22 de setembro de 2015

Contra a parede



Contra a parede
Suzette Rizzo 


Contra a parede,
olhos apertados tamanho medo.
Nas minhas costas,
apontando uma arma a vida.
No meu sono a alma
engolindo o amanhã.




Hoje não tem poema,
amanhã também não.
Asfixiada, não entra o sopro
da inspiração.
Tento abrir os olhos,
entender que estou só
e que minha imaginação
desordena pensamentos.
E mãos grandes e ásperas
esbarram meu rosto
afirmando o carma gosmento.





16 de setembro de 2015

Declaração



Declaração
Suzette Rizzo

Escrevo a minha vontade
de gritar.
Você não ouve, mas grito
alto, aflito
e digito coisas desconexas,
pois falta coragem de dizer
com todas as letras,
o meu delírio.


Você não percebe, mas xingo.
Escrevo tudo o que sinto
ou não sinto
e troco letras, modifico o tema
e você nem se dá conta disso.
Nem quando danço as mãos no teclado,
nem se canto meu poema.
Só sei que escrevo:
Lagrimas, saudade, sentimentos...
e você, nem consegue notar
meus lamentos.
Mas escrevo tudo, todo o tempo
e você nem imagina o quanto escrevo,
o quanto penso.
As vezes nem sei o que digo,
apenas prossigo
mesmo distorcido.
Porque a minha vontade
é escrever a alma... com calma
pra você entender.
E você, escreve... escreve...
sem saber de mim,
muito menos que escrevo pra você.

Suzette Rizzo_





Aspiração



Aspiração
Suzette Rizzo

Queria um sonho sadio!
Saltar desta montanha para uma outra,
percorrer novos caminhos,
avistar outras paisagens,
mas, especialmente desejaria
conhecer outras pessoas.
Depois... despertar
entre as linhas de um bom poema,
onde repousasse alma limpa
e corpo novo...


Seguir uma trilha bem cuidada,
deixar-me inalar perfumes adocicados,
desmaiar tamanho encantamento
ao sentir tal vento moço.
Queria um sonho vivo,
não estar dentro de uma teoria
correndo o risco de não ser meu todo.
Queria sonhos, muitos sonhos
bailando a céu aberto,
os olhos cerrados,
sensações suaves,
meu anjo mais perto.


October 14, 2011

Rosa Cruz Áurea


Se formos livres por dentro, nada de fora poderá nos aprisionar
Rosa Cruz Áurea

Quase lá!



Quase lá!.
Suzette Rizzo

Vagarosas,
logo mais serão as pernas,
e o  tempo anda a galope
deixando ao longe
os sonhos vãos
ou não.



Na verdade 
não há como reviver
o que se esvai,
embora seja a vontade
e a alma queira iludir-se
por inteira.
Não, não pode ser a hora
de pendurar chuteiras!




Amortecimento



Amortecimento
Suzette Rizzo

Ando  por aí,
passo leve e vagaroso...
Não há pressa de chegar
a lugar algum.
Não há pra onde
dirigir meus sonhos
e as ilusões já não são
ânsias bisonhas...
Agora voam
para além dos horizontes,
onde vivem
as verdades mais estranhas.



Mas não é  pra lá que me dirijo
Estou sem combustível
até pra isso.






15 de setembro de 2015

Gilberto Cabeggi


Ambição


Ambição
Suzette Rizzo

Apenas te queria presente,
fazer-me alívio aos teus flagelos,
exterminar tuas inseguranças,
afastar tua solidão. 
Ah! Te queria bem perto,
poder extenuar tuas mágoas,
perdoar tuas falhas, apagar teus medos
realizar teus anseios. 
Queria amparar teus passos,
situar em mim teu espaço,
expulsar tuas tensões,
relaxar teu desgaste.

Queria tornar realizável,
esta carência minha de mimar,
quem enche meus olhos de mar
e mistérios que são abraços. 
Queria, como eu queria ser,
quem teu coração escolhe...
Para desequilibradamente,
seguir teu rastro !

Suzette Rizzo

Por favor, 
respeitem os direitos autorais


42 graus


42 graus
Suzette Rizzo

Compreenda meus sinais,
os devaneios
e a fúria desvendada 
do que me coubeste arquivar
sem que eu quisesse.
Compreenda a ausência
de melhores ideais
neste momento,
o desânimo que abarca
meus dias,
a alma que não te varre.
Analise os fatos,
não invente...
Veja-me também
e somente esmorecida.
E... se der,
por ora decresça comigo,
tente!


May 2, 2014




O Deus que eu queria ter * Paulo Wainberg

O Deus que eu queria ter
Paulo Wainberg 
Ser ateu não é apenas negar a existência de Deus, é desejar que exista um Deus.
Eu, ateu, agnóstico e iconoclasta, gostaria muito que existisse um Deus. O Deus que me faria acreditar nele não estaria cuidando da minha vida o tempo todo. O Deus em que eu poderia acreditar aceitaria que sou humano, tenho defeitos, pratico más ações e cometo pecados.
O meu Deus não me julgaria por ser o que sou, porque eu não seria à sua imagem e semelhança.
O meu Deus não seria meu criador particular nem estaria preocupado com o meu passado, meu presente e meu futuro. Nem me encheria de culpas, não exigiria meu permanente respeito, fé absoluta, não me cobraria obediência nem me diria o que é certo e o que é errado.
O Deus em que poderia acreditar não seria justo nem injusto, não causaria a dor e a alegria, não me proporcionaria a felicidade nem a tristeza.
Esse Deus em que eu poderia acreditar não abençoaria meus dias, desde a hora de acordar até a hora de dormir. Também não julgaria minha humanidade para me reservar o reino dos céus ou me condenar à penação eterna no inferno.
O Deus possível seria o criador do Universo e nada mais. Um ser com apenas o poder da criação e não um juiz permanente, a exibir comportamentos, impor regras e designar destinos.
O meu Deus não careceria de religiões a louvá-lo, não seria responsável pelas tragédias nem seria operador de milagres. O Deus que imagino não exige fé, não faz promessas nem ameaças.
O Deus que desejo não é a representação de Bem nem o oposto do Mal, não é a representação de nada, sua existência seria apenas um fato da existência com a qual não teria qualquer vínculo.
O Deus em que eu poderia crer, não me prometeria vida eterna, nada me prometeria, seria um Deus em si mesmo, que nada pede e nada espera da sua criação.
O meu Deus não estaria preocupado em impor dez, vinte, trinta ou mil mandamentos e não diria quais as minhas funções vitais são legítimas ou não.
Meu Deus não teria vontades a serem observadas,desígnios a serem cumpridos nem planos misteriosos que, por linhas tortas, escreveria o certo. Meu Deus nem saberia escrever.
O Deus que poderia me seduzir não teria um livro a determinar atitudes, a se manifestar por parábolas e a querer que sua criação seja assim ou assado.
O Deus em quem eu poderia acreditar é, portanto, uma inexistência
14/11/2012 


13 de setembro de 2015

Acorrentados


Acorrentados
Suzette Rizzo

Estou no pensamento
daquele que me lembra
alguns momentos.
E preenchemos certo espaço
que jamais será vago
nem nos levará pra longe
seja fraco ou forte o vento.

Existimos e estaremos interligados,
almas conjuntas que somos ,
corrente cujos elos
no tempo se juntam. 





Não há como secar
sentimentos vazantes
do oceano das essências
de ânsias semelhantes.

Por ora o que há
é matéria individual
por ora desagregada,
cada qual moldada a outra massa,
par ou não da densidade.

De nós, creio, pouco sobra,
e embora mais para sombras
aguardando a soltura
e a revelação de tudo,
sonho, tu sonhas

e temos sim, 
a graça e o poder
de imaginarmos asas,
a sobrevoar nossos mundos,
tal anjos ou bruxos.

***Por favor
respeitem os diretos autorais***




Minha história



Minha história
Suzette Rizzo



Por muito, muito tempo
arrastou-se na areia,
avistou uma onda
tentando alcançá-la,
mas era tão tarde
e morreu sem ar.
Voltou centúrias depois
e pisou terra firme,
mas enredada por pescador
não pode nadar e se foi.







Houve mais uma ressurreição
e mais outra vez encarnou... 
E viveu, per saecula saeculorum
e  por fim.... 
desmanchou-se 

September 13, 2015



11 de setembro de 2015

Chega!



Chega!
Suzette Rizzo



Chega da tua onipresença,
dessa penca de esperanças
forrando a alma de outono.
Desmancham-se de vez
estas paginas secas,
quando amasso a historia
que não deu pé.
Ouço as vaias da minha alma
e fecho então as cortinas.
Percebo enfim minhas asas,
sinto-me planando pelos céus,
enfim longe das  brasas!



10 de setembro de 2015

Ainda vivo


Ainda vivo
Suzette Rizzo 

Amor meu:
Preparo idéias,
busco motivos,
escuto futilidades
e escrevo,  escrevo  
temas repetidos.

Pra fugir do freqüente
questiono, leio, estudo,
ouço palestras sobre  tudo
e tornei-me amante da ufologia...


Vasculho religiões, teosofia,
cosmologia, literatura, psicologia
busco a minha filosofia.

Continuo sem profissão alguma,  
é certo!
Apenas existi, morri, revivi
e sempre te espero
Enquanto isso? 
Faço versos!






9 de setembro de 2015

Casa terrena



Casa terrena
Suzette Rizzo


Atravessei muitas portas
e caminhei por todos os aposentos
desta casa terrena.
A grande sala das dores,
o quarto das magoas,
o jardim da solidão,
as dependências do desespero,
o alpendre da humilhação
e o porão escuro da fome.





Esta é minha casa
e aquele pedaço vagante do passado,
gritante em minhas lembranças,
refletido na vidraça opaca,
ainda sou eu.


Testada e curvada,
porem, conscientemente crescida,
outra pessoa,
de Idéias e descobertas racionais
após tanta dor,
mas, confortavelmente restabelecida
e filha do amor.
Habito faz algum tempo,
o sótão da minha elevação,
o mais alto que posso chegar.
Gratificada por luzes,
que humildemente agradeço.

Suzette Rizzo
June 15, 2004