7 de abril de 2015

Equívocos


Equívocos
Suzette Rizzo



De um dia para o outro
tanta coisa entrou na lista
das minhas desatenções.
Não mais dou bola às emoções
perseguidoras,
causadoras da arritmia,
nem ao estado de vigília
afetando o coração.
Será que não tive um único dia,
anticorpos a proteger-me
das fases arrasadoras?






Não compro mais roupas, sapatos,
brincos,
não ligo mais para antigos gostos,
não ligo mais para o externo,
e sinceramente, saí dos trilhos...
Atirei-me fora da estrada
e me tornei ventríloquo,
já que ninguém me escutava.
Tanta coisa entrou na lista
tanta coisa dissolvida
tanta coisa equivocada!

Febre


Febre
Suzette Rizzo

Trago o interior carcomido
por lembranças ferozes,
mas há também um riso sarcástico,
instintivo em meus lábios,
detonando meus algozes.
Sou um dom virando a noite,
uma mulher que desdobra a vida
fugindo do acoite.




Chega de amar e dessas balelas,
da pobreza dessas construções
banguelas,
onde arquiteturas se desmontam
nesta sina de feias ruelas.
Trago o interior carcomido
e na palma das minhas mãos
o destino escorrido.
Basta a febre do vivido!


Sunday, January 11, 2015 19:45:41

6 de abril de 2015

Falência das idéias



Falência de idéias
Suzette Rizzo

Lá fora o sol
e o calor insuportável.
Estou abafada, desmaiada,
idéias falidas...
“saindo da matrix”
para a estupidez da vida.
Seria melhor falar de amor,
do que ele sempre causa,
esse devorador da minha sina
em cada esquina,
mestre das bofetadas.
Além disso...  
e das diversas encruzilhadas
ao longo destas décadas daninhas,
dificilmente encontraria enfeites
para as minhas linhas 

Versos de dor- Suzette Rizzo


Versos de dor
Suzette Rizzo

Destino barrento
loteado de excremento humano.

Estupidez de acoplamento que me fez.
E agora? Onde estão vocês?

Foi parido mais um poeta
para  escrever desamor





Ingrato destino que não afrouxa
o cordão... e se faz meu laçador.

Choro,  escondo-me no escuro
como elefante terminal

Ah! Cansei-me de amamentar
e alentar versos de dor

Monday, April 06, 2015

Desabafo / April 06, 2015



O cãozinho da casa em frente
(Desabafo)
Suzette Rizzo

Judia do cachorro,
acorrenta o pobrezinho,
causa enfarto nos outros,
depois vai ele e família
esquentar banco da igrejinha.
Minha pressão lá em cima,
eu que tenho pressão baixa.
Tomo antidepressivo,
morro noite e dia,
choro um chafariz
só de pensar na tristeza
e no estresse do infeliz.
Se chamar a Proteção,
leva embora o coitadinho,
se não, viverá para sempre
amarrado no cantinho.
Não agüento, não agüento,
livra-me Pai da ignorância
desse ser bolorento,
Não pode ser de Deus tal centelha
causadora de tormentos.






Maturação


Maturação
Suzette Rizzo

Compreenda meus sinais,
os devaneios
e a fúria desvendada, 
do que me coubeste arquivar
sem que eu quisesse.
Compreenda a ausência
de melhores ideais
neste momento,


o desânimo que abarca
meus dias,
a alma que não te varre.
Analise os fatos,
não invente...
Veja-me também
e somente esmorecida.
E... se der,
por ora, cresça comigo,
tente!


May 2, 2014

Fim de linha - Suzette Rizzo


Fim de linha
Suzette Rizzo

Da cozinha vem o cheiro da omelete
que ele gostava
e parece... 


ouço aquele cantarolar espantador 
dos  meus medos de tudo.

Depois,
procuro no sofá as impressões
tateando almofadas,
tentando sentir a quentura do corpo
agitador da minha insônia,
gerador dos meus conflitos.

Fantasio, fantasio...
Enlouquecida da fatalidade,
resistindo heroicamente
este meu tempo intranquilo.

Vou até a cozinha,
quebro dois ovos,
corto rodelas de cebola
bem fininhas,
coloco a frigideira no fogo
e me empanturro do odor
e da saudade do amor
que chegou ao fim da linha.



















5 de abril de 2015

Nocaute


Nocaute
Suzette Rizzo

No terceiro dia,
desprendi-me do corpo.
No terceiro dia, a noitinha,
afoguei-me no Porto.
72 horas de acidez,
e na alma desconforto.
No terceiro dia o coração pasmo,
o pensamento desenfreado
as interrogações pululando.
No terceiro dia não vi mais nada...
Estava em ponto morto,
nocauteada

Devaneando


Devaneando
Suzette Rizzo

Pintaria arco-íris ao redor,
plantaria diversas cores no jardim,
cercaria a casa de bebedouros
para beija-flores
morarem nos meus olhos.
Cheguei ao meio da estrada
e não me coroei desses louros
ou encontrei amor louco.
Mas, conversei com duendes um dia
e sonhei um deles indicando meu caminho
onde a vista se perdia.
Encontrei a porta do sonho,
adentrei o paraíso
e enfim, abriguei meu ser, no jardim,
da tua poesia.
(Sina tardia esta minha... por quê?
Se era tudo que eu queria!)


Suzette Rizzo November 4, 2013

Sabedoria de Buda



Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. 
Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. 
Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. 
Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. 
Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. 
Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos,

aceite-o e viva-o.
(Buda)

Amiga materialista


Amiga materialista
Suzette Rizzo


Você não sabe da minha  luta,
não sabe a dor da descida,
e a luz que há na subida.

Você não viveu nada disso !
Não andou pelos escuros do mundo,
não sentiu a dor de perder
da vida... tudo !

Você não sofreu realmente
e quem não sofre permanece por aqui...
longe das estrelas cantoras,
da grandeza da Manjedoura,
do anjo que não viu.





Você só diz teorias... jamais fez poesia
e quem não sabe expor sentimentos...
não se afunda em magias.

Você não viaja Cosmo adentro,
pisa o solo duro da terra
e pensa que ela é tudo...
porque a vê...

Mas, não sabe o mais importante:
É a mãe que  alimenta e  vem do
céu que a fez.

Você não sabe nada,
exceto discutir asneiras...
e por isso vive tanta baboseira.

Apesar disto tudo,
amiga materialista,
quero lhe ensinar acarinhar ovelhas...
E talvez, elas não se dispersem,
do seu pequeno habitat.

Ou então, faça poemas,
para sair de onde esta !

Suzette Rizzo
21/02/02   

Anseios


Anseios
Suzette Rizzo 

Nada acontece,
mas a palma da minha mão
formiga sem parar
e o coração dispara...
Acho que é a alma acordando
o corpo,
espantando qualquer receio,
instigando o novo.

Mas, nada acontece
além do formigamento,
embora de mim brotem anseios
olhos e ouvidos atentos,
descanso aos freios.




Não sei por que creio nessa bobagem,
mas creio.

Suzette Rizzo_ 
May 06


A vontade do escritor


A vontade do escritor
ou
Transformações
Suzette Rizzo

Escrevo apenas,
não importa se bem ou não...
o que vale é que escrevo.
Para mim, abro a grande obra,
que terminarei talvez,
num próximo milênio.
Foi dado o primeiro passo
de um caminho extenso.

O que fascina, é esse  maquinismo,
da mente comandando os dedos
no teclado,
obedecendo pensamentos...
O que fascina, são as idéias,
que se desenrolam e perpetuam-se.
Sim, alguém, há de guardá-las.

Apenas, não desejo o pensamento
estéril...
Que se perfilem, um após outro
e, eu, escreva todos.
Sirvam eles aos meus intentos,
atendam sempre a minha vontade
de dizer algo de nobre.

Completarei minha obra,
quando a obra completar-me.
O que fascina é a estrada
e depois a agilidade,
e depois o conhecimento, a lógica
e, pouco a pouco a coerência,
sempre melhorada.

O que fascina,é a seqüência,
alem dos dedos obedientes...
O encaixe dos versos,
a musicalidade entre as linhas,
o deslizar sem esquemas,
a inspiração fluindo e fluindo,
até o final do poema.

E mesmo que pouco em mim seja sábio
ou arrancado corretamente,
alguma coisa é sempre dita
e felicita o lado criador
É isso que importa:
O dom, o tom, a cor.

A vontade do escritor
é mergulhar em cada frase,
transformar-se como águia
atingir a perfeição gradativa
 par de todo autor.

November 26, 2004

"Meus agradecimentos a todos que me incentivaram por ordem de chegada:
Gabriel Ribeiro, Lara Cardoso, Cleide Canton, Miriam Torres, Ana Suzuki e muitos outros amigos",