18 de novembro de 2014

Provas


Provas
Suzette Rizzo


Experiências e sonhos se contemplam
entrelaçados como fossem um.
Mas a experiência mata o sonho
pouco a pouco, com açoite,
desvenda as dores que se encolhem
por baixo do pano da noite.
Não queria ter vivido tanto
muito menos aprendido além do básico.




E agora?
Nada é lindamente mágico!
São demais tolos e purgativos
todos!
E os poucos sonhos que ainda me habitam
são tão nefastos
assim úmidos de choro!
Experiências e sonhos,
saiba disso meu amigo,
cavalgam juntos
e se espreitam tristonhos


Baú de Segredos


Baú de segredos
Suzette Rizzo 

Floresce algo
que embaça a visão
dentro de um sonho
sem portão. 

Percorro corredores de um castelo,
vejo uma porta de madeira maciça
sobre um solo flutuante.

Pergunto-me se devo atravessá-la
e afinal quem sou.
E alguém qualquer me responde
que sou como vejo...
algo sem corpo, alma errante.

Espantada, sonâmbula,
abro os olhos assustada
entre os borrados
de antes.

Não só em meu sonho e futuro
sou algo acovardado, medroso,
certamente imigrante
escorregando encostas do mundo

O que me ativa são delírios 
e quem me acorda é o vento
desviando  tudo isso!

 "Em cada um de nós há um segredo,
uma paisagem interior com planícies invioláveis,
vales de silêncio e paraísos secretos."  
Saint-Exupéry

Do céu de Goiás



Do céu de Goiás
Suzette Rizzo 


Despencou uma a uma, todas as estrelas
do céu de Goiás, 
na noite em que o mundo abocanhou
meu sonho esperado de paz . 

Desabaram como fossem  de fogo,
queimando-me as esperanças,
arraigando vinganças de tudo
na vida estranha  

Tanta estrada... tanta pressa
pra cair na piscina depois do café,
suprir tantos anos rezados
com fé... 



Pra depois, voltar depressa,
cair feio do sonho, do ninho,
sentindo os trancos da estrada
e da vida,
tão duramente escalada ... 

E a alma ?
Tombada ...
Entre as pedras do caminho.
                      Suzette Rizzo

... e a terra


...e a Terra

olhou tristemente tanta depredação.
Desolada, perdeu seus olhos nas queimadas,
nas vidinhas assustadas das flores e animais.
Percorreu seus olhos nos rios poluídos,
chorou... chorou... como nunca,
a Terra chorou o planeta sem destino.

Reuniu irmãos da natureza,
e juntos,
rezaram ao Pai-Mãe da Criação,
 a falta total de amor

Pediu perdão ao Semeador 
pelos filhos do bem
renascidos dos seus céus,
sob a Luz do Grande Amor.



Mergulhou em sonhos de esperanças
sem olhar para trás;
levando consigo o peso
da imensa dor.
                                       Suzette Rizzo

17 de novembro de 2014

Id


Id
Suzette Rizzo

Meu espírito anda preso
aos meus apegos!
Posso olhar o céu,
enxergar dentro dele,
mas... não posso fechar os braços
à saudade do seu abraço!
                          
Calo tudo
e as dores da vida vão prosseguir
neste mundo!
Entraria mar a dentro,
se pudesse assim suavizar as dores,
deste tempo conturbado,


Amenizaria a agonia de conhecer 
mistérios inquestionáveis... 
Tudo faria para descobrir onde
fica o portal dos seus  sonhos
para imantá-los,
Saber no fundo, onde moram,
amanhãs melhorados
                         
Tenho vivido fixa a este enigma,
entre perguntas sem respostas,
sentindo o coração totalmente  amarrado...
Enquanto o seu, de pássaro livre,        
levita em meu lugar,
livre destes seres piegas!
                                        Suzette Rizzo

Impotência


Impotência 
Suzette Rizzo

Nem sei quantas noites, polui
os pensamentos de sombras,
vinganças...
ou tentei levar meu barco
a outra margem da esperança. 

Pura bobagem !
Este querer dobrar novas esquinas,
reviver contos de fadas
ou enxertar a luz nas velhas estrelas
e nas íris nubladas. 

Nada transformaria
meus dias de estrada,
minguaria o tempo da clausura,
cada desventura
e o imposto martírio
da vida injusta. 

Por isso, ouso desmentir  salmos
incentivadores,
guardo do sonho as novas luas
e encerro todas as lutas !

Suzette Rizzo

Bifurcação II


Bifurcação II
Suzette Rizzo 

Guiavam-me teus olhos
e palavras florescentes.
Alimenta-me os versos na madrugada,
tuas mãos acariciando meu cabelo,
tua alma na minha, trançada.

Conversa boa, né?
Entre um e outro café,
cinzeiro abarrotado,


risinhos, olhos nos olhos,
vidas entrelaçadas...
Quanto céu! 
Naquele nosso cantinho
da sala enluarada!

Como pode?
Porque as coisas se partem
pelo meio,
o coração se divide,
a alma pende a outro ser...
porquê?

Tolas madrugadas
essas de agora,

assim... bifurcadas!


16 de novembro de 2014

Loucos


Loucos
Suzette Rizzo

Impacto violento
dos tempos, 
arrastando o mundo
às moradas de Tongo.
Ouçam a troca de tiros
ecoando nas cidades,
gritos de quem morre
na violência nas ruas... 
Reparem nos suores
de quem se droga
entre palavrórios entorpecidos,
nos esconderijos da noite astuta.
Estão loucos os bêbados,
os jovens, o mundo
e esses destinos todos,
correndo pela espiral
da parafernália,
desta terra clonada 
par do umbral.


November 25, 2007

Dissimulação


Dissimulação

Suzette Rizzo


Transparência é meu lema,

disseram.

Franqueza é certamente

o melhor de mim.

acrescentaram.

Pura poetagem!

... moeram minha alma

tamanha fraude!




Relutância


Relutância
Suzette Rizzo

Reluto.
Não quero sonhar!
Apenas, dissipar a imagem
que desnorteia
e me leva a ter alucinações.

A luz acesa traz o delírio
e estrelas disformes
vão surgindo pelas frestas,
buraco da fechadura,
por baixo e por cima,
dos vãos da porta,
laterais das persianas da janela,
anunciando a chegada sem hora. 

Apago a luz
para que cesse esse anunciar
perturbador,
trazendo dobrada a saudade
e, a alma inundada em rancor.
Não posso dormir! 
Moras por traz destas pálpebras,
dentro da essência agitada,
em cada madrugada.

Reluto.
Entre viver outra noite assim,
ajeitar-me em teu corpo
ou expulsar-te da minha cama...
E durmo entorpecida,
deixando-me entregue ao sonho
que enlaça.

Renuncio sim
este sentir que me agarra!
E nada, nada que eu faça
jamais te levará do meu quarto,
desta casa,
do meu sonho, nem de mim.


Suzette Rizzo

Ei! Presta atenção


Ei! Presta atenção
Suzette Rizzo



Não moldaria meu jeito,
para ser a mulher que te agrada.
Isso nunca!
Sou o que sou,
amante dos meus bichos,
mulher solitária,
dona de mim, meus atos,
meus ciscos...



O mundo me sufoca
pelo otimismo de quase todos,
na verdade um otimismo inconsciente
fingido, teórico,
de quem sofre pouco.
Não moldaria meu jeito de ser
pra quê?
Para servir ao teu corpo?
Carrego pedras na alma
e por isso te acho tolo

tolo demais seu moço!

Vontades reprimidas

                                
Vontades reprimidas
Suzette Rizzo

Desvio o assunto,
chega de balidos...
Só não posso ser serpente
pois é contra 
meus princípios.
Mas que dá vontade, isso dá,
coça como urticária
este desejo de  agir tal e qual,
finalmente revidar:
Dente por dente,
veneno na mesma taça.


Otto


Dificilmente se arranca lembrança, 

lembrança, 

lembrança, 

lembrança...

Por isso da primeira vez dói, 

por isso não se esqueça: dói.

Otto

15 de novembro de 2014

Piada





Piada
Suzette Rizzo

Não quero varrer da alma
uma vida inteira,
embora a vida inteira
mereça ser apagada.
Verdade!
Não há prazer nestas lembranças,
nem escolhas acertadas...
São cólicas e cólicas de desgraças,
horas lacrimejadas,
manchadas de tristezas variadas.
Verdade!
Nasci de alma encharcada,
nó na garganta,
intuição amalucada,
permanentemente extenuada
do mistério de viver .
Verdade!
Satã inda gargalha,
das minhas doridas falas,
escondido nas frestas
do meu mundo adverso às fadas.
Não queria ser de mim proprietária,
nem portar tantas desgraças...
E pensando bem elejo esta sina,
-verdade, eu juro-
A uma grande piada!

Avisos


Avisos
Suzette Rizzo

O pensamento mostra garras,
aniquilando
qualquer desejo imprudente.
Se não sinto as garras
ouço a voz de mim  embargada,
os pés colados no chão
ecoando a dúvida da minha sombra
impedindo a má ação.
É assim que o Inventor da criatura,
surge em meio as aventuras
e contravenções.
Eu percebo,
tem gente que não dá a mínima atenção
e perde a chance de habitar um dia
o Grande coração.