18 de janeiro de 2018

Veneno – Suzette Rizzo




Não posso aceitar o tal frasco do veneno 
que a avó alertou após o AVC. 
‘No terreno, enterrado, 
um mal para nós e você’. 
Será que ela viu? 
Será que alguém disse? 
Será um problema de vidas passadas 
guardado na sub consciência, 
pulando pra fora na hora triste? 
Mas o fato é que ingerimos  
o tal veneno da adversidade.  
Sofremos todos, morreram todos 
e eu continuo sentindo os males 
em cada casualidade. 
Suzette Rizzo

17 de janeiro de 2018

Ligação – Suzette Rizzo



Em plena marulhada, 
esta alma não cessa de agitar sonhos, 
remar por dentro e recuar, 
confusamente irritada, 
perseverantemente  semi afogada 
no vai e vem daquele amar. 
Esta alma relembra tempos de sol, 
resfria-se das lágrimas, 
nem é lama nem é pó... 
Somente alma salgada, 
da outra tão coligada  
lembrança que inda dá nó .


Suzette Rizzo


16 de janeiro de 2018

Ocultação – Suzette Rizzo



Sinto:
Os seres que fui nas entranhas,
o hoje que abocanha,
a morte que agora se assanha,
e o restante é papo chato, furado,
do viver da criança.
Estou mosca de aranha,
teia danificada,
criatura enganada
e o olhar desconfiança
a desviar das lanças...
No fundo, sou apenas poeta do meu rio,
cobertor do meu frio,
traída como Oiá,
guerreira como Iansã.

Suzette Rizzo




14 de janeiro de 2018

Apego – Suzette Rizzo



Tenho apego aos meus poemas,
são meus os pensamentos
e sinto-me alguém quando escrevo.
Se pudesse esparramaria versos
por teus dias,
escreveria infinitamente sentimentos diversos,
desejos (os meus) aos teus, inversos
e até publicaria em tua alma
meus sonhos discretos.
Se eu pudesse degelar corações
com meu poema acalorado,
de alegria riscaria os céus
como um cometa desvairado!


Suzette Rizzo - January 12, 2018



13 de janeiro de 2018

Peregrinando - Suzette Rizzo



Penso seriamente,
vasculho conhecimentos
escrevo o que aprendo,
converso idiotices.
Busco meus semelhantes,
sentimentos profundos
pensamentos parecidos... 
Pergunto onde estão os seres
despreocupados com futilidades,
onde estão os mais preparados
as mentes mais receptoras
das grandes verdades.
Não tenho com quem falar.
Estou só neste planeta decrépito,
primitivo, cruel.
Morando neste buraco 
vestindo esta roupa de carne 
entre seres vazios, que andam de ré.

Suzette Rizzo
Respeitem os Direitos Autorais


Escolha – Suzette Rizzo



Há muito desisti de votar.
Pago multas, pequenas multas
que me permitem não escolher
nenhum desses farsantes.
Não aceito imposição, é também isso!
Afinal, democracia ou ainda não?
Saturei-me dessa politicagem imatura,
dessa imutabilidade mental
do valor do ser ao poder,
da mistificação,
do povo e seus ridículos louvores.
Não votarei mais!
Se não encontro convicção, voto não!

Suzette Rizzo - Tuesday, January 04, 2018

10 de janeiro de 2018

Empréstimo – Suzette Rizzo



  
Empresta-me tua festa   
para que eu sorria
a ilusão que resta.
Empresta-me tua alegria,
cansei dos espinhos,
do cinzento céu desta terra,
guerras arcaicas,
das chuvas e ventanias...
Empresta vai?
Carisma, ternura, magia!
Cansei de chorar!
- Suzette Rizzo - 


Uma noite a mais - Suzette Rizzo



Lá fora as mariposas,
na mesa um vinho barato
(onde andará o saca-rolhas)?
Pra variar a MPB do momento,
algumas canções nostálgicas
e os versos, meu unguento, 
sustento da alma sem companhia.

Lá fora, nem mais gente
ou qualquer movimento,
hoje, nem lua de outono
ou brilho de estrelas...
Aqui a escuridão da sala,
a solidão escorrida do telhado
às paredes do quarto.

Minha boca está cerrada,
corpo, peito e tato  
penetrados pelo frio.
Que droga a rotina, agora,
sem porquês, sem talvez...
Droga de vida emborrachada 
como sobra de pão francês!
Suzette Rizzo 



8 de janeiro de 2018

Trave – Suzette Rizzo



Sou maior que a minha dor,
e venço-a.
Maior que o meu desejo,
então consigo.
Maior que o amor,
então amo mais.
Se minha mente  atrai problemas,
derrubo-os.
Os seres não mais me afetam,
impeço.
Sigo, eliminando absurdos...
Coisas do mundo,
breco!

Suzette Rizzo - Monday, January 08, 2018







Truculências – Suzette Rizzo




Meus pensamentos possuem garras,
recordações assassinas,
visão borrada, esquálida.

É assim como adentrar porões,
fixar os olhos nas paredes pálidas,
e chorar fases crisálidas.

Mas meus pensamentos possuem garras
e lá estou renascendo asas quebradas,
recordações reprimidas,
tiranias sofridas.

Meus pensamentos possuem aço amolado,
estragos, retalhos...  
viu só?
Além de unhas afiadas.

Suzette Rizzo - January 3, 2018 




Voragem – Suzette Rizzo


Poderia me engolir
qualquer redemoinho
junto a sina mau escrita.

Saudade do pouco aconchego,
dos defeitos, do cheiro,
dele inteiro...

Mas, na verdade, o que falta
é aquela companhia,
papo bom, mente aberta, poesia...

Agora, silencio, sala deserta,
portas fechadas,
vida sem janelas.

Saudade
da sensação de ninho,
eu, seu pardalzinho!

No presente, jejum de tudo,
som de coisas quebradas,
lacuna gelada,

dissolução de alma,
corpo caindo,  
sensação redemoinho!

Suzette Rizzo -  January 08, 2018










6 de janeiro de 2018

quando o poeta dorme - nanamerij






quando o poeta dorme...
os sonhos vagam
sem rédeas
sem regras
sem rumos

quando o poeta dorme...
os sonhos voam libertos

revirando almas áridas
desfazendo vontades tortas
acordando tantas  noites mortas

o homem triste - canta
o amante perdido- volta
a mulher amada - retorna
a moça feia -   se enfeita
o menino pobre - enriquece

a vida se faz inteira....qualquer desejo acontece

quando o poeta dorme...empresta sonhos
- nanamerij  -



FOI UMA FELICIDADE IMENSA PARTICIPAR


Cérebro submisso – Suzette Rizzo



Revoaram, revoaram... e por fim se foram
todas aquelas visões perseguidoras.
Hoje, posso até recordá-las em conversas,
mas, não mais afetam meus sentimentos
recordações perversas.
Será verdade? Ou quero que seja assim.
Penso também,
estar pensando no atual em demasia,
cristalizando novas ironias
e bom seria se também revoassem  
estas coisas adversas.
No entanto, seria preciso desativar
essa parte da mente
que me permite sofrimentos,
deixa-la correr junto aos ventos,
deslembrar seria alento!
Difícil lidar com isso!
Difícil desmemorizar lampejos
se acompanhados do cortejo
dos mesmos desejos inimigos 
deste cérebro a eles submisso. 

Suzette Rizzo - January 6, 2018


4 de janeiro de 2018

Esteio - Suzette Rizzo



Sinto teu cheiro espalhado no ar.
Pergunto a amiga em visita:
Sentes?
Diz que não, claro!
Quem ama sou eu
e portanto quem sente o cheiro dele  
sou eu.
Conversamos então
e nem percebo a minha falta de educação,
assim distante, 
pensamento na saudade,
saudade hospedeira da cuca e da atenção.
A amiga fala e eu penso,
sentindo teu cheiro no ar, o calor das  mãos...
A visita se vai e te observo no canto da sala
escorando a ilusão!
Suzette Rizzo



3 de janeiro de 2018

Secreto - Suzette Rizzo



Odeio os humanos!
Não gosto mesmo 
da pior espécie de hominídeo ... 
Odeio mesmo a cuca dos homens!
Exceto os moralizados,
os verdadeiramente escritores,
aqueles poucos e capazes
de enfatizar no papel o intelecto,
não apenas seus falsos pensares e atos. 
Odeio a espécie dos ditos sensatos!
Bem, quero dizer com isso e somente:
Odeio os machos e seus cactos.

Suzette Rizzo - Tuesday, January 02, 2018


Sou assim ( II ) - Suzette Rizzo



Pesquisadora de misticismos,
investigadora do meu íntimo,
amante das minhas explorações,
escrevedora do que sinto.
Não sigo à risca a palavra alheia
seja qual for...
Creio em minha consciência,
acho a saída de labirintos,
arco todas as consequências.

Meu pensar não teme os trampolins.
Sou assim, dona de mim!

Suzette Rizzo
May 23, 2017
Art : Mandala * Edna Feitosa





Repulsa - Suzette Rizzo





















Extenuada, 
sem muro e sem porto
rodeou-me o dia semi morto,
da fase mal arrematada.

Elimino ainda o amor temporão
esterilizando bactérias
da boca cheia de ódio,
cuspindo o fel da ilusão.

Vinha de um sonho solitário,
antes vestido de nada
e agora a dor de tridente me rasga
numa vil emboscada

Trago então, a boca cheia de chingos,
a alma ardida, prensada, 
o passo solto na viga do abismo
a cuca cheia de vinho.

Chego ao fim daquela estrada
onde cantavam cigarras
soltando fogo das ventas
abatendo as tardes gastas.

Habituada as mortes e perdas,
trago o desprezo na ponta da língua,
ironias da sina na ponta da espada
 aversão extremada... ainda

Suzette Rizzo - 2015





Bons dias - Suzette Rizzo



Não poderia ter um bom dia
ou escancarar sorrisos
sem a leveza do amanhecer feliz.
Esse "Bom dia" existe aos que estão bem,
acontece para os que não estão sós,
para os sãos de corpo e de alma.
Quanto a mim, aguardo (sem esperanças) 
por este bom dia, quem sabe no futuro 
e decorrer das horas,
no toque do telefone,
no bip do celular, no sol que não surge
neste verão só no nome,
gélido verão interior.
Vês?
Não poderia ter bons dias,
sem ti, meu amor!
                                       Suzette Rizzo



1 de janeiro de 2018

Pensamentos do primeiro dia de 2018 - Suzette Rizzo




Ah! Sonhos mágicos
que debutaram comigo
passarelas de felicidade!
Agora, se escondem entre os nós do peito,
sob a beira da cama,
por frestas da saudade.


Sentimento cruel este! 
Temeroso de expor a continuidade
dos lampejos de esperança... 
E hoje, na fase adulta,
esta total liberdade, 
incrivelmente oprime e só me assusta.

Suzette Rizzo - January 03, 2018