21 de janeiro de 2015

Volição II


Volição
Suzette Rizzo

Veio com tudo
a desconhecida liberdade,
e total independência,
sonhos de uma vida!

Com ela veio à carência
e solidão
e quisera hoje,
ter a quem pedir licença,
por quem ser protegida,
defendida se necessário.

Veio com tudo!
O desejo de companhia,
de parceria,
a ânsia de encontro e futuro.

Veio com tudo a aspiração
de conhecer-me de fato,
encontrar real justificativa
para as quedas e motivos
dos declives neste mundo...

Veio com tudo a raiva
do desejo que sempre tive...
Veio com tudo o desanimo 
de ser livre

20 de janeiro de 2015

Dialogo comigo



Dialogo comigo
Suzette Rizzo



Saudade  te aquiete,
de que resolve voar como um pássaro
sobre minha cabeça
e me levares pelo bico como cegonha
para que eu caia do sonho
e acorde pensando asneiras?





Solidão te aquiete solidão,
cessa esse canto lamurioso
de lagrima inquietante...
De que adianta me afogares
em carências incessantes?


Minha alma te aquiete,
e abre alas em meu peito,
para que o destino desejado
reencontre-me primeiro.


18 de janeiro de 2015

Desconforto


 


Desconforto
Suzette Rizzo

Gasto os olhos,
gasto a alma,
gasto a vida
(inutilmente)
entre seres nada a ver com meus ideais,
com meus sonhos mortais.
Nesta selva procuro meus iguais
e de bom, com toda franqueza,
encontro o reino animal

e alguns intelectuais
(somente)
Quisera, essa gastura me levasse
a inimagináveis aventuras
e eu, desaguasse então, todas as lutas
e secasse magoas definitivamente.
E fantasiasse entre lantejoulas celestes
o futuro inda latente

Sunday, January 11, 2015  19:38:16

Tédio III


TÉDIO (III)
Suzette Rizzo

Coqueiros balançando ao vento,
maré baixa, maré alta,
ondas grandes e pequenas
e prefiro esse tédio à casa murada
na capital,
onde ontem mesmo roubaram
minha caixinha de cartas.
E quando um moleque grita
na rua silenciosa,
o  coração sai pela boca
exausta de andar fechada...



De resto,  a velha monotonia
das horas solitárias...
Sem ondas pra contar
ou a vista a  se perder
na maré baixa . 


Autora: Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

Quem sabe?


Quem sabe?
Suzette Rizzo

Quem sabe um amor
abrace este sonho vazio
de céus estrelados.

Quem sabe um beijo molhado
e eu ame outra vez, como a vida
se deleita com um dia ensolarado

Quem sabe, um poema
aponte na superfície do pensamento,
por ora solitário.

Quem sabe eu me iluda
apesar dos pesares,
quem sabe teu clone surja...

E nesta noite eu te encontre
e me sinta mulher... muito capaz de amar,
nunca mais num futuro imaginário!


17 de janeiro de 2015

Decida-se


Decida-se
Suzette Rizzo

Conheça-me
antes da primavera.
Gosto de flores
durante o inverno,
beijos pelo telefone,
poema com chocolate fervendo
nas noites geladas,
cores quentes,
música sempre.

 
Permita que nossos sonhos
se busquem
e nada interfira
na decisão tomada.
Distinga
quem te ama de quem te deseja.
Conheça-me e escolha de vez
quem queres que
eu seja.


 Suzette Rizzo

Arroubo poético



Arroubo poético
Suzette Rizzo

Quanto mais penso mais escrevo
e se não paro o pensamento numa fase,
num rosto, num gosto,
então descrevo o que está vago
e sempre vem um verso novo.
Escrever é como ter encosto,
fumar, drogar-se...
beber demais.

É uma hipocondria 
só que de versos e rimas
e é também por vezes
catalepsia...
Porque inspiração de poeta,
saiba, tu, leitor, 
também merece calmaria.

Monday, January 12, 2015  15:39:37


16 de janeiro de 2015

Pergunta boba


Pergunta boba
Suzette Rizzo

O que tu sentes é um pardalzinho,
nenhum amor leonino creia.
O que tu sentes é mesmo um passarinho,
nenhuma arara azul em sentimentos
corre das tuas veias.
O que tu sentes me pergunto,
o que seria?
Hum! Talvez um coelhinho,
colecionador de rápidos prazeres

January 11, 2015   16:08:59

11 de janeiro de 2015

A dor da verdade



A dor da verdade
Suzette Rizzo 

A verdade abocanha e morde
e arranca aos pedaços as esperanças.
Não queria ouvi-la,
nem ter que come-la com fel
junto as futuras lembranças.


Ainda sinto o gosto daquela,
gritada  bem alto
pelo prazer que ele sentiu
de me ferir.
Ainda ouço a voz grossa e aguda
como lança pontiaguda
acertando o peito  a florir.

Também gritei e muito alto
mas ninguém ouviu. 
Gritei na lágrima que escorreu
misturada ao atrito das nuvens 
e da chuva que caia a valer.

Gritei ardido,
queimando o rosto frio
do inverno que dói ,
doerá,
doeu.

E disse minha tia:
Vai passar minha filha!
Passou nada!
Se repete todo dia
a décadas da minha vida.

Virou trauma, complexo de rejeição,
pavor intenso de traição.
E a verdade dolorida,
sempre grita
em outra boca;

Ser traída é minha sina
e a lágrima...
meu estigma.

Cansei de uivar


Cansei de uivar
Suzette Rizzo


Cansei de ouvir uivos interiores
por insones madrugadas,
cansei de comparar meus sons
com latidos de socorro,
cansei de lembrar as mesmas magoas,
trazer doenças da alma para o corpo
e mais ainda cansei deste jeito tolo
de ser e sofrer.
Cansei de escrever,  pensar tristezas
e dessa descoragem que me ferra.



Cansei de morrer um pouco mais que todos
nessa lama que me enterra
e me cansei desse decorrer  da vida 
que é a jato
e é de fato, só passagem...

10 de janeiro de 2015

Vida e Morte



Vida e Morte
Suzette Rizzo

Olhei-me em teu lago
de águas claras,
hipnotizei-me da tua beleza.
Não poderias ser Narciso
nem eu uma princesa.
Mas cravei tuas feições no pensamento
e tive cem mil pressentimentos
concluídos.
Do primeiro beijo
ao derradeiro estampido

Imortal


Imortal
Suzette Rizzo

Nem ouso parar os olhos no teto,
pois as cenas das fases mal vindas
desfilam,  desfilam incansáveis.
Nem ouso fixar os olhos nas paredes
pois trazem em tamanho natural
o amor,
a fome,
a boca, 
o beijo vital.

Nem ouso um silencio momentâneo,
um lembrar instantâneo
do dia fatal.
Nem ouso, não ouço,
não posso parar afazeres,
recair revezes, soltar-me,
paralisar-me,
querer-te imortal


9 de janeiro de 2015

Privação


Privação
Suzette Rizzo

Pobre de mim,
que encarno outra criatura
menos infeliz,
para dar aos outros
impressão de felicidade.
Pobre de mim,
poetinha estúpida,
cuja sensibilidade esparrama lágrimas
transformadas em palavras.
Pobre de mim,
sempre enganada,
seguindo caminhos contrários,
pobre criatura irrealizada.


Um dia recuei meus receios
e chorei poemas,
hoje enrolo meu céu e encerro,
meu ultimo tema.


Suzette Rizzo_ November 29, 2013

Pra quê? (II)


Pra quê (II)
Suzette Rizzo

Hora de dormir?
Não tenho hora pra coisa alguma
nem desejos de nada...
Nem do chocolate que me olha sobre o rack,
nem da folha em branco que antes me atiçava.
Dormir, acordar, comer, falar...
não tenho fome de nada.
Estou envolvida por um vazio engolidor


e esta alma afunda em algo sem nome,
sem cheiro, lugar identificado.
Hora de acordar?
Pra quê?
Não quero, não gosto,
chega de viver sempre outra vez,
ano após ano
neste buraco habitante de insanos

Enamorando



Enamorando
Suzette Rizzo


Nasci...
Nesse namoro de palavras doces,
poesia pura com fortaleza de abraço.
Namorava enfim,
retendo olhares que só eu vi,
ouvindo a reprise das frases lindas,
sentindo os gestos, o laço

e a sutileza de um lago perto de mim,
como se eu fosse uma orquídea
brotando para a vida,
ajudada por um querubim.
Nasci em todos os sentidos...
Sob o calor do sol,
energizando a alma mal alimentada
do vital,
reencarnada e desatada do mal.
Nasci, nesse namoro desejado
nos tantos dias enamorados
aguardando a soltura da minha vez.
Não sei de fato o que houve...
Morreu? Talvez!

Suzette Rizzo - October 22, 2013

7 de janeiro de 2015

PRA QUÊ?





Pra quê?
Suzette Rizzo 

Se pudesse voar,  
pousar em teu corpo, 
acordar teus olhos para mim... 
Não hesitarias em exterminar 
esse incomodo da tua noite. 
Por isso, não tenho asas, 
pra  quê? 
Com certeza seria tocada 
como um inseto 
inconveniente!

Coisas da vida



Coisas da vida
Suzette Rizzo


Coisas da vida
escolher um caminho torto,
ter crises devoradoras
da alma frágil,
viver algum amor esquartejador
de sonhos.


E nem resolve chorar muito,
esconder todas as lágrimas,
nem extravasar a ilusão-passagem,
que fez o coração se achar,
feliz e dono.
Um dia puft !
O amor termina, a paixão cessa,
o tesão derrete.
Um dia... e esse dia desastre
as vezes causa enfarte,
outras vezes alivio.
Mas compensa:
o coração emagrece 
e a alma elimina o vício