8 de dezembro de 2014

A poesia do pensamento



A POESIA DO PENSAMENTO
                            Suzette Rizzo


O pensamento cria a palavra
e a alma faz poesia...
Por isso afundo-me na essência
e trago de lá minha cria.





E vejo nos pássaros o poema,
sou um deles sobrevoando a terra
por entre as árvores,
beijando as flores,
com olhinhos  assustados,
notando o tamanho dos seres
depredadores.

E sinto-me um cão, um gato,
temendo o ser planetário.
O que farão, quem são eles?
Porque tão pesados,
de pés assustadores,
num repente em meu pulmão
e eu pelos ares.

E sou agora um animal de grande porte
e penso ser tão forte
que nem me preparo ao bote
para defender-me...
Mas esses seres armados, impiedosos,
estão sedentos da minha morte.

E sou também , 
indefesa flor miúda,
paralisada,
gritando sem que alguém ouça:
-Acabo de nascer , não me matem!
Mas, estou  à mercê do homem
que não sabe,
venho da terra viva
como tudo que nasce.

E assim vou indo;
sentindo a dor do mendigo,
do velho deixado no asilo
da criança abandonada
com seus sonhos desiludidos,
impossibilitada de respostas,
entregue ao mundo, esse padrasto,
fazedor da  marginalia

Não há o que eu não sinta
sem ao menos ser atriz.
Incorporo o sofrido e o feliz,
arrancando de mim
a força motriz
para expor o meu amor.

Tenho um mundo cá dentro
esse incompreendido,
inaceitável...
copia do grande carbono do infinito
desse universo bom e mau
ternura ou canibal.

Para entender, cresci e preparo-me;
Serei mais em meus futuros,
agora que o primário é passado
e concluo mais um degrau
do meu ciclo em ascensão
deste meu ser plural.

Ser poeta significa saber sentir,
consentir a alma que venha à tona
liberada completamente.
Ser poeta é saber colocar pra fora
o lado frutificado,
aprisionado por eles,
os duros e incultos
das coisas do coração.

Sou poeta sim!
Porque meus pensamentos
cantam
o panorama da vida,
acompanhada da melodia
da alma escondida.

Suzette Rizzo

7 de dezembro de 2014

Farsa



Farsa
 Suzette Rizzo

Meu céu anda todo picotado,
como fosse papel crepom
azul desbotado.

E a chuva que era clara,
amornada,
agora cheira a papel queimado.



A rua, que já foi tão divertida,
permanece poluída,
e bastante sem graça!

E o amor, que era ilusão azulada,
parece tela borrada de pintor
que jamais soube a cor do amor.

Meu mundo continua todo rasgado
e nossos pólos, penso que os dois negativos
atirados lá atrás, na estrada

Vejo assim, pois tudo deixou
de ter sentido;
descobri que a vida... é uma grande farsa!

Talvez...


Talvez...
Suzette Rizzo

hoje eu tenha
um ultimo pensamento !
Abrirei a mesma porta
e como sempre, virás
trazer-me o sorriso aberto,
o olhar encantado... 
E me abraçarei bem forte,
sentindo a dor da despedida.


Então, te excluirei do meu universo,
nunca mais te farei versos,
nunca mais te sonharei.
Já era tempo de seguir meu rumo,
concluir  a guerra e paz, dia sim dia não.
Preciso esquecer e esquecerei, eu sei,
desta maldita ilusão ! 

Não dominarás meu tempo...
e não mais desfilarão todos os bons e maus
momentos.
Está decidido e a porta será fechada,
teu sorriso apagado
e o que foi dor-esperança,
será somente lembrança gasta.

Suzette Rizzo


É no meu silencio


É no meu silencio
Suzette Rizzo 

É no meu silencio
que faço perguntas e ouço as respostas.
Nele, as folhas das árvores entoam
a canção do vento
e os muros se abrem para os sonhos
das minhas vontades.

É no meu silencio que a voz do amor 
segreda em meu ouvido
e ouço lá do meu passado
quem faz parte da minha vida.



É no meu silencio que choro
e lembro e revejo
passagens mais doces da minha família.

É no meu silencio,
que os pássaros semi-adormecidos
piam baixinho dos seus esconderijos
e, as muitas vidas que fui
fazem alvoroço nos pensamentos
e misturam-se a alma que foge as alturas,
anestesiando o corpo que a perturba.

É neste silencio que dou nome as saudades
e desfilam rostos e fases
por sobre as pálpebras dormentes.
É neste silencio aquecido por lembranças
que voa leve a minha forma abstrata,
para acordar novatas esperanças

Suzette Rizzo

Desertando


Desertando
Suzette Rizzo

Quero tanto desertar
este agitado pensamento
e, exportá-lo pra bem longe!
Depois disso, viver manso
tocando flauta indiana,
sentada numa almofada nova,
bem macia, pluma de ganso...

Minhas costas estão cansadas
do abaixa e levanta da vida
E na verdade,
viver apedreja qualquer cristão...
Todo vivente suplica uma nave,
pra fugir dessa tensão. 

Ah! Meu pensamento desertado,
há de permitir vácuos totais
inclusive desta apatia...
E será bom não ter rédeas,
obrigando-me a correr atrás
das coisas sem poesia...

Bom demais, ser apenas
como um cavalo solto
relinchando ao infinito...
Na boca o verde sabor da alfafa,
sem nenhuma nostalgia
e outras insípidas querelas.

Chega ! Deste destino frito,
em gordura velha.

Suzette Rizzo

march 30, 2009 

Falando a um anjo


Falando a um anjo...
Suzette Rizzo

Para o espírito de Milton Moraes*

Não vou estancar tua presença,
flutue sim por aqui 
como o anjo que és agora 
e ontem fez feliz minha alma.
Não vou te afastar dos sonhos,
nem evitar visões, lembranças...

Quero caminhar sentindo a presença de quem
brilhou meu templo, 
enfeitou de cores dias tensos.
Não vou te esvair amanhã, nem aos poucos
como alguns propõem que eu faça.
Fique... Te peço, mate esta sede!
Não se desmanche na minha parede!

Hoje lembrei!


Hoje lembrei
Suzette Rizzo 

... da pré e da adolescência,
de quando idealizava rosadas paisagens
e ao longe um cavalo
branco como a neve,
trazendo um príncipe loiro,
o meu, encantado.

Lembrei-me da expectativa,
da esperança cega e surda (de ontem)
aguardando o sonho materializar-se,


revendo imagens que se desenhavam
no horizonte... 

Lembrei do intenso brilho do sol
dourando os cabelos do amor
que viria cedo ou tarde,
deixando pelo caminho luminosos rastros,
que eu seguiria. 

Lembrei de meu pai
regendo com sua batuta  de mentira
a orquestra do ídolo preferido,
cantando como um crooner para mim,
como dizia ele, “esta musica de verdade”. 

Hoje, lembrei do principio da vida,
das fantasias,
dos sonhos,
da credulidade,
da realidade vivida...

Faz tanto tempo!
Tenho evitado lembrar
desse lado da  saudade!

Suzette Rizzo

Art By Tahyane

6 de dezembro de 2014

Reflexão


A dor da paixão


A dor da paixão
Suzette Rizzo

Desde o início
disfarçando os sonhos,
impedindo a dor de transbordar-se...
Sentindo a saudade rebentar o peito,
invadir a noite, adentrar meu quarto,
deitar-se a meu lado e ficar !

Hoje, encosto-me pelas paredes,
sufocando soluços, gritos,
mágoas, opressões ...
Estrangulada por tantas amarguras,
humilhações,
exorcismos do brilho e da vida. 
     
E, nem assim transpiro a tortura,
desta eterna paixão !
Não quero que vá, não quero !


Mesmo enlutado em
minha alma, prendo-o...
Preciso sentir o amor,
no perambular
das suas asas, ainda em mim!
Suzette Rizzo


Art by Anna Paes

Algemas feiticeiras


Algemas feiticeiras
Suzette Rizzo


Imantado o corpo dele
sugador de sentimentos...
Que a noite como um feiticeiro
penetrava emoções à espada,
extraindo direitos da alma
sangrando meus momentos.
Despertava passiva e dominada
recolhendo mazelas da vida
dificuldades amordaçadas...
E nada mais me era revelado ou sentido
exceto o amor castigo.
Não despertei tão cedo,
estava imune a realidade.
Entregue a sonhos desenhados nas retinas...
Sonhos dele
sonhos de mago
magia de esquina. 
Hipnotizada,
dei-me àquela opressão
imperceptível no momento,
como um fantoche  seguindo o negro rastro,
dominante e malfazejo por muito tempo.
Um dia estourei amarras,
arranquei de dentro a alma enfeitiçada...
E vi meu destino liquidado
no rosto caído
nos olhos inchados.
Foi quando
meu grito estendeu-se
e o ar circulou em meu quarto.

Brujas Cadenas
Suzette Rizzo

Imán de tu cuerpo
Sorbedor de sentimientos...
Por la noche tal cual un brujo
Entrañaba emociones hecho una espada
Sacando derechos del alma
Agotando mis momentos.
Despertaba pasiva y rendida
Recogiendo llagas de mi vida
Dificultades amordazadas...
Y nada más me fué confiado o sentido
Excepto el amor castigo.
Nó desperté temprano
Me quedaba inmune a la realidad.
Dejada en sueños dibujados en las retinas...
Sueños del
Sueños de brujo
Magia de esquina.
Dominada
Me entregué a aquella opresión
Imperceptible en aquel momento
Tal cual marioneta a seguir el negro rastro
Dominador y malo por mucho tiempo.
Por fin rompi las cadenas
Saqué de mi alma encantada
Y pudo ver mi destino roto
En el rostro desconfigurado
En los ojos hinchados.
Fué cuando entonces
Mi grito se agrandó
Y el aire volvio a mi cuarto.

Autora: Suzette Rizzo
Declamadas por Paulo Monti
Versión: Paulo Monti
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