24 de abril de 2014



Vontades da quinta feira
Suzette Rizzo

Queria a mente limpa
e preguiça de pensar.
Meu passado atropelado,
amores desbarrancados,
as vidas passadas, todas no entulho,
aquele sono esbranquiçado
perdido no oásis,
num canto qualquer do mundo.
Queria amassar meus poemas,
recomeçar,
ter outro anjo que soprasse
e cuidasse
dos meus versos  pré natal.
Queria em mim um espírito mais ativo,
menos amante das coisas pueris,
enfim, mais egoísta,  mais vivo.
Queria a mente limpa
pelo menos uns tempos,
longe de mim e qualquer fermento.
Nem mesmo pensar nas raspas

deste destino purulento.

Alma cor de vinho
Suzette Rizzo

Minha alma anda rude,
os pensamentos violentos.
O que vem a minha boca
é o que sempre esteve guardado,
causando dores no peito.
Não sei o que tenho,
só sei que é raiva incomum
algo que me tira dos trilhos
e me divide pelo meio;
Metade o que sou agora, 
metade bloqueio.
A alma anda transpassada
pela dor que me causa este  mundo
e eu que não xingava xingo,
que a tudo deixava passar 
e hoje me vingo.
Moro metade cá metade lá,
perdida nos dois caminhos.
Mas o que de fato não justifica
é estar como sempre odiei;
Alma cor de vinho.


22 de abril de 2014




MUDANÇAS 
Suzette Rizzo

Não sou mais aquela que sonhou paixões,
ideais esperançados
de um comunismo liberado
unindo as nações.
Que horror!

Modifiquei-me, atingi a maturação...
Trouxe de lá o jeans,
mas nem tanto agarrado,
alguns livros que meu pai não queimou
escondidos no armário.

Sou a seqüela,
porém, de um caminho oposto
aquele,
contudo, um traçado sem gosto,
meio sonso,
um ou outro impulso
rumos mal calculados !

Deixo-me levar somente,
pelas energias,
sem mais lançar-me as magias
das nuvens cor de rosa...

Descrente das compensações divinas,
desalentada e febril,
ejeto a vivência impostora
pelas duas retinas ! 
Suzette Rizzo



20 de abril de 2014




QUEM   DIRIA!
Suzette Rizzo

Quem diria!
Teu sorriso pudesse se fechar,
tua simpatia se transformasse,
teu charme se acabasse,
tua postura fosse falsa,
teu coração fosse de pedra.
 
Quem diria!
Que aquelas frases  estudadas
fossem menos que nada.
Que o teu beijo esfriasse
e que esse amor por um fio,
se estendesse até aqui.

Quem diria!
Que os teus versos fizessem parte
da conquista,
que enjoasses tão rápido da nossa rotina,
que caísses fora tão feio
acordando meu sonho intenso,
por inteiro.

Quem diria!
Suzette Rizzo_2oo8

*Respeite os Direitos Autorais*




Ah! O amor
Suzette Rizzo

O amor brinca de tudo
De voar, inventar maravilhas,
buscar beijos escondidos nos sonhos,
entre as cores das ilusões,
nas entrelinhas e notas musicais.

O amor é um menino brincalhão
e nunca se sabe se esse guri
brinca de seduzir, faz teatro
ou se diverte travestido de estrela guia
imantando o alvo no olhar.

O amor é uma coisa boa e muito má.
Algo que também enjoa,
se perde nos dias do calendário,
vai pro lixo como papel picado
e as vezes permanece
com nariz enorme de palhaço.

Ah! O amor tem duas caras, dois tempos...
e projetos que despertam
vontades de tudo ou de nada.

O amor é uma bolha
que explode desejos
ou implode e nem deixa marcas.


Autora:Suzette Rizzo

Imagem by Vilgata

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19 de abril de 2014


Percurso
Suzette Rizzo

Quis fugir dos frios da vida
e cai no Geena,
onde incessantemente me puxam
para a fogueira
as almas nocivas.



Não tenho mais recursos
para me libertar dos ardis.
O rio tempo faz seu percurso
e desemboco sucessivamente
no escuro

e na boca dos vis.

18 de abril de 2014

ALMA TRITURADA
Suzette Rizzo


E os anos correm
velozes como um cavalo
solto no prado.
Nunca mais pude rir
de coisa alguma,
tamanhos foram os
malefícios
a mim dirigidos...
todos como um raio! 

A minha poesia é custosa...
a boca é seca...
e o mar revolto da
minha alma,
faz de tudo que penso
um cofre fechado a senha,
para que eu não exponha
este declínio ferrenha. 

Nem sempre vivi assim,
trancafiada dentro
da minha concha,
deixando tudo escapar
pelas portas deste destino
que não posso mudar,
nem brecar. 

Ouço o mundo gritando
despudores...
assisto a decrescência de todos
e seguro nos olhos
a lua nova...
Para que meus dias
se alimentem
da luz em desova. 

Fugiu a sensação do riso...
e o que alastra é martírio,
muitas perdas...
e as letras, cujos dedos
enrijecem,
para que eu me perca! 

Estou exausta dos conselhos
teóricos...
Desta íngreme ladeira
que me tira o fôlego...
Exausta da ausência
de melhor poesia...
De cada tentativa falha...
Da companhia deste carma . 

E a minha alma empacada,
teimosa feito mil asnos...
não desata !



17 de abril de 2014

A OUTRA FACE
DO COTIDIANO
Suzette Rizzo

O cotidiano abre feridas
nos olhos da alma,
nas horas da vida
e, impossível é não vive-lo.
O cotidiano é um jardim da infância,
os olhos prontos as descobertas...
Quem não for sensível demais,
passa de ano,
quem for, estaciona
por medo de enxergar
coisas concretas.

Amanheço, temendo abrir os olhos
para o mundo...
Desviando-os para o alto,
procurando o sol, a natureza,
fechando-os às criaturas,
aos vizinhos quintais
das asperezas...
por que o cotidiano espanta,
trás más surpresas.

Por isso, minha alma calejada,
se ouvir um gemido de bicho ferido,
faz-me correr para salva-lo...
mas se ouvir um grito humano,
passo a salvação às  mãos de outrem
e tapo os ouvidos para não escutá-lo.

O cotidiano mostra a vida como é...
tira máscaras, arranca expressões,
desilude o coração, mata ilusões...
E eu descobri o quanto dói
andar pelas mesmas ruas
e, notar nas mesmas caras simpáticas,
almas sarcásticas,
sorrindo mentiras da alma suja.
Suzette Rizzo


20 Segundos
                   Suzette Rizzo
 
 
Em 20 segundos  
desorientei-me,
enlouqueci,
desfaleci... 
Fui cruelmente atirada
por cima da muralha
de um mundo que jazia
estagnado
para outro deteriorado
 
Em 10 segundos acordei
olhei em volta,
percorri o passado,
caminhei pelo futuro,
exterminei-me.
 
Em 5 segundos
chorei
gritei
morri
renasci
sorri
dancei ...
venci.
              Suzette Rizzo
 

A dor dos erros

A dor dos erros
Suzette Rizzo

Erros malditos os meus,
planando sobre minha cabeça,
tomando forma de insetos asquerosos,
saciando seus órgãos esfomeados,
dos meus atos cancerosos. 

Cresceram dentro da alma,
estouram gritos de remorsos
e eu, apenas repudio-me,
por feitos e mal feitos,
estremecendo meus ossos. 

Piranhas interiores,
rasgam meus pensamentos,
comem do meu banquete,
bebem das minhas mágoas,
submergem em minha alma,
soltam seus excrementos. 

Erros malditos, purulentos...
negando-me sonhos claros,
enclausurando-me a tormentos...
E eu, pecadora sem perdão,
deslocada entre azuis,
ardo-me neste incêndio.
Suzette Rizzo


15 de abril de 2014

A lei do acaso
Suzette Rizzo

Aquele que é par,
mora num corpo escorregadio,
nos erros do livre arbítrio,
na caixa das provações.

Atrai por vaidade,
seduz com orgulho,
mas, chora a consciência
e todas as culpas,
da fria realidade. 

É lua, sombra, sal,
mas veste-se de sol,
enganando assim as almas,
daqueles que enxergam
só visual! 

Aquele que é par,
deduzi, veio por acaso
morar na minha intuição.
Depois concluí, teria que vir,
teria que ser e seria,
o ruim da minha lição...
O mal que vem prá trazer
evolução! 

Ergui-me da queda
dolorida, intimidada,
mas, capaz de reconhecer;
Que o acaso era lei,
que o efeito era o fato
e nada se colhe,
se Deus não quiser!

Suzette Rizzo

















Único amor
Suzette Rizzo

Passou por mim como brisa
e refrescou a aura febril,
depositando em minha boca
o sorriso perdido.
Iluminou, assim como o luar
prateia a rua
feito raios de sol que se alastram
ao despedirem-se da lua...
Então, aqueceu esperanças,
abrindo um novo caminho
para eu prosseguir.
Transformou-se em grande árvore
sombreando meu cansaço,
ninando o insone passado
esquecido de dormir. 
Foi o filho pra eu ter cuidados,
afagar, fazer mimos...
e sentir-me simplesmente útil.
E foi pai
para proteger-me do mundo
aconselhar-me com sabedoria
afastar-me das rapinas...
Tornou-se sonho para seguir-me
de modo sutil,
ser par da alma minha.
E foi anjo lindo, doido,
príncipe e amigo,
Apolo e arcanjo,
meu único amor.

Suzette Rizzo _ 30 12 2000

Uma pergunta que rendeu poesia.

Suzette Rizzo

De certa forma, neste momento,
orgulho-me, sim !
Não do ser desastroso que sou,
não da história que rolou,
mas da minha poesia.


Nela solto com detalhes
a alma enxovalhada,
os amores ordinários
e aqueles que são parte
da poesia inacabada.


Não que use a poesia
para emendar meus pedaços,
dedilhe meus segredos
no teclado
como escape.


Sou mesmo um livro aberto
e não me importo com comentários
se choram ou gargalham
a respeito do que exprimo.
Jamais reprimo!


Sempre fui assim:
Apenas o que sinto!
E é o livre arbítrio da alma
que escreve por mim.


Fazer o quê?
Sou poeta, sim!


Suzette Rizzo