30 de setembro de 2017

Expiação - Suzette Rizzo


Morrem palavras e versos da minha poesia 
e consequentemente sucumbe comigo,
a vontade de externar o imo.
Ingiro veneno
e o vento não refresca o ardor
nem a agua alivia a queimação.
Enxergo-me dentro de uma poesia
dolorosamente suplicando justificativas 
à esta sobra.
Enquanto estrelas procriam luzes
meus sonhos agonizam,
sem que eu possa desopilar de mim
o que o mundo me causa

Suzette Rizzo - April 23, 2017

















Isolamento - Suzette Rizzo


Ninguém lá fora,
nem chuva, nem lua,
latidos, miados,
ruflar de asas...
Ninguém aqui andando pela casa,
falando ao telefone,
ouvindo um som do Tim Maia...
Ninguém, nem meus fantasmas!
Ninguém pra esperar na madrugada,
nem amanhã, nem depois,
como foi um dia.
Nenhuma companhia, triste ou divertida.
E nem ao menos, dá pra trocar a marcha,
mudar de vagão, pular este trilho,
chegar noutra vida!

 Suzette Rizzo - September 28, 2017

Minha obra - Bárbara Paz


Pinceladas de barro cor da pele cobrem minhas cicatrizes como um carinho
Todas as manhãs antes de me iludir com a vida,
Lavo no escuro adocicado minhas pequenas pupilas
e escorrego o sabão nos cílios da pequena boneca
Cubro a alma com uma pitada de lápis nas sobrancelhas finas,
faço as ficarem bem grossas com o perfil de misteriosa...
Minhas mãos já sabem de cor a forma de cada olheira...
Profundas de tanta chuva que tomou
É como se cobrisse minha alma todas as manhãs,
É como se a mim /só eu conhecesse...
Quando estou definitivamente uma pintura de Basquiat
Olho-me no espelho e o que vejo?
Um touro, uma donzela, um inseto, uma traça, um sonho!
Não sei bem se vejo ou deliro, mas crio coragem e abro a porta.
Quase sempre venta e lacrimeja
Coloco a bagagem nas costas
E de costas me olho mais uma vez no espelho
Sim, agora estou pronta!
Mensageiros do destino me perdoem,
tenho pressa, saiam da frente!
Que meu cansaço derrete meu barro e a escultura cai
Tenho pressa...
minha vida é passageira e meu escudo de pele ???, Moldado por cicatrizes

Quando chego em casa,
sento, tiro os sapatos, calço minha essência e choro.
Quando a obra facial se desfaz,
Coloco as mãos sobre o rosto e sorrio,
Acendo uma vela, abro a torneira
E lavo minha alma,
Agora nua. 
(Autora - Bárbara Paz)
Imagem - Basquiat







Estupidez!!! - Suzette Rizzo


Pura estupidez!
Sonhar azul entre cores campestres,
sentindo a suavidade melódica da alma,
entre beijos com gosto de camomila....
Quanta idiotice,
sonhar inspiração crescente,
eu, mais que nunca poeta,
tu, a minha poesia.
Pura estupidez!
Nesta altura da vida,
depois de tantos reveses
e tanta injustiça,
sonhar calores, sol de verão,
beijos na rede,  mãos dadas,
corações iguais no batuque,
via limpa, sem contra mão!
Que estupidez!
Ter na lembrança um verso incompleto
e mais uma traição!



Suzette Rizzo - September 29, 2017


























29 de setembro de 2017

Aprendo - Suzette Rizzo


Aprendo a distinguir pessoas,
classifica-las,
banir do coração,
quase todos,
os que fizeram meu ser de tolo.

Mas esta sensação não aplaude 
nem corpo, nem alma,
nem se abre em poemas.
Somente faz deste coração sensível, 
um pobre coitado que mal se aguenta, 
assim vazio de bons temas.

No entanto, as ilusões se afogaram
nas lagoas mesmo rasas,
consequência do amor sem alma.
Agora, a maré de sonhos anda baixa,
a saudade é fraca
e maiores são os danos, dura a causa,
da verdade que se encaixa. 

Suzette Rizzo_ August 07, 2003




O outro lado do amor - Suzette Rizzo

A fome do amor
me fez comer humilhações,
esmolar ilusões,
inchou meus olhos ardidos,
atirou meus rebotalhos
ao sereno das madrugadas...
Tomou conta desta alma
atormentada, enfeitiçada.

A sede de amor
me fez beber do fel das falsas verdades
e dos meus propositais enganos.
Fez-me engolir mentiras
imaginando lógicas explicações...
Fez-me idolatrar um coração de pedra,
como se indiferença fosse carinho
e jeito rude causasse emoção.

As coisas do amor
fizeram da minha alma indigente.
Como um cão sem dono chorando na noite gelada,
sem mãe e sem colo,
sem ninho, esperanças.

As coisas do amor
adoeceram sonhos futuros,
arraigaram-se à minha árvore
apinhada de más lembranças

Aquela cobra venenosa,
feriu mortal,
matando em mim a criança,
a palhaça, a mulher.
Deixou a dor tomar conta,
apagar todas as cores,
murchar todas as flores,
ser o que nenhum outro quer.
 
Autora: Suzette Rizzo 
2004
Todos os Direitos Reservados



















Sou assim ( II ) - Suzette Rizzo





Catadora de misticismos,
investigadora do meu íntimo,
amante das minhas explorações,
escrevedora do que sinto.
Não sigo à risca a palavra alheia,
creio em minha consciência,
acho a saída de labirintos,
arco todas as consequências.

Meu pensar não teme os trampolins.
Sou assim, dona de mim!

Suzette Rizzo
May 23, 2017





25 de setembro de 2017

Destino - Suzette Rizzo

E vem a resignação quando a luta é vã.
A mágoa, quando a carga pesa a alma...
O conflito, quando o grito se perde
e a fé vacila e decresce . 
Insana estou e insana prossigo,
se a dor de tudo vem comigo.
Já não existem esperanças
neste prosseguir aflito. 
Ah! Se pudesse fugir nas asas de um sonho,
flutuar um pouco por um destino são,
talvez retornasse com outra visão. 
Mas, como serão eles,
esses tais sonhos que já não lembro!
Há tanto tempo ando insone,
há tanto tempo estou só,
com olhos arregalados,
atada a mil nós! 
Poderia parir soluções, pelo menos...
ou criar bons poemas.
Fazer asneiras ou reinventar jardins celestiais
 e neles, enterrar problemas.

Mas, estou apenas,
escalando uma pedreira !

Suzette Rizzo / 2002


24 de setembro de 2017

Ausência - Suzette Rizzo


Falta uma peça no quebra cabeças,
um pedaço, uma lasca,
um vão tão grande
no tristonho interior.
Falta uma letra,
o resto do verso,
um degrau da escadaria,
na semana falta um dia.
Estou  desenho rasgado,
outdoor sem rosto,
metade de mim foi ao ralo.
Procuro, busco nas noites,
nos sonhos,
na vida,
aquilo que falta
ao meu ser incompleto.
E lá do infinito desce uma cor,
em forma de  arco íris amarelo,
a cor predileta do meu amor.
Mas falta a matéria,
a voz,
o calor. 


21 de setembro de 2017

Cautela - Suzette Rizzo


Houve épocas em que me senti um rato acuado
por dezenas de garras afiadas
e apesar disso, continuei confiante,
achando que como eu... 
eram todos confiáveis.
Quando acordei de fato,
me vi cercada por decepções maiores:
pessoas eram cobras prontas ao bote .
Dificilmente, expeli venenos injetados
mas, aos poucos cuspi-os.
Entendi, finalmente os medos,
como fossem trotes do destino,
arrumação da casa.
Sinto-me hoje, fechada aos males...
Obviamente, cautelosa,
porém calma,
como penso ser a alma.
Suzette Rizzo



19 de setembro de 2017

Uma árvore e sua história - Suzette Rizzo


Entregou-se ao vento  
a frágil árvore.
Era noite de lua nova
e o luar desovava
canções exóticas.

Deixou-se desfolhar
e suas hastes envergaram-se
tentando abraçar o vento.
Amanheceu calmaria
e notou que a paixão a destruíra.

Insignificante,
escondeu-se para chorar
e nunca mais ouviu outros ventos.
Agora, entrega ao tempo seus pudores
mas, nem se importa
quando  outono a cerca
com seus encantos sedutores.

Tornou-se ainda mais fragilizada...
Com ares de menina
e uma carga imensa de dor.
No entanto, ainda doa-se
através da sombra...
E chora flores de amor.
                        Suzette Rizzo



Mensagem - Valtenor Medeiros



MOTIVAÇÃO


Casa terrena- Suzette Rizzo - Art Monica Puccinelli


Ficou lindo demais!!!
Obrigada sempre minha amiga Monica Puccinelli!!!
Meu carinho e grande beijo





Monica Puccinelli e Delasnieve Daspet


LINDO TRABALHO DE MONICA PUCCINELLI 
PARA A EXCELENTE POESIA DE 
DELASNIEVE DASPET




Hoje é sexta feira - Suzette Rizzo


Hoje é sexta feira e o mundo vibra...
Sexta feira dos inícios e dos finais...
Sexta feira das encruzilhadas,
das mentiras dos homens casados,
das mulheres mal amadas, solitárias,
sexta feira dos rituais.


Dá vontade de gritar, não sei porque,
vontade de alguém despertando desejos,
aqueles mais antigos do passado,
da sexta feira morna,
momentos leves, sem espinhos,
de escolher vestidinhos, dançar pelo quarto.


Hoje, não pode ser sexta feira...
Cadê os preparativos, a ansiedade,
qualquer novidade,
a expectativa de antes ?
Cadê alguém, qualquer alguém,
preenchendo a noite lenta,
noite chorosa que não passa...


Ô sexta feira chata!

(Para minha amiga Pixita)
 Suzette Rizzo
_April 19, 2005





  






18 de setembro de 2017

Ancoragem-Suzette Rizzo - Art Monica Puccinelli



MARAVILHA DE PRESENTE!!!



Pés-Suzette Rizzo - Art Monica Puccinelli





Letargia - Suzette Rizzo


Sono é ruim,
é morte, pesadelo... sobrevoo sobre montanhas intermináveis de medos.
Bom, só pra quem voa a imensidão em paz,
nu de receios.

Na terra, demônios vivos sugam,
agitam noites, horas... 
enviam qualquer calidez
ao gélido  polo norte,
inferno dos arrepios.

Sono é ruim,
talvez por eu não ter
tanta sorte em conseguir,
noites completas pra esvair,
meus frequentes pesadelos
cosmo afora.
Suzette Rizzo 
*September*







Davi Roballo




17 de setembro de 2017

Divórcio - Suzette Rizzo




Divorcio-me das tuas loucuras,
reparto tal fase em duas ventanias;
Uma para o local
onde fiz meu esconderijo
e a outra
é a bica que espalha definitivo
o acumulo de lágrimas.
Divorcio-me do vivido,
enfim liberto minha frágil alma
tanto tempo saturada.
Continuo... porém sem declínios.
Pareço outro espírito
assim de ti divorciada.
Suzette Rizzo