5 de abril de 2015

Nocaute


Nocaute
Suzette Rizzo

No terceiro dia,
desprendi-me do corpo.
No terceiro dia, a noitinha,
afoguei-me no Porto.
72 horas de acidez,
e na alma desconforto.
No terceiro dia o coração pasmo,
o pensamento desenfreado
as interrogações pululando.
No terceiro dia não vi mais nada...
Estava em ponto morto,
nocauteada

Devaneando


Devaneando
Suzette Rizzo

Pintaria arco-íris ao redor,
plantaria diversas cores no jardim,
cercaria a casa de bebedouros
para beija-flores
morarem nos meus olhos.
Cheguei ao meio da estrada
e não me coroei desses louros
ou encontrei amor louco.
Mas, conversei com duendes um dia
e sonhei um deles indicando meu caminho
onde a vista se perdia.
Encontrei a porta do sonho,
adentrei o paraíso
e enfim, abriguei meu ser, no jardim,
da tua poesia.
(Sina tardia esta minha... por quê?
Se era tudo que eu queria!)


Suzette Rizzo November 4, 2013

Sabedoria de Buda



Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. 
Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. 
Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. 
Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. 
Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. 
Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos,

aceite-o e viva-o.
(Buda)

Amiga materialista


Amiga materialista
Suzette Rizzo


Você não sabe da minha  luta,
não sabe a dor da descida,
e a luz que há na subida.

Você não viveu nada disso !
Não andou pelos escuros do mundo,
não sentiu a dor de perder
da vida... tudo !

Você não sofreu realmente
e quem não sofre permanece por aqui...
longe das estrelas cantoras,
da grandeza da Manjedoura,
do anjo que não viu.





Você só diz teorias... jamais fez poesia
e quem não sabe expor sentimentos...
não se afunda em magias.

Você não viaja Cosmo adentro,
pisa o solo duro da terra
e pensa que ela é tudo...
porque a vê...

Mas, não sabe o mais importante:
É a mãe que  alimenta e  vem do
céu que a fez.

Você não sabe nada,
exceto discutir asneiras...
e por isso vive tanta baboseira.

Apesar disto tudo,
amiga materialista,
quero lhe ensinar acarinhar ovelhas...
E talvez, elas não se dispersem,
do seu pequeno habitat.

Ou então, faça poemas,
para sair de onde esta !

Suzette Rizzo
21/02/02   

Anseios


Anseios
Suzette Rizzo 

Nada acontece,
mas a palma da minha mão
formiga sem parar
e o coração dispara...
Acho que é a alma acordando
o corpo,
espantando qualquer receio,
instigando o novo.

Mas, nada acontece
além do formigamento,
embora de mim brotem anseios
olhos e ouvidos atentos,
descanso aos freios.




Não sei por que creio nessa bobagem,
mas creio.

Suzette Rizzo_ 
May 06


A vontade do escritor


A vontade do escritor
ou
Transformações
Suzette Rizzo

Escrevo apenas,
não importa se bem ou não...
o que vale é que escrevo.
Para mim, abro a grande obra,
que terminarei talvez,
num próximo milênio.
Foi dado o primeiro passo
de um caminho extenso.

O que fascina, é esse  maquinismo,
da mente comandando os dedos
no teclado,
obedecendo pensamentos...
O que fascina, são as idéias,
que se desenrolam e perpetuam-se.
Sim, alguém, há de guardá-las.

Apenas, não desejo o pensamento
estéril...
Que se perfilem, um após outro
e, eu, escreva todos.
Sirvam eles aos meus intentos,
atendam sempre a minha vontade
de dizer algo de nobre.

Completarei minha obra,
quando a obra completar-me.
O que fascina é a estrada
e depois a agilidade,
e depois o conhecimento, a lógica
e, pouco a pouco a coerência,
sempre melhorada.

O que fascina,é a seqüência,
alem dos dedos obedientes...
O encaixe dos versos,
a musicalidade entre as linhas,
o deslizar sem esquemas,
a inspiração fluindo e fluindo,
até o final do poema.

E mesmo que pouco em mim seja sábio
ou arrancado corretamente,
alguma coisa é sempre dita
e felicita o lado criador
É isso que importa:
O dom, o tom, a cor.

A vontade do escritor
é mergulhar em cada frase,
transformar-se como águia
atingir a perfeição gradativa
 par de todo autor.

November 26, 2004

"Meus agradecimentos a todos que me incentivaram por ordem de chegada:
Gabriel Ribeiro, Lara Cardoso, Cleide Canton, Miriam Torres, Ana Suzuki e muitos outros amigos",



4 de abril de 2015

Poeta Arnaldo Leles Ferreira

Decálogo do quando

Arnaldo Leles Ferreira 



Quando lhe dão a "liberdade" das drogas,
dão-lhe a prisão do vício.







Quando lhe dão a crença em um santo,
dão-lhe dois demônios de brinde.

Quando lhe ofertam o prazer da beleza,
você ganha uma carcaça pra zelar.

Quando lhe são fartos os bens,
os maus, são-lhe um fardo.

Quando lhe dizem que é poética a pobreza,
as letrinhas miúdas dizem: escravidão social.

Quando lhe deixam ficar famoso,
você tem que se esconder.

Quando lhe dão o riso, obviamente
dão-lhe o pranto.

(Leve um amor!
Grátis uma dor.)

Quando lhe mandam correr atrás do tempo
no entanto, o tempo corre de você.

Quando lhe dão conselhos de graça,
você é contemplado com a desgraça.


3 de abril de 2015

Como penso


Como penso
Suzette Rizzo


Não chegarei ao Devacham,
nem estarei beatificada depois deste tempo
de estorvos.
Não abrirei os cadeados
que me isolam dos portais iluminados,
porque meu ego estará aprisionado
as lembranças,
por bom tempo, deste corpo.


Não reencarnarei tão cedo,
e lá não serviria para ser cicerone
nem mesmo de almas penadas .
Não chegarei ao Devacham,
não conhecerei enquanto carne
o Tibet ,
nem escorregarei no limo
ou me afogarei no Umbral...



Estou no meio do tudo e do nada
andando ainda na terra,
pé ante pé,
vivendo o meu pré-natal.

(Devachan: um Estado de Pura Felicidade)


E assim foi...- Suzette Rizzo



" Você poderá dominar seus impulsos,
esquivar-se de outros amores,
aprontar com todos,
mas, não poderá desmoronar a ponte
dos meus ideais,
nem desabar os sonhos
do meu pedestal. 

Talvez,você possa fugir do destino,
mas não será capaz de evaporar
meus olhos
dos seus momentos nada sóbrios...
nem afogar minha poesia
no amargor dos copos ingeridos.  

Você poderá afastar meu corpo,
balançar meus alicerces,
deteriorar meus valores,
mas a minha estrela guia,
quer sim, que eu chore as dores,
para nascerem de mim as flores,
que você regará. 

Pois você pode não me querer
dizer que não me quer.
Mas estarei tatuada
em todas as suas fases, frases...
sempre serás colagem
das minhas mensagens... 

Simplesmente plágio eterno
e eu o seu inferno
em cada passo da sua estrada.
Estarei sim, na sua cama, na sua voz,
em todas as palavras ". 

O tempo passou...
e assim foi !

Suzette Rizzo


Reflexões da sexta feira


Reflexões da sexta feira
Suzette Rizzo


Desligo-me de todos
e ouço
meus próprios conselhos,
os gritos das dores,
os sons da serenidade
e ouço meus pássaros
e os rios, e os mares...
Deus em mim





Ouço as alegrias das minhas certezas,
ouço cair cada gota de lagrima interior,
ouço meus sentimentos
um a um...
a canção tranqüila do amor,
meus sons e o eco do vazio... 
de alguns dias sem cor

Mas não medito...
O silencio grita e a mente
faz ruídos,
como se cada pensamento
fosse feito de notas musicais
e a alma compusesse melodias
e até estampidos letais.

Não esqueço de coisa alguma,
embora raras vezes
transporte-me  como pena
e sinta o frescor das coisas vivas.

Não medito,
jamais saberia desligar-me
do cordão que me prende...  
Pelo menos, não em vida.


Suzette Rizzo

Marisete Zanon








Da amiga e poeta

Marisete Zanon

Um olhar para mim


Um olhar para mim
Suzette Rizzo

Os olhos doem,
mas não choram...
O sorriso é traço que se abre
somente.
Não sei se a alma ressente
ou se o corpo sente
por fazer parte da causa.
Os olhos doem sem pausa,
estão ressequidos, insones,
doentes.

Desvalor


Desvalor
Suzette Rizzo


Quis plantar uma sementinha
no teu coração
mas nem ligaste para ela.
Não houve um único pensamento
em que tua curiosidade se perguntasse
(como seria)?
se a nossa cor fosse como o sol
brilhante e amarela.
E a sementinha ficou soterrada
entre as tuas artérias,
(nunca cultivada)
somente ouvindo o músculo maior
ensurdecê-la.




Pior que tudo morreu sedenta,
esmagada em palavras
e era de se esperar morresse
de tão frágil e magricela...

E eu? Claro, morri com ela