreensão,
aceitar o sofrimento serenamente,
sentir-se para sempre

Amadurecer é mais que pé no chão,
pé de meia,
mais que a pequenez do mero enxergar,
mais que tudo isso, creia!
                                                                     Suzette Rizzo








28 de abril de 2018

Cadê as flores? - Suzette Rizzo





Chega de poesia!
A vida deu-me rasteiras
e o mundo
mostrou-me suas teias.

Enrosquei-me toda!
Escorre fel
destas veias,
pois o mundo me pisoteia.

Simbólico dizer,
entretanto real o sentir
de mais esta crise.

Pergunto,
cadê as flores?
Que queriam que eu visse!

Suzette Rizzo



27 de abril de 2018

Ditadura – Suzette Rizzo





Se calar a boca morre
Se não calar morre mais depressa




Foi assim – Suzette Rizzo



Há quem não saiba,
mas o idealismo de transformar o mundo,
já foi considerado subversão.
Quisera eu lutar agora
por essa mutação.
Quisera a luta fosse como antes,
quando havia ideal e não corrupção.
O tempo é inimigo da história
apaga as memórias,
decepa as reais recordações.
Quisera eu transformar o mundo,
transbordar de vez
a lembrança torturante
e a feiura desta nação!
Suzette Rizzo

Na Universidade de São Paulo, onde participava ativamente do movimento estudantil, Tito chegou a ter momentos de dúvida e de incerteza sobre a possibilidade de conciliar Marx e Cristo. Assim como Tito, outros frades foram encarcerados porque eram considerados “terroristas” por terem feito a “opção preferencial pelos pobres” pregada pelo Concílio Vaticano II. Eram “subversivos” por praticarem um Evangelho que tenta transformar o mundo. Eram “perigosos” porque pregavam a liberdade e a igualdade.

Do livro: Um homem torturado de Leneide Duarte-Plon