19 de julho de 2015

Além do limite

Além do limite
Suzette Rizzo

Estou a mais neste cenário,
por isso o céu me expulsa aos poucos.
Sou contra tudo e quase todos!
Ninguém nunca se afunda
nesta alma estranha, detenta... 





E se alguém  foi par em outras eras,  
nem se lembra .

Estou fatigando com meus poemas
de palavras melancólicas,
pensamentos simbólicos,
repetindo  e repetindo 
o velho/novo tema!
Estou sobrecarregando este cenário,
mas a alma teima... teima...  
neste destino arbitrário .





18 de julho de 2015

Sustentação

Sustentação
Suzette Rizzo

Sou alimentada pela natureza,
pela paisagem noturna,
pelo  céu crepuscular,
pela beleza dos animais.
Sou nutrida por sentimentos
gerados por esta alma sensível,
sustentada por amores que tive,
pela brisa do tempo.
E bebo da fonte da magia,
bebo cada fantasia,
satisfaço-me no vento.
Do ser humano bebo a sabedoria
de alguns,
a poesia de outros...
E acredites ou não,
bebo, saboreio ou vomito de mim
experimentos todos


Saturday, July 18, 2015






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Xô pensamento!

 pensamento!
Suzette Rizzo


Xô pensamento!
Leva o olhar frustrado,
a criança que fui faz tempo,
o passado que arde,
a decepção de granito,
caindo do céu da tarde.


Leva pra longe esse ontem
atormentador,
aquele tempo de amor,
leva embora o arco íris
da manhã feliz,
o nome escrito no muro da esquina
com pedaço de giz...
Arrasta pra longe, de vez,
estas noites solitárias,
madrugadas impregnadas
de lembranças vitais,
palavras insensatas...
Xô pensamento!
Leva no vento tudo isso,
para eu poder encontrar Narciso,
cair no lago  iluminado
e apagar tempos malditos.








17 de julho de 2015

Viagem terrena

Viagem terrena
Suzette Rizzo

Viajei pelos pântanos do sofrimento
por entre paisagens de amores murchados...
atolei-me em lamaçais,
rolei  abismos abandonados,
trancafiei-me entre muros de horror.







Vivi assim por um tempo e depois,
envolta no invólucro do espírito,
atravessando vales transcendentais,
permiti-me conhecer além
fugir dos mortais.
Vivi tudo,
do amor ao pavor de amar,
do desejo a desmoralização de mim mesma,
da credulidade a conseqüência
da carência de todas as fomes a aceitação
da insegurança a desilusão total
Entrei de cabeça nessa luta de condições
pensamentos, situações diversas
e tentei arrancar a venda dos olhos...
Implorei a chance da evolução,
e concluí enfim: 
Que livre arbítrio
gera contravenção.






16 de julho de 2015

Comandada

Comandada
Suzette Rizzo


Testam-me,
não sei quem, de onde vem,
qual lugar reside quem me testa.
Sinto-me espreitada,
dominada, contaminada
regulada por algo
que me apara arestas.
Desconheço a minha real identidade
e exceto saber-me poeta de alma
quem me testa devora-me o sono,
a vida, a calma.




Não sei em qual esquadra vim
ou em que mundo estou...
Se é ele simulado, paralelo,
fabricado...
Talvez seja mesmo algo computado,
qualquer molde infeliz
avaliado de tempos em tempos,
quem sabe uma amostra a mais
tipo robô da Matrix.
Posso pensar mais o quê,
se levam-me a agir como não quero  
e não consigo ser feliz ?









Coisas por dizer

Coisas por dizer
Suzette Rizzo


Perguntaram-me 
por que me visto de tolerância,
aturo hipocrisias,
por que não tranco a porta,
se já me arrependi
de ter caído porque eu quis
em vil armadilha.




Tranquei sim,
qualquer abertura  da alma.
Calei expressões, cobri a pele
da melhor lingerie,
deitei, dormi.
Não sustento egos,
nem pretendo inflá-los.
Que os desavisados o façam
e não se firam nos pregos
da boa fé

- 2014 -







Carl Sagan




Reflexão de Carl Sagan


A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica.




15 de julho de 2015

Cativeiro

Cativeiro
Suzette Rizzo


Penso na alma aprisionada
a este mundo senhor do mal,
tentando arrancar da essência
o bom do ser imortal.
Penso no mundo 
como um caminho de barro 
cravejado de espinhos
e uma fada interior 
com sua mágica varinha,
tentando manter a alma limpinha.
Estou aprendiz neste grosseiro mundo,
mas consigo ficar em pé.
Tem gente que engatinha,
e gente que anda de ré.




Ainda me sentarei no banco de uma praça cósmica
para admirar o azul da ex e primeira morada.
Ainda estarei liberada de cativeiros aprendizes,
das correntes e cordões umbilicais... 
Ainda serei a leveza do vento e o brilho da luz
lavada da dor e do pus.


Wednesday, May 02, 2012





14 de julho de 2015

Prostração

Prostração
Suzette Rizzo

Ai, como são irritantes os ecos do vazio,
a agudeza destes gritos ferindo tímpanos!
O meu vazio sorve energias, desejos,
esparrama ares demais aflitos no dia a dia
Ai, o vazio contamina os órgãos,
pensamentos,
relincha como um cavalo entristecido
e apaga lento a chama viva.



O meu vazio não tem nome
e, exceto o nada vagando as horas
de um tempo incolor,
somente o freqüente som das coisas ocas.
Vazio não ama, não tem dor...
E o meu possui sensações
de um ciclone sugador.


Wednesday, June 13, 2015

13 de julho de 2015

Cretinices





 Cretinices
Suzette Rizzo



Serviu para que eu me enxergasse estúpida,
crédula...
Para que eu acordasse a realidade escondida
nas  bordas dos anos.
Serviu para que eu me visse ainda mais carente
a ponto de forçar sentimentos
e depois morrer muito
tamanho dano e lamento.
Serviu pra coisa alguma
e eu... preenchi espaço vago,
até acordar mais uma.







12 de julho de 2015

Caminho estreito


Caminho estreito
Suzette Rizzo


Algemada por palavras doces,
melancólica por outras coisas,
assim vou... 
Entregue, perseguida,
enfim, amante toda.
colhendo sonhos dos espinheiros,
vida dos cajueiros,
assim semeio... 



.
Impossibilitada de muito,
enclausurada nesta alma,
porém remendada e refeita,
renovada nessa chama
que me acalma... 
Assim vou!



September 21, 2013





Envergadura



Envergadura
Suzette Rizzo


Quantas cores escuras
tem agora meus sentimentos
e quantos passos em terra árida
dei, dou...
nesta rotina de viver envergada
como um galho,
que o temporal quase quebrou.




O mundo aprontou-me ciladas
e a vida deslocada,
atirou da janela do último andar
esta alma inutilizada...
E não havia mais ninguém,
lá em baixo, na calçada. 

Desorientada, sufoquei-me,
nas cores sombrias...
Desiludida, não reparei
na estrada bifurcada
e nos vultos que perseguiam
meu vulto fantasma...

Falhei sempre...
E continuo sem mesclas de alegria
escrevendo ainda páginas e falhas,
sonhos que me desprezaram
e desprezam-me,
borrando dias e noites
de piche e lágrimas.  









Cauterização




Cauterização
Suzette Rizzo

Tantas decepções
formando uma constelação de
estrelas sangradas...
Tantas mortes, tantas lágrimas,
tanto ardil, engodo, sombras,
palavras manchadas nas ultimas páginas.
Tantos dias quase felizes,
outros tantos desesperados,
tanto namoro, tanto mel,
pra gerar amor frustrado.




E eu quase compreendo
a morbidez e apatia do poeta...
Por isso,
quase me converto em lama,
mas volto à alma deserta.

Suzette Rizzo
Sunday, December 08, 2013



11 de julho de 2015

Sonho bom

Sonho bom
Suzette Rizzo

Sonhei um sonho tudo a ver...
Descobri-me mais carente que pensei,
mais solitária do que sou e sempre fui
e também o nome do breque de quem
impediu-me  de ser o que sou.
Acordei do sonho como quem vai ao psicólogo
pela primeira vez
e volta pra casa aliviado, depois do prólogo.
Sonhei um sonho cutucão,
longe deste meu inferno
tive conselho do além, sonho bom
Desta vez sonhei-me recém chegada,
sonhei um sonho amamentação.

Saturday, June 30, 2012




Mensagem para a humanidade


MENSAGEM PARA A HUMANIDADE

Anseios


Anseios
Suzette Rizzo



Quisera quebrar a redoma,
rebentar o fio prata
que me prende onde não quero,
entre  imundices e seres
e preços... 
Quisera sair correndo,
escapar desta vala,
acordar noutra praia,
vestida do meu avesso.


Saturday, July 11, 2015



Sonhos de poeta



Sonhos de poeta
Suzette Rizzo

Sonhei tristezas tumulares,
um sonho cimentado...
A redoma fria me isolava
e ouvia um soluço de mim,
tamanha piedade.
Sonhei  avatares,
escafandros, dúvidas,
uma babilônia enfim
em todos os lugares.
Fora o exílio,
o cerco,
o isolamento,
nem sei mesmo o que sonhava.
Acordei sentindo a carne gasta,
a alma amassada,
um gosto de nada
e o por quê  estonteado
a buscar o vento.

Sussurros

Sussurros
Suzette Rizzo


Aí esta você,
sorrindo nessa moldura atrás do vidro,
imóvel para sempre,
circulante fumaça em meu quarto
eternamente.
Questiono onde eu chegaria
se seus olhos inda brilhassem
afugentando agonias.
Respondo que o corpo meu
certamente lívido,
nem sombra desta que sou seria.
Se pudesse,
eu sei que me diria:
" Uniremos um dia nossos contornos,
oscilaremos como ondas da tarde
no mar calmaria".
Aí esta você,
sussurrando o que tranqüiliza.

Suzette Rizzo _ April 20, 2010

(Para Milton Moraes, falecido aos 37 anos)