5 de julho de 2014

Poções

Suzette Rizzo


Quisera transfigurar meu semblante,

ser outra…

Apagar os olhos baixos,

a boca sem riso,

do rosto os traços semi-vivos.

Quisera o dom

da manipulação fluídica,

a magia da mutação mística,

anular  ares de dor…

Sobretudo entender de poções,

de esquecimento e desamor.



3 de julho de 2014


Por trás dos véus
Suzette Rizzo

Acertei ponteiros!
Destruí de mim, a crença involuntária,
descobri-me além do corpo,
observei ramificações várias.

Entendi-me capaz de rebentar grades
e voar ...
Capaz de escolher o que me cabe
e acertar.


Continuo o sobrevôo...
Ora por áreas florestais
ora em pontas de faca,
porém, exilando-me com vontade,
para além das coisas palpáveis.

Encontrei o lado oculto
tão vedado.
Conversa! É apenas culto
esse lado desprezado. 


DILEMA
Suzette Rizzo

Meu interior anda tão machucado,
que o teu pouco caso se torna alento
aos meus olhos !

Mas, és tão impiedoso, meu caro...
Verdadeiro incendiário
das minhas mais profundas emoções !

Sei, não tens culpa das lacunas,
nem da minha solidão,
nem deste sentir  absurdo...

Não tens culpa da sensibilidade excessiva,
nem do amor que habita
o interior do meu mundo.

Mas, eu também não sou culpada
dos teus conflitos,
nem do que tens ingerido...

No entanto, talvez seja por nossa culpa,
estarmos aqui neste  planeta
gerador de sentimentos sempre inversos...

Onde pessoas jamais se encontram,
nem mesmo as que fazem versos !

2 de julho de 2014

Verdades minhas
Suzette Rizzo

Nesta vida não fiz
filhos do sexo,
mas fiz filhos versos,
filhos cruzes,
pensares  crédulos.

Nesta vida conservei amores de fato,
mas a possessividade se embutiu,
a complexidade do meu ser 
abduziu-me
acumulei então, dores pós contato.

Nesta vida fui eclética
em todos os sentidos
mas amei sobretudo religião e filosofia,
fui apolítica depois de envergar
para o lado esquerdista.

Nesta vida não pertenci  ao mundo,
pouco sorri, fiz poesia.
De alma preguei-me num madeiro,
admirei Jesus,
troquei  breu por luz.

Nesta vida vivi oposições,
misturei-me as emoções
deixei-me ser filha e não ser
não imitei nem invejei amigos
Mas na verdade o maior castigo foi,
contracenar comigo 

30 de junho de 2014



Erosão emocional
Suzette Rizzo

Coberta por  areias do meu tédio,
entre partículas da erosão passada,
sujeita a misturar-me as dunas,

e a não ser mais coisa alguma
por aqui,
quase desvivi...

Senti-me exausta,
apenas aguardando
algo que nunca vinha,
entregue a seca dos sentimentos,
bebendo a pouca saliva... 

Foi quando a forte ventania
se apoderou desse momento
e fui medicada com (urtigas).
Acordei sob outra erosão emocional
(leia agora meu ex)
entre securas de um tempo,
simplesmente  letal.



26 de junho de 2014

Transpiração
Suzette Rizzo

Ai, para com isso,
ninguém gosta de sangue
exceto morcegos e vampiros.
Ninguém gosta de limbo,
nem canibalismo.
Para com isso,
sai do precipício,
do frio, do frio.
Se embrenha por lá.
no matagal,
vá plantar caraminholas
nas moçoilas do arredor.
Pára de ser o que não é,
de dizer o que não quer,
faça por ti o melhor.
Depois de um tempo,
tua poesia não sangra,
não credita,
nem dá nó.

April 13, 2014

23 de junho de 2014



Maior que tudo
Suzette Rizzo


Maior que a dor da saudade
a dor da ausência,
do olhar carinhoso
as vezes malicioso
pedindo indecências

Maior que a falta
a solidão constante,
a alma em frangalhos
e o escárnio do futuro
em branco,
sempre solidário.



Maior que o instante passado
revivendo a vida do corpo,
é a luz  invadindo meu espaço,
constância alentadora
piscando a visão plasma..
Meu sustentáculo !

22 de junho de 2014

Ajustamento
Suzette Rizzo

Será que Deus reconhece aquele
que distingue culpas?
Talvez eu tenha analisado muito,
amadurecido mais, talvez isso!
Quem sabe a fé que era morta
e reviveu com força total!
Sei apenas, estacionei por aqui
neste lugar sombrio
e meus sonhos criaram asas
Até mesmo esqueci a raiz
dos meus princípios.
Mas, procurei de fato
arrancar do fundo
a coerência das respostas
àqueles questionamentos.
E o exterior então,
não mais me agrediu.
Ouvi a Luz, Mãe da alma,
compreendi a justiça (maior bem)
quando ela retirou a venda
e abraçou minha causa.
Fomes
Suzette Rizzo

Tenho fome de vingança,
apetite de raiva
fome de emoção
anorexia do meu dom.
Tenho fome de amor,
de gente, de abraço,
fome de quem já se foi.
Tenho fome do clarão em minha sala,
da estrela meio Dalva
que brilhava noite adentro.
Tenho fome do bom passado,
dos veraneios,
daquele que era unguento.
Tenho fome de vida, fome de sol,
dos olhos de farol...
 e mais que tudo da paixão fermento,
meu girassol.
Melancolia
(III)
Suzette Rizzo

Tenho notado em mim
um tanto de loucura,
não só na noite alta.
O pensar embaralhado,
incoerências...

coisas que nunca importunaram,
mesmo estando a mente  exausta.
Tenho chorado mais ainda,
até mesmo com minhas poesias...
Falado muito mais quando sozinha,
sido somente mortal
quando recordo meu passado
e me percebo em posição fetal.
Não quero morrer,
mas queria ao acordar,
estar simplesmente ressuscitada;
Com leveza no rosto
e  alma revigorada.


 Sunday, March 04, 2014



Chuva de tristezas
Suzette Rizzo

Não posso permitir
que pedaços de tristeza
se alastrem como formigas
e me devorem a alma detida
Não posso permitir a minha vida
o escancarar das portas
para que a ave que me habita
retorne ao lugar de origem.

Não agora... não agora!

Procuro esquecimento,
um breve relaxamento (que seja)
uma latinha de cerveja,
o sono alheio as horas...
Preciso buscar o riso, a piada,
a maciez da estrada...
Parar o aguaceiro,
de dentro e de fora.

21 de junho de 2014

Outra história
(II)
Suzette Rizzo

Olhos cravados em algo
que ninguém via...
Alonguei o olhar no rosto pensativo
tentando adivinhar
o turbilhão que ele sentia.
Um dia eu soube
a constância daquele devaneio
e a causa do desnorteio
visível porém guardado
na alma e no peito.
Lembrava dos seus cães,
do carinho que não teve...
Lembrava do dia da adoção,
depois do frio na calçada,
de quando  botou o pé na estrada
e sofreu,
sofreu tudo que agüentou
da vida madrasta.
Conhecer-me  não aliviou,
nada aliviava...
somente quanto postava as mãos,
cerrava os olhos
e agradecia cada grão
que Deus mandava.
Então, adormecia como fosse leve,
como se nada preocupasse 
como se a vida fosse breve...


E se foi, com trinta e sete.


Gosto
Suzette Rizzo

Gosto, quando a idéia flui mais fácil
e percebo-me dentro de coerências,
que nem acredito minhas...
E brota uma idéia bonita,
um acorde de palavras calmas,
que rimam e deslizam das profundezas
da minha alma,
talvez, boa alma!

Gosto, quando tuas mãos
tocam leve, qualquer parte de mim,
nestes sonhos solitários, malucos,
donos da papelada,
onde deixo idéias adentrarem
os sentidos,
buscando qualquer abrigo,
por entre os muitos véus
do teu ser encoberto!

Gosto, não sei, se da poesia
que o teu mistério oferece
ou do som em meu interior,
entoando a melodia
deste sentir retrocesso
e que tanto cresce!
Colapso
Suzette Rizzo

Este mundo
em que as vontades se envergam
como galhos das arvores
nas tempestades,
consome qualquer habitante.
Mundo aclive
em que eu pelo menos
rolo abismos
e sempre caio de onde estive.

Mundo ardido de fogueiras...
e o coração pobre coitado
fatalmente fulminado.
Pergunto-me por que
não passa logo uma nave
e me tira da ilusão-entrave;
Melhor é ser abduzida.
Aguardo um extraterrestre,
ou um intraterrestre, sei lá,
que de mim se enterneça
e aperte os eixos da minha cabeça...
Ou então,
regule as hélices da minha vida,
para eu funcionar sem mais esta fadiga
de viver neste planeta.




Pensamentos de um feriado
(...e um dia, alguém cantou pra mim)
Suzette Rizzo


Vejo o meu mundo preenchido
de coisas materiais...
Olho em volta da sala,
de outros aposentos,
sinto falta de um ser qualquer
para conversar
e nem mesmo ouço a voz do vento.
Não é uma solidão como outras,
não uma simples solidão.
É um vazio totalizado,
sem remédio, sem família,
vazio cada vez mais intensificado.

Enxergo agora tudo tudo muito estranho!

O planeta parece gigante
e eu tão minúscula, indefesa,
entregue nas mãos do universo,
que não sei o que fará comigo
daqui em frente,
nem mesmo se cavarei de mim 
futuros versos.
Difícil sentir o interior tão deserto,
cercado de fases tristes 
e em tudo ver tolices, crendices,
ter consciência dos meus restos.


Suzette Rizzo_January 25, 2010

Pensamentos feridos
Suzette Rizzo

Reduzida, muda, tristonha,
caminho meio tonta entre as dores
que surgem
nas sombras da calçada.
Há uma vitrine
na lateral do bar da esquina
e nela, vejo alguém de face pálida.
Serei eu essa figura tão miúda,
relaxada?
Serão meus estes apáticos pensares,
negativos, moribundos
e o tropeção na sarjeta,
os pés na poça d’água...?
Corro do vidro e de outros mais adiante,
abaixo a cabeça envergonhada,
entro em casa...

Nunca mais caminharei pelas tardes,
nunca mais verei esta figura
nem mesmo no azulejo,

nem nos sonhos, nem metade.