4 de dezembro de 2014

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A inspiração e a necessidade de aflorar
o que sinto
e sem reservas,
nasce não exatamente de mim,
mas, da sua capacidade
de fazer-se único

Suzette Rizzo

3 de dezembro de 2014

Noite louca


Noite louca
Suzette Rizzo

Tatuado, bonito,
inconcebível,
dançando no meio da pista,
sozinho.
A roupa amarrotada,
cachos desarrumados
e no rosto, 
uma marca de batom
avermelhado.

Copo na mão,
nem cerveja nem cachaça,
ele mesmo não sabia
o que tomava.


E veio a menina...
Linda!
Avançou naquele pescoço,
beijou o cara na boca,
agarrou a ilusão...
na pista. 

Noite louca!
Vim com ele pra casa,
poetando pelo caminho...
Eu e o menino!
Suzette Rizzo


Conduzida


Conduzida
Suzette Rizzo

Testam-me,
não sei quem, de onde vem,
qual lugar reside quem me testa.
Sinto-me espreitada,
dominada, contaminada


regulada por algo
que me apara arestas.
Desconheço a minha real identidade
e exceto saber-me poeta de alma
quem me testa devora-me o sono,
a vida, a calma.
Não sei em qual esquadra vim
ou em que mundo estou...
Se é ele simulado, paralelo,
fabricado...
ou mesmo algo computado...
Na verdade, um molde infeliz,
avaliado de tempos em tempos,
quem sabe uma amostra a mais
tipo robô da Matrix...
cujo comando sem dúvida negro
como falta total de luz.
Posso pensar mais o quê,
se nunca estive liberada
e não consigo ser feliz ?

Repulsa




Repulsa
Suzette Rizzo

Estilhacei poemas falidos,
carcomidos pelo tempo,
joguei no lixo velhos escritos
e amores em detrimento.

Invalidei tudo o que foi dito,
queimei a papelada,
limpei arquivos
e nesse amontoado de resquícios
esfarelei a rosa...

Com ela eliminei o embuste,
expurguei o abraço
e de vez te excluí, maldito!

2 de dezembro de 2014

Quisera



Quisera
Suzette Rizzo

Há um reino da razão
outro do coração,
Ha reinos encantados,
reinos destruídos,
há reinos estelares,
reinos umbralinos.
Há um reino desconhecido
que me acanha,
um reino de portas trancadas,

janelas sempre fechadas,
sorriso incógnito.
Questiono se escutas o grito,
embora silencioso,
daqui deste reino aflito,
talvez, aos seus olhos,
reino incrivelmente contraído!

Será, que me ouvem esses teus ouvidos?
Quisera, mas duvido!

1 de dezembro de 2014

Permissividade


Permissividade
Suzette Rizzo

É preciso arrancar a alma,
salgar a fronha,
mas não permitir a insônia
inventar coisas.
É preciso esmagar um a um
os sentimentos,
até que esse inseto interior
não mais se movimente.
É preciso refrear nomes,
não pensar bulas vencidas,
consentir o entorpecimento
da ilusão da vida
e nunca mais perder tempo
com ego alheio
nem fingir-me permissiva.

30 de novembro de 2014

Uvas doces




Uvas doces
Suzette Rizzo

Pensar em nós
amolece, inspira,
anoitece verão.
Mesmo que nada
hoje se encaixe 
na minha ilusão. 



Alguns passos beira mar,
pousar os olhos
na preguiça das águas
oscilando sobre elas o luar
trás saudade...

Mas a luz das estrelas
desmancha o cenário,
assim como odores da natureza
nublam tudo de lágrimas

Não resolve pensar
cachos de uva moscatel
que ele gostava.
Tentativa vã,
adoçar pesares
sempre ativos na memória

Nem mesmo resolve
pensar cores claras...
Tristeza acinzenta entranhas,
fere praias azuladas.


Suzette Rizzo

Gruta sagrada



Gruta sagrada
Suzette Rizzo 
                               

Vou trilhando um novo caminho
sem olhar dos lados,
sem querer sentir o tempo
ou saber a quanto o momento
leva-me por hora. 

E entro naquele bar,
como se fosse uma gruta sagrada
ou jardim encantado,
deixando-me ser vítima
de certo olhar detonador. 

Depois...
é como se eu pisasse em plena estrela,
bebesse o licor dos deuses
e, flutuasse sobre a minha cidade...
consagrando a tal loucura
que me mata de saudade ! 

Ando assim, perdida,
meio tonta, distraída,
dançando a todo momento
por salões iluminados
dos meus novos pensamentos
Suzette Rizzo

Melancolia


Melancolia
Suzette Rizzo           
Acordei melancólica...            
não sei o que há comigo.
Nada mudou
e as mesmas tristezas
fazem parte da minha rotina .

Acordei querendo não acordar   
e, depois, querendo botar pra fora
ares contaminados,    
esses que preenchem meu pulmão
de nicotina.
                             
Tenho dormido pouco e mal
e nem sonhar tenho sonhado.       
Uma foice zumbe alto
em meus ouvidos                                       
e poda no grito as ânsias de paz.    
                                                              
Na palma de minha mão
há destino cortado...
e há mesmo!
Tudo me foi recusado.

Abro por acaso o bloco de poesias...
Meu Deus !
Estão purgando as madrugadas...
tenho alma infeccionada.
                                                                
Passo a tarde nesta agonia,
açoitada por sons desgarrados...         
Aconteceu há tantos anos!
Mas, estão cravados e gravados.                                                    
                 
A noite vai chegar, o dia amanhecer,
e mais anos chegarão...
Chegarão ?
Ai Deus ! Quero não ! 
Quero não !
        

Suzette Rizzo

27 de novembro de 2014

Meu Natal


Meu Natal
Suzette Rizzo

É Natal !
Natal no planeta inteiro.
O festejo da divina luz...
Gostinho de céu
emoção maior.

Mas, eu,
comemoro os anos
da minha solidão
na casa morta...
Vestida
de noite silenciosa
e ausências...
todas !


Suzette Rizzo

Ética



Ética
Suzette Rizzo

Não poderia ser patriota
porque sou humanitarista.
Na acepção da palavra
já fui idealista,
socialista,
contudo, jamais petista
(Nada a ver!... Tolice e pura confusão
ser Maria vai com as outras).
Indignada com o baixo nível
da moral e suposto bem,
gostaria de perguntar:
Quem quer o bem do povo?
E o povo? 
Equivocado com promessas...
pobre gente!  
O que sabe hoje este povo
cego, crente e necessitado
correndo atrás de vintém?
Perdão, 
ando escrevendo o que vem.

26 de novembro de 2014

Pela vidraça


Pela vidraça
Suzette Rizzo

Vejo-me abraçada a cruz,
a minha,
aglomerado de historias daninhas,
madeira bichada.
Resta-me lembrar o olhar
que se infiltrou no meu,
o corpo que amei,
palavras acaloradas...


Resta-me a ilha, a lembrança  
e o apocalipse tristonho
dos nossos sonhos

24 de novembro de 2014

Estigmas


Estigmas
Suzette Rizzo

Moro dentro de um poema
inacabado,
entre cartuns,
histórias de amor frustrado,
desgostos
e o horror de conhecer por dentro
esse tal sexo oposto.
Daí o vazio, daí o choro continuo
borrando recordações pequenas,
as mesmas que foram grandes
desfeitas pouco a pouco.
Moro aqui neste poema-desabafo,
um dos raros prazeres,
embora sorvendo cacos
e, expelindo deuses.
Moro num buraco negro
quando fecho os olhos
revejo cicatrizes,
sinto o gelo dos medos
e escrevo.


O novo som do coração


O novo som do coração
Suzette Rizzo

Assim como um sonho, era impalpável.
Sonho visto de longe!
Por mais que acenasse, inalcançável.

E os olhares se cruzaram...
mas, não foi aquela impressão de reencontro
carma ... e muito ao contrário.

O que sei é que vim para amá-lo.
O que sei é que seu coração
jamais será corsário

Ah! Você me ganhou assim desigual
e nada arbitrário!

Será meu poema de cada dia
do novo calendário!

November 24, 2014

Sim sim...Não não


Sim  sim...Não não
Suzette Rizzo

Odeio falta de palavra:
Quando digo nunca mais,
é nunca mesmo.
Se a alma está vencida,
se acontecer revivo-a,

senão,
deixo-a estremecida,
a ermo.
Odeio vai e volta,
coisa que termina
pra mim não tem volta.
Então, saiba!
Se me aceitar é assim:

Odeio falta de palavra.