25 de julho de 2014


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Em branco
o coração, a vontade,
o poema final
Em branco a história,
de ontem de hoje,
da vida acidental.
Em branco meu céu,
meu chão,
meu arsenal.


Em branco tudo,
até a noite de piche
coberta de sal


Suzette Rizzo

24 de julho de 2014



Jiló
Suzette Rizzo

As palavras dele, de jiló,
coisa que detesto,
esverdearam os vidros do bar
e da espuma da cerveja !

E esse verde mal pintado,
poluiu mais a avenida,
rolou pelas mesas...
ruindo assim castelos,
sonhos e estrelas !

E o sorriso que era lindo,
ficou lindo e só...
Piscando feito um farol
que é só farol!

E no meu interior,
o vazio invadindo...
Cercando imagens,
sons, paredes,
borrando tudo de musgo,
de amargo... De verde !

Suzette Rizzo

(Do meu baú)

Comigo foi assim



Comigo foi assim
Suzette Rizzo


Acontece...
Entra na vida, na essência,
se acomoda
e a gente recebe,
retorna o recebido,
entrega-se, crê no incrível
e se conforma até
com o  inatingível.

Acontece...
A decepção,
o final,
e depois as descobertas.
E então, a gente se pergunta:
O que era aquilo?
Quem era aquele sem meta,
a despertar sentimentos?
Contador de histórias,
jogador,
canalha,
poeta?


abril 18, 2014

Noção

Noção
Suzette Rizzo

Não há pensamento positivo
que descarregue na vida
realizações... (só lampejos)
e por mais ardentes e nobres
sejam os desejos.
Não há otimismo que vença o traçado
não há suficiência de ofensas
ao agastado.
Quisera eu saber o real significado
de alguns fatos cadentes
romperem sólidas correntes

23 de julho de 2014



Lapidação
Suzette Rizzo


É necessário palavras certas
polimento para descartar
os desamados.

É necessário senso, sobretudo,
o que falta aos seres
deste mundo



Acho que morro de todas as dores
quando alguém me finge
e a verdade escapa e me atinge.


Dúvidas
Suzette Rizzo

Começo a duvidar dos pensamentos...
São emaranhados de incertezas
e caminhos sem setas

Começo a duvidar dos sonhos
surgido no sono para iludir
Começo a duvidar das minhas pernas.


Ô corrida incerta!
Será mesmo que nasci?
Ou será que morri, ao pisar aqui!

21 de julho de 2014




Conclusão
Suzette Rizzo

Certeza dói mais, sem dúvida!
Nasce quando o fogo crepita
e queima a imaginação.
Mas, é preciso esperar tanto
para assistir
a volta do parafuso, de fato,
que o melhor
é esfregar a alma com força,
até esfolar a desilusão...


Então, purificar águas turvas,
rasgar velhas páginas,
permitir-se cavar novo espaço
verter novas lágrimas.

12 de julho de 2014



Vestimentas
Suzette Rizzo 

O pensar percorre instintos
e é ele a abrir os braços,
estreitar outro corpo,
beijar a boca,
cantar poemas.
Mas há também outro instinto,
aquele que se diverte,
que se mostra ou se derrete,
mas tem alma e corpo inerte.
O pensar escorrega
nas entrelinhas,
faz beicinho, franze a testa,
investe em si e enfim,
quase sempre se perde.


Saturday, July, 2014


Pensando
Suzette Rizzo

Se encontrasse a pele certa, vibraria
de desejo e alegria.
Se encontrasse a alma gêmea, triunfaria.
Mas encontro o poeta,
despejando palavras certas,
nestes ouvidos cansados das ironias.
E a pele que tanto importa,
permanece fria!

Se eu encontrasse o animo da vida
que dia a dia se perde
diante os atos dos outros,
não teria tanto medo do agouro
que sonhei um dia.
Se encontrasse a miscigenação
dos sentimentos
e vomitasse os lamentos, sacudiria
a alma sem balanço, sem mais dança,
sem mais tempo


11 de julho de 2014

Pedaços
Suzette Rizzo


Se desse pra tossir
esses dias infernais,
desmanchar a figura que me persegue,
transpirar a alma que me faz mal,
demolir as paredes
que guardam lembranças,
esquecer as conseqüências da vida
retroceder ao meu ser criança...


Se desse para apagar estragos,
receber outra vez certo abraço,
ouvir conselhos,
sentir cuidados,
deixar ressentimentos de lado...
Eu sorriria ante o espelho
alguma felicidade,
de não estar de mim...   pedaços
Ligação
Suzette Rizzo

Venço a cada 24 horas
e quando o dia nasce
e me sinto viva,
minha alma
chora de alegria.
Não sei como e me canso
de perguntar
o porque da alegria
e de viver depois de você.
Vem a resposta:
O que me ergue é a lógica,
ou seja,
a companhia e seu bem querer;


Mesmo que a distância
seja cósmica

5 de julho de 2014

Poções

Suzette Rizzo


Quisera transfigurar meu semblante,

ser outra…

Apagar os olhos baixos,

a boca sem riso,

do rosto os traços semi-vivos.

Quisera o dom

da manipulação fluídica,

a magia da mutação mística,

anular  ares de dor…

Sobretudo entender de poções,

de esquecimento e desamor.



3 de julho de 2014


Por trás dos véus
Suzette Rizzo

Acertei ponteiros!
Destruí de mim, a crença involuntária,
descobri-me além do corpo,
observei ramificações várias.

Entendi-me capaz de rebentar grades
e voar ...
Capaz de escolher o que me cabe
e acertar.


Continuo o sobrevôo...
Ora por áreas florestais
ora em pontas de faca,
porém, exilando-me com vontade,
para além das coisas palpáveis.

Encontrei o lado oculto
tão vedado.
Conversa! É apenas culto
esse lado desprezado. 


DILEMA
Suzette Rizzo

Meu interior anda tão machucado,
que o teu pouco caso se torna alento
aos meus olhos !

Mas, és tão impiedoso, meu caro...
Verdadeiro incendiário
das minhas mais profundas emoções !

Sei, não tens culpa das lacunas,
nem da minha solidão,
nem deste sentir  absurdo...

Não tens culpa da sensibilidade excessiva,
nem do amor que habita
o interior do meu mundo.

Mas, eu também não sou culpada
dos teus conflitos,
nem do que tens ingerido...

No entanto, talvez seja por nossa culpa,
estarmos aqui neste  planeta
gerador de sentimentos sempre inversos...

Onde pessoas jamais se encontram,
nem mesmo as que fazem versos !

2 de julho de 2014

Verdades minhas
Suzette Rizzo

Nesta vida não fiz
filhos do sexo,
mas fiz filhos versos,
filhos cruzes,
pensares  crédulos.

Nesta vida conservei amores de fato,
mas a possessividade se embutiu,
a complexidade do meu ser 
abduziu-me
acumulei então, dores pós contato.

Nesta vida fui eclética
em todos os sentidos
mas amei sobretudo religião e filosofia,
fui apolítica depois de envergar
para o lado esquerdista.

Nesta vida não pertenci  ao mundo,
pouco sorri, fiz poesia.
De alma preguei-me num madeiro,
admirei Jesus,
troquei  breu por luz.

Nesta vida vivi oposições,
misturei-me as emoções
deixei-me ser filha e não ser
não imitei nem invejei amigos
Mas na verdade o maior castigo foi,
contracenar comigo 

30 de junho de 2014



Erosão emocional
Suzette Rizzo

Coberta por  areias do meu tédio,
entre partículas da erosão passada,
sujeita a misturar-me as dunas,

e a não ser mais coisa alguma
por aqui,
quase desvivi...

Senti-me exausta,
apenas aguardando
algo que nunca vinha,
entregue a seca dos sentimentos,
bebendo a pouca saliva... 

Foi quando a forte ventania
se apoderou desse momento
e fui medicada com (urtigas).
Acordei sob outra erosão emocional
(leia agora meu ex)
entre securas de um tempo,
simplesmente  letal.



26 de junho de 2014

Transpiração
Suzette Rizzo

Ai, para com isso,
ninguém gosta de sangue
exceto morcegos e vampiros.
Ninguém gosta de limbo,
nem canibalismo.
Para com isso,
sai do precipício,
do frio, do frio.
Se embrenha por lá.
no matagal,
vá plantar caraminholas
nas moçoilas do arredor.
Pára de ser o que não é,
de dizer o que não quer,
faça por ti o melhor.
Depois de um tempo,
tua poesia não sangra,
não credita,
nem dá nó.

April 13, 2014

23 de junho de 2014



Maior que tudo
Suzette Rizzo


Maior que a dor da saudade
a dor da ausência,
do olhar carinhoso
as vezes malicioso
pedindo indecências

Maior que a falta
a solidão constante,
a alma em frangalhos
e o escárnio do futuro
em branco,
sempre solidário.



Maior que o instante passado
revivendo a vida do corpo,
é a luz  invadindo meu espaço,
constância alentadora
piscando a visão plasma..
Meu sustentáculo !