13 de novembro de 2014

Luzes da Experiência


Luzes da experiência 
Suzette Rizzo 

Observei a tempestade...
os raios riscando os céus
a chuva desabando nuvens escuras,
as plantas matando a sede,
o aguaceiro lavando as calçadas
assim como limpam a alma
todas as lágrimas.

Passou!
O sol surgiu brilhando as folhas,
enfeitando o jardim...

Suspirei!
Maravilhada com o fantástico mundo
em que vivo
e a possibilidade de poder desaguar tristezas
e outra vez enxergar belezas,
apesar dos seres nocivos.

Quero que a vida me presenteie
com milhões de tempestades,
e não me importarei com elas.
Passarão, como já se diluíram
aquelas dores do passado.

Se o sol não fulgurar tão cedo,
ainda assim faiscarão,
as luzes da experiência.


Suzette Rizzo

11 de novembro de 2014

Um dia...


Um dia...
Suzette Rizzo 


Um dia nossos dedos se entrelaçarão outra vez
e caminharemos lado a lado
esse amor concreto.

Um dia nossos olhos verão campos verdes
e de perto a estrela Dalva,
rente ao paraíso reluzente.


Um dia dançaremos pelas nuvens,
sentaremos a beira da lua,
aninhados para sempre.

Um dia, qualquer coisa poderá acontecer
exceto o definhar dos sentimentos da nossa essência,
sonho e mente.

Sobrevivente


Sobrevivente
              Suzette Rizzo

Foi um longo tempo
numa mesma direção.
Sem notar  atalhos
ou querer desvios.
Um longo e estúpido trajeto
mas que era o certo
no meu delírio
de pensar correto.

Valeu agir de forma justa
pensar espiritualmente alto,
ter tranqüila a consciência,
ser feliz sobrevivente,
adormecer sem sobressaltos
não sentir  a dor que sentes.

Estou em paz comigo,
não sofro além do merecido

Suzette Rizzo  

Nosso amanhã


Nosso amanhã
Suzette Rizzo

O tempo matará desejos
e o beijo rotina não terá sabor...
Não sentirei mais a respiração dele
como parte da minha
e, afastarei meu corpo cansado,
querendo estar mais sozinha. 

E ele, abraçará sua propriedade
com unhas e dentes
e, jamais admitirá mudança
sem motivo, enganando a si mesmo,
jurando ser eu mesma 
a mulher do seu destino. 



Olharemos fotos das nossas viagens,
percebendo o tempo passando rápido
e cada qual com sua solidão,
sorrirá fingindo satisfação,
no olhar agora pálido. 

Mas, estaremos juntos,
impondo-nos uma mentira deslavada...
estaremos  viciados um no outro.
Eternos e covardes,
até que a morte nos separe.

Suzette Rizzo


9 de novembro de 2014

Estouro




Estouro
Suzette Rizzo

Bem feito pra mim!
Quem mandou acreditar na hipocrisia,
na falsa calmaria,
achar que a noite vira dia
num piscar?
Quem te mandou sonhar
esse sonho borralho,
pra se queimar!
A mesma raiva deglute
outras almas insones
molhadas de erro e vermute.
Bem feito!
Quem mandou se dar,
forçar, reforçar, aceitar,
fingir-se impressionar,
deixar-se levar, se poluir
por  um tipo João ninguém?
Bem feito!
Afeto que nasce intenso
e vive mais pra drama
vira urtiga na cama.


“Como diz minha amiga a poeta Marisete Zanon

poesia é também recado”

Quase verdadeiro


Quase verdadeiro
Suzette Rizzo

Lembro-me sim,
da calçada molhada,
da garoa fina encobrindo estrelas,
do tempo sempre cinzento
e azulado pensamentos,
penetrados como eram,
por esferas iluminadas
de céus cristalinos.

E havia calor no sonho,
desatenção em tudo o mais
a meu redor
e, o que inundava noite a dentro,
era a sensação risonha
de um sentimento nascente,
de todos o melhor !

Havia musica
entoando pelo quarto
e movimentos de ninar
nas visões vertentes
de luz em meus ares !

Lembro-me sim,
palavra por palavra
e  gestos impiedosos
dos seres incompreensivos,
caçadores da candura
do nosso quase amor verdadeiro ,
sadicamente açoitado !

Lembro-me sim, de você e de mim
e ,de tudo que nos despertou
para a seqüência dos nossos atos ...
embora a remontagem daquela ironia
continue atormentando

Até quem sabe algum dia...
inveja e  maldade se estilhace
no futuro deste mundo,
definhe e apodreça como  raízes
encharcadas !
Então, viveremos o que não pode ser.
Suzette Rizzo

  

Segredos


Segredos
Suzette Rizzo


Segredos !
Tenho tantos
nestas recordações...
Invasores dos meus
princípios,
segredos de atitudes
pecaminosas,
transgressora das leis
naturais,
espinheiros demais
ardidos...
na pele do meu destino ! 



Apavora-me a reação
de um dia,
meu caminho tortuoso
dando inicio
à um turbilhão de
inferno vivo...
Eu, entre o ínfimo
do mundo,
cara a cara com meu
martírio ! 

Mas, a musica envolve,
seus olhos aquecem
noites frias,
pensamentos nebulosos...
E vale, namorar seu
sorriso,
a postura perfeita na
calça rasgada...
E tudo que seduz
esta escalada ! 

Segredos !
Penso nestes...
Únicos momentos
verdadeiros...
Derretendo as geleiras
da minha vida...
Causando intimamente
o prazer dos prazeres
mordendo meus dias...
Acendendo a estrela guia...
Antes tão escondida !

Suzette Rizzo

25 05 02

Solidão

SOLIDÃO
Suzette Rizzo

Invade sem qualquer cerimônia,
repetidamente, cronometradamente,
junto ao meu despertar.
E lá vem ela, colada,
olhar-se no mesmo espelho,
cortar pensamentos otimistas,
ser parte da minha vida ! 
Sinto-a mexer comigo, 
fixar-se em meus vazios,
penetrar  pensamentos
aos quais respondo, a mim mesma.
Surpreendo-me... 
é minha a voz,
mas e a outra, de onde vem?
E a solidão desanda nesse tête-à-tête
chatérrimo...
coisa grosseira, xucra...
persistentemente convencendo,
que sou par de coisa alguma.


Suzette Rizzo,

Reciclagem


Reciclagem
Suzette Rizzo

Foi-se o tempo bom,
vai-se o tempo depressa,
prossigo em meio aos meus ecos,
sobre imperceptíveis ondas,
entre meus versos.
Tantas coisas pendentes,
palavras não ditas,
escolhas malditas,
medos acumulados,
em suma, é ela (a que foi)
e não eu quem descreve,
meu lado camuflado.
São como rasantes meus versos
e metade esfola
mais por dentro que por fora.
Foi-se o mundo dos meus olhos,
mas os sonhos, reciclei-os,
são pesadelos,  ex amores
que hoje folheio.

Peso


Peso
Suzette Rizzo

Esta mulher que sou
preenche a cabeça,
das coisas que não quero
e lembro.
Seria bom extrair pesadelos
e que eles
rolassem decapitados
das minhas profundezas.


Porque esta mulher que sou,
necessita extinguir
o peso das tristezas.


7 de novembro de 2014

Anoitecer outonal


Anoitecer outonal 
Suzette Rizzo

A tarde ainda amorna o piso
e o céu
anoitece cravejando brilhos
à visão que busca
belezas no infinito.
O friozinho do outono não me preocupa,
os animais sem lar inda não tremem
e adormeço então tranqüila
quando o sono vem.
Logo mais, na próxima estação,
meu desassossego pegará corda
assim que o limite que enxergo acinzentar
e a terra parecer morta.
Logo, sofrerei,
quando os verdes se queimarem,
as flores se encolherem do mau tempo.
Será  preciso buscar o sol
nos vãos do pensamento.

Por ora, aprecio a brincadeira das crianças,
observo o bronzeado dos meninos da minha rua
e o sorriso aberto no semblante das pessoas.
Logo mais,
verei o andar apressado dos trabalhadores
encolhidos, encapuzados,
querendo correr para o aconchego
dos seus quartos,
aboletar-se sob ralos cobertores.
É então que o sono me abandona
e a alma aflita pensa nos bichos e mendigos,
e pede a Deus com afinco, manhãs de sol.
Odeio invernos, finais de outono,
em que o tempo se faz senhor de mortes
e ri do meu pais entristecido.
Por ora,
a tarde inda amorna o piso.


Suzette Rizzo