10 de dezembro de 2017

Lufadas – Suzette Rizzo


Debaixo do planeta flutuante o cosmo
maravilhosamente perfeito!
E um ateu de merda me diz
não crer absolutamente em nada.
Penaliza-me essa afirmação primária,
primitivamente expelida
como escarrada.
E eu que procurava em meio à tantos
filosofia sensata,
voltei a realidade, carregando meu bloco
com páginas vagas.

Suzette Rizzo - December 5, 2017



Saimento - Suzette Rizzo



Nunca mais um sonho
bom ou mau,
nem sono profundo,
corpo relaxado,
paixões, amor imortal...
Será besteira tudo isso?
O amor quando existe brota na pele
e morre com ela.
Se existiu ficará oculto entre as rugas,
na transformação das estações
e das tantas luas.
Nunca mais sonhos despertos
ou desmaiados.
Sinto agora a secura da vida,
a essência quase desnuda,
nestes dias entrecortados
de sustos e soluços

Suzette Rizzo
September 18, 2017






Nota - Suzette Rizzo




Sempre rende poesia;
Qualquer falta de ar,
qualquer visão chata.
Sempre rende um bom raciocínio,
um filosofar mui pensado
em qualquer conversa fiada.
Sempre rende,
qualquer pingo de chuva na vidraça,
qualquer tom crepuscular,
qualquer senciente que passa.
Sempre rende...
E é comigo que sempre aprendo,
porque além de observar
penso!
Suzette Rizzo - December 7, 2017 

Sencientes ("sensibilidade dos animais.
Sofrer, sentir prazer, dor, tristeza, amor, magoa, saudade, felicidade)..."









7 de dezembro de 2017

Estação Paraíso – Suzette Rizzo



Um passo mau dado,
um frasco de perfume enjoativo,
ares pensativos que dizem tudo,
e, mais uma história desgostosa,
guardada na alma, no fundo!
Mas, ao mesmo tempo que transtorna a essência,
dilata futuras esperanças
de algum outro abraço mais firme,
e afinal, inda libera poesia afogada,
mal pintada, simultânea...
Enfim, quites!

Suzette Rizzo - December 5, 2017



Arrancando mato – Suzette Rizzo



Catastrófica solidão forçando papo furado
nos grupos de discussão,
cuja gente é fútil, desvinculada de seriedade,
isenta de emoção.
Dá vontade de correr da terra,
chamar um óvni na noite escura,
oferecer-me aos aliens a ser levada,
e, quem sabe, no interior do objeto,
eu ouça sábias palavras.
Desastrosa carência!
E não encontro entre milhões alguém par
da minha necessidade 
de simplesmente... ideias trocadas.

Suzette Rizzo -December 5, 2017


2 de dezembro de 2017

Coisas inexplicáveis - Suzette Rizzo



Meus olhos sonharam teus olhos
vazios de sonhos de amor.
Meu tédio deixou no teu tédio
mais noites sem cor.

Estivemos entre nossos momentos
como fossem tormentos
misturados a um todo incolor.

Apenas te deixaste ficar
permitindo-me estancar
um passado que me frustrou.

Valeu!

Sentou-se a meu lado,
chorou emoções e foi par 
na tristeza e na dor.

E eu?

Empurrei-te para trás,
alimentando a saudade
do teu ex amor.

                   Suzette Rizzo


Confinamento - Suzette Rizzo



Como um judeu em tempos nazistas,
o pânico aflorado,
olhos apavorados, olheiras profundas,
tensões  destrutivas,
vejo a minha casa bombardeada,
o tempo escurecido
e eu desprotegida dos meus escudos,
escorregando mais e mais,
pelo limbo do futuro! 
Estou esfolada, destruída,
o sorriso morto,
a boca emudecida,
sentidos todos atordoados,
olhos baixos, colados no chão,
somente temerosos deste mundo! 
Nem mais abro a janela como antes,
quando procurava paz nas estrelas
e dopava-me, assim observando janelas vizinhas,
admirada da vida alheia! 
Volto-me apenas à saudade
daquele bom samaritano,
alentador do horror deste carma feio
de viver sem opção
e, além de tudo, isolada dele,
único ser que amo!

Suzette Rizzo (Escrito em 94)


1 de dezembro de 2017

Curiosa Força - Suzette Rizzo




Mesmo que o desejo se canse
o pensamento chama,
o sonho atrai
e o imã traz a salvo
o alvo do tal pensar.

Mesmo que o pensamento
se feche,
a sensação sentida
puxa do seu canto,
quem  sentiu
estranho encanto.

Mesmo que o amor se cale
não há escape para outro
e ele vem, seja como for...
Na vigília, no sonho
ou em carne e osso.

Curioso!

Suzette Rizzo



29 de novembro de 2017

Recordações mais caras - Suzette Rizzo



Brincavam de carência e entrega
aquele par de olhos celestes,
cintilando estrelas ao redor da íris...
como o sol encerrando  sua trajetória
caindo lento sob a terra.

Carimbaram-se em minhas visões
aqueles círculos azuis,
quando sonolentos da exaustão diária
descansavam a meia luz.

Guardo-os entre as recordações mais caras,
lembranças mornas e amigas
que vez ou outra ressurgem,
passeando por meus pensamentos
como estrelinhas crepusculares,
inundando minha alma tristonha...

Saudade aguda, do amor maiúsculo
que deu em nada.

Autora:Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados





Art - Monica Puccinelli - Poesia-Suzette Rizzo

PRESENTE LINDO DA MINHA AMIGA MONICA PUCCINELLI

 OBRIGADA 


Asperezas - Suzette Rizzo




Tão áspera a carência
quando se junta a solidão!
Tão mágica a imaginação do poeta,
buscando companhia nas faces da poesia!
Sonhos vagam por todos os cantos
a espera talvez de sons acalentadores,
imagens claras na tela mental,
busca frenética de anjos, amores...
Apenas ouço o agoniado grito dos meus restos,
transtornado grito de socorro alado.

Eu sei, devo expirar, 
esta persistente inspiração que te suga o ar!

Suzette Rizzo - November 27, 2017








Equívoco - Suzette Rizzo





Saudades caducas,
tentando alumiar fracas lembranças,
ontem ilusões maciças,
flechada única de um querubim cascudo
e seus desejos rudes, sei lá!
Desmemoriados sonhos arriscando azuis
que se tingiram das cores chumbo,
levando pra longe um tempo mescla,
na verdade venenoso fungo.
Saudades equivocadas;
Foram enchentes na alma!
Como todo e qualquer sentimento
que guardei do mundo!


Suzette Rizzo - November 29, 2017


28 de novembro de 2017

Pensamentos de uma manhã beira mar - Suzette Rizzo



Manhã grisalha ,
mar desbotado,
e eu, interiormente desconsertada.
Nem sei o que senti
sentada ali num banco de praia,
longe de casa,
sozinha,
vivendo uma situação atípica.
Entretanto, naquele dia,
aprendi a enxergar
a realidade do banal,
a futilidade dos seres
e outras coisas mais.
Entendi!
Cresci um pouco pensando profundo,
quando perdi meus olhos
na imensidão do mar.


Suzette Rizzo_ December 05, 2009

Verdades - Suzette Rizzo



Lentamente teço estes meus versos,
e as vezes desfio palavras
sentindo-me balançar 
nos braços do sonho mar...
Abandono-me a essa magia!
Só não minto nem escrevo o que não sinto
nem recolho o choro se tiver que chorar,
o que faço de errado de fato
é um meio sorriso pra disfarçar.
Deposito versos na folha em branco
ou digito no Word, tanto faz...
E assim, literalmente desabafo,
quando em quando estes meus ais


Suzette Rizzo - April 03, 2011 


27 de novembro de 2017

Transgressão - Suzette Rizzo



Será que me ouves como eu ouço tua voz em sonhos,
que sabes o quanto sinto esta saudade imensa,
será que me vês quando a inspiração se achega 
e te escrevo estes  poemas?
Queria que este intercâmbio nos unisse sempre,
que meus pensamentos te alcançassem,
que a minha alma te abraçasse
e mais que tudo quero muito que me lembre!
Paro os olhos na última vez que nos vimos
e teu depois, imagino, compreendendo mais agora
o sol que foste para tantos...  
e compreendendo também aquele rio de corredeira
a mim descrito.
Será que sabes da minha solidão?
Será que sabes das minhas desilusões
semelhante as tuas
e que sofremos as mesmas aflições?
Olha, te faço poemas porque lembro do sonho que tive... 
e nele me pedias com o olhar que te deixasse seguir
e não te chamasse... Não esqueço!
Gravei a expressão da tua face!
Mas, será que escrevendo desobedeço?


Suzette Rizzo - November 28, 2017


Presente da minha amiga Monica Puccinelli






26 de novembro de 2017

Charles Aznavour - Ontem quando eu era jovem




Ontem, quando eu era jovem,
o gosto da vida era doce como a chuva na minha língua,
eu brincava com a vida como se fosse um jogo tolo,
do modo como a brisa da tarde pode provocar uma chama de vela;
Os mil sonhos que sonhei,
as coisas esplêndidas que planejei, eu sempre construí,
infelizmente, em areia fraca e movediça;

Eu vivi de noite e evitava a luz do dia
e só agora vejo como os anos fugiram.

Ontem, quando eu era jovem,
tantas músicas bêbadas esperavam para serem cantadas,
tantos prazeres rebeldes ficaram na loja para mim
e tanta dor meus olhos deslumbrados se recusaram a ver.
Corri tão rápido que o tempo e a juventude finalmente acabaram,
nunca parei pensar sobre o que era a vida
e todas as conversas que agora posso lembrar preocupavam-se comigo,
comigo e nada mais.

Ontem a lua era azul,
e todo dia louco trouxe algo novo para fazer,
usei minha idade mágica como se fosse uma varinha
e nunca vi o desperdício e o vazio além

do jogo do amor que joguei com arrogância e orgulho
e cada fogo que acendi rapidamente, morreu rapidamente;

Os amigos que fiz pareciam de alguma forma fugir
e só sigo no palco para terminar a peça.
Há tantas músicas em mim que não serão cantadas,
sinto o gosto amargo de lágrimas na minha língua...
Chegou a hora de pagar por ontem, 
quando eu era jovem
Charles Aznavour 

20 de novembro de 2017

Somente do mato – Suzette Rizzo



Sei do lobo,
da exibição das suas presas,
da esperteza do olhar atento,
da fome e da luta,
da solidão amarga na mata escura.
Sei do lobo
com seus pelos descuidados,
intestinos adoentados...
penso tanto neles, sabe?
Choro então, agro e salgado.
Pobre cachorro do mato, 
sem carinho nem abraço! 
                                   Suzette Rizzo 



19 de novembro de 2017

Tormentos – Suzette Rizzo



Mortifico-me,  
assim atolada em desesperanças,
ajoelhada em meu quarto,
pedinte de graças,
aguardando agasalho,
de abraço abstrato.
Não durmo...
Uma avalanche de perguntas medrosas
sufoca sonhos e as prosas
jogadas na gaveta.
Um ciclone de duvidas intermináveis
já secou tintas de tantas canetas.
Para mim chega de existir 
neste sofrido planeta!
Agora é dormir e acordar borboleta!
                                      Suzette Rizzo