16 de novembro de 2014

Relutância


Relutância
Suzette Rizzo

Reluto.
Não quero sonhar!
Apenas, dissipar a imagem
que desnorteia
e me leva a ter alucinações.

A luz acesa traz o delírio
e estrelas disformes
vão surgindo pelas frestas,
buraco da fechadura,
por baixo e por cima,
dos vãos da porta,
laterais das persianas da janela,
anunciando a chegada sem hora. 

Apago a luz
para que cesse esse anunciar
perturbador,
trazendo dobrada a saudade
e, a alma inundada em rancor.
Não posso dormir! 
Moras por traz destas pálpebras,
dentro da essência agitada,
em cada madrugada.

Reluto.
Entre viver outra noite assim,
ajeitar-me em teu corpo
ou expulsar-te da minha cama...
E durmo entorpecida,
deixando-me entregue ao sonho
que enlaça.

Renuncio sim
este sentir que me agarra!
E nada, nada que eu faça
jamais te levará do meu quarto,
desta casa,
do meu sonho, nem de mim.


Suzette Rizzo

Ei! Presta atenção


Ei! Presta atenção
Suzette Rizzo



Não moldaria meu jeito,
para ser a mulher que te agrada.
Isso nunca!
Sou o que sou,
amante dos meus bichos,
mulher solitária,
dona de mim, meus atos,
meus ciscos...



O mundo me sufoca
pelo otimismo de quase todos,
na verdade um otimismo inconsciente
fingido, teórico,
de quem sofre pouco.
Não moldaria meu jeito de ser
pra quê?
Para servir ao teu corpo?
Carrego pedras na alma
e por isso te acho tolo

tolo demais seu moço!

Vontades reprimidas

                                
Vontades reprimidas
Suzette Rizzo

Desvio o assunto,
chega de balidos...
Só não posso ser serpente
pois é contra 
meus princípios.
Mas que dá vontade, isso dá,
coça como urticária
este desejo de  agir tal e qual,
finalmente revidar:
Dente por dente,
veneno na mesma taça.


Otto


Dificilmente se arranca lembrança, 

lembrança, 

lembrança, 

lembrança...

Por isso da primeira vez dói, 

por isso não se esqueça: dói.

Otto

15 de novembro de 2014

Piada





Piada
Suzette Rizzo

Não quero varrer da alma
uma vida inteira,
embora a vida inteira
mereça ser apagada.
Verdade!
Não há prazer nestas lembranças,
nem escolhas acertadas...
São cólicas e cólicas de desgraças,
horas lacrimejadas,
manchadas de tristezas variadas.
Verdade!
Nasci de alma encharcada,
nó na garganta,
intuição amalucada,
permanentemente extenuada
do mistério de viver .
Verdade!
Satã inda gargalha,
das minhas doridas falas,
escondido nas frestas
do meu mundo adverso às fadas.
Não queria ser de mim proprietária,
nem portar tantas desgraças...
E pensando bem elejo esta sina,
-verdade, eu juro-
A uma grande piada!

Avisos


Avisos
Suzette Rizzo

O pensamento mostra garras,
aniquilando
qualquer desejo imprudente.
Se não sinto as garras
ouço a voz de mim  embargada,
os pés colados no chão
ecoando a dúvida da minha sombra
impedindo a má ação.
É assim que o Inventor da criatura,
surge em meio as aventuras
e contravenções.
Eu percebo,
tem gente que não dá a mínima atenção
e perde a chance de habitar um dia
o Grande coração.

Um certo teatro ...


Um certo teatro...
Suzette Rizzo

Devoro passagens sigilosas,
pedaços de alento 
guardados,
no vazio das minhas horas.

Há uma escada fria,
olhos azuis congelados,
um tablado velho e gasto
e tu, meu doce palhaço.

Saltam partes das fases
como borbulhas,
mas vejo e toco imagens
frias e nuas.

Fixos estão meus olhos
a rodopiar essa historia,
que bem poderia ter sido
minha e tua.
Suzette Rizzo 

14 de novembro de 2014

Escolhas


Escolhas
                         Suzette Rizzo

Escolhas !
Jamais alcançam as mãos da Realização
e essa, ri de mim,inda mais arisca,
atirando  lá do alto seus dardos
como quem diz:
Não persista!
E já não tenho aspirações ,
cansei-me dos naufrágios,
do peso nos ombros...
Restam apenas vontades diminutas
e possíveis,
cuja luta apenas sustenta sonhos.


Não ouço tal conselho...
Sonhar não pode estar impedido!
Escolho novas e pequenas ilusões,
preciso disso.
Ergo meus olhos pedintes
e lá de cima o espírito das Realizações
encolhe as mãos... nem me recebe.
Como se assim dissesse:
Tempo perdido!
Esquece!!!!


Pensamentos...


Pensamentos
de um domingo
chuvoso

Suzette Rizzo 

Se fosse Natal,
estaria sob  uma avalanche de lagrimas...
Se fosse Páscoa
eu não comeria chocolate...
Se fosse dezembro, relembraria
o pior,
o triste,
o fato
e morreria de dor 
e saudade de um tempo pacato.
Parece sempre ontem ter sofrido,
parece sempre ontem ter perdido;
o companheiro,
o irmão,
o amigo.


13 de novembro de 2014

Luzes da Experiência


Luzes da experiência 
Suzette Rizzo 

Observei a tempestade...
os raios riscando os céus
a chuva desabando nuvens escuras,
as plantas matando a sede,
o aguaceiro lavando as calçadas
assim como limpam a alma
todas as lágrimas.

Passou!
O sol surgiu brilhando as folhas,
enfeitando o jardim...

Suspirei!
Maravilhada com o fantástico mundo
em que vivo
e a possibilidade de poder desaguar tristezas
e outra vez enxergar belezas,
apesar dos seres nocivos.

Quero que a vida me presenteie
com milhões de tempestades,
e não me importarei com elas.
Passarão, como já se diluíram
aquelas dores do passado.

Se o sol não fulgurar tão cedo,
ainda assim faiscarão,
as luzes da experiência.


Suzette Rizzo

11 de novembro de 2014

Um dia...


Um dia...
Suzette Rizzo 


Um dia nossos dedos se entrelaçarão outra vez
e caminharemos lado a lado
esse amor concreto.

Um dia nossos olhos verão campos verdes
e de perto a estrela Dalva,
rente ao paraíso reluzente.


Um dia dançaremos pelas nuvens,
sentaremos a beira da lua,
aninhados para sempre.

Um dia, qualquer coisa poderá acontecer
exceto o definhar dos sentimentos da nossa essência,
sonho e mente.

Sobrevivente


Sobrevivente
              Suzette Rizzo

Foi um longo tempo
numa mesma direção.
Sem notar  atalhos
ou querer desvios.
Um longo e estúpido trajeto
mas que era o certo
no meu delírio
de pensar correto.

Valeu agir de forma justa
pensar espiritualmente alto,
ter tranqüila a consciência,
ser feliz sobrevivente,
adormecer sem sobressaltos
não sentir  a dor que sentes.

Estou em paz comigo,
não sofro além do merecido

Suzette Rizzo  

Nosso amanhã


Nosso amanhã
Suzette Rizzo

O tempo matará desejos
e o beijo rotina não terá sabor...
Não sentirei mais a respiração dele
como parte da minha
e, afastarei meu corpo cansado,
querendo estar mais sozinha. 

E ele, abraçará sua propriedade
com unhas e dentes
e, jamais admitirá mudança
sem motivo, enganando a si mesmo,
jurando ser eu mesma 
a mulher do seu destino. 



Olharemos fotos das nossas viagens,
percebendo o tempo passando rápido
e cada qual com sua solidão,
sorrirá fingindo satisfação,
no olhar agora pálido. 

Mas, estaremos juntos,
impondo-nos uma mentira deslavada...
estaremos  viciados um no outro.
Eternos e covardes,
até que a morte nos separe.

Suzette Rizzo