6 de novembro de 2017

Sonho Vivo - Suzette Rizzo


Surge no meio da noite,
na sombra, entre os muros,
como fosse vivo.
É ele, o sonho!
Vestido de apego,
trazendo no peito
o mesmo amuleto.
Vem sorrindo,
acendendo a saudade,
afastando da alma a impressão da dor
e o cruel destino opressor.
Preenche-me a essência
de odores e vinho...
e traz consigo um sentir 
transbordantemágico, 
de amante doce, real... 
E embora abstrato, sem gosto de pó,
é sempre constante... imortal!
Não importa se desaparece antes do dia
contanto que volte depois do sol


Suzette Rizzo - November 6, 2017





4 de novembro de 2017

Angústias – Suzette Rizzo



Há uma angústia inexplicável por dentro,
certa melancolia companheira
que nunca me deixa.
São sentimentos estranhos
brotando como mato
quando sufoca o jardim.
Não sei onde se esconderam as ilusões,
a magia dos dias,
a saudade visitando as noites,
estrelas salpicando sonhos,
o aroma jasmim.
Há uma sequência de poemas iguais
impedindo meu sono,
forçando rimas e sons repetidos,
arritmia e refluxo,
canções e gritos.
Não sei em qual dobra da vida me escondi...
O que encontro no espelho,
nada tem de mim.
Suzette Rizzo - November 2, 2017





Novas cores - Suzette Rizzo




E eu que pensei ter sofrido o auge do sofrer!
Não sofri quase nada nem amei tanto,
quanto pensei.
De repente conheço a Piaf,
com sua voz de arrancar aplausos
dos mais verdadeiros...
E sei o quanto as emoções
demoliram seu corpo
e todos seus sonhos voaram ligeiros.
E eu que pensei ser dos poucos infelizes,
dos poucos os que não procuram dores
e encontram pelo caminho, mais espinhos que flores.
De repente conheço a Piaf, 
para acordar em mim... novas cores!
Suzette Rizzo - November 4, 2017





Chacal Dourado - Suzette Rizzo


 
Caiu em tantas armadilhas
e era naturalmente sábio,
sem ter estudado muito ou lido quase nada.
Deve ter vivido ciclos, múltiplas existências,
cujos carmas se acumularam
e como um balão furado ventou
sobre mais esta vida.
Carregou fardos...
encantou deusas...
matou de amor...
Fez o que bem quis, consciente e luzente,
pois a mim ressuscitou.
Senti ser ele, a causa e o efeito... 
o escuro e o lume,
a espada de dois gumes.
Deve ter sido um chacal dourado, 
deve sim,
um lindo chacal solitário,
esfomeado de mortes,
pois gritava seus ares sinistros
causador de arrepios,
arrebatava qualquer boa sorte.
Deve ter vivido num calabolço,
ruínas mal assombradas,
ter quebrado sinos, 
mais de uma vez expulso do limbo,
ter se chamado anjo da morte.
Caiu aqui nestes olhos turvos,
unindo-se a mim pobre criatura
sem destino ou passaporte
Suzette Rizzo






1 de novembro de 2017

Maturação - Suzette Rizzo


Cresci tanto
quando o céu caiu sobre minha cabeça
e pesou como pedra!
Cresci tanto quando os passos desmaiaram
quando o caminho soterrou sonhos
e a vida chorou de incerta.
Cresci tanto
quando ouvi asneirices,
notei ridículas criancices,
vi tanta chatice
dissolvendo encantos.
Ah! Cresci tanto
que desenvolvi meu senso crítico,
crístico,
apocalíptico,
santo !
Suzette Rizzo




O socorro nosso de cada dia - Suzette Rizzo



Bendita inspiração socorrista das ciências
cuidadoras da humanidade,
dos filósofos  e compositores,
dos poetas e das verdades.
Bendita ajuda abstrata
vinda na ideia ou no sonho,
do anjo que acompanha qualquer ser, 
qualquer raça.
Bendito socorro
impulsionador do avanço,
alavanca necessária
mesmo que as vezes, 
assim, aos trancos.
Bendita inspiração que deslancha
entre aqueles de boa vontade,
missionários, escritores,
seres  francos, pais do avanço.
Suzette Rizzo


Tarde Zen - Suzette Rizzo




Ressoam sons e lembranças visuais

e gravo na memória

mais este final de tarde zen.

Ao redor de mim a suavidade do mormaço,

a paz de uma flor desabrochando
,
o céu se dividindo em dia e noite,

o sopro de um vento manso,

pássaro volvendo ao ninho.

Outras vezes estarei enxergando

maravilhas,

outras vezes sentirei serenidade

se me permitir tal façanha.

Mas, hoje, é uma tarde especial... 

Tarde de reunir delicias na alma,

guardá-las das entranhas,

imaginar seja assim na eternidade;


Indescritível calma!!!

Suzette Rizzo







Culpabilidades - Suzette Rizzo



Tenho culpa das palavras
que não deveria liberar,
também, culpas das ações coagidas
e das amarras interiores
que ousei soltar do pensar.
Muitas culpas fabricadas pelos outros,
algumas culpas ingênuas,
outras ampliadas
por quem gosta de culpar.
Mas a culpa que o outro induz
não é a culpa real da alma...
as culpas são bifurcadas,
poderão se entrelaçar?
Culpa, culpa mea culpa...
Luto, luto e luto
Pra não me culpar de tudo!
Suzette Rizzo


 








Punição - Suzette Rizzo




A vida coagula-se.
Foi-se o tempo em que fluía
e o pensar não tinha medo do pensar.
A vida obstruída, é sem dúvida,
uma maldição regada a limão e fermento,
travada por todos os lados
e mesmo ele, o mundo interior,
exilado aos confins do tempo.
Deito meu destino num mesmo lugar,
onde o sentir foi colocado...
Tenho o corpo extenuado
e a alma aos pedaços.
Fui punida, sem direito de escolha,
aprisionada sem resgate
fadada a viver meus cacos
Suzette Rizzo



30 de outubro de 2017

Mais um sonho - Suzette Rizzo



Alma esmiuçada,
corpo também decomposto
ambos rolando o cosmo,
gritando sós, por socorro.
O cachorro no portão todo molhado
da chuva grossa,
meu olho lacrimejado,
ambos órfãos, gêmeos, coitados
e outros rótulos.
Um prospecto no chão
perto do cão que come a foto...
Temos fome de afeto,
queremos dono.
Acordo chorando...
mais uma merda de sonho!
Suzette Rizzo




Lucubração - Suzette Rizzo




Durmo acordada,
nem sei que tipo de vigília é esta.
Também não sonho, não falo, nem ronco... 
Minha cabeça é turbilhão constante,
um Déjà Vu  realmente louco. 
Durmo (?) assim, de lado, sentada,
virando-me de cá pra lá, a noite toda.
De repente, levanto para pentear o cabelo,
é sempre assim...
Temo morrer descabelada,
juro , tenho medo!
Durmo acordada, entre lágrimas, ligada,
pelo menos não viajarei sem saber que morri...
Prefiro a lucidez,
o sentir dor do faquir que finge não fingir.
Suzette Rizzo - October 30, 2017









29 de outubro de 2017

Contrações - Suzette Rizzo





















Como seria deitar a cabeça no travesseiro
e sentir leveza,
descansar enfim, das alfinetadas da vida!
Invejo quem se aninha,
namora sob estrelinhas,
na noite sedutora e limpa
brilhando o olhar dos casais.
Como seria sentir sono,
pálpebras pesadas,
repouso criança,
sonhar sonhos inteiros,
não ter más lembranças,
espreguiçar-se ao acordar.
Bom demais!
Pergunto então, como seria
a despreocupação total.
E sinto fragrâncias,
uma voz e a resposta:
“Jamais saberá quem viveu
o apocalipse na infância”.

Suzette Rizzo -  Sunday, October09, 2017






Isca - Suzette Rizzo


Enquanto morro o mundo se agita,
Mas... por outro lado,
guerras vomitam bombas nas gentes caídas
e a terra aguarda o pó das vidas.
Enquanto grito alguém canta
e remexe o corpo em danças típicas.
Há uma disparidade entre meus dias
e dias alheios,
mas, isolo-me das coisas bonitas ou feias.
Retorço-me em pesadelos e ele (o mundo) brinca.
Vivo restos de ciclo, eu vou ele fica.
Aguardo o além arrancar-me pela raiz
com sua potente pinça.
Ai!!! Vejo o mundo como um motor possante
e a vida igualmente veloz.
Sinto-me isca de tubarão gigante
e o mistério da vida um nó.
Suzette Rizzo


27 de outubro de 2017

Versículo - Suzette Rizzo


Hoje, o sol brilhou intenso
e não choveu como sempre.
Escrevi uns poucos versos,
encontrei alguma rima,
observei passarinhos,
fiz também o inverso:
Tomei decisões,
entendi meu coração,
afastei coisas passadas
do pensar,
limpei meu templo
das tolas ilusões.
Hoje o sol amorenou meu rosto
e secou dos olhos meus desgostos.
Tudo isso
por causa de um versículo
fenomenal:
"Para cada dia basta o seu mal"

Suzette Rizzo

 

26 de outubro de 2017

Trocas - Suzette Rizzo



Ando em feridas, sobre areia quente e grossa,
sentindo o que os seres chutam e espalham
desforrando em mim suas lesões,
qualificando-me “mártir” de modo ofensivo
por meu silencio que afoga
e as vezes desata tensões.
Ando em feridas... id, ego, físico,
doloridamente empanturrada
de tanta emoção frustrada,
pactuada por eles  
os seres inábeis, omissos...   
Amor... manda daí do Cosmo o patuá do seu Orixá,
para eu poder limpar com sal o que de ti me afasta
e me cerca de perigos.
Suzette Rizzo - July 8, 2012



Edição Dirce Royal Story - Poesia Dor do amor eterno - Suzette Rizzo



Amigos:
Mais um lindo presente da minha querida amiga 
Dirce Royal Story


Ausência - Suzette Rizzo




Seguro a caneta buscando palavras
mais próximas aos sentimentos
e faço esses desenhos
que nem de longe se parecem
com as minhas emoções.
Coloco a mão na testa
medindo o grau do delírio
que alastra e queima pensamentos,
aumentando o fogo da saudade
e o fogo dos tormentos.
São apenas desejos da alma
pós relento,
o que me faz sentir calores e odores,
da presença que eu quero
e não tenho.

Suzette Rizzo - January 04, 2008