-- Texto e musica de Pedro Elias --
No Silêncio eu Sou:
8 de março de 2018
6 de março de 2018
Sola da vida - Suzette Rizzo
Vida nefasta
estrada inteira!
Lado a
lado comigo,
sonho e real
permitindo os
contras do pensar,
emoções amarrotadas
e a corrida cansativa
ao mel da vida.
Estéril!
De mim não nascem
flores,
esperanças verdejantes,
apenas rondam aves
carniceiras.
De mim não exala
vibração
e fechado está o
jardim das roseiras...
Rondam, somente,
malefícios de
primeira.
Nem o solitário
coração
encontra uma réstia de
luz
e meus olhos se
enterram qual avestruz
dentro da terra
que ingere meus passos.
Meus olhos buscam tons
azuis,
mas o céu acinzenta-se
num pestanejar de
mago.
Vejo-me em sonhos e
nem acredito.
Serei aquilo?
Aquela, na estrada larga,
minúscula qual
formiga?
Nem adiantaria pedir
socorro...
Um pé sempre atropela
e o outro assassina.
Depois... vem um anjo
e leva a alma
espremida
na sola da vida.
Suzette Rizzo
Uvas doces - Suzette Rizzo
Puro delírio, pensar
em nós.
Amolece, inspira,
anoitece verão...
mas, nada, nada mesmo,
hoje se encaixa
na minha ilusão.
Alguns passos beira
mar,
pousar os olhos
na preguiça das águas
oscilando sobre elas
o luar,
sempre trás saudade,
só isso.
Mas a
luz das estrelas
desmancha o cenário,
assim como odores
e cores
da natureza
nublam tudo de
lágrimas.
Não resolve pensar
cachos de uva moscatel
que gostavas.
Tentativa vã,
adoçar pesares
sempre ativos na
memória
Nem mesmo resolve
pensar matizes,
alucinações mais
claras...
Tristeza e mágoa
acinzentam entranhas,
ferem praias azuladas.
Suzette Rizzo
Antes era assim: - Suzette Rizzo
As palavras brotavam
como nascentes de águas claras,
como que sopradas
por anjos poetas.
Chegavam aos pensamentos
aglomerado de maravilhas
que eu mesma
desconhecia.
Antes, eu amava!
Acontecia deslumbramento.
Lambuzava-me de sentimentos,
enfastiava os sentidos
e, aquele sentir
supervisionava meus atos,
todos revestidos
da cor do amor.
Agora, não encontro
nem mesmo a senha
que reabre as portas
da imaturidade.
Daí esta saudade!
De ter visto tudo com outros
olhos,
sentido além dos sentidos
poetado mais a essência
e menos o destino
5 de março de 2018
Ainda é... sempre será - Suzette Rizzo
Ainda mora
na cor das folhagens,
no brilho do cristal,
na melodia que ecoa
em todas as horas.
Mora ainda,
em meu olhar
parado,
perseguidor de momentos,
miragens,
na busca incansável
da matéria dissolvida
no ralo dos sonhos
desta viagem.
Nada encerrado!
Nem a respiração...
o gemido
e nem o sussurro
do meu destino...
Trazendo à vida
o amor punido...
Amor que escoou,
escoa...
mas não seca!
Trágico, tem que ser!...
Lúcido, místico,
eterno...
este amor que
dilacera...
Amor que abre pouco a
pouco
meus infernos!
Sim... minha alma não
pensa...
Peca!
Suzette Rizzo - 2002
3 de março de 2018
28 de fevereiro de 2018
Sonho exposto - Suzette Rizzo
Sigo em frente...
sou tua costela e a
sombra da Eva
que te pertence.
Te guardo em meus
braços,
te prendo no abraço,
balbucio uma canção
misturada a oração.
E adormeces
pensando nela...
na outra que é cria
do teu novo coração.
Observo teu globo
ocular sob as pálpebras
a dançar mais
apressado,
e sorris meio de
lado,
carregando de vez
meu sono
e o
futuro deletado
para baixo do
colchão.
Meu peito é
furacão,
devastando a vida
inteira
de uma estrada contramão.
Não posso voltar
atrás,
muito mesmo
recomeçar
em qualquer outro
lugar.
Esfarelo-me
lentamente,
misturando-me
a teu corpo de barro
frio.
Serás sempre aquele
Adão,
a minha sempre
metade
e eu já sou o pó
varrido.
Estás limpo da minha
carne,
e cortaste as tuas
unhas,
preparando outro
amanhã.
Suzette Rizzo
Chico Buarque – Joana Francesa
Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Je me dit loucura e de torpor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Je me dit prazer e de pavor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise
Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Je me dit preguiça e de calor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
27 de fevereiro de 2018
Olhar de poeta - Suzette Rizzo
Poeta,
ama
o jeito de olhar e a cor,
não
só trás em si DNA de poeta,
quando
é, fala do amor que dói,
da
dor que corrói.
Poeta,
admira o que ninguém vê,
plaina
sob as nuvens de um jardim
e
sonha, sonha...
Afinal,
ser poeta
é
vestir o ar de poesia,
possuir
um escoador de sonhos
de
seu interior...
É
por isso que ele versa
tantas
íris, tanta cor!
Suzette
Rizzo
25 de fevereiro de 2018
Abertamente falando – Suzette Rizzo
Não tenho muito pra te dar,
exceto algumas palavras escritas,
outras monossilabicamente ditas...
Se quiser posso fazer carinhos,
buscar café sempre quentinho,
sem perturbar tua vida.
Posso um tempo ser assim!
Porque depois
vou querer seu tempo,
ele todo,
pois quanto a mim
passarei um rodo,
em qualquer período ruim
Suzette Rizzo -February
25, 2018
Ardil – Suzette Rizzo
Jamais
quis aburguesar nossas vidas,
ser a mesma
rotina,
duvidar
com olhares de chinesinha.
Jamais
quis acionar alavancas
do ciúme
e esperei
realizar esperanças,
aromatizar
estações,
nunca espalhar
negrumes
em nosso jardim
de vaga-lumes.
Sonhei tanto, tanto!
Ouvi coro, ouvi banjo
e não és anjo, nem lume!
21 de fevereiro de 2018
19 de fevereiro de 2018
Poesia (Hey You) – Suzette Rizzo
Gosto
da poesia entendível,
aquela
que a alma dita enquanto a lágrima escorre
ou
o riso floresce.
Gosto
da poesia que diz alguma coisa,
não
aquela que apenas reúne palavras
ininteligíveis...
Poesia mesmo, sai do fundo e acresce!
Ei você!
Gosto
de poesia que adentra a alma e encanta,
sobretudo,
fosforesce!
Suzette
Rizzo - February 19, 2018
6 de fevereiro de 2018
Enganação - Suzette Rizzo
Tua
poesia era um banquete para a minha alma,
tão
melodiosa que a canção se repetia
e
mesmo em vigília a ouvia.
Tua
poesia era berço, alento das noites frias...
Mormaço
no verão, frescor de vento leve,
refrigério, luz, compasso.
Tua
poesia era minha (pensei), estava em mim
como
o ar que eu respirava, braços que abraçavam,
preenchendo
meu corpo todo de suave torpor
Tua
poesia não era minha,
descobri
e morri ...
Foi
ela que me matou.
Suzette Rizzo - 24 -2 -15
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