25 de dezembro de 2014

Lirismo




Lirismo
Nel Meirelles
 
Ele tocava violão. Ela tecia sonhos.
Ele sonhava, ela cantava. 
E nunca se encontravam. 
Mas toda história tem que ter um final feliz. 
Hoje ela sonha canções
e ele canta seus sonhos em Si bemol maior.

Nel Meirelles

January 30, 2005 

24 de dezembro de 2014

Rejeição


Rejeição
Suzette Rizzo

Atraída por palavras,
seduzida com atenções,
e depois,
decapitadas uma a uma
as ilusões .
Inesquecível o desaponto,
o rosto frio daquela criatura.


Inesquecível o movimentar das mãos
procurando apoio de si mesmo,
a busca dos objetivos,
toda e qualquer esperança
sob a grande frustração.
E eu ali, fingindo não perceber...
Sem jeito, sem graça, magoada,
desorientada, decepcionada
com tamanha rejeição.
E a minha poesia desde então,
permanece paralisada
procurando as emoções
todas dispersadas.


April 18, 2014

Ouvindo Hàmlid



Ouvindo Hàmlid
Suzette Rizzo

Juntava conchinhas beira mar,
molhava os pés nas ondiculas,
queimava os ombros,
doía, dormia...
Acordou moça, adulta, madura,
despreparada para a luta.
O céu estava lá no mesmo lugar,
a lua também


e as ondiculas para sempre
morrendo na praia.
Observava as conchinhas, poucas agora,
mas não mais se empolgava em pega-las...
O céu sim, tão alto, demais azul,
tão lindo o marinho,
salpicado de estrelinhas...
E a moça se encantava.
Dormiu hoje, amanhã...  
prosseguiu admirada das coisas celestes,
das coisas do mar.
Enfim, enxergou além
e sentiu tal prazer,
até notar o extasio destemperado...  
Permanece na redoma
e sobrevive solitária.




"Mesmo estando entre milhares de pessoas, essencialmente somos seres sós. Não devemos confundir os significados de solidão com solitude ou meditação, pois meditar é entrar em contato consigo mesmo e com o Criador de Todas as Coisas."
Hàmlid

FELIZ NATAL




A todos os amigos que me visitam,
meus desejos de muita Luz neste Natal e sempre.
Muito obrigada meus amores


Suzette Rizzo

23 de dezembro de 2014

Loucuras da solidão


Loucuras da solidão
Suzette Rizzo 


Andei por aí
conhecendo o mundo,
o lado feio de tudo,
misturando intuição com poesia
luzes com ironia
porre com emoção.



Andei confusa
sabotando a solidão.
Colorindo a noite fria
pra pensar que cor bonita
despertava em mim, paixão.

Andei perdida,
meio cá, meio lá,
bem pra baixo!
Enxergando fraco,
nem presa, nem livre,
sem pique, sem rastros.

Por isso parei
naquele espaço
que nem era pra mim...
Querendo o calor da boca
e uma noite muito louca
que só riu desta boba aqui.



Lua pequena


Lua pequena
Suzette Rizzo

Uma pequena lua enfeitou de luar o meu
e outros quintais
e lembrei das vezes em que sentamos num banco
improvisado de tijolos
e conversamos sobre fases nada naturais.
Relembramos tristezas,
porém o vento gostoso da noite,
não permitia qualquer lágrima.
Voltamos ao presente,
a observar a pequena lua
compreendendo o vento que revirava ex fases
para escrever novas páginas.



Ontem, a mesma lua enfeitou de luar
o meu e outros quintais,
mas desta vez não tive com quem conversar...
Olhei o céu igual e desigual
e lembrei apenas
daquela noite  de lua pequena;
Agora? 
Não cavo da alma
nem meia lauda de poema


Monday, June 04, 2012

20 de dezembro de 2014

Nova ressurreição


Nova ressurreição
Suzette Rizzo


Nas horas de abandono
quando o corpo se deita
acontece o turbilhão de pensamentos.
E eu sei,
que mesmo que haja uma outra
atravessando seu tempo,
é de mim que você lembra.



Difícil esconder sentimentos
ou a carência que se alimenta
de redobrados desejos.
E você sabe o mal que me fez
e quanto tempo perdi
matando de mim, você.

Impossível
expulsar necessidades,
o tédio, as verdades,
angustias, saudades...
No entanto, o mais terrível,
é afastar esperanças
de continuidade.

E coloco-me em seu lugar,
procuro seus motivos,
trocamos de coração,
fechamos os olhos ...
E não é com surpresa
que descobrimos,
a importância da razão
e que ambos ansiamos
com afinco,
nova ressurreição.


2005

Poetas e amantes


Poetas e amantes
Suzette Rizzo

Nas ruínas misteriosas da alma
forradas de velho cimento,  
escreveu poemas mundanos,
todos no esquecimento.
Voltou a alma poeta
a preferir luas inteiras
e noites ao pé da lareira.



Voltou o dom e o paladar
poesias de primeira.

Retornará o poeta mudado,
se nem na memória vive
aventuras do passado?
Ela, aguardará...

Por enquanto o que há 
são utopias,
encontros em sonho e quem sabe,
na fonte dos namorados...
Para que juntos se inspirem por lá
e juntos renasçam cá;
Poetas e amantes,
nem tristes ou frustrados,
apenas enamorados.

                                   April 04, 2010

Dois beijos


Dois beijos
Suzette Rizzo

O mesmo sopro de vento
calmo irá repetir-se,
toda vez que eu mentalizar
a primeira madrugada
e dois únicos beijos;
O último e o primeiro...
Na escada e no final daquela
estrada!

Estarei sempre na mesma...
Não querendo recordar
e totalmente entregue
a esta mistura-conflito
de querer não odiar
quem tocou meu coração,




acendeu fogueiras
e deixou fagulhas
em meu destino!
Suzette Rizzo


18 de dezembro de 2014

Experiência


Experiência
Suzette Rizzo 

Experimento a sensação
de estar sendo conduzida pelas mãos
por entre nuvens de algodão,
cujos seres fosforescentes,
acendem luzes sobre meus versos. 

Experimento a sensação da mistura
de dois pensamentos num só...
Alguém em mim querendo dizer
as coisas que não sei...
e eu encantada, interpondo a vez. 

"Foi um grande passo,
tentar conhecer, tentar viver
espiritualidades'
dizem eles, aos meus ouvidos...


"Um grande passo querer crescer,
entre dores e lamentos,
perdas e sofrimentos.

Um grande conhecer experimentar o dom,
arrastar a alma para o imã celestial,
velejar por mares desconhecidos"...

E foi mesmo assim ...
Como se eu fosse um neném,
chegando ao mundo dos vivos.


17 de dezembro de 2014

De encontro a mim


De encontro a mim
Suzette Rizzo 

O medo de cavar lembranças,
reverenciar um tempo sinuoso
ocultado de mim mesma,
causa pânico...
Quisera espremer
 tumores cármicos, petrificados
e esse ainda não seria
o preço pior do alivio.



O desejo é atormentador,
no entanto saudoso da magia
dos momentos vividos,
cujas galáxias entornavam
seiva refrescante,
expulsando o pó do tempo,
alimentando minhas células
da sensação marcante.

Daria tudo
para reencontrar o ouro,
de um instante intenso
em emoções !
E ajoelho-me
perante as efígies das lembranças
como fossem sacras;
agradecendo o ciclo,
mesmo assim, incompleto
e a futura recordação
do amor sentido na terra
Que apesar dos pesares...
se fez, tão breve.

                           Suzette Rizzo

15 de dezembro de 2014

Sempre...

Sempre...
Suzette Rizzo


É sempre abril
no tempo e na alma,
quando escrevo a poesia
do amor surgido,
na fase mais negra
do meu destino. 

É sempre final de verão,
noites ainda quentes
e a musica envolvente,
vinda de dentro...
junto a visão que ocupa espaços
todos que a vista alcance...
aqueles que a alma sente.


É sempre abril!
Embora a madrugada seja mais fria
e eu tenha tantos problemas,
dissecando a serenidade
desse único alento !
Suzette Rizzo