17 de dezembro de 2013

O príncipe
Suzette Rizzo

Tenho procurado, procurado tanto
alguém que se encaixe nesta alma,
então retorno no tempo e talvez encontre
no ontem
quem antes não percebi.
Até nos diários busco
e sem vontade de rir juro que rio.
Deus meu! Como a gente se engana,
se confunde, anda na corda bamba,
cai, afunda, levanta...
Tenho procurado tanto!
Alguém que tenha tristeza no olhar,
serenidade na voz, mansidão nas palavras
doçura na alma...
Encontro afinal, mas que pena!
Por um item não se encaixa,
o príncipe das Madalenas.

December 13, 2013



15 de dezembro de 2013

Posse
Suzette Rizzo

Lilith se apossou da metade da alma dele,
desse alguém indecifrável,
vampirizador  de qualquer sentir otário.
Sugou-me tanto, tanto,
mas então, como parte de mim se despedaçou,
julguei ter sido a volta do mago asteca.
Porém, já não me cercam anjos, nem azuis...

O que me cerca é algo infeccionado
borbulhando pus.
A voz que ouço dói, não mais encanta
e as palavras não se juntam
nem meu corpo se balança.
Lilith leva a cada dia mais e mais
a alma dele
para a cama onde ela sangra.

Fico de fora sentindo odores contaminados.

Ingiro o final das minhas alucinações,
escorregando a alma culposa pelo umbral.
O peito aperta, o coração dispara,
o ar não vem,
quando imagino Lilith corroendo a carne,
de quem já foi meu maior bem


Friday, December 13, 2013

14 de dezembro de 2013

Desacoplamento

Suzette Rizzo

Não sabes,
mas minha apaixonada alma fecha as portas
e durmo agora no jardim das coisas mortas,
isolada das tuas palavras inventivas.
Embaraçada permaneci amarrada à vida,
recebendo carinhos fingidos
todos que eu não quis.
Difícil saber e calar,
receber insignificâncias,  ouvir tolices,  
engolir 'cachorrices'
como diz a poetisa que vibra
reluzindo esmeraldas.
Não sabes,
mas entre meus escuros, brilho,
claro que brilho!
Repenso o remendo dos trilhos,
defendo-me, é preciso
e mesmo diminuída em ti
e minguando-te aqui,
permaneço corpo e essência limpos.
Nada mais saberás de mim,
porque viveras no teu limbo.

Sunday, December 15, 2013


Inversão
Suzette Rizzo

Saiu-se sempre melhor
o ladrão, a má conduta,
todo aquele mais astuto.
Invisível aquele bom caráter
e toda humildade e toda cultura.
Isto aqui é o planeta azul!
Entre adornos esmeraldas,
águas em degradê,
estão os perigos, a crueldade
de quem mata tantas vidas
pra comer.
Saiu-se sempre melhor a falsidade,
bem melhor que a alma clara.
E a serpente que come o rato
vale mais que o rato a comer baratas.
Isto aqui é o planeta azul!
Dor da cruz,
alimento pus...
agulhadas e outros dores
sob o reflexo do azul.
Saiu-se sempre melhor o diabo,
que os seguidores de Jesus.
December 9, 2013



11 de dezembro de 2013

Ponderações
Suzette Rizzo

Desenham-se algas flutuantes
em meus olhos perdidos,
nos mares da vida.
Em pensamento abro um caminho
na vegetação que avisto,
em pensamentos me sento nas pedras
da Ilha Porchat
mas não passo nada a limpo.
Em pensamento, me dou às lágrimas ardidas,
entre rascunhos escondidos ou  escancarados
e levo-me para dentro da concha e me encolho
entre coisas que sinto.
Em pensamento sou apenas vontades,
equívocos, ideais tão pretensos!
E bom que eu seja também
um desenho inanimado e picotado
nos seus pensamentos inautênticos


Suzette Rizzo _ Monday, December 09, 2013

6 de julho de 2011



 
Sempre rainha
Suzette Rizzo
 
Escureço pensamentos
tentando expulsar
a inegável saudade.
Mas ela surge cercada de néons,
entre cenários iluminados,
em seu posto de rainha,
forte... dominadora...
eterna ditadora !

Embrenha-se a força nos sonhos,
pensamentos, nos livros que leio,
nas poesias que escrevo,
na poesia dos outros,
nos jornais, nos filmes
e  propagandas;
lá vem ela, com seu cetro mágico
fabricando espinhos.

E o pior é que
nem rasgando a alma sái;
esse espinho penetra,
dói... e dói... e dói
por toda a minha eternidade.
Acho que nem mesmo
a morte o expelirá,
esse aguilhão da saudade.
   
Suzette Rizzo _ 05.09.2004