30 de janeiro de 2015

Além


Além
Suzette Rizzo

Nem se deu conta do abandono,
nem das horas difíceis
que me acometeram,
também não ponderou
nosso tempo de estrada,
embora bifurcado,
nem considerou falta
o seu desamparo.


Na verdade reconhece,
mas o egoísmo é muito maior...
Um dia se arrependerá,
tarde, porém,
um dia quem sabe,
quando o atalho
for além.

Monday, May 14, 2012


Amanhã



Amanhã...

Suzette Rizzo

 

deixarás de lado os vestígios

do teu Hércules e rei Midas

a sabotar tua alma.

Serás somente o ser sofrido,

disposto a chorar o impossível

até prostrar o corpo

tamanha calma.

 

Então, renascerás como eu,

que deixei de lado a pretensão,

de pensar que sou mais sabia

que os vizinhos da minha essência

e mais conhecedora dos conflitos

amorosos e críticos.

 

Deixaremos de lado e de vez

o passado,

o corpo esquentado,

os sonhos gastos...

E seremos somente pessoas

sem quaisquer disfarces,

apenas a evitar recordações

meladas ou amargas;

Assexuados sim, até reencontrarmos

nosso porto seguro.

 

Pois estarão distantes

todas essas coisas,

muito atrás,

entre as dores do mundo 

em nossa estrada da vida,

e nas esquinas esquecidas,

apenas páginas viradas.

 

Então, refeitos da dor,

subiremos numa arvore bem alta

para cantar nossa liberdade de ser

e a possibilidade abençoada

de esmagar

ressequidas folhas de outono...

Serão apenas fragmentos

das gélidas saudades

e falsas ilusões,

que o vento levará.

 

Rasgaremos o lacre do futuro

para ler o que foi reservado

Viveremos novas histórias

debaixo do sol;

que o tempo escreverá,

através de nós.

 

(Para um poeta amigo)


 

Abdução


Abdução
Suzette Rizzo

Algo abduz meu sono,
meus sonhos
e as poucas esperanças.
Meu anjo não pode claramente advertir
das intenções da vizinhança.
Sou alma revestida tantas vezes,
madura e precavida,
mas o medo igual da infância.
Algo abduz os bons planos
e descarrega na cama os danos
que virão dias seguintes.



Meu anjo não pode intervir,
mas eu sei,  se faz ouvinte,
das minhas poucas ânsias.

24 horas de tristeza


24 horas de tristeza
Suzette Rizzo

Entristecida,
agora olhando o terreno
do fundo da casa sem mais mato,
os muros descascados,
pássaros sumidos
e sempre o vazio a meu redor.

Nem a lua surgiu, sequer uma estrela
em meu pedaço de céu...
Só terra vermelha
do feio barro porque choveu.
Minha visão vai longe,
aconchegada a saudade de quem morreu.


A mesma sensação,
a mesma agudeza,
gritando na alma cansada.
Nem mato enfeitando os olhos,
nem mais única abelha
beijando as florezinhas das 6 horas...
E em mim, somente o espaço
das dores do tempo afora..

O vizinho conta uma piada,
a família desata risadas...
falam juntos, todos eles...
Ali, não há segredos apenas risos.
Do meu lado, os cães nem fazem festa,
apenas silencio, olhos ardidos.

Alguém gritou na rua.
Algum menino jogador de bola...
algum namorado chamando seu par.
Meu grito é sempre interior,
ninguém me ouve chamar.

                                Suzette Rizzo

29 de janeiro de 2015

Divagando


Divagando
Suzette Rizzo

Serei só
quando lembranças desfilarem,
quando estas mãos se cruzarem
e quando os sonhos todos deslizarem
nas encostas do mundo.
Serei só
quando o sol nascer,
quando a tarde se esconder,
quando o caminho se cobrir de pó,
quando a voz da minha alma
perder-se na ‘imencitude’
do silêncio de ser só.

22 de janeiro de 2015

Faro


Faro
Suzette Rizzo 

Assim como um espelho
ao ver  a imagem que nele se reflete
quando ambos se olham, se reúnem,
identificam-se e se assumem,
diante desse todo que nada separa,
assim meus olhos enxergaram os seus
e nos completamos por inteiro.



Então musicamos nossos sonhos,
dançamos e choramos pelo tempo
nos consolando e nos encontrando 
como perdigueiros,
transformando samba em noturnos,
o ruim em segundos
e nem percebemos pairar sobre nós
o sabor úmido do futuro,
do destino traiçoeiro.

Que acertou no faro
principio e final,
mas errou no meio.

Suzette Rizzo

Exílio


Exílio
Suzette Rizzo


Acendem-se neste isolamento
milhões de pensamentos,
que gosto e não de ter.
Além destas paredes
e por atrás da minha porta,
existe um mundo distante,
mais perto desse Deus que fingem crer
e não se importam em conhecer.




Passo pelas igrejas da moda,
ouço gritos, cantoria...
vejo gente assídua, muita alegoria...
e depois disso ouço o mal
saindo nas palavras
das almas desalmadas.
Neste isolamento penso, reflito,
busco lúcidas respostas no infinito.



21 de janeiro de 2015

Volição II


Volição
Suzette Rizzo

Veio com tudo
a desconhecida liberdade,
e total independência,
sonhos de uma vida!

Com ela veio à carência
e solidão
e quisera hoje,
ter a quem pedir licença,
por quem ser protegida,
defendida se necessário.

Veio com tudo!
O desejo de companhia,
de parceria,
a ânsia de encontro e futuro.

Veio com tudo a aspiração
de conhecer-me de fato,
encontrar real justificativa
para as quedas e motivos
dos declives neste mundo...

Veio com tudo a raiva
do desejo que sempre tive...
Veio com tudo o desanimo 
de ser livre

20 de janeiro de 2015

Dialogo comigo



Dialogo comigo
Suzette Rizzo



Saudade  te aquiete,
de que resolve voar como um pássaro
sobre minha cabeça
e me levares pelo bico como cegonha
para que eu caia do sonho
e acorde pensando asneiras?





Solidão te aquiete solidão,
cessa esse canto lamurioso
de lagrima inquietante...
De que adianta me afogares
em carências incessantes?


Minha alma te aquiete,
e abre alas em meu peito,
para que o destino desejado
reencontre-me primeiro.


18 de janeiro de 2015

Desconforto


 


Desconforto
Suzette Rizzo

Gasto os olhos,
gasto a alma,
gasto a vida
(inutilmente)
entre seres nada a ver com meus ideais,
com meus sonhos mortais.
Nesta selva procuro meus iguais
e de bom, com toda franqueza,
encontro o reino animal

e alguns intelectuais
(somente)
Quisera, essa gastura me levasse
a inimagináveis aventuras
e eu, desaguasse então, todas as lutas
e secasse magoas definitivamente.
E fantasiasse entre lantejoulas celestes
o futuro inda latente

Sunday, January 11, 2015  19:38:16

Tédio III


TÉDIO (III)
Suzette Rizzo

Coqueiros balançando ao vento,
maré baixa, maré alta,
ondas grandes e pequenas
e prefiro esse tédio à casa murada
na capital,
onde ontem mesmo roubaram
minha caixinha de cartas.
E quando um moleque grita
na rua silenciosa,
o  coração sai pela boca
exausta de andar fechada...



De resto,  a velha monotonia
das horas solitárias...
Sem ondas pra contar
ou a vista a  se perder
na maré baixa . 


Autora: Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

Quem sabe?


Quem sabe?
Suzette Rizzo

Quem sabe um amor
abrace este sonho vazio
de céus estrelados.

Quem sabe um beijo molhado
e eu ame outra vez, como a vida
se deleita com um dia ensolarado

Quem sabe, um poema
aponte na superfície do pensamento,
por ora solitário.

Quem sabe eu me iluda
apesar dos pesares,
quem sabe teu clone surja...

E nesta noite eu te encontre
e me sinta mulher... muito capaz de amar,
nunca mais num futuro imaginário!


17 de janeiro de 2015

Decida-se


Decida-se
Suzette Rizzo

Conheça-me
antes da primavera.
Gosto de flores
durante o inverno,
beijos pelo telefone,
poema com chocolate fervendo
nas noites geladas,
cores quentes,
música sempre.

 
Permita que nossos sonhos
se busquem
e nada interfira
na decisão tomada.
Distinga
quem te ama de quem te deseja.
Conheça-me e escolha de vez
quem queres que
eu seja.


 Suzette Rizzo

Arroubo poético



Arroubo poético
Suzette Rizzo

Quanto mais penso mais escrevo
e se não paro o pensamento numa fase,
num rosto, num gosto,
então descrevo o que está vago
e sempre vem um verso novo.
Escrever é como ter encosto,
fumar, drogar-se...
beber demais.

É uma hipocondria 
só que de versos e rimas
e é também por vezes
catalepsia...
Porque inspiração de poeta,
saiba, tu, leitor, 
também merece calmaria.

Monday, January 12, 2015  15:39:37