19 de agosto de 2015

Hora certa

Hora certa
Suzette Rizzo 

 
É hora do adeus
às coisas passadas,
hora de recomeço,
hora certa de viver.
Hora de fechar a cova,
plantar lírios,
enfeitar a casa de rosas. 

 



Hora de acender as luzes
e curar os joelhos feridos.
De rir com vontade,
apagar a saudade, isso sim. 

Com ela na alma
não da pra expulsar
o patético de mim.

Art Ju Friend
 


18 de agosto de 2015

Nunca mais amei pessoas






Nunca mais amei pessoas
Suzette Rizzo

Vi o esboço de um sorriso
na hora da minha desgraça
e, entre outras coisas,
chorei portas fechadas
na minha cara...

Sofri tal e qual os mendigos
confundidos com marginais, 
cuja classe abastada 
ergue os vidros dos carros
nos sinais,
exibindo olhos de asco,
aos pobres mortais !

Vi um pacote de macarrão voar
se espatifando na mesa,
quando tive fome e pedi...
E vi mãos que se encolheram,
ouvidos que se fecharam,
quando mais sofri !

E no meu aposento escuro,
deitei-me no velho colchão
e deixei vazassem dos olhos
a tamanha desilusão,
remoendo a humilhação...
chorando até pelos poros,
com janelas fechadas à vida
em pleno dia de sol...

E não apago de mim
a total decepção !
Nunca mais amei meus iguais
como amo os animais...

Suzette Rizzo
07/01/00




Lindo card


O presente da lua





O presente da lua
Suzette Rizzo 

A lua magicamente azul,
soltou um melancólico blues,
atravessando muros e portas. 

Fez uma apologia ao amor
e todos os deuses cantaram
incentivando a terra morta. 



Laura, a mulher misteriosa,
ergueu seus olhos aos céus
sorrindo a compreensão da lua. 

Molhou-se na fonte
de um país cristão,
abriu seus braços de anjo,
suspirou toda a emoção ! 

E incrivelmente agradecida e clara,
a lua moveu-se
como em tempo algum,
unindo estrelas esparsas ! 

E o céu salpicado
fechou passagens,
para que Deus não inalasse
nenhuma atrocidade!

Suzette Rizzo


Dois

Dois
Suzette Rizzo




Um lobo uiva em meu sonho,
ou será no teto da casa,
talvez debaixo da minha cama!
Outro lobo uiva,
provocando dor na lágrima
que espalhava solidão.
Estamos juntos agora,
não sei depois da adesão.


Tuesday, August 18, 2015


Meu poeta morto


Meu poeta morto
Suzette Rizzo

Os cachos em
desalinho
escorriam pela testa,
contrastando o verde em festa
do olhar cobiçador

Poeta boêmio
a cantar pelos bares
das noites paulistanas...
inundando-as de calor !

E foi conquistando as moças,
gays, travestis e crianças...
Que admiravam seu jeito
moleque,
de visíveis esperanças!

Porem... não envelheceu
naquela  rotina,
nem permanece neste planeta.

Canta nas estrelas...
Entre os anjos de um doce-lar...
Meio lá, meio cá !

Suzette Rizzo




16 de agosto de 2015

Dois rios *Skank*



Dois Rios
Skank

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios Sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
Tudo que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
"Dois Rios" por Skank 


Contaminação



Contaminação
Suzette Rizzo


Talvez ela tenha alma brejeira.
Talvez suba na ameixeira para ti
Talvez não seja como eu
discreta, caseira...
Talvez tenha uma fileira de pretendentes
e te dê muita canseira.




Talvez agite, te invada de receios,
Infecte teu corpo de beijos,
seja melhor que eu que te amo
como a brisa das palmeiras.


March 10, 2013




15 de agosto de 2015

Separação II




Separação
(II)
Suzette Rizzo

Os espaços todos vagos,
também os futuros atalhos,
mortas as samambaias...
Janelas fechadas,
porta da rua escancarada.
Uma última olhada
no sonho sonhado
embaçado de lágrimas.
Não mais verei o copo de Wisk
na mesinha,
nem ouvirei o barulhinho do gelo
acompanhando o som... 
Nunca mais  aos domingos
o som de Dexter Gordon
pela manhã,
nem namorarei a estante por ele escolhida.
Uma ultima olhada desesperada
na sala vazia,
o ultimo click na fechadura da porta...

Só resta entregar as chaves
e passar por cima da alma morta.


September 14, 2000 




Ouvindo a alma



Ouvindo a alma
Suzette Rizzo

Afundo-me neste silêncio
e fecho os olhos suavemente...
Procurando limpar a mente,
de qualquer pensamento! 

Ouço o som das cascatas
bem em meus ouvidos,
lá de dentro! 

E descubro alem das águas,
o eco dos sinos
musicados! 



Há um templo dentro de mim ,
por entre paisagens
mentalizadas ! 

Percebo, então, coisas inexplicáveis,
quando ouço minha
alma!


Suzette Rizzo 





14 de agosto de 2015

Então...



Então...
Suzette Rizzo

Se o encanto permanece...
permanece o amor,
o desejo e todo resto. 
Se a magia enfeita o olhar, 
acende a emoção, 
entontece 
e revigora o coração, 
Então, é sentimento certo!


Suzette Rizzo _ August 14, 2007 



Angústia

" Angústia "
Suzette Rizzo


Ai, esta angustia,
trancafiando-me no escuro,
amarrando meu futuro
ao tormento desta cruz,
viciando-me  a esta nudez
de resoluções,
tapando as frestas
da minha luz.


Suzette Rizzo

April 21, 2005 

Alerta

Alerta
Suzette Rizzo

Não pode haver maior desgraça
que um vício comendo a carcaça
de um fraco.
Não há maior desalento
que um olhar purulento
invocando a própria morte
para ungüento.

Suzette Rizzo
26 06 2005






Escolhas

Escolhas
Suzette Rizzo


Escolhas !
Jamais alcançam as mãos da Realização
e essa última pretensão, ri de mim 
e lá do alto atira dardos
como quem diz:
Dói... Não persista!
E já nem tenho interesses mundanos
tudo é tão enfadonho!




O que resta são vontades diminutas
e possíveis
cuja luta apenas sustenta sonhos.

Não ouço tal conselho...
Sonhar não pode estar impedido!
Invento novas e pequenas ilusões,
preciso disso.
Ergo meus olhos pedintes
e lá de cima o espírito das Realizações
encolhe as mãos e nem me percebe...
Como se assim dissesse:
Tempo perdido! Esquece!!!







Dependência

Dependência
Suzette Rizzo

Nenhum amor
respingando alegrias
na essência sombria.
Analiso os sonhos rasos,
onde refresco os pés da caminhada,
mas o corpo transpira medos,
que vão do intimo a superfície
dos contidos  pensamentos.
Por isso, a solidão é  imensa sombra,
mas é dela que dependo;
Qualquer ficção ou impressão de companhia
é como água da fonte...
Vivo do que vem no vento das noites
e mata a sede do dia a dia








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Sonia Pallone

POESIA NÃO SALVA –
Soni@Pallone

"...Como diz Drummond, "escrever é triste"...
Concordo com ele!
Escrever, não devolve quem partiu.
Não cura solidão. Não realiza sonhos.
Não conserta coração...
Escrever é inútil, porque enquanto você escreve,
o mundo grita,
o socorro urge,
as letras não salvam,
palavras não curam...




Escrever só alimenta o poeta
e o seu dolorido romantismo tolo..."