23 de junho de 2014



Maior que tudo
Suzette Rizzo


Maior que a dor da saudade
a dor da ausência,
do olhar carinhoso
as vezes malicioso
pedindo indecências

Maior que a falta
a solidão constante,
a alma em frangalhos
e o escárnio do futuro
em branco,
sempre solidário.



Maior que o instante passado
revivendo a vida do corpo,
é a luz  invadindo meu espaço,
constância alentadora
piscando a visão plasma..
Meu sustentáculo !

22 de junho de 2014

Ajustamento
Suzette Rizzo

Será que Deus reconhece aquele
que distingue culpas?
Talvez eu tenha analisado muito,
amadurecido mais, talvez isso!
Quem sabe a fé que era morta
e reviveu com força total!
Sei apenas, estacionei por aqui
neste lugar sombrio
e meus sonhos criaram asas
Até mesmo esqueci a raiz
dos meus princípios.
Mas, procurei de fato
arrancar do fundo
a coerência das respostas
àqueles questionamentos.
E o exterior então,
não mais me agrediu.
Ouvi a Luz, Mãe da alma,
compreendi a justiça (maior bem)
quando ela retirou a venda
e abraçou minha causa.
Fomes
Suzette Rizzo

Tenho fome de vingança,
apetite de raiva
fome de emoção
anorexia do meu dom.
Tenho fome de amor,
de gente, de abraço,
fome de quem já se foi.
Tenho fome do clarão em minha sala,
da estrela meio Dalva
que brilhava noite adentro.
Tenho fome do bom passado,
dos veraneios,
daquele que era unguento.
Tenho fome de vida, fome de sol,
dos olhos de farol...
 e mais que tudo da paixão fermento,
meu girassol.
Melancolia
(III)
Suzette Rizzo

Tenho notado em mim
um tanto de loucura,
não só na noite alta.
O pensar embaralhado,
incoerências...

coisas que nunca importunaram,
mesmo estando a mente  exausta.
Tenho chorado mais ainda,
até mesmo com minhas poesias...
Falado muito mais quando sozinha,
sido somente mortal
quando recordo meu passado
e me percebo em posição fetal.
Não quero morrer,
mas queria ao acordar,
estar simplesmente ressuscitada;
Com leveza no rosto
e  alma revigorada.


 Sunday, March 04, 2014



Chuva de tristezas
Suzette Rizzo

Não posso permitir
que pedaços de tristeza
se alastrem como formigas
e me devorem a alma detida
Não posso permitir a minha vida
o escancarar das portas
para que a ave que me habita
retorne ao lugar de origem.

Não agora... não agora!

Procuro esquecimento,
um breve relaxamento (que seja)
uma latinha de cerveja,
o sono alheio as horas...
Preciso buscar o riso, a piada,
a maciez da estrada...
Parar o aguaceiro,
de dentro e de fora.

21 de junho de 2014

Outra história
(II)
Suzette Rizzo

Olhos cravados em algo
que ninguém via...
Alonguei o olhar no rosto pensativo
tentando adivinhar
o turbilhão que ele sentia.
Um dia eu soube
a constância daquele devaneio
e a causa do desnorteio
visível porém guardado
na alma e no peito.
Lembrava dos seus cães,
do carinho que não teve...
Lembrava do dia da adoção,
depois do frio na calçada,
de quando  botou o pé na estrada
e sofreu,
sofreu tudo que agüentou
da vida madrasta.
Conhecer-me  não aliviou,
nada aliviava...
somente quanto postava as mãos,
cerrava os olhos
e agradecia cada grão
que Deus mandava.
Então, adormecia como fosse leve,
como se nada preocupasse 
como se a vida fosse breve...


E se foi, com trinta e sete.


Gosto
Suzette Rizzo

Gosto, quando a idéia flui mais fácil
e percebo-me dentro de coerências,
que nem acredito minhas...
E brota uma idéia bonita,
um acorde de palavras calmas,
que rimam e deslizam das profundezas
da minha alma,
talvez, boa alma!

Gosto, quando tuas mãos
tocam leve, qualquer parte de mim,
nestes sonhos solitários, malucos,
donos da papelada,
onde deixo idéias adentrarem
os sentidos,
buscando qualquer abrigo,
por entre os muitos véus
do teu ser encoberto!

Gosto, não sei, se da poesia
que o teu mistério oferece
ou do som em meu interior,
entoando a melodia
deste sentir retrocesso
e que tanto cresce!
Colapso
Suzette Rizzo

Este mundo
em que as vontades se envergam
como galhos das arvores
nas tempestades,
consome qualquer habitante.
Mundo aclive
em que eu pelo menos
rolo abismos
e sempre caio de onde estive.

Mundo ardido de fogueiras...
e o coração pobre coitado
fatalmente fulminado.
Pergunto-me por que
não passa logo uma nave
e me tira da ilusão-entrave;
Melhor é ser abduzida.
Aguardo um extraterrestre,
ou um intraterrestre, sei lá,
que de mim se enterneça
e aperte os eixos da minha cabeça...
Ou então,
regule as hélices da minha vida,
para eu funcionar sem mais esta fadiga
de viver neste planeta.




Pensamentos de um feriado
(...e um dia, alguém cantou pra mim)
Suzette Rizzo


Vejo o meu mundo preenchido
de coisas materiais...
Olho em volta da sala,
de outros aposentos,
sinto falta de um ser qualquer
para conversar
e nem mesmo ouço a voz do vento.
Não é uma solidão como outras,
não uma simples solidão.
É um vazio totalizado,
sem remédio, sem família,
vazio cada vez mais intensificado.

Enxergo agora tudo tudo muito estranho!

O planeta parece gigante
e eu tão minúscula, indefesa,
entregue nas mãos do universo,
que não sei o que fará comigo
daqui em frente,
nem mesmo se cavarei de mim 
futuros versos.
Difícil sentir o interior tão deserto,
cercado de fases tristes 
e em tudo ver tolices, crendices,
ter consciência dos meus restos.


Suzette Rizzo_January 25, 2010

Pensamentos feridos
Suzette Rizzo

Reduzida, muda, tristonha,
caminho meio tonta entre as dores
que surgem
nas sombras da calçada.
Há uma vitrine
na lateral do bar da esquina
e nela, vejo alguém de face pálida.
Serei eu essa figura tão miúda,
relaxada?
Serão meus estes apáticos pensares,
negativos, moribundos
e o tropeção na sarjeta,
os pés na poça d’água...?
Corro do vidro e de outros mais adiante,
abaixo a cabeça envergonhada,
entro em casa...

Nunca mais caminharei pelas tardes,
nunca mais verei esta figura
nem mesmo no azulejo,

nem nos sonhos, nem metade.

20 de junho de 2014


SONHOS DE PAZ
Suzette Rizzo

Não impeça meu caminho,
eu quero cair na vala,
no abismo.
Não se interponha
e coloque as chaves nas portas,
decidi buscar outro destino.

Não finja esse choro desonesto,
conheço seus temores,
transformam-se em castigo.
Vamos, saia da minha frente,
seja uma vez decente
chegou sua hora de sofrer.
De preferência não deixe nada doer,
pois não vou olhar para trás,
pretendo correr, correr, correr...
Até desmaiar na calçada
ser levada por alguém
pelo atalho do mar.
E lá, afogarei este passado,
enterrarei nas areias
meus sonhos asfixiados.
Chega!
Chega de acordar meus
últimos sonhos,
de viver com meus cães,
solitária, mas em paz.



CREDULIDADE
Suzette Rizzo

Acreditei que quando se arrependesse,
traria de volta o meu sorriso
a lua em minha janela,
o mar em meus sonhos,
o suprir das minhas carências.

Depois, acreditei que quando voltasse,
trouxesse o final da melancolia,
do negrume das tristezas,
e flores pela casa,
em homenagem a nossa consciência.

Acreditei em tantas coisas!
Não senti qualquer verdade,
nem a mesma fortaleza no abraço...
E essas suas mentiras e omissões
mastigaram meu futuro,
envergaram meus poemas
para baixo.


CICLOS...
ou "gritos da alma"
Suzette Rizzo

Gritam neste silencio,
as vidas da minha alma,
todas gravadas e vinculadas aos
meus sonhos de sempre,
nesta longa e fria estrada. 

Impossível voltar atrás,
acertar erros canibalistas,
pirataria...
Não posso mais escorrer
entre as pedras,
almejar o reino que eu não era
e, contudo, seria. 

Posso sim,
caminhar em frente,
apontar para o alto a flecha
do signo em que nasci...
E o resto, o lado ferino, 
pequeno,
deixar para sempre aqui... 

Certamente, 
junto a meus ossos em pó,
alimento das vidas de tudo...
E posso viver mais
um ponto do ciclo
que um dia se fechará,
para  ser novamente, meu inicio.


Suzette Rizzo