"Não se pode criar experiência.É preciso passar por ela."
Albert Camus
5 de julho de 2014
Poções
Suzette Rizzo
Quisera transfigurarmeu semblante,
ser outra…
Apagar os olhos baixos,
a boca sem riso,
do rosto os traços semi-vivos.
Quisera o dom
da manipulação fluídica,
a magia da mutação mística,
anular ares de dor…
Sobretudo entender de poções,
de esquecimento e desamor.
3 de julho de 2014
Por trás dos véus
Suzette Rizzo
Acertei ponteiros!
Destruí de mim, a crença involuntária,
descobri-me além do corpo,
observei ramificações várias.
Entendi-me capaz de rebentar grades
e voar ...
Capaz de escolher o que me cabe
e acertar.
Continuo o sobrevôo...
Ora por áreas florestais
ora em pontas de faca,
porém, exilando-me com vontade,
para além das coisas palpáveis.
Encontrei o lado oculto
tão vedado.
Conversa! É apenas culto
esse lado desprezado.
DILEMA
Suzette Rizzo
Meu interior anda tão
machucado,
que o teu pouco caso
se torna alento
aos meus olhos !
Mas, és tão impiedoso,
meu caro...
Verdadeiro
incendiário
das minhas mais
profundas emoções !
Sei, não tens culpa
das lacunas,
nem da minha solidão,
nem deste
sentir absurdo...
Não tens culpa da
sensibilidade excessiva,
nem do amor que
habita
o interior do
meu mundo.
Mas, eu também não
sou culpada
dos teus conflitos,
nem do que
tens ingerido...
No entanto, talvez
seja por nossa culpa,
estarmos aqui
neste planeta
gerador de
sentimentos sempre inversos...
Onde pessoas jamais
se encontram,
nem mesmo as que
fazem versos !
2 de julho de 2014
Verdades minhas
Suzette Rizzo
Nesta vida não fiz
filhos do sexo,
mas fiz filhos versos,
filhos cruzes,
pensares crédulos.
Nesta vida conservei amores de fato,
mas a possessividade se embutiu,
a complexidade do meu ser
abduziu-me
acumulei então, dores pós contato.
Nesta vida fui eclética
em todos os sentidos
mas amei sobretudo religião e filosofia,
fui apolítica depois de envergar
para o lado esquerdista.
Nesta vida não pertenci ao mundo,
pouco sorri, fiz poesia.
De alma preguei-me num madeiro,
admirei Jesus,
troquei breu
por luz.
Nesta vida vivi oposições,
misturei-me as emoções
deixei-me ser filha e não ser
não imitei nem invejei amigos
Mas na verdade o maior castigo foi,
contracenar comigo
30 de junho de 2014
Erosão emocional
Suzette Rizzo
Coberta por areias do meu tédio,
entre partículas da erosão passada,
sujeita a misturar-me as dunas,
e a não ser mais coisa alguma
por aqui,
quase desvivi...
Senti-me exausta,
apenas aguardando
algo que nunca vinha,
entregue a seca dos sentimentos,
bebendo a pouca saliva...
Foi quando a forte ventania
se apoderou desse momento
e fui medicada com (urtigas).
Acordei sob outra erosão emocional
(leia agora meu ex)
entre securas de um tempo,
simplesmente
letal.
26 de junho de 2014
Transpiração
Suzette Rizzo
Ai, para com isso,
ninguém gosta de sangue
exceto morcegos e
vampiros.
Ninguém gosta de limbo,
nem canibalismo.
Para com isso,
sai do precipício,
do frio, do frio.
Se embrenha por lá.
no matagal,
vá plantar caraminholas
nas moçoilas do arredor.
Pára de ser o que não é,
de dizer o que não quer,
faça por ti o melhor.
Depois de um tempo,
tua poesia não sangra,
não credita,
nem dá nó.
April 13, 2014
23 de junho de 2014
Maior
que tudo
Suzette
Rizzo
Maior
que a dor da saudade
a dor da ausência,
do olhar carinhoso
as vezes malicioso
pedindo indecências
Maior que a falta
a solidão constante,
a alma em frangalhos
e o escárnio do futuro
em branco,
sempre solidário.
Maior que o instante passado
revivendo a vida do corpo,
é a luz invadindo meu espaço,
constância alentadora
piscando a visão plasma..
Meu sustentáculo !
22 de junho de 2014
Ajustamento
Suzette Rizzo
Será que Deus reconhece aquele
que distingue culpas?
Talvez eu tenha analisado muito,
amadurecido mais, talvez isso!
Quem sabe a fé que era morta
e reviveu com força total!
Sei apenas, estacionei por aqui
neste lugar sombrio
e meus sonhos criaram asas
Até mesmo esqueci a raiz
dos meus princípios.
Mas, procurei de fato
arrancar do fundo
a coerência das respostas
àqueles questionamentos.
E o exterior então,
não mais me agrediu.
Ouvi a Luz, Mãe da alma,
compreendi a justiça (maior bem)
quando ela retirou a venda
e abraçou minha causa.
Fomes
Suzette
Rizzo
Tenho
fome de vingança,
apetite
de raiva
fome
de emoção
anorexia
do meu dom.
Tenho
fome de amor,
de
gente, de abraço,
fome
de quem já se foi.
Tenho
fome do clarão em minha sala,
da
estrela meio Dalva
que
brilhava noite adentro.
Tenho
fome do bom passado,
dos
veraneios,
daquele
que era unguento.
Tenho
fome de vida, fome de sol,
dos
olhos de farol...
e mais que tudo da paixão fermento,
meu
girassol.
Melancolia
(III)
Suzette Rizzo
Tenho notado em mim
um tanto de loucura,
não só na noite alta.
O pensar embaralhado,
incoerências...
coisas que nunca importunaram,
mesmo estando a mente exausta.
Tenho chorado mais ainda,
até mesmo com minhas poesias...
Falado muito mais quando sozinha,
sido somente mortal
quando recordo meu passado
e me percebo em posição fetal.
Não quero morrer,
mas queria ao acordar,
estar simplesmente ressuscitada;
Com leveza no rosto
e alma
revigorada.
Sunday, March
04, 2014
Chuva de tristezas
Suzette Rizzo
Não posso permitir
que pedaços de tristeza
se alastrem como
formigas
e me devorem a alma
detida
Não posso permitir a
minha vida
o escancarar das portas
para que a ave que me
habita
retorne ao lugar de
origem.
Não agora... não agora!
Procuro esquecimento,
um breve relaxamento
(que seja)
uma latinha de cerveja,
o sono alheio as horas...
Preciso buscar o riso, a
piada,
a maciez da estrada...
Parar o aguaceiro,
de dentro e de fora.
21 de junho de 2014
Outra história
(II)
Suzette Rizzo
Olhos cravados em
algo
que ninguém via...
Alonguei o olhar no
rosto pensativo
tentando adivinhar
o turbilhão que ele sentia.
Um dia eu soube
a constância daquele
devaneio
e a causa do
desnorteio
visível porém
guardado
na alma e no peito.
Lembrava dos seus cães,
do carinho que não
teve...
Lembrava do dia da
adoção,
depois do frio na
calçada,
de quando botou
o pé na estrada
e sofreu,
sofreu tudo que
agüentou
da vida madrasta.
Conhecer-me não aliviou,
nada aliviava...
somente quanto
postava as mãos,
cerrava os olhos
e agradecia cada grão
que Deus mandava.
Então, adormecia como
fosse leve,
como se nada
preocupasse
como se a vida fosse
breve...
E se foi, com trinta
e sete.
Gosto
Suzette Rizzo
Gosto, quando a idéia flui mais fácil
e percebo-me dentro de coerências,
que nem acredito minhas...
E brota uma idéia bonita,
um acorde de palavras calmas,
que rimam e deslizam das profundezas
da minha alma,
talvez, boa alma!
Gosto, quando tuas mãos
tocam leve, qualquer parte de mim,
nestes sonhos solitários, malucos,
donos da papelada,
onde deixo idéias adentrarem
os sentidos,
buscando qualquer abrigo,
por entre os muitos véus
do teu ser encoberto!
Gosto, não sei, se da poesia
que o teu mistério oferece
ou do som em meu interior,
entoando a melodia
deste sentir retrocesso
e que tanto cresce!