11 de novembro de 2014

Nosso amanhã


Nosso amanhã
Suzette Rizzo

O tempo matará desejos
e o beijo rotina não terá sabor...
Não sentirei mais a respiração dele
como parte da minha
e, afastarei meu corpo cansado,
querendo estar mais sozinha. 

E ele, abraçará sua propriedade
com unhas e dentes
e, jamais admitirá mudança
sem motivo, enganando a si mesmo,
jurando ser eu mesma 
a mulher do seu destino. 



Olharemos fotos das nossas viagens,
percebendo o tempo passando rápido
e cada qual com sua solidão,
sorrirá fingindo satisfação,
no olhar agora pálido. 

Mas, estaremos juntos,
impondo-nos uma mentira deslavada...
estaremos  viciados um no outro.
Eternos e covardes,
até que a morte nos separe.

Suzette Rizzo


9 de novembro de 2014

Estouro




Estouro
Suzette Rizzo

Bem feito pra mim!
Quem mandou acreditar na hipocrisia,
na falsa calmaria,
achar que a noite vira dia
num piscar?
Quem te mandou sonhar
esse sonho borralho,
pra se queimar!
A mesma raiva deglute
outras almas insones
molhadas de erro e vermute.
Bem feito!
Quem mandou se dar,
forçar, reforçar, aceitar,
fingir-se impressionar,
deixar-se levar, se poluir
por  um tipo João ninguém?
Bem feito!
Afeto que nasce intenso
e vive mais pra drama
vira urtiga na cama.


“Como diz minha amiga a poeta Marisete Zanon

poesia é também recado”

Quase verdadeiro


Quase verdadeiro
Suzette Rizzo

Lembro-me sim,
da calçada molhada,
da garoa fina encobrindo estrelas,
do tempo sempre cinzento
e azulado pensamentos,
penetrados como eram,
por esferas iluminadas
de céus cristalinos.

E havia calor no sonho,
desatenção em tudo o mais
a meu redor
e, o que inundava noite a dentro,
era a sensação risonha
de um sentimento nascente,
de todos o melhor !

Havia musica
entoando pelo quarto
e movimentos de ninar
nas visões vertentes
de luz em meus ares !

Lembro-me sim,
palavra por palavra
e  gestos impiedosos
dos seres incompreensivos,
caçadores da candura
do nosso quase amor verdadeiro ,
sadicamente açoitado !

Lembro-me sim, de você e de mim
e ,de tudo que nos despertou
para a seqüência dos nossos atos ...
embora a remontagem daquela ironia
continue atormentando

Até quem sabe algum dia...
inveja e  maldade se estilhace
no futuro deste mundo,
definhe e apodreça como  raízes
encharcadas !
Então, viveremos o que não pode ser.
Suzette Rizzo

  

Segredos


Segredos
Suzette Rizzo


Segredos !
Tenho tantos
nestas recordações...
Invasores dos meus
princípios,
segredos de atitudes
pecaminosas,
transgressora das leis
naturais,
espinheiros demais
ardidos...
na pele do meu destino ! 



Apavora-me a reação
de um dia,
meu caminho tortuoso
dando inicio
à um turbilhão de
inferno vivo...
Eu, entre o ínfimo
do mundo,
cara a cara com meu
martírio ! 

Mas, a musica envolve,
seus olhos aquecem
noites frias,
pensamentos nebulosos...
E vale, namorar seu
sorriso,
a postura perfeita na
calça rasgada...
E tudo que seduz
esta escalada ! 

Segredos !
Penso nestes...
Únicos momentos
verdadeiros...
Derretendo as geleiras
da minha vida...
Causando intimamente
o prazer dos prazeres
mordendo meus dias...
Acendendo a estrela guia...
Antes tão escondida !

Suzette Rizzo

25 05 02

Solidão

SOLIDÃO
Suzette Rizzo

Invade sem qualquer cerimônia,
repetidamente, cronometradamente,
junto ao meu despertar.
E lá vem ela, colada,
olhar-se no mesmo espelho,
cortar pensamentos otimistas,
ser parte da minha vida ! 
Sinto-a mexer comigo, 
fixar-se em meus vazios,
penetrar  pensamentos
aos quais respondo, a mim mesma.
Surpreendo-me... 
é minha a voz,
mas e a outra, de onde vem?
E a solidão desanda nesse tête-à-tête
chatérrimo...
coisa grosseira, xucra...
persistentemente convencendo,
que sou par de coisa alguma.


Suzette Rizzo,

Reciclagem


Reciclagem
Suzette Rizzo

Foi-se o tempo bom,
vai-se o tempo depressa,
prossigo em meio aos meus ecos,
sobre imperceptíveis ondas,
entre meus versos.
Tantas coisas pendentes,
palavras não ditas,
escolhas malditas,
medos acumulados,
em suma, é ela (a que foi)
e não eu quem descreve,
meu lado camuflado.
São como rasantes meus versos
e metade esfola
mais por dentro que por fora.
Foi-se o mundo dos meus olhos,
mas os sonhos, reciclei-os,
são pesadelos,  ex amores
que hoje folheio.

Peso


Peso
Suzette Rizzo

Esta mulher que sou
preenche a cabeça,
das coisas que não quero
e lembro.
Seria bom extrair pesadelos
e que eles
rolassem decapitados
das minhas profundezas.


Porque esta mulher que sou,
necessita extinguir
o peso das tristezas.


7 de novembro de 2014

Anoitecer outonal


Anoitecer outonal 
Suzette Rizzo

A tarde ainda amorna o piso
e o céu
anoitece cravejando brilhos
à visão que busca
belezas no infinito.
O friozinho do outono não me preocupa,
os animais sem lar inda não tremem
e adormeço então tranqüila
quando o sono vem.
Logo mais, na próxima estação,
meu desassossego pegará corda
assim que o limite que enxergo acinzentar
e a terra parecer morta.
Logo, sofrerei,
quando os verdes se queimarem,
as flores se encolherem do mau tempo.
Será  preciso buscar o sol
nos vãos do pensamento.

Por ora, aprecio a brincadeira das crianças,
observo o bronzeado dos meninos da minha rua
e o sorriso aberto no semblante das pessoas.
Logo mais,
verei o andar apressado dos trabalhadores
encolhidos, encapuzados,
querendo correr para o aconchego
dos seus quartos,
aboletar-se sob ralos cobertores.
É então que o sono me abandona
e a alma aflita pensa nos bichos e mendigos,
e pede a Deus com afinco, manhãs de sol.
Odeio invernos, finais de outono,
em que o tempo se faz senhor de mortes
e ri do meu pais entristecido.
Por ora,
a tarde inda amorna o piso.


Suzette Rizzo

5 de novembro de 2014


Algo além
Suzette Rizzo


Não sei de que lado
vem a voz da consciência.
Apenas sei que o silencio
sopra advertências,
faz chover arrependimentos,
clareia o labirinto,
cala os lamentos.
Estou em pé,
amparada por esse canto
capaz de amolecer músculos,
aliviar tensões,
desmanchar conflitos
e mais que isso ter fé.
Uma fé capaz de me permitir navegar
outra vez,
entre os mares do sétimo céu.


Suzette Rizzo

Ambiente




Ambiente
Suzette Rizzo

Raro perceber a loucura
invadindo a cabeça nua
de normalidade.
Ninguém percebe
por mais imbecil sejam palavras
e gestos, vontades.
Mas eu percebi,
desde o primeiro recado,
na verdade impacto.
Solidão tem dessas coisas,
qualquer palavrinha preenche,
qualquer mentirinha me vence.

Pasma comigo,
percebo ter tomado o bonde errado,
pior que tudo, conscientemente
uma vez mais.
Hoje, espanta-me
esse ambiente literário
em que a solidão se encharca
de amores fúteis
e a alma desata dores
por mínimas coisas,
na verdade inúteis

Ligeira explicação


Ligeira explicação
Suzette Rizzo

Duro é recomeçar
quando as pernas estão cansadas
e a cabeça machucada de magoas,
conseqüência de tudo que enxovalhou.
Alma é única e o tempo não desobriga
os consertos,
nem coloca enxertos nos vãos
que a vida cavou.


Por isso tentei sem resultados,
por isso sofri como louca,
por isso esta alma sempre encharca
e não se casa com outra.

(Responding ... )
 

Monday, June 04, 2014

4 de novembro de 2014

Fuga



Fuga
Suzette Rizzo

Cavalgo em meu cavalo negro
até o castelo de Merlin.
É feia a estrada,
feias são as visões,
mas, disposta a seguir em frente
chego lá.
Um velho sereno de barbas brancas
recebe-me,
convida-me a sentar em poltrona macia,
oferece-me café bem forte
e me diz:
Posso ser útil em alguma coisa?
Respondo que sim,
mas, não sei por onde começar.




É um sonho tão real,
quando ele fixa meus olhos
doa-se  e responde:
Triunfarás!


(Triunfei: Concretizando desejos de esquecer más fases,
péssimos amores e aquele imenso desejo de paz).

Posturas


Posturas
Suzette Rizzo

Pareço sempre alma terminal
atirada no lodaçal.
Uma mascara dramática,
par da comedia imortal.
Vitrines, espelhos...
quero-os longe do meu olhar
sem dono
e nem me olhem os inimigos
quando eu tiver que passar
em frente aos “peritos”...
em dilatar desgraças.

Enquanto eu for caricatura
deste tempo nocivo 
não quero cumprimentos,
falsos elogios,
críticas maldosas,
comentários idiotas...
muito menos ares de censura
e olhares de acupuntura
sobre antigas arranhaduras
e feridas similares.


Tuesday, May 22, 2012