5 de dezembro de 2014

Energia


Energia
Suzette Rizzo


Nada se dilui no silencio
das noites mal dormidas,
ao contrário se alvoroçam
sentidos e sentimentos
e a sub consciência
das tantas vidas.


Nada morre junto ao silencio
de uma noite bem dormida...
os sonhos se proliferam,
as visitas desejosas acontecem
e a mente depois apaga
mensagens recebidas.

Não há descanso para a alma
não há trégua aos problemas,
pois mesmo isolada da matéria,
a alma vive beirando abismos
enroscada em horas iludidas.

Confuso ser, confuso mistério
e tão simples como a energia.
Somos lâmpadas no infinito
que se enroscam e desenroscam
ora do corpo morto
ora do corpo vivo.

A lista


A lista
Suzette Rizzo


A foto é que chama atenção,
o perfil nem tanto.
Então...  então, ridiculamente
vai tecendo elogios,
fazendo aqui e ali visitas
até chegar  a conquista.
Enfim,
esse é um poeta galanteador
na minha vida e na tua,
na vida que é nua,
na estrada sangrenta,
na sensibilidade aguçada...
Na interminável lista
escondida na gaveta.

NO FRIGIR DOS OVOS


ESSA NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA!!!
IMAGINEM EXPLICAR ISTO PARA UM ESTRANGEIRO.
ESSE TEXTO É UMA VERDADEIRA DELÍCIA...
MUITO BEM BOLADO !!!
SABOROSÍSSIMO!!!
DIGNO DE UM MESTRE CUCA!!!

Texto enviado por meu amigo o professor Gabriel Ribeiro, poeta maravilhoso.
Acima, observação dele


NO FRIGIR DOS OVOS

O que significa "No frigir dos ovos"?
Pergunta: Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?
Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce, mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas, nem ficar procurando chifre em cabeça de cavalo.
Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, fazendo uma boquinha e cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher lingüiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos. Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha. São escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço, comendo mortadela a arrotando caviar. E, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas, porque macaco velho não bota a mão em cumbuca. Mas, quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.
Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que, no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque: o que não mata engorda.
Entendeu o que significa "no frigir dos ovos"?
Autor: Não mencionado
 

4 de dezembro de 2014

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A inspiração e a necessidade de aflorar
o que sinto
e sem reservas,
nasce não exatamente de mim,
mas, da sua capacidade
de fazer-se único

Suzette Rizzo

3 de dezembro de 2014

Noite louca


Noite louca
Suzette Rizzo

Tatuado, bonito,
inconcebível,
dançando no meio da pista,
sozinho.
A roupa amarrotada,
cachos desarrumados
e no rosto, 
uma marca de batom
avermelhado.

Copo na mão,
nem cerveja nem cachaça,
ele mesmo não sabia
o que tomava.


E veio a menina...
Linda!
Avançou naquele pescoço,
beijou o cara na boca,
agarrou a ilusão...
na pista. 

Noite louca!
Vim com ele pra casa,
poetando pelo caminho...
Eu e o menino!
Suzette Rizzo


Conduzida


Conduzida
Suzette Rizzo

Testam-me,
não sei quem, de onde vem,
qual lugar reside quem me testa.
Sinto-me espreitada,
dominada, contaminada


regulada por algo
que me apara arestas.
Desconheço a minha real identidade
e exceto saber-me poeta de alma
quem me testa devora-me o sono,
a vida, a calma.
Não sei em qual esquadra vim
ou em que mundo estou...
Se é ele simulado, paralelo,
fabricado...
ou mesmo algo computado...
Na verdade, um molde infeliz,
avaliado de tempos em tempos,
quem sabe uma amostra a mais
tipo robô da Matrix...
cujo comando sem dúvida negro
como falta total de luz.
Posso pensar mais o quê,
se nunca estive liberada
e não consigo ser feliz ?

Repulsa




Repulsa
Suzette Rizzo

Estilhacei poemas falidos,
carcomidos pelo tempo,
joguei no lixo velhos escritos
e amores em detrimento.

Invalidei tudo o que foi dito,
queimei a papelada,
limpei arquivos
e nesse amontoado de resquícios
esfarelei a rosa...

Com ela eliminei o embuste,
expurguei o abraço
e de vez te excluí, maldito!

2 de dezembro de 2014

Quisera



Quisera
Suzette Rizzo

Há um reino da razão
outro do coração,
Ha reinos encantados,
reinos destruídos,
há reinos estelares,
reinos umbralinos.
Há um reino desconhecido
que me acanha,
um reino de portas trancadas,

janelas sempre fechadas,
sorriso incógnito.
Questiono se escutas o grito,
embora silencioso,
daqui deste reino aflito,
talvez, aos seus olhos,
reino incrivelmente contraído!

Será, que me ouvem esses teus ouvidos?
Quisera, mas duvido!

1 de dezembro de 2014

Permissividade


Permissividade
Suzette Rizzo

É preciso arrancar a alma,
salgar a fronha,
mas não permitir a insônia
inventar coisas.
É preciso esmagar um a um
os sentimentos,
até que esse inseto interior
não mais se movimente.
É preciso refrear nomes,
não pensar bulas vencidas,
consentir o entorpecimento
da ilusão da vida
e nunca mais perder tempo
com ego alheio
nem fingir-me permissiva.

30 de novembro de 2014

Uvas doces




Uvas doces
Suzette Rizzo

Pensar em nós
amolece, inspira,
anoitece verão.
Mesmo que nada
hoje se encaixe 
na minha ilusão. 



Alguns passos beira mar,
pousar os olhos
na preguiça das águas
oscilando sobre elas o luar
trás saudade...

Mas a luz das estrelas
desmancha o cenário,
assim como odores da natureza
nublam tudo de lágrimas

Não resolve pensar
cachos de uva moscatel
que ele gostava.
Tentativa vã,
adoçar pesares
sempre ativos na memória

Nem mesmo resolve
pensar cores claras...
Tristeza acinzenta entranhas,
fere praias azuladas.


Suzette Rizzo

Gruta sagrada



Gruta sagrada
Suzette Rizzo 
                               

Vou trilhando um novo caminho
sem olhar dos lados,
sem querer sentir o tempo
ou saber a quanto o momento
leva-me por hora. 

E entro naquele bar,
como se fosse uma gruta sagrada
ou jardim encantado,
deixando-me ser vítima
de certo olhar detonador. 

Depois...
é como se eu pisasse em plena estrela,
bebesse o licor dos deuses
e, flutuasse sobre a minha cidade...
consagrando a tal loucura
que me mata de saudade ! 

Ando assim, perdida,
meio tonta, distraída,
dançando a todo momento
por salões iluminados
dos meus novos pensamentos
Suzette Rizzo

Melancolia


Melancolia
Suzette Rizzo           
Acordei melancólica...            
não sei o que há comigo.
Nada mudou
e as mesmas tristezas
fazem parte da minha rotina .

Acordei querendo não acordar   
e, depois, querendo botar pra fora
ares contaminados,    
esses que preenchem meu pulmão
de nicotina.
                             
Tenho dormido pouco e mal
e nem sonhar tenho sonhado.       
Uma foice zumbe alto
em meus ouvidos                                       
e poda no grito as ânsias de paz.    
                                                              
Na palma de minha mão
há destino cortado...
e há mesmo!
Tudo me foi recusado.

Abro por acaso o bloco de poesias...
Meu Deus !
Estão purgando as madrugadas...
tenho alma infeccionada.
                                                                
Passo a tarde nesta agonia,
açoitada por sons desgarrados...         
Aconteceu há tantos anos!
Mas, estão cravados e gravados.                                                    
                 
A noite vai chegar, o dia amanhecer,
e mais anos chegarão...
Chegarão ?
Ai Deus ! Quero não ! 
Quero não !
        

Suzette Rizzo

27 de novembro de 2014

Meu Natal


Meu Natal
Suzette Rizzo

É Natal !
Natal no planeta inteiro.
O festejo da divina luz...
Gostinho de céu
emoção maior.

Mas, eu,
comemoro os anos
da minha solidão
na casa morta...
Vestida
de noite silenciosa
e ausências...
todas !


Suzette Rizzo

Ética



Ética
Suzette Rizzo

Não poderia ser patriota
porque sou humanitarista.
Na acepção da palavra
já fui idealista,
socialista,
contudo, jamais petista
(Nada a ver!... Tolice e pura confusão
ser Maria vai com as outras).
Indignada com o baixo nível
da moral e suposto bem,
gostaria de perguntar:
Quem quer o bem do povo?
E o povo? 
Equivocado com promessas...
pobre gente!  
O que sabe hoje este povo
cego, crente e necessitado
correndo atrás de vintém?
Perdão, 
ando escrevendo o que vem.