28 de abril de 2014


Mitos
Suzette Rizzo

Fantasias desembocam
no imenso oceano das emoções,
mas os frios das profundezas
variam nas estações.
Quanto aos desejos,
flutuam sob as águas,
mas afundam
e a cobiça se afoga desamparada:
isenta de salvação.



E as lendas então?
se desmistificam  e de repente
sobram só águas paradas.
Concorda o quanto é lindo apreciar
a perfeição de esculturas que se amam?
Mas a arte exagera,
amor é finito, vive apenas nas estatuas.

E é fato, o autor em seus textos
poetifica maravilhas,
embora omita verdades...  
A arte, não imita tanto a vida,
menos ainda, a vida imita a arte!

Almas se enganam, se estranham,
nem são tão sábias,
os cérebros afinal são tão insanos!
Se fossem os imos ajuizados
não se inspirariam
no falso e pobre humano.

Mentem todos os que
odeiam amorosas ligações
e se ligam afirmando
encontros casuais,
Cedo ou tarde se abrem
exibindo certezas...
Que tolos são os amores carnais!

Além disso, é sempre mito a eternidade
em qualquer tipo de relação.
Meu poeta morto sempre disse:
“Na vida, o que mais existe é drible
e uma seta apontando

esquinas contra mão”.

27 de abril de 2014

Caminhante II
Suzette Rizzo

Fez parte do meu crescimento,
cada dor dos desencontros,
cada fase-escombro,
cada pranto, cada ombro.
Fez parte cada apego,
cada magoa por mais profunda,
cada experiência,
da alma milenar e una.


Fez parte o caminho,
as esquinas
e profundezas do abismo.
Faz parte da vida cada passo,
cada frase, época...
cada abraço... cada espaço,
todo e qualquer estágio,
mesmo este... AMÉM...
 descruzado.






Fim de linha
Suzette Rizzo

Da cozinha vem o cheiro da omelete
que ele gostava e parece...  
ouço aquele cantarolar espantador 
dos  meus medos de tudo.
 


Depois,
procuro no sofá as impressões
tateando almofadas,
tentando sentir a quentura do corpo
agitador da minha insônia,
gerador dos meus conflitos.


Fantasio,  fantasio...
Enlouquecida da fatalidade,
resistindo heroicamente
este meu tempo intranqüilo.

Vou até a cozinha,
quebro dois ovos,
corto rodelas de cebola
bem fininhas,
coloco a frigideira no fogo
e me empanturro do odor
e da saudade do amor
que chegou ao fim da linha.


Falsa impressão
Suzette Rizzo

Estava em meu canto
chorando meus mortos, 
recordando paixões,
a alma tristonha,
os olhos vazios,
a cabeça nas contas.
Um sonho me acorda,
outro sonho e mais outro
e esses sonhos se cruzam
tomando dianteira.
Não sei mais onde estava,
na verdade flutuava
bem longe daqui.
Quis viver, me perdi.
Também morro.
Morri.


Amor encanto
Suzette Rizzo


Se o encanto permanece,
permanece o amor,
o desejo e todo resto.
Se o encanto entontece
os pensamentos,
enfeita o olhar,
acende a emoção
e revigora o coração,
então o encanto é
o sentimento certo!
Mas se o encanto murcha,
a lágrima rola,
a indiferença se faz presente,
então foi fingimento

de interior de concreto. 
A PORTA CERTA
Suzette Rizzo

Nasce da minha ousadia
de escrever
um punhado de poesia.
Assim como nasce
de certas saudades
sonhos continuados,
porém reversíveis. 

Brotam de mim,
algumas poucas folhas verdes
na arvore das minhas vidas
pós outonais.
Sinto raízes fortalecidas,
novos conhecimentos
e que eu seja um dia o lado direito,
existência limpa dos erros cometidos
neste tempo.

Por ora, meu inicio é o poema
e o crescimento
e desvinculo-me do resto.
Meu gosto é ser poeta;
Adentrei a porta certa!




Abismo
Suzette Rizzo
Abre-se grotesco abismo
e para ele submergem
lembranças estilhaçadas
do grande amor.

E o tempo demolidor
vai sugando o azul celeste,
verdes campestres,
calor.

Congelam-se imagens,
passagens, aragem,
momentos iluminados...

Emudecidos de vez
os ecos  do passado
e o futuro do verbo ser


25 de abril de 2014

Musa
Suzette Rizzo

Alimento-me sim de versos,
alguns, um dia meus, hoje teus,
amanhã quem sabe de quem!
Depois, me enoja ter-me embevecido
com versos e palavras  artificiais,
somente palavras sem alma,
demais afetadas,
como muitas que ouvi e leio por aí.
Acreditas num poeta?
Na bebida dos astecas?
Digo-te: Ele se farta em pouco tempo
e em pouco tempo
estarão teus versos-rebento,
carcomidos, caçoados,
comentados com a próxima vítima,
hoje tua vez, embora penses o contrario,
Terás o troco,
ainda verei teus restos embolorados
e o nojo ao sacripanta,
na tua próxima semana santa.




Se eu fosse...
Suzette Rizzo

Se eu fosse uma atriz,
uma estrela cadente,
uma lua nascente...

Se eu fosse uma luz, uma nuvem,
se eu fosse uma alma
irmã do luar...

Se eu fosse uma gota
da chuva mansa,
se fosse a neve da Irlanda...

Se eu fosse uma flauta,
uma deusa egípcia,
uma lenda...

Se eu fosse uma cor,
se eu fosse uma nota
de algum musical...

Estaria mais viva
do que sempre estou.



Interior
Suzette Rizzo

Existe um mundo de sonhos
por dentro de nós...
Um mundo bem melhor,
onde a felicidade é rotina
e o brilho da paz
se esparrama pelo gramado
ao redor das casas
e espalha sorrisos nas feições.

Existe um mundo bom,
prestativo, irmão...
Contudo, somente quando a noite
despeja suas sombras

e as pálpebras cerram-se

24 de abril de 2014



Vontades da quinta feira
Suzette Rizzo

Queria a mente limpa
e preguiça de pensar.
Meu passado atropelado,
amores desbarrancados,
as vidas passadas, todas no entulho,
aquele sono esbranquiçado
perdido no oásis,
num canto qualquer do mundo.
Queria amassar meus poemas,
recomeçar,
ter outro anjo que soprasse
e cuidasse
dos meus versos  pré natal.
Queria em mim um espírito mais ativo,
menos amante das coisas pueris,
enfim, mais egoísta,  mais vivo.
Queria a mente limpa
pelo menos uns tempos,
longe de mim e qualquer fermento.
Nem mesmo pensar nas raspas

deste destino purulento.

Alma cor de vinho
Suzette Rizzo

Minha alma anda rude,
os pensamentos violentos.
O que vem a minha boca
é o que sempre esteve guardado,
causando dores no peito.
Não sei o que tenho,
só sei que é raiva incomum
algo que me tira dos trilhos
e me divide pelo meio;
Metade o que sou agora, 
metade bloqueio.
A alma anda transpassada
pela dor que me causa este  mundo
e eu que não xingava xingo,
que a tudo deixava passar 
hoje me vingo.
Moro metade cá metade lá,
perdida nos dois caminhos.
Mas o que de fato não justifica
é estar como sempre odiei;
Alma cor de vinho.


22 de abril de 2014




MUDANÇAS 
Suzette Rizzo

Não sou mais aquela que sonhou paixões,
ideais esperançados
de um comunismo liberado
unindo as nações.
Que horror!

Modifiquei-me, atingi a maturação...
Trouxe de lá o jeans,
mas nem tanto agarrado,
alguns livros que meu pai não queimou
escondidos no armário.

Sou a seqüela,
porém, de um caminho oposto
aquele,
contudo, um traçado sem gosto,
meio sonso,
um ou outro impulso
rumos mal calculados !

Deixo-me levar somente,
pelas energias,
sem mais lançar-me as magias
das nuvens cor de rosa...

Descrente das compensações divinas,
desalentada e febril,
ejeto a vivência impostora
pelas duas retinas ! 
Suzette Rizzo



20 de abril de 2014




QUEM   DIRIA!
Suzette Rizzo

Quem diria!
Teu sorriso pudesse se fechar,
tua simpatia se transformasse,
teu charme se acabasse,
tua postura fosse falsa,
teu coração fosse de pedra.
 
Quem diria!
Que aquelas frases  estudadas
fossem menos que nada.
Que o teu beijo esfriasse
e que esse amor por um fio,
se estendesse até aqui.

Quem diria!
Que os teus versos fizessem parte
da conquista,
que enjoasses tão rápido da nossa rotina,
que caísses fora tão feio
acordando meu sonho intenso,
por inteiro.

Quem diria!
Suzette Rizzo_2oo8

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