22 de setembro de 2014



Esforço
Suzette Rizzo


Tento atravessar a má fase
feito um trator,
atropelando o ruim
pleiteando o bom...


Aumento o som,
invento novo amor
para viver noutro tom.

Desejo apenas desanuviar,
varrer dias que pensei 
fossem de paz.

Eram nada!
Apenas impressão de algo...
prisão tipo alcatraz.

A alma enlameada,
dias poluídos de mentiras
que hoje descortino
sem um mínimo de graça!...

Esmago as, podo as,
(são estúpidas certas ilusões),
domino bem meus anseios
já não tenho sonhos vãos.

18 de setembro de 2014

Escolhas e mudanças


Escolhas e mudanças
Suzette Rizzo

Recolho o pensamento anarquista
hoje apinhado de clarezas.
Intempestivo destino este
atravancando fases desde as infantis!
Porém, somente agora percebo
o que antes não percebi:
Delirei como um terráqueo sonso
igual a todos os que sempre critiquei.
Inspirei-me nos iludidos
e sofri o mal das ilusões
abraçando péssimas decisões;
Mora em mim o pesar dos tolos,

aspiro hoje combustões

Amor sereno ou... exaustão de paixão


Amor sereno
ou... exaustão de paixão

Suzette Rizzo


Deita a cabeça em meu colo,
quero fazer-te meu filho,
não importa o ouro da tua idade.
Depois, retribua esse amor
fraterno,
melhor que a paixão loucura
e seus frenéticos desejos
nada duradouros.

Tenha amor igual ao meu,
conforta-me,
tira-me desta aflição
de aguardar solitariamente
minha vez ao matadouro.
Canta pra mim teus azuis,
faça-me musa,
mas olhe para os meus olhos,
ouça minhas palavras,
não te quero olho grudado
no decote da minha blusa.
Pode ser amor assim?
Então, venha para mim.


Dentro do poema


Dentro do poema
Suzette Rizzo

Dentro do poema,
vejo a alma escorrendo
no bramido do silêncio.
E lacrimosa
segue meus passos
sentada no canto dos versos
no seu compasso sempre lento.
Passo por vitrines,
atravesso tantas vidas,
torço o tornozelo
num gigantesco buraco.
E ela, a alma, atrás,
ora tropeçando nas vírgulas
excessivas,
ora descansando nas palavras
sem espaço.
Dentro do poema
não me sinto só nem mal,
apenas extravaso.
Dentro do poema
entre pesares quero amar,
raras vezes sou feliz,
vez ou outra me caso.

17 de setembro de 2014

Lacuna



Lacuna
Suzette Rizzo 

Agora intocável, invisível,
meu poema irresistível.
O sol queima
mas não entra na sala
nem senta no sofá...
não deita comigo na cama,
nem agita o meu verão.


Meu poema rima agora
dor com dor,
nem mais causa excitação.
Meu poema carcomeu-se
sob a grama
e simplesmente se desfez.
Há tempos deixou de ter
o carisma dos olhos verdes.




Mergulho


Mergulho
Suzette Rizzo 

Mergulho nos capítulos
da vida 
querendo emergir lívida,
lavada de todas as amarguras
porque transbordo-as
e as energias obviamente
extrapolo.

Fiz um pacto comigo
e aprenderei a dizer o que penso,
a desafogar o coração.
como aprendi a não ter mais
medos bobos,
como aprendi a ouvir barulhos
de madrugada
e entende-los naturais

Aprendi aos poucos a embrenhar
os olhos na escuridão,
a enxergar contornos,
a ter amigos espirituais
a pedir socorro as religiões
(sem distinção).

Aprendo a perdoar mais e mais
após certas panes...
E ele,
que hoje habita outro plano
aprende o meu amor
que é grande.

Suzette Rizzo

"O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita."

GUIMARÃES ROSA

10 de setembro de 2014

Assim seja







Assim seja
Suzette Rizzo

Duas faces,
    bem e mal.
    Nas costas do sol,
        a escuridão...
        Frente a ele,
                iluminação.




                Duas faces
                         num mesmo rosto...
                   Pólos opostos
                            num mesmo corpo.

                   Há quem seja filho da luz...
                 Há quem seja trevoso.
              E o mundo, meio a meio...
           Filhos de um lado e do outro.

         Daí a luta, esta guerra sem paz.
            O bem querendo a elevação...
                O mal almejando destruição.

                   Trava-se, então, a batalha.
                       O sol se condensa e congela,
                                    apagando toda a luz.
                            Vencerá a escuridão?

                        Espero que o bem,
                            não seja o senhor da guerra...
                Espero que o mal, de tão escuro, seque,
             Porque é essa a coisa certa !

Suzette Rizzo
2004


Borboletas


Borboletas
Suzette Rizzo

Pousavam sobre as hortênsias,
sobrevoando o pequeno jardim
bem cuidado,
colorindo a ternura daquele tempo,
hoje, momento retrato.

Tão bom,
sentir a vida sem receios...
sentar-me à mesa do jantar,
ouvir  vozes amigas,
todos  a minha volta
completando a minha  vida !

Partiram ...
Momentos, família...
e não mais notei borboletas
em outros jardins...
A casa, agora uma Clinica...
e as hortênsias, que dó! 
Junto ao entulho,
entre cacos de tijolos
e borboletas mortas.

Tudo morre...
Ilusões, fantasias e qualquer segundo...
Nada fica,
exceto o tempo presente
e o girar do mundo !

Estou, entre  escombros de tudo...
Em meio a visões descoloridas...
Forçando a lembrança
das vozes queridas
e ouvindo os sons do silencio,
nas horas da minha vida.

Alguma borboleta amarela,
bate as asas
em algum lugar do planeta...
Porém, vivo entre meus despejos,
solidão e vazios... 

E exceto saudade, nada sinto,
nada ouço, nada vejo !

Suzette Rizzo
05/07/00


7 de setembro de 2014


Eis a questão
Suzette Rizzo

Certamente sou mística!
Só não sei se devo viver
nesta ansiedade de enxergar
além do que eu possa apalpar.
Ser místico é bem mais que sentar
em posição de lótus e meditar,
bem mais que ajoelhar no altar,
bem mais, bem mais...


Ser místico significa acreditar
que uma árvore pode curar.
Significa penetrar
o interior do pensamento
e nele flutuar.

Ser místico não será jamais
centrar o corpo entre mil velas,
nem vestir preto, roxo ou branco...
Ser místico é ter alma limpa
nem de Cristo ou Zaratustra...
nem tanto ao céu, nem tanto a terra,
mas no meio e alheio a esta bagunça.

Ser místico é saber com convicção
que uma alma percorre milênios...
e sentir nos tais desenhos que se formam
nas paredes,
não apenas imaginações corriqueiras,
mas existências verdadeiras,
acarinhando nossos sonhos e verdades
ensinadas por inteiro.

Sou mística sim!
Respeito a vida estagiária
e, quando fecho os olhos,
flutuo em meu oceano 
onde se acalmam tormentos.
Assim espero a paz do Cosmo,
dar seus sinais no vento.

O mundo que vejo
no interior dos pensamentos,
é o mundo das verdades,
oposto a este das mentiras.
Mundo em que meias palavras bastam
e, uma tempestade de fluídos
abastece a minha alma
pelo umbigo.

Entregar-me ou não,
eis a questão!

Suzette Rizzo_ 2005

4 de setembro de 2014


PALÁCIO SONHO
Suzette Rizzo


As copas das árvores
se fecharam
e vi o rendado verde
de fundo azul do céu.
Caminhei
sob o sombreado
da minha rua...
virando  aos poucos
aquela página
e o cenário enluarado,
que logo seria um sonho,
como hoje é!

Fechei as janelas do
apartamento,
dando adeus
a imensidão noturna
e as constelações
da noite limpa.

Gravei tudo
minuciosamente...
Tranquei
a porta do palácio-sonho
e, hoje, ainda dói lembrar...
Do aniquilamento total,
do ruir de tudo sobre mim...
Fase essa que ousa viver
imortal !


04 08 2004