4 de junho de 2017

Eita - Suzette Rizzo

...e vou seguindo meu caminhozinho,
sem qualquer novidade.
Acordando manhãzinha,
respirando os ares do meu quintal,
arrancando o mato atrevido,
ouvindo o latido dos meus cães,
todo dia, tudo igual.


A paixão, aquela, já foi pro espaço,
o anjo lindo fugiu pro céu,
encantar o pessoal que lá está...
E tal previu o pai de santo,
amor mesmo, nunca mais!

Eita tédio aborrecido,
maltratando pensamentos,
noites e dias inteiros.
Eita, vida burocrata, chata, cansativa,
combinada comigo.

E hoje, pra completar,
nem lua, nem sol,
inspiração melhorzinha,
nada, nada...
Nenhum faz de conta que o vazio
vai passar depressinha.

E essa maré baixa
quase sem onda,
distante, distante...
nem enxergo de tão longe,
até parece a vida minha.

Eita, caminho bravo!
De pedregulho,
machucando meu orgulho,
mostrando o quanto é inútil,
querer ou tentar mudar . 

Nenhuma vitória,
nenhum par nesta corrida maluca.
E como disse o pai de santo
num 31 que findava,
eu sou filha de Iemanjá.

E quem é, disse-me ele:
"num dianta não fia, num chega lá!”...



 Suzette Rizzo_December 27, 99

Impossibilidades - Suzette Rizzo

O alvo das minhas ânsias se esconde
numa distância de cem mil horas,
no fundo da última floresta terrena,
por trás da última porta.

Não seria jamais o dono das telas
de cores descombinadas
que um dia me pintou,
nem aquele imitador de porcelanas chinesas
ou o poeta prepotente cheio de certezas.






O alvo da minha alma
caminha num vagar tranquilo
do outro lado da madrugada,
e, deposita sonhos em meu travesseiro
quando a noite cerra os cílios

Suzette Rizzo





Decida-se - Suzette Rizzo



 Conheça-me
 antes da primavera.
 Gosto de flores
 durante o inverno,
 beijos pelo telefone,
 poema com chocolate fervendo
 nas noites geladas,
 cores quentes,
 música sempre.





Permita que nossos sonhos 
se busquem
 e nada interfira
 na decisão tomada.

 Distinga
 quem te ama de quem te deseja.
 Conheça-me e escolha de vez
 Seja eu ou não seja..
 
Suzette Rizzo






MINHA CRIAÇÃO- Suzette Rizzo

Vem comigo, posar para o meu poema...
Pretendo emoldurar-te a ouro 18
e grande extensão de azul céu...
Saborear teu jeito dócil,
sentir o gosto do puro mel.

Senta em frente a mim
e esboça o sorriso lindo...
Deixa teu olhar assim, vago...
para que eu te escreva
como Renoir pintou seus quadros.




Descansa a cabeça em meu colo,
quando eu conseguir expressar
a leveza da tua essência...
Para que meu poema
possa descrever a tua melodia
que entoa delícias,
quando em minha alma... adentra !

E vê! 
Meu coração dispara com tua calma...
Parece, o céu se abre
e os anjos descem em aplausos...
Saiba, te escolhi entre os seres,
encontrei-te neste palco,
para criar meu poema do grosseiro barro.


Suzette Rizzo_2003







3 de junho de 2017

Rota... Gasta... Chata... - Suzette Rizzo

Estou farta, rota,
exausta de prosseguir
este destino salgado,
arruinador de sonhos
dourados.    

Estou gasta
feito rolha de vinho
do porto...
oca feito taça de champanhe
tomada de vez,
triste como um desgosto
sofrido... chorado...
azedo... roxo...

Estou aqui           
entre as sombras vigilantes
das minhas noites,
a procura de um atalho,
para desviar este destino 
que me leva a nada.


1 de junho de 2017

Café - Suzette Rizzo


Meu café da manhã não é apenas um café.
Uma porta se abre e por ela entra
um desfile de recordações.
Meu café da manhã tem cheiro de infância,
casa dos avós, adolescência,
meu pai de pijama na cozinha bem cedinho,
outras épocas com sabor de café mineiro,
goiano, café completo
e do malfadado tempo
que nem dinheiro eu tinha
para um simples cafezinho.
Lembro do café na cama, com leite, 
quentinho
do café bem acompanhado,
daqueles duplamente adoçados;
boca e olhos, alma e coração.
Lembro de tudo,
todas as fases da vida
que talvez tenham sido
boa vida, antes.
E o café continua abrindo portas,
emoldurando amor e dor,
mudando de sabor...
a começar pelo adoçante








31 de maio de 2017

Mais Uma Vez... Suzette Rizzo

Procurava um motivo,
um abraço de tirar fôlego,
o poema apoteótico
que apaga todos os outros,
num transito mental
de versos sublimados.





Algo acalorado enfim,
que percorresse além do corpo,
misturasse sonho e real.
E encontrei olhares, sorrisos
e a sequência
ficou por conta da imaginação...

Que se converteu em nova ilusão,
chovendo pétalas de bons motivos
reativando meu coração.

Despertei de um pesadelo
que pareceu eternizado,
para um sonho que se mostrou
dourado e, decidido,
a enfeitar meus olhos,
de caminhos encantados.

Pra cair na relação trapaça
de  momentos crédulos  e apaixonados,
em que travestida de passividade
tomei........


Suzette Rizzo _  
September 07, 2005


30 de maio de 2017

Escorregão

Surgia como dinheiro ao necessitado,
alimento ao esfomeado,
carinho ao carente.
Surgia dentro da noite,
dos olhos,
nos sonhos que se preenchiam,
extinguindo da alma a exaustão.

Assim como quem tira uma venda
ou a cruz dos ombros,
conseguindo então
livremente caminhar
rumo a salvação.




E fluiu pelos poros
sentimentos, instintos,
lagrimas e sorrisos,
acúmulos de esperanças
de felicidade.

Desejos e loucuras semearam-se,
é verdade,
no coração apaixonado,
até então medroso das perdas,
ardido dos medos do novo e do passado.

Surgia com força total
como semente brotada na terra,
separada do joio,
expulsando obstáculos e danos
quando a boca se rasgava do riso solto... 
Havia desnecessidade das palavras...
Eu estava amando!!!


Suzette Rizzo 







27 de maio de 2017

O mundo dele ( Barman ) - Suzette Rizzo

Há uma passagem secreta
atrás do balcão
para o portal do sonho lilás.
No chão, os cachos esparramados
cheirando a linhaça...
cílios longos, olhos cerrados,
boca entreaberta,
mostrando a ponta dos dentes alvos.

Assisto secretamente,
querendo ser poeta,
compositora, pintora,
para retratar o copo de vinho entornado,
perto do corpo adormecido,
derrubado de cansaço.

É mesmo um poema aos meus olhos
poluídos de tantas desgraças,
admirar suas mãos relaxadas,
um meio sorriso nos lábios,
como se a estopa fosse seda
e, houvesse bom travesseiro apoiando
a cabeça...
cujo sonho esvoaça,
tal fosse uma borboleta.

Não posso acorda-lo!
Arranca-lo dos seus lilases,
das musas de seus poemas,
talvez do vazio que relaxa
seu destino nada camarada.
Não quero que me veja,
assim louca observadora,
intrusa em seu recanto renovador
da energia gasta.

Saio. Parece estive no Paraíso,
ao lado de um anjo caído.
Entro no mundo dele.
O mundo degradante que ele vive.
E eu, ali, juntamente decaída,
querendo forçar um espaço nessa alma
e, a porta se abrindo... 
lentamente,
mostrando-me a saída

Suzette Rizzo _ February 04, 2005





25 de maio de 2017

Gota a gota



Faço parte da sinfonia 
daqueles que rimam,
daqueles que sentem,
daqueles que amam sons e letras.
Sou parte de uma comunidade
que se identifica no pensar e na escrita.
Sou toda inspiração, sou meio profeta,
aquela que uma vez assim nascida
borrifa versos queira ou não queira...
Assim, como a rotina da ampulheta.

Suzette Rizzo
May 24, 2017

Micro


Se tenho em mim planetas, 
luas, galáxias,
escuros e estrelas,
espaço não falta para escapar
desta casa torta!
Vamos lá então, flutuar em Deus,
deixa-lo ser Templo em mim,
e eu, gaivota.

Suzette Rizzo







24 de maio de 2017

A procura da inspiração

Quero escrever um poema nobre,
que fale de amor verdadeiro,
como a noite sempre inspira
se há brilho de estrelas.
Que ele flua mansamente
como o sangue corre as veias.

Mas não sei onde se esconde 
o anjo cochichador,
aquele que sopra aos meus ouvidos
o princípio do meu torpor.
Onde estarão as flores 
que semeou  em minha alma,
os botões que não se abrem
nesta mente vazia?
Por que some? Onde se enfia?

Eu não quero descrever
iniquidades latentes 
dos problemas atuais,
sobre a farsa das religiões,
o social inexistente.
Sinto-me  pouco à vontade
com  ilusões apagadas,
expor coisas graves
falar das faltas existentes
no meu país,
essa não é minha praia.

Prefiro falar de amor
usar amor em meu tema,
descobrir além Dele onde está
o amor gêmeo, companheiro...
o amor que luta por amor,
aquele que aromatiza
cura e purifica,
se dá por inteiro.

Também não quero falar
da materialidade das pessoas
que  justificam erros,
banalizam a arte da vida...
Eu quero um tema limpo
como é o azul do céu,
untar minha inspiração
do suco das folhas da videira
e que de mim nasça o fruto
de um poema que descreva
a alma inteira.

Quero sim lavar tristezas
ser enfim tua herdeira! 

Suzette Rizzo 
May 19 2006


Algemas feiticeiras

Imantado o corpo dele
sugador de sentimentos...
Que a noite como um feiticeiro
penetrava emoções à espada,
extraindo direitos da alma
sangrando meus momentos.

Despertava passiva e dominada
recolhendo mazelas da vida
dificuldades amordaçadas...
E nada mais me era revelado
ou sentido
exceto o amor castigo.


Não despertei tão cedo,
estava imune a realidade.
Entregue a sonhos desenhados 
nas retinas...
Sonhos dele
sonhos de mago
magia de esquina.  

Hipnotizada,
dei-me àquela opressão
imperceptível no momento,
como um fantoche  seguindo
o negro rastro,
dominante e malfazejo
por muito tempo.

Um dia estourei amarras,
arranquei de dentro
a alma enfeitiçada...
E vi meu destino liquidado
no rosto caído
nos olhos inchados.

Foi quando
meu grito estendeu-se
e o ar circulou em
meu quarto. 
Suzette Rizzo