24 de maio de 2017

“Paroles, paroles

“Paroles, paroles”
(Michaele / M. Chiosso / G. Ferrio)
Alain Delon:
C’est étrange,
(É estranho)
Je n’sais pas ce qui m’arrive ce soir,
(Não sei o que me acontece essa noite)
Je te regarde comme pour la première fois.
(Eu te olho como se te visse pela primeira vez)
Dalida:
Encore des mots toujours des mots
(Somente palavras, sempre palavras)
Les mêmes mots
(As mesmas palavras)
Alain Delon:
Je n’sais plus comme te dire
(Eu não sei mais como te dizer)
Dalida:
Rien que des mots
(Nada mais que palavras)
Alain Delon:
Mais tu es cette belle histoire d’amour…
(Mas você é essa bela história de amor..)
Que je ne cesserai jamais de lire.
(Que eu não pararei nunca de ler)
Dalida:
Des mots faciles des mots fragiles
(Palavras fáceis, palavras frágeis)
C’était trop beau
(Era tão bonito)
Alain Delon:
Tu es d’hier et de demain
(Você é de ontem, de amanhã,)
Dalida:
Bien trop beau
(Muito lindo)
Alain Delon:
De toujours ma seule vérité.
(De sempre a minha única verdade)
Dalida:
Mais c’est fini le temps des rêves
(Porém chegou o fim do tempo de sonhar)
Les souvenirs se fanent aussi
(As lembranças murcham também)
Quand on les oublie
(Quando as esquecemos)
Alain Delon:
Tu es comme le vent qui fait chanter les violons
(Você é como o vento que faz cantar os violões)
Et emporte au loin le parfum des roses.
(E leva ao longe o perfume das rosas)
Dalida:
Caramels, bonbons et chocolats
(Caramelos, bombons e chocolates)
Alain Delon:
Par moments, je ne te comprends pas.
(Por instantes, não entendo você)
Dalida:
Merci, pas pour moi
(Obrigada, não para mim)
Mais tu peux bien les offrir à une autre
(Mas você pode muito bem oferecê-las a outra)
Qui aime le vent et le parfum des roses
(Que goste de vento e perfume de rosas)
Moi, les mots tendres enrobés de douceur
(Quanto a mim, as palavras meigas envolvidas de doçura)
Se posent sur ma bouche mais jamais sur mon ceur
(Podem ficar na minha boca, mas nunca no meu coração)
Alain Delon:
Une parole encore!
(Apenas uma palavra!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Ecoute-moi.
(Me escuta)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je t’en prie.
(Eu te imploro)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je te jure.
(Eu te juro)
Dalida:
Parole, parole, parole, parole, parole
(Conversa, conversa…)
Encore des paroles que tu sèmes au vent
(Somente palavras que você joga no vento)
Alain Delon:
Voilà mon destin te parler…
(É esse o meu destino, te falar…)
Te parler comme la première fois.
(Te falar como da primeira vez)
Dalida:
Encore des mots toujours des mots
(Somente palavras, sempre palavras)
Les mêmes mots
(As mesmas palavras)
Alain Delon:
Comme j’aimerais que tu me comprennes.
(Como eu adoraria que você me entendesse)
Dalida:
Rien que des mots
(Nada mais que palavras)
Alain Delon:
Que tu m’écoutes au moins une fois.
(Que você me ouvisse pelo menos uma vez)
Dalida:
Des mots magiques des mots tactiques
(Palavras mágicas, palavras táticas)
Qui sonnent faux
(Que soam falsas)
Alain Delon:
Tu es mon rêve défendu.
(Você é meu sonho proibido)
Dalida:
Oui, tellement faux
(Sim, tão falsas)
Alain Delon:
Mon seul tourment et mon unique espérance.
(Meu exclusivo tormento e minha única esperança)
Dalida:
Rien ne t’arrête quand tu commences
(Nada te impede quando você começa)
Si tu savais comme j’ai envie
(Se você soubesse como eu desejo)
D’un peu de silence
(Um pouco de silêncio)
Alain Delon:
Tu es pour moi la seule musique…
(Você é para mim a única música…)
Qui fit danser les étoiles sur les dunes
(Que faz dançar as estrelas sobre as dunas)
Dalida:
Caramels, bonbons et chocolats
(Caramelos, bombons e chocolates)
Alain Delon:
Si tu n’existais pas déjà… je t’inventerais.
(Se você já não existisse… eu te inventaria)
Dalida:
Merci, pas pour moi
(Obrigada, não para mim)
Mais tu peux bien les offrir à une autre
(Porém você pode muito bem oferecê-las a uma outra)
Qui aime les étoiles sur les dunes
(Que goste das estrelas sobre as dunas)
Moi, les mots tendres enrobés de douceur
(Quanto a mim, as palavras meigas envolvidas de doçura)
Se posent sur ma bouche mais jamais sur mon ceur
(Ficam sobre minha boca mas nunca sobre meu coração)
Alain Delon:
Encore un mot juste une parole
(Só uma palavra, somente conversa)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Ecoute-moi!
(Me escuta!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je t’en prie!
(Eu imploro!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je te jure!
(Eu juro!)
Dalida:
Parole, parole, parole, parole, parole
(Conversa, conversa…)
Encore des paroles que tu sèmes au vent
(Somente palavras que você joga ao vento)
Alain Delon:
Que tu es belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Que tu est belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Que tu es belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Que tu es belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole, parole, parole
(Conversa, conversa…)
Encore des paroles que tu sèmes au vent
(Somente palavras que você joga ao vento)



Conflitos

Estarei só,
esmagando esperanças
nos olhos mortiços
e, para não viver das  sobras
das recordações que ficarão,
procurarei bons livros,
canções diferentes das nossas...
tentarei não deter lembranças
e arranhões.



Contudo, não conseguirei
cobrir o céu de estrelas
ou inventar indiferença,
nem deixarei de rolar meus desejos
na cama estreita...

Também não poderei rasgar
como se rasga uma foto
o sentimento nutrido,
nem trocar a alma
que ele rejeita.


Suzette Rizzo



23 de maio de 2017

Sou assim ( II )


Catadora de misticismos,
investigadora do meu íntimo,
amante das minhas explorações,
escrevedora do que sinto.
Não sigo à risca a palavra alheia,
creio em minha consciência,
acho a saída de labirintos,
arco todas as consequências.

Meu pensar não teme os trampolins.
Sou assim, dona de mim!

Suzette Rizzo

May 23, 2017









22 de maio de 2017

Pós reclusão


Por um tempo, me esqueci naquelas madrugadas,
cega ao resto,
os sonhos cravados nos olhos,
deslembrando o cheiro de mofo,
os anos toscos...
Por um tempo me esqueci de ser quem era,
quem fui,
tentando alimentar a alma de sonhos
menos foscos.
Por um tempo vivi caminhando vagarosamente
sob chuvas de inverno e frio arrepiante,
acolhida pelo olhar daquele ser que se adaptava ao meu,
e eu como nunca, por inteiro confiante.
Por um tempo penso ter vivido abraçada
a sonhos mutantes.



Por um tempo permaneci nada vigilante!
Mas, nos tempos próximos, expectorei de vez,
esta e outras
ilusões alucinantes. 

Suzette Rizzo



Densidades



Toquei a escuridão sentindo o pavor
de encontrar fantasmas,
era criança quando isso se dava,
quando esqueciam meus medos
e as luzes se apagavam.
Hoje, busco contornos,
busco rostos, busco laços
e nada sinto neste espaço
abstrato ou físico.








Na escuridão da madrugada,
parecemos ambas desencarnadas,
sem mais aguçados sentidos,
muito menos tato. 

Suzette Rizzo




Aflições



Meu cachorro late seguidamente
e a noite grita um cala boca
grosso como trovão.
Da boca dos vizinhos, parece ouço
o mais feio palavrão.
Meu cachorro late e meu coração bate
loucamente...
Porque as paredes também latem,
as portas batem,
e o vento uiva,
enquanto a alma por ti se debate,
estridentemente.

Suzette Rizzo






Sem ar



Usei tanto meu pulmão,
corri da vida como um coelho,
amassei meus joelhos
de tanto curvar no chão.
Aspirei dias melhores,
respirei puro bolor,
tossi por várias causas,
corri de tudo na vida,
mesmo em feridas.
Ressequei os pulmões
de tantas emoções
e meus  oitenta por cento liquido
vazou aos borbotões.
Usei tanto meus pulmões!
Chorei por vis recordações!

Suzette Rizzo








21 de maio de 2017

Evasão

Evasão
Suzette Rizzo

Cubro-me da chuva gelada,
mas onde esconder meu corpo do furacão?
Mais ou menos assim;
Afasto maus pensamentos,
mas aqueles arraigados, sem dúvida, ficarão!
Desembaraço vontades, ânsias, saudades,
mas é penosa a sensação.



Resumindo:
Conto com  minha sensatez
ou um sopro de anjo bom.




Tempos passados


Tempos passados
Suzette Rizzo


Fui mastigada,
pela boca grande do mundo
e por boquinhas cobiçosas.
Ingeriram meu jeito de ser,
beberam meu gosto de erva doce
as bocas gulosas.
E eu, pude fazer o quê?
Com valores opostos aos meus!
Fazer o quê?
Se as pessoas são rançosas!




















18 de maio de 2017

O nascer da poesia

É verdade...
Poesia brota da alegria
da tristeza,
da indignação,
de qualquer mísero pingo
da alma correnteza.
Estranho, mas brota da incerteza,
do medo,
da carência e solidão.
Da janela aberta para a  feiura do outono
ou à luz do sol de verão.

É verdade...
Poesia nasce do grito de agonia,
da ansiedade, do desejo, da euforia...
na noite descabelada
de uma crise-depressão.
Nunca foi somente flores, amores,
incríveis paixões
e nunca, apenas as tormentas
das grandes desilusões.

Poesia é torrente de palavras
encaixe de versos ou não.
Poesia, simplesmente é.
Não importa como escritos
esses sentimentos crepitantes
ou nascidos nas baixas marés.

Poesia é experiência da alma
cantada ao rítmo do coração.
No entanto, o mais importante
é a semelhança ao nascer de estrelas,
rebrilhando o céu das noites
das nossas sensações.

Parece até que os astros surgem
da poesia nascida da mente,
como divino presente
àqueles que sentem.
Mas, não importa como nasce...
Inexplicavelmente nasce,
do dom as vezes instável,
que vai e que vem.
Suzette Rizzo_
June 15, 2007






Dor do amor eterno

Dói mais que dor no estomago
de involuntário jejum,
esse amor que judia incomum,
arrasa por fora, rasga por dentro,
igual ferimento algum.

Esta saudade dói mais
que a falta viciada
que solidão de madrugada
e todas as marcas profundas
de constantes apunhaladas.

Dói este amor sem limite
que sinto por mais que evite
e dói feito corte a faca
por cima daquele recente
cuja dor persiste.

Dói dói, destrói lentamente...
como a máquina de moer mói
um dedo em carne viva,
assiduamente.

Suzette Rizzo
July 02, 2010



17 de maio de 2017

Enamorando


Enamorando
Suzette Rizzo

Nasci...
Nesse namoro de palavras doces,
poesia pura com fortaleza de abraço.
Namorava enfim,
retendo olhares que só eu vi,
ouvindo a reprise das frases lindas,
sentindo os gestos, o laço
e a sutileza de um lago perto de mim,
como se eu fosse uma orquídea
brotando para a vida,
ajudada por um querubim.
Nasci em todos os sentidos...
Sob o calor do sol,
energizando a alma mal alimentada
do vital,
reencarnada e desatada do mal.
Nasci, nesse namoro desejado
nos tantos dias enamorados
aguardando a soltura da minha vez.
Não sei de fato o que houve...
Morreu?
Talvez!


Suzette Rizzo